segunda-feira - 27/10/2025 - 08:54h
Provas

Mais de 115 mil estudantes no Rio Grande do Norte são avaliados

MPF detalha as etapas do certame (Foto ilustrativa)

Saeb tem aplicação de provas (Foto ilustrativa)

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) iniciou, nesta semana, a aplicação das provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) 2025.

No Rio Grande do Norte, a avaliação mobiliza 115 mil estudantes de 1.679 escolas, abrangendo 5.325 turmas das redes estadual, municipal, federal e privada. Ao todo, são 545 escolas estaduais, 893 municipais, 23 federais e 221 privadas, distribuídas em 45 polos de aplicação em todas as regiões do estado.

Aplicado em todo o país, o Saeb é o principal instrumento de diagnóstico da educação básica brasileira. Desde 1990, o sistema coleta dados sobre o desempenho dos estudantes e o contexto das escolas por meio de testes cognitivos e questionários respondidos por alunos, professores, diretores e gestores públicos.

Os resultados subsidiam o cálculo do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e orientam políticas voltadas à melhoria da qualidade do ensino.

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segunda-feira - 11/08/2025 - 17:48h
Mossoró

Estudantes municipais ganham intercâmbios nacional e internacional

Solenidade ocorreu no Teatro Dix-humor Rosado (Foto:PMM)

Solenidade ocorreu no Teatro Dix-humor Rosado (Foto:PMM)

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), sancionou nesta segunda-feira (11), três novas leis municipais referentes aos programas de intercâmbio nacional e internacional e também sobre o novo Prêmio Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). A solenidade aconteceu no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

A primeira lei trata-se do Programa ‘’Partiu, Brasil’’, que tem como objetivo proporcionar aos alunos e professores de Mossoró o intercâmbio por cidades brasileiras. Os alunos terão a oportunidade de conhecer cidades como Brasília, São Paulo e Curitiba. Todos os custos referentes a viagem serão pagos pela Prefeitura.

Também foi sancionada hoje lei referente ao Programa ‘’De Mossoró para o Mundo’’, que ofertará aos alunos e professores da rede municipal um curso de língua estrangeira e intercâmbio internacional, com tudo pago pela Prefeitura de Mossoró.

A terceira lei é relativa ao novo Prêmio IDEB, que agora contempla alunos, professores, diretores, supervisores e escolas. A premiação também foi ampliada.

‘’É um grande avanço para a educação. São ações que proporcionam a milhares de alunos de Mossoró a oportunidade de realizar intercâmbio educacional pelo Brasil e fora do Brasil, uma experiência única e também estamos ampliando o Prêmio Ideb. Esses programas também fazem parte do Mossoró Cidade Educação, maior programa de investimento em educação da nossa história”, pontuou Allyson Bezerra.

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sexta-feira - 16/08/2024 - 09:44h
Educação

Ideb de Mossoró é o melhor entre os maiores municípios do RN

Aulões fazem parte do reforço escolar na rede municipal (Foto: Outubro de 2023/Arquivo/Walmir Alves)

Aulões fazem parte do reforço escolar na rede municipal (Foto: Outubro de 2023/Arquivo/Walmir Alves)

Mossoró aparece em posição de destaque no Rio Grande do Norte em avaliações contidas no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), cuja edição de 2023 foi divulgada nessa quarta-feira (14). Os resultados são os melhores entre os maiores municípios do estado, superando, inclusive, a capital potiguar, Natal.

Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a Rede Municipal de Ensino de Mossoró alcançou o índice de 5,6, superior ao atingido por Natal (4,5), Parnamirim (4,8), São Gonçalo do Amarante (4,5), Macaíba (4,3), Ceará-Mirim (4,2) e Extremoz (4,5). A nota também foi maior do que a atingida por Mossoró no Ideb 2021 (5,3), o que mostra o avanço e o resultado das ações executadas pela gestão do prefeito Allyson Bezerra (UB) ao longo dos últimos três anos e meio.

Em relação aos Anos Finais, Mossoró também se destacou em nível de Rio Grande do Norte, com índice de 4,3. Natal, por exemplo, alcançou apenas 3,3. Já Parnamirim registrou uma nota de 3,7; São Gonçalo do Amarante (3,2), Macaíba (3,4), Ceará-Mirim (3,1) e Extremoz (3,7).

Com o programa “Mossoró Cidade Educação”, por exemplo, os alunos da Rede Municipal vivem uma nova realidade no ambiente escolar: unidades de ensino reformadas, suprimento alimentar, distribuição de kit completo de material e fardamento, aulões (veja AQUI) para reforço de conhecimento escolar e até tênis – comenta o prefeito Allyson Bezerra.

Ele aponta outro diferencial que concorre até para recuo na evasão escolar: “o programa que vai concluir ainda este ano a climatização de todas as unidades de ensino do município, na cidade e zona rural, num toda de 95 escolas, dá a alunos, professores e pessoal de apoio um ambiente escolar comparativo com as estruturas do ensino privado.”

Sistema com condicionador de ar obriga PMM a mudar salas e sistema elétrico (Foto:Walmir Alves)

Sistema com condicionador de ar obriga PMM a mudar salas e sistema elétrico em 95 unidades de ensino (Foto: Walmir Alves/Arquivo)

“A educação transforma vidas, e por isso lançamos na nossa gestão o maior programa de investimentos na história da Rede Municipal de Ensino da nossa cidade, com ações que já trazem resultados muito positivos,” acrescenta.

Leia tambémRN tem pior ensino médio do país; governo tenta se explicar

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quinta-feira - 15/08/2024 - 18:02h
Ideb

RN tem pior ensino médio do país; governo tenta se explicar

Francisco do PT fez defesa do Governo Fátima na AL (Foto: ALRN)

Francisco do PT fez defesa do Governo Fátima na AL (Foto: ALRN)

A rede estadual de educação do Rio Grande do Norte teve o pior desempenho do Brasil no ensino médio em 2023, segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), que foi divulgado nessa quarta-feira (14) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O Governo Fátima Bezerra (PT), professora de origem profissional, fica em situação embaraçosa.

Essa foi a segunda vez seguida que o estado ficou com o pior desempenho do ensino médio na rede pública. O Ideb apontou que o ensino médio do RN teve nota de 3,2, a pior entre todas as federações do país. A maior nota foi de Goiás, com 4,8, e a média do Brasil foi de 4,1.

A nota no ensino médio do RN representou uma melhora de 0,4 em relação ao Ideb de 2021, o último que havia sido divulgado.

O Ideb é o índice que mede a qualidade da educação no Brasil e tem resultados a cada dois anos. As piores notas do Ideb na rede estadual no ensino médio foram:

RN – 3,2

RJ – 3,3

RR, PB e AP – 3,6

AM, BA, DF, MA e SE – 3,7

SC, MS – 3,8

Quando se considera o ensino médio completo, incluindo a rede privada e o ensino federal, o RN teve o segundo pior desempenho ao lado do Rio de Janeiro, com nota 3,7, e na frente apenas de Roraima.

O ensino médio do RN é composto por 75,9% da rede estadual, 13,9% da rede privada e 10,2% da rede federal.

O outro lado

Segundo a Secretaria Estadual de Educação e Lazer do RN, os índices voltaram ao nível de crescimento do período de antes de 2020, já que na pandemia houve uma dificuldade de investimentos na área.

Na Assembleia Legislativa, o deputado Francisco do PT e líder do governo na Casa disse nessa quinta-feira (14) que “de fato é algo preocupante e que merece reflexão profunda. Mas não passa apenas pelo atual governo, já que a nota do Ideb, mesmo tendo sido a última, ainda é uma das melhores notas da série histórica para o RN, que sempre conviveu entre a última ou penúltima colocação. Merece sim ampliarmos esse debate pois me parece algo estrutural e não conjuntural.”

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quinta-feira - 18/05/2023 - 16:52h
Incentivo

“Prêmio Ideb Mossoró Cidade Educação” é lançado

A Prefeitura de Mossoró lançou nesta quinta-feira (18) o “Prêmio Ideb Mossoró Cidade Educação”. O projeto tem como objetivo ampliar os indicadores do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), além de reconhecer escolas, professores e alunos que se destacarem, concedendo premiações. O evento aconteceu no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

Evento lotou Teatro Municipal Dix-huit Rosado nesta quinta-feira (Foto: PMM)

Evento lotou Teatro Municipal Dix-huit Rosado nesta quinta-feira (Foto: PMM)

“Mais uma ação do ‘Mossoró Cidade Educação’ agora com o ‘Prêmio Ideb Mossoró Cidade Educação’ que tem como principal objetivo estimular e reconhecer os principais sujeitos envolvidos na aprendizagem das crianças; a escola, o professor e o aluno. Essa é uma iniciativa que estimula todos a buscarem melhores resultados e melhores índices no Ideb. Então, nada mais justo do que premiar os melhores resultados”, disse a secretária municipal de Educação, Hubeônia Alencar.

A premiação será concedida em dinheiro às escolas com os melhores índices do Ideb e às que tiverem maior avanço nas notas, em relação à edição anterior, aos professores do 5º ano e professores de Língua Portuguesa e Matemática do 9º ano das escolas classificadas em primeiro lugar. Além da premiação também aos alunos com as maiores notas nas escolas premiadas e aos alunos que participaram do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB) nas escolas com avanço no Ideb.

Premiação

Escolas

1º lugar – R$ 5.000

2º lugar – R$ 3.000

3º lugar – R$ 2.000

Professores

R$ 1.200

Alunos

1º lugar – R$ 1.000

2º lugar – R$ 700

3º lugar – R$ 400

“É uma premiação que estamos lançando hoje, com um objetivo muito claro, que as nossas escolas tenham uma melhor posição na nota do Ideb. É importante dizer que Mossoró hoje já está à frente das principais cidades do Estado e muito à frente das escolas estaduais. A avaliação da nossa gestão no tocante à educação tem dado um salto muito importante, mas queremos avançar ainda mais”, ressaltou o prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade).

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quarta-feira - 08/02/2023 - 21:42h
Política

Líder da Oposição pode mudar de lado e critica oposicionismo de varejo

Do Blog Saulo Vale

O vereador professor Francisco Carlos (Avante), líder da Oposição na Câmara Municipal de Mossoró, não descartou integrar a base do governo Allyson Bezerra (Solidariedade).

Francisco mostra que nos planos estadual e nacional, a prática política é de mistura (Foto: BSV)

Francisco mostra que nos planos estadual e nacional, a prática política é de mistura (Foto: BSV)

Ele foi questionado sobre o assunto durante entrevista ao Jornal da Tarde, da Rádio Rural de Mossoró, desta quarta-feira (8).

– O senhor vai continuar na oposição ou poder ir para independência ou governismo?

“Eu acho que qualquer uma dessas possibilidades existe, de continuar na oposição, de eu me tornar um vereador independente ou até mesmo [de ir para a base governista], se for viabilizada uma discussão de uma convergência de um diálogo com o governo. Qual é a vertente política que tem se fechado à discussão? No plano nacional, União Brasil, que era DEM e PSL, fazem parte da base de Lula. Aqui no RN, acontece o mesmo na Assembleia Legislativa, com PL na base do governo. Do ponto de vista da práxis política, os políticos não têm se fechado a discutir projetos futuros”, argumentou.

Em dezembro passado, Francisco Carlos foi um dos vereadores de oposição que votou a favor da autorização de empréstimo, matéria que, à época, era prioridade do governo.

Alfinetada

Ainda durante a entrevista, de maneira velada e sem citar nomes, Francisco Carlos criticou a estratégia de vereadores da oposição ao citar que a educação municipal deve ser avaliada pelos seus índices educacionais e políticas públicas, e não com por problemas pontuais, “como bebedouro quebrado”.

“Eu não me coloco à disposição para discutir detalhes, como porta ou ventilador quebrado. Isso sempre existiu e continuará existindo, inclusive quando eu era secretário [de Cidadania]. Eu não vou estar discutindo a situação de um bebedouro. Eu quero discutir a qualidade da política pública, que é isso que interessa. A escola pode funcionar bem, apesar de não ter um refrigerador adequado. Essas coisas são meios, não são fins. O Executivo deve se dedicar a discutir os meios. O que temos de discutir é quais são os resultados, como analfabetismo, Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) e avaliações de ensino”, destacou.

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sábado - 19/09/2020 - 18:22h
IDEB

Prefeita se reúne com dirigentes de escolas municipais

Rosalba faz palestra e conversa com diretores (Foto: Assessoria de Comunicação)

A Rede Municipal de Ensino obteve média superior às estadual e nacional na última avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Nessa sexta-feira (18), a secretária de Educação Magali Delfino reuniu representantes de todas as escolas, no auditório do Centro Administrativo Alcides Belo, para parabenizar as equipes pela nota atingida.

Na ocasião, a prefeita Rosalba Ciarlini (PP) esteve presente e conversou com os profissionais da educação.

“Nós tivemos oito escolas com destaque entre todos os municípios do Rio Grande do Norte e devemos isso a vocês, que tão bem realizam este trabalho diariamente em cada uma das escolas”, disse a prefeita.

Com informações da Prefeitura Municipal de Mossoró.

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domingo - 23/12/2018 - 10:24h
Oeiras

Município do Piauí quer ser a Finlândia brasileira em Educação

Vontade política e outros fatores transformam vidas e qualidade de ensino alcança alto nível no país

Por Regiane Oliveira (Do El País, Brasil)

O dia amanhece “bonito pra chover” no inverno de Oeiras. Na cidade do sertão do Piauí, dezembro é um alívio ao temível be-erre-ó-bró, como é popularmente conhecida a temporada de calor intenso, superior a 40 °C, dos meses terminados em b-r-o. As chuvas que esverdeiam a paisagem trazem diferentes desafios para quem trabalha com educação no município de 37.000 habitantes. Se o ar condicionado, ou a falta dele, já não preocupa tanto, é a frequência das crianças às aulas que toma o protagonismo. Quando o rio Corrente transborda, alunos da área rural ficam isolados.

Na cidade, muitos pais decidem que o aguaceiro é justificativa para poder faltar. E dá-lhe a direção das escolas ligar ou bater nas portas para cobrar presença. “Se chuva fosse desculpa, em São Paulo não haveria aula”, argumentam.

Tiana, secretária de Educação, em visita à Escola Municipal Agrotécnica, na área rural de Oeiras (Foto: Reginaldo Rodrigues)

Problemas da educação de um Brasil real passam todos os dias pelo divã de Tiana Tapety, como a secretária de educação de Oeiras chama seu período de atendimento das 7h as 13h. Sobre sua mesa, nenhum computador. Pastas e livros dividem o espaço com uma pequena imagem de Jesus, que assiste ao entra e sai de funcionários, pais e professores, e às discussões sobre estratégias para driblar recursos escassos, problemas sociais de todo tipo, o excesso de calor e, quem poderia imaginar, até mesmo os transtornos causados pela tão esperada queda da temperatura, como a chuva de besouros bufão.

Oeiras é hoje uma cidade que respira educação. Enquanto em Brasília se discutia o Escola sem Partido, projeto que visa proibir posicionamento ideológico ou político na sala de aula —arquivado recentemente na Câmara—, o foco da primeira capital do Piauí era garantir equidade nas escolas rurais, crianças 100% alfabetizadas, cultivo do gosto pela leitura e abordagem individual do ensino.

É assim desde 2013, quando Tapety assumiu a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), que atende a 6.200 crianças no ensino fundamental (da educação infantil ao 9º ano), e que em 2017, conseguiu atingir 7,1 no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) no 5ª ano.

O indicador, que varia de 0 a 10, é calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar e médias da Prova Brasil, que avalia o conhecimento em língua portuguesa, com foco em leitura, e em matemática, voltado para a resolução de problemas. Oeiras superou a meta proposta pelo Inep para 2021, quando, espera-se, todo o Brasil deve alcançar a nota 6,0 —o que corresponderá a um sistema educacional com o mínimo de qualidade para arriscar uma comparação com alguns países desenvolvidos. Em 2017, a média do país ficou em 5,8 nos anos iniciais.

À primeira vista, o salto de Oeiras na educação até parece conto de vendedor, mas não é preciso mais do que meia hora de conversa com educadores e alunos para saber que o olhar da cidade está muito mais para Finlândia, que tem um dos melhores sistemas de educação do mundo, do que para Brasília. As metas pouco ambiciosas do INEP, assim como os temas que distraem o debate sobre educação não parecem interessar. ‘Kit gay’? “Não existe”, afirma Tapety. Escola sem partido? “Coisa de quem quer censurar a sala de aula, negar a criticidade”, resume a secretária, sem dar muito assunto.

Tapety tem clara qual é a sua prioridade: “Oferecer condições para que os estudantes disputem em pé de igualdade e possam se sobressair”. O 10 no IDEB é desejável, mas a prova não é prioridade. Há outros benefícios na evolução da educação além do destaque em avaliações. O resgate da credibilidade da escola e a melhoria da autoestima da população, por exemplo. “Você é de São Paulo?”, pergunta Washington Luís Santos, diretor da escola de educação infantil Girassol. “Temos recebido muitas crianças de lá sem saber ler”, comenta o diretor com um tom de decepção, mas sem esconder o orgulho de quem pode se comparar com a rica metrópole do Sudeste.

Nem sempre foi assim. A extrema vulnerabilidade econômica tornou o Piauí um dos principais polos exportadores de mão de obra escrava do país. A baixa qualificação dos trabalhadores locais, muitos analfabetos, aliada à pouca oportunidade de emprego, até hoje atrai aliciadores de fazendeiros e empreiteiros da construção em busca de mão de obra barata.

Ser reconhecido pela excelência da educação e se tornar um exportador de cérebros será uma mudança de paradigma. “Agora as escolas particulares ligam para oferecer ajuda aos meninos, como se eles já tivessem vindo prontos”, conta Tapety, que ainda não sabe como lidar com o assédio sobre os estudantes que ganharam 18 premiações na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), sendo uma medalha de ouro, duas de prata e quatro de bronze.

Qualidade pública fecha escolas privadas

O esquema é conhecido. Escolas particulares de todo o país caçam na rede públicas alunos de excelência para alavancar seus resultados nas avaliações governamentais. Talvez não saibam que o menino de ouro da rede, Igor Gabriel Oliveira da Silva, de 12 anos, ganhador da medalha de ouro da OBMEP 2018, estuda na Escola Juarez Tapety, até pouco tempo atrás chamada de Carandiru, uma homenagem pouco honrosa à penitenciária de São Paulo, com quem compartilhava um histórico de violência, indisciplina e a incapacidade de educar (ou reabilitar) alguém.

A mudança na escola é recente e foi sentida pelos alunos. “Minha impressão não foi das melhores quando mudei para cá”, conta o estudante Pedro Campos, de 14 anos, sobre sua chegada ao Juarez Tapety. A maior escola da rede atende 735 alunos do 6° ao 9° ano. “Vim de uma instituição particular pequena, era muito tímido”, conta. Hoje quem conversa com Pedro já não nota a timidez. “Infelizmente vou ter que sair [da escola]”, lamenta, já a caminho do ensino médio.

O céu "bonito pra chover" é focalizado da Igreja Matriz, no centro de Oeiras no estado do Piauí (Foto: Reginaldo Rodrigues)

A rede municipal de Oeiras ganhou a fama de fechadora de escolas particulares, após três unidades deixarem de existir desde 2013. A educação pública forte e gratuita virou concorrência direta. Tiana não parece se importar com as críticas. “Há oportunidade ainda no mercado de ensino médio”, avalia, com a experiência de quem já atuou na iniciativa privada.

O ensino médio, aliás, é o grande calcanhar de Aquiles da cidade, e onde Tapety encontra um descasamento com o esforço para virar o jogo da educação. A rede municipal vai mandar neste ano mais de 1.000 alunos para a rede estadual, que é responsável no pacto federativo pelos últimos anos do ensino básico. O desempenho da rede do Estado, no entanto, fica muito aquém dos resultados do fundamental. As escolas estaduais presentes em Oeiras tiveram uma média de 3,7 no IDEB, em 2017, um pouco abaixo da média brasileira, de 3,8.

Quando perguntada sobre o plano para os alunos da cidade, a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) enviou uma nota sobre o ensino médio “inovador” da região, cujos “excelentes resultados refletem os esforços de toda a rede na execução de programas e projetos que garantam ao estudante um ensino público de qualidade”.

Vale ressaltar que a crise do ensino médio, bem como a falta de autocrítica dos Governos que tentam vender excelência onde não existe, não é uma particularidade do Piauí e seus 3,3 no IDEB. São Paulo (3,8), Minas Gerais (3,6), Rio Grande do Sul (3,4), Rio de Janeiro (3,3) também amargam resultados ruins. O prêmio “melhores entre os piores”  fica apenas com Goiás (4,3), Espírito Santo (4,1) e Pernambuco (4,0). Ainda assim, nada a celebrar.

Se dependesse só de Tiana Tapety, o ensino médio seria municipalizado —ideia defendida em publicações pelo futuro ministro da educação, Ricardo Vélez Rodríguez, mas longe de ser algo além de um sonho, uma vez que a grande maioria das cidades não demonstram, pelos resultados em suas próprias redes, terem condições de assumir mais responsabilidade. Além do mais, há sempre a questão financeira: o número de alunos da rede é que garante os vultosos valores recebidos do Governo Federal.

Várias “ações positivas” estão em andamento na esfera estadual, como programas para combater o abandono e evasão escolar, formação de professores e incentivo ao aprendizado de matemática. Mas nada que anime os pais dos alunos, que agora pedem que a Prefeitura assuma as classes de ensino médio.

Rivalidade entre famílias e união improvável

O princípio de revolução em Oeiras começou de uma parceria improvável entre Tiana Tapety e o prefeito Lukano Sá (PP), eleito em 2011. Improvável porque em Oeiras o fenômeno de polarização que assustou no Brasil nas últimas eleições é histórico, e não entre dois partidos ou ideologias políticas, mas entre duas famílias: a Sá e a Tapety. O roteiro de novela é conhecido. As famílias dividem o poder político e as paixões há mais tempo do que as pessoas conseguem se lembrar. O resultado são embates violentos, boicotes, aparelhamento do município em função de oligarquias, que, como na acepção na palavra no grego, fazem um “governo de poucos”, para poucos.

A Tapety da educação jura que nunca votou em ninguém com seu sobrenome. Ela é da parte mais descolada da família tradicional —seu avô, Sebastião, é filho de uma relação extraconjugal do patriarca Antônio Tapety. Mesmo assim o acordo simbólico entre os sobrenomes em prol da educação chama atenção.

Em 2013, quando chegou à secretaria, Tiana Tapety tinha 15 anos de trabalho na rede pública e privada, inclusive a experiência de abrir uma escola de pré-vestibular e uma escola de 6ª ao 3º ano, com princípio de fomentar a educação pela liberdade de pensamento, aproveitando as potencialidades artísticas, sobretudo as locais, para que elas não se perdessem. Ex-petista —foi filiada ao partido até 2011, quando saiu “extremamente frustrada”—, acredita que a educação tem um senso de justiça a atender.

“O PT tentou romper as oligarquias e despontar uma terceira via, mas não conseguiu e acabou fazendo conchavo, ora com uma família, ora com outra”, conta. Hoje não congrega em nenhum partido político. “Defendo a administração pública, seja lá que partido for. Minha ideologia é o saber”, afirma.

Tapety foi para o Governo com a promessa de que Cultura e Educação não seriam loteadas como secretarias de indicação política. A prefeitura vinha de um governo tampão, após cassação de Benedito de Carvalho Sá (PSB), em 2010, acusado de compra de votos. Parte da população percebeu a cassação como motivação política e acabou elegendo o filho de Benedito Sá, Lukano, na época com 35 anos.

“O que se fazia na secretaria era o empreguismo. Mais de oitenta escolas e tudo o que se arrecadava era para pagar pessoal, apaniguados e correligionários. As escolas não tinham orientação pedagógica. Era a educação feita por fazer, como em muitos lugares neste país”, explica Tapety, famosa por ser radical em suas colocações, mesmo em relação aos aliados.

Alunas da escola de educação infantil Professor Balduíno Barbosa de Deus em Oeiras (Foto: Reginaldo Rodrigues)

Vontade política muda educação

Ela atribui à vontade política a pedra fundamental da mudança. “As pessoas pensam que a corrupção está só em Brasília”, ironiza a educadora licenciada em Letras e que hoje estuda Pedagogia. O cenário que encontrou era de uma terra devastada. “Primeira coisa que pedimos foi um banheiro dentro da própria secretaria. Era tudo depredado. Tínhamos 26 escolas com adolescentes e sem banheiro”, conta. Salas que começaram a ser construídas e não foram terminadas. Internet sem velocidade para encaminhar um email. Material encaixotado. Computadores obsoletos. A folha de pagamento não atrasava e o prefeito até dava bônus no final do ano. Mas a educação não acontecia.

A rede tinha uma escola com média 6 no IDEB —hoje a melhor escola do Piauí, com nota 8,3—, e outra com média 2. “Fomos organizando a casa. Tomando medidas antipáticas, que tirou a comodidade de muitas pessoas, sobretudo do docente que diz que ensina, mas que a criança não aprende porque é pobre, porque não tem pai, porque não tem mãe. Como se fosse problema da criança”, avalia.

A primeira medida foi organizar o trabalho. “Quando assumimos cada escola fazia de um jeito. Tinha o livro que queria. Planejava seu conteúdo. Cada um no seu próprio ritmo. Em rede, respeitamos os contextos e os projetos pedagógicos das escolas. Mas todas trabalham juntas, seguindo um mesmo calendário”, afirma. Se essa medida torna a rede engessada? “Os professores reclamam que sim. Mas Tapety garante que este não é o objetivo. “O planejamento é o mínimo esperado. Eles podem fazer mais”, conta.

Outra mudança foi o papel da leitura na escola, que se tornou um fio condutor do trabalho de todas as disciplinas. “Encontramos uma sala lotada de material do PNLD [Programa Nacional do Livro Didático] encaixotado. Os recursos do Governo Federal chegavam, mas aqui na ponta, não fazíamos o dever de casa.”

Tapety afirma que o trabalho na gestão de Lukano foi para reorganizar a rede e garantir o direito à aprendizagem. O prefeito não quis concorrer à reeleição. E foi seu primo, o empresário José Raimundo de Sá Lopes (PP), que atuou como secretário de administração e finanças na gestão anterior, quem ganhou as eleições em 2016. Na segunda gestão, o foco da rede passou a ser garantir a ensinagem, um neologismo usado na rede que define o processo pelo qual ocorre o aprendizado. “Se eu ensino e mesmo assim a criança não aprende, não há ensinagem“, diz Tapety.

Intervenção de alfabetização

Oeiras avançou de 4 no IDEB, em 2013, para 5,4, em 2015. A evasão diminuiu de 32% para 21%. Mas um fantasma ainda assombrava as escolas. Em uma avaliação interna no começo de 2017 foi identificado que sete em cada dez crianças que chegavam no 5º ano não sabiam ler. “Ficamos apavorados. Sabíamos que era preciso fazer diferente. Restava saber como”, afirma.

A rede participava de todos os programas de alfabetização do Governo Federal, mas nenhum dava resultado concreto. Foi o poeta e escritor piauiense, Cineas Santos, que mostrou um caminho. Ele contou que em uma escola municipal de Teresina chamada Casa Meio Norte, duas educadoras— Ruthnéia Lima e Osana Morais— desenvolveram uma metodologia capaz de alfabetizar crianças de forma rápida e efetiva, mesmo em situação de extrema vulnerabilidade.

Tapety admite que desconfiou da promessa. Mas depois de bater em várias portas, inclusive em Sobral, no Ceará, que se tornou famosa pela qualidade do ensino —a rede municipal registrou nota no IDEB de 9,1 nos anos iniciais do ensino fundamental, em 2017—, não viu outra opção e decidiu apostar na intervenção de educação proposta pelas pedagogas.

Oeiras contratou as educadoras de Teresina para fazer uma intervenção de alfabetização. Batizado de Projeto Borboleta, o programa consiste, na prática pedagógica, no desenvolvimento de uma série de sequências didáticas alternativas, que tem como foco a evolução das habilidades de leitura e interpretação —em português e em matemática—, a ser realizado por todas as disciplinas.

A gestão administrativa também precisou mudar. Profissionais e pais foram convidados a “adonar-se” da escola, ou seja, a se tornarem responsáveis pelo êxito ou fracasso dos alunos.“Começamos em março de 2017, com formação de diretores e professores. Na primeira semana de abril, fizemos a aplicação do projeto e qual não foi a nossa surpresa, os meninos de 5º ano em junho já liam. Fiquei impressionada”, conta Tapety. “Nos anos finais, evoluímos, mas não crescemos como gostaríamos. Está melhorando a disciplina, gosto pelo estudo. Temos o adolescente apático, com problemas psicológicos, mas não temos a presença da violência.”

Leitura e leitores

betização adequada foi sentido em toda a cidade. “Tínhamos um projeto de leitura na rede, mas não tínhamos leitores”, conta Tapety, que comemora o sucesso da VI Feira Literária de Oeiras (FLOR), realizada no final de novembro. Cerca de 30.000 pessoas, da cidade e municípios vizinhos, compareceram ao evento, que homenageou a escritora e poeta Roseana Murray.

A poeta assim descreveu sua experiência na cidade: “Vi seis mil crianças pobres do sertão fazendo arte verdadeira, fazendo poesia, música, teatro, dança e ganhando medalhas de matemática e astronomia. Vi crianças falando no palco com a segurança de velhos atores, sabendo de cor textos imensos, sem tropeçar em nenhuma sílaba (…) Queria que o Brasil inteiro soubesse: Oeiras existe e o que se faz aqui poderia ser feito em todo o Brasil.”

Na programação do evento, contos e poemas de crianças como Ana Clara Menezes Araújo, de 11 anos, ex-aluna da rede privada, que cursa o 5º ano na Escola Lourenço Barbosa Castelo Branco, municipal, maior IDEB do Piauí (8,3), e destaque literário da rede com suas publicações Caixalote, uma baleia em perigo e o Palhaço Maluquinho (2013); ABCzinho da Ecologia(2017) e Falando de Roseana Murray & Flor (2018). “Quero ser escritora”, diz a prolífica menina.

“Tivemos mais de 30 obras selecionadas. Mas, financeiramente, só pudemos publicar dez livros, um informativo e uma revista”, afirma Tapety. Dinheiro é um limitador para os sonhos ambiciosos de Oeiras para a educação. “Não sejamos hipócritas de dizer que toda essa mudança aconteceu só por amor à educação. Ninguém resiste à falta de dinheiro, falta de estrutura, respeito”, afirma.

O prefeito José Raimundo é quem se vira para fazer a conta fechar e garantir que a educação continue blindada dos assuntos políticos no município, mesmo criando inimizades. É o que aconteceu quando decidiu montar uma gráfica na prefeitura e economizar 200.000 reais mensais. “Hoje gastamos cerca de 30.000 reais”, afirma. Ou quando se recusou a colocar na secretaria “afilhados” de vereadores de seu próprio partido. “Arriscamos”, afirma José Raimundo. “Colocamos o que é da educação na educação”.

A vontade política de hoje, no entanto, não é garantia de continuidade dos projetos no futuro. Mesmo assim Tapety é otimista: “Acredito na conscientização das pessoas em relação à educação. Quem vier depois vai ter que enfrentar uma população que não aceita mais retrocesso”.

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Categoria(s): Educação / Reportagem Especial
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