domingo - 22/12/2019 - 08:22h

O ICMS e a criminalização de quem produz

Por Odemirton Filho

O Estado, para fazer frente às suas despesas, necessita de dinheiro como qualquer pessoa física ou jurídica.

Para isso, institui tributos, dos mais variados tipos, a fim de obter recursos para manter a sua estrutura administrativa e implementar políticas públicas em favor da sociedade.

O Tributo, segundo definição do Código Tributário Nacional (CTN), “é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”.Consoante o CTN os tributos dividem-se em impostos, taxas e contribuições de melhoria.

Cada ente federativo tem competência para instituir e cobrar seus tributos, nos limites definidos pela Constituição Federal.

Assim, entre outros impostos, cabe à União instituir impostos sobre a importação de produtos estrangeiros e o imposto de renda. Aos Estados-membros e Distrito Federal a instituição do imposto sobre propriedade de veículos automotores (IPVA) e sobre circulação de mercadorias e serviços (ICMS). Aos municípios o Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto sobre Serviços (ISS).

Nesse contexto, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na última semana que o não recolhimento do ICMS, imposto estadual, declarado e não pago pelo contribuinte poderá ser considerado crime de apropriação indébita.

Conforme o relator, ministro Luís Roberto Barroso, “o contribuinte que deixa de recolher o ICMS cobrado do adquirente da mercadoria ou serviço incide no tipo penal do artigo 2º, inciso II, da Lei 8.137/1990 desde que aja com intenção de apropriação do valor do tributo a ser apurada a partir das circunstâncias objetivas factuais”.

O referido artigo preceitua que deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos, tem uma pena de detenção de 06 (seis) meses a 02 (dois) anos, além da multa.

Segundo o ministro, a empresa que deixa de recolher o tributo leva vantagem em relação ao contribuinte que honra o débito, ofendendo a livre concorrência, além de causar prejuízo ao Erário que não pode contar com o valor para melhorar a vida do cidadão.

Com efeito, a decisão do STF é um mais um complicador para a atividade empresarial que, muitas vezes, não recolhe o ICMS por ausência de condições financeiras, principalmente, diante da aguda crise econômica vivenciada pelo Brasil.

Segundo o ministro Luiz Fux a criminalização é “medida extrema para o devedor contumaz, para o grande fraudador, que vive às custas do erário”.

Por outro lado, há críticas a decisão do STF.

Para Breno Dias de Paula, a interpretação representa “um retrocesso sem precedentes”. “A mera inadimplência não pode ser confundida com sonegação. A Constituição Federal veda a prisão por dívidas. Ademais, não se pode misturar corrupção com sonegação, como concluiu a maioria.”

O próprio ministro do STF, Marco Aurélio, assentou que a decisão fere, de morte, o artigo 1º do Código Penal, que preceitua que não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal, sob pena de estar se implantando uma política criminal arrecadatória.

Desse modo, a decisão do STF para aqueles que agem com dolo, não será uma mera inadimplência tributária, passível de uma ação de execução cível, mas uma conduta típica, ilícita e culpável, ou seja, um crime.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Artigo
quarta-feira - 31/07/2019 - 08:12h
CONSEFAZ

Secretário discute Reforma Tributária em Brasília

Xavier: IBS em pauta (Foto: TN)

O secretário de Estado da Tributação (SET) do Rio Grande do Norte, Carlos Eduardo Xavier, está em Brasília.

Participa de reunião dos titulares de pasta congênere nos demais estados federados.

Em pauta nesse colegiado, a iminente Reforma Tributária, pauta que o Congresso Nacional deverá priorizar em seguida à Reforma da Previdência.

O Conselho de Secretários de Fazenda (CONSEFAZ), formado pelos secretários, deverá fechar texto com sugestões de mudança à proposta que tramita na Câmara dos Deputados.

Um ponto nevrálgico para os estados, é que o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) – tributo que pode unir ICMS, ISS, PIS, Confins e IPI – não tenha a participação da União.

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Categoria(s): Política
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quinta-feira - 21/12/2017 - 17:08h
Mossoró

Câmara autoriza prefeitura a “fichar” devedor no SPC/Serasa

Do Blog Saulo Vale

Na sessão ordinária que antecedeu o recesso parlamentar, a Câmara Municipal de Mossoró aprovou esta semana o projeto de Lei do Executivo que autoriza a Secretaria Municipal de Fazenda e a Procuradoria Geral do Município a incluírem devedores de IPTU, multas de trânsito, ISS e quaisquer outras taxas municipais no SPC ou Serasa, caso o pagamento não seja feito em cartório.

Contribuinte enfrenta aumentos e pode encarar SPC e Serasa (Foto: arquivo)

A partir da sanção da lei, todas as pessoas que estiverem em dívida com a Prefeitura de Mossoró, a partir de R$ 500, podem ter o nome negativado.

A proposta foi enviada pela Prefeitura de Mossoró, para a Câmara Municipal e teve aprovação de toda bancada governista. A oposição, formada por apenas 7 parlamentares, protestou, mas não tinha votos suficientes para barrar o projeto.

Como era antes

Antes, a Prefeitura de Mossoró não conseguia, por via judicial, negativar os nomes de quem tem dívidas abaixo de R$ 2 mil.

O objetivo agora é aumentar a direta arrecadação municipal, que este ano tende a chegar a R$ 80 milhões, 13% a mais que o ano passado, graças a aumento nas taxas de IPTU, mudanças na cobrança do ISS e intensificação às multas de trânsito.

Como votaram os vereadores

A favor:

Aline Couto (PHS)

Emílio Ferreira (PSD)

Maria das Malhas (PSD)

João Gentil (PV)

Alex Moacir (PMDB)

Zé Peixeiro (PMDB)

Didi de Arnould (PRB)

Flávio Tácito (PPL)

Manoel Bezerra (PRTB)

Francisco Carlos (PP)

Sandra Rosado (PSB)

Tony Cabelos (PSD)

Ricardo de Dodoca (Pros)

Contra:

Isolda Dantas (PT)

Petras Vinícius (DEM)

Genilson Alves (PMN)

Alex do Frango (PMB)

Raério Cabeção (PRB)

Rondinelli Carlos (PMN)

Ozaniel Mesquita (PR)

Em tempo: A presidente da Câmara, Izabel Montenegro (PMDB), só vota em caso de empate.

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terça-feira - 31/10/2017 - 06:50h
Mossoró

Projeto de alteração do ISS volta ao plenário no dia de hoje

Hoje (terça-feira, 31), mais uma vez vai entrar em pauta o projeto de alteração do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS), na Câmara Municipal de Mossoró.

Sessão começa às 9 horas.

O governo estima que com a nova cobrança do ISS, o município arrecade até R$ 7 milhões a mais por ano.

Na última quarta-feira (25), a bancada da oposição se retirou do plenário (veja AQUI) para não dar quórum, impedindo sua aprovação pela bancada do governo municipal, que enviou o projeto à Casa.

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Categoria(s): Política
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quarta-feira - 23/08/2017 - 11:34h
Proposta

Texto de reforma tributária poderá beneficiar municípios

Do Poder 360

O relator da comissão que analisa a reforma tributária da Câmara, deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), apresentou nesta 3ª feira (22.ago.2017) seu texto preliminar com mudanças no sistema tributário. As mudanças seriam implementadas em 1 período de transição de 15 anos. A expectativa é que os municípios sejam os mais beneficiados pela nova distribuição.

De acordo com a proposta, serão extintos 10 tributos atuais. No âmbito federal: IPI, IOF, CSLL, PIS, Pasep, Cofins, Salário-Educação, Cide-Combustíveis. No estadual, o ICMS. E no municipal, o ISS.

Veja íntegra do texto de Luiz Carlos Hauly clicando AQUI.

No lugar, serão criados 2: o Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS, nos moldes de um imposto sobre valor agregado) e Imposto Seletivo.

Já o ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação) e parte do IPVA serão realocados para os munícipios. Com isso, espera-se que o repasse de receitas para as cidades aumente mais de R$ 24 milhões.

Veja matéria na íntegra clicando AQUI.

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quarta-feira - 31/05/2017 - 11:05h
Municípios

Derrubada de veto presidencial favorece arrecadação de ISS

Em sessão conjunta do Congresso Nacional realizada na noite desta terça-feira, 30, deputados federais e senadores derrubaram os trechos vetados pelo Governo Federal da Lei da Reforma do ISS (Imposto sobre Serviços), Lei Complementar 157/2016, que estabelece uma nova redistribuição do valor arrecadado com o tributo entre os Municípios.

A Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN) comemora a derrubada do veto, que vai possibilitar maior arrecadação para os municípios do Estado.

Com a nova Lei da Reforma do ISS, que volta ao seu texto original após a derrubada do veto, o imposto será cobrado no município gerador da compra, e não mais no município do estabelecimento prestador do serviço. Ou seja, o imposto deixará de ser arrecadado no município sede da bandeira do cartão, e ficará no município onde a compra com o cartão de crédito é feita.

De acordo com a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a derrubada do veto garante a desconcentração de receitas, o que acarreta em repartição de receitas entre os Municípios, redistribuindo anualmente cerca de R$ 6 bilhões aos Municípios brasileiros.

Ainda de acordo com a CNM, a estimativa do ganho da redistribuição do ISS para os municípios do RN é de R$ 49.202.642/ano – destaca Benes Leocádio, presidente da Femurn.

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domingo - 08/01/2017 - 21:26h
Mossoró

‘Rombo’ em Prefeitura ainda não tem medida nem é ‘obra’ nova

Próximo prefeito de Mossoró vai pegar um passivo na Prefeitura que passará dos 140 milhões.

Essa informação no parágrafo acima foi postada com exclusividade pelo o Blog Carlos Santos no dia 26 de setembro do ano passado, às 9h48 (veja AQUI), há quase quatro meses.

Hoje (domingo, 8 de janeiro de 2017), a prefeita mossoroense Rosalba Ciarlini (PP) fala em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, que “até agora não conseguimos levantar tudo, mas os débitos já chegam a mais de R$ 130 milhões”.

Francisco assumiu máquina em queda livre e Rosalba não pode culpá-lo para sempre (Fotos: arquivo)

Caminha para ser maior. Até bem maior, por várias razões.

Quando assumiu a Prefeitura de Mossoró em 2013, Cláudia Regina (DEM) recebeu um volume de dívidas que ultrapassaria os R$ 74 milhões – derivada da era Fafá Rosado (PMDB).

Em 13 de janeiro de 2014, Francisco José Júnior (PSD), ainda na interinidade, atestou que esse rombo estava acima dos R$ 46 milhões (veja AQUI).

De lá para cá, tivemos continuada queda em receitas diretas e indiretas, decisões administrativas comprometedoras, conjuntura nacional desfavorável e outros problemas.

Em 10 de outubro de 2013, às 10h10, o Blog postou reportagem especial mostrando o quadro financeiro próprio da gestão Cláudia Regina, num comparativo com o último ano da segunda administração de Fafá (veja AQUI). Começava a despontar instabilidade e o pior poderia vir. E veio.

ARRECADAÇÃO DIRETA

2012                                                      2013

Janeiro – R$ 5.164,290,73          Janeiro – R$ 6.291,561,75
Fevereiro – R$ 4.315,734,45     Fevereiro – R$ 4.056,959,02
Março – R$ 8.387,322, 35           Março – R$ 6.409,340,26
Abril – R$ 4.831,008,15               Abril – R$ 4.759,411,85
Maio – R$ 5.109,170,73               Maio – R$ 7.381,950,24
Junho – R$ 5.234,152,87             Junho – R$ 4.746,324,87
Julho – R$ 5.460,837,09             Julho – R$ 5. 059,316,43
Agosto – R$ 5.600,450,43          Agosto – R$ 4.684,007,68

No pacote de receitas próprias que definhavam entram Imposto sobre Serviços (ISS), o principal, taxas diversas, multas e juros, dívida ativa, Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) etc..

Apesar do “sinal amarelo”, compromissos políticos do governo inundaram a Prefeitura com novos cargos comissionados, por exemplo. Cláudia foi ejetada da Prefeitura no dia 5 de dezembro do mesmo ano, já sentindo abalos nas contas públicas.

Daí em diante, a “batata quente” caiu no colo do interino e depois prefeito eleito (em disputa suplementar no dia 4 de maio de 2014) Francisco José Júnior.

Cláudia e Fafá: números em queda (Foto: arquivo)

Com o prefeito envolvido ferozmente na campanha municipal suplementar e outra estadual no mesmo ano de 2014, parece que a municipalidade ficou em segundo plano. Queda nas receitas diretas (em especial com desmanche na atuação da Petrobras) e de transferências, tem atrofiado continuadamente o erário.

A Prefeitura de Mossoró chega às mãos de Rosalba como reflexo de anos de gestões carregadas de erros e um cenário desfavorável.

Crise

Culpar tão-somente o ex-prefeito é miopia, má-fé ou desconhecimento de causa.

A crise é nacional, sim. Mas existem ilhas de equilíbrio, obtidas com coragem, ousadia e respeito às contas públicas. Priorizar interesses de compadres, familiares, grupos e negócios escusos não vão ajudar à Prefeitura e Mossoró.

As escolhas da prefeita Rosalba Ciarlini dirão muito do que virá adiante. Choramingar e praguejar o antecessor vão criar couraça protetora durante algum tempo, mas não resolverão seus problemas e da municipalidade.

Essa fórmula, ela adotou como governadora e saiu com reprovação expressiva, até alijada do projeto de reeleição. Francisco José Júnior será útil ao seu marketing defensivo até quando?

Saberemos.

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Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
sexta-feira - 18/10/2013 - 09:57h
Mobiliza 2013

Petrobras faz desmanche com retirada em massa de pessoal

Neste mês de outubro, a categoria petroleira está em plena campanha reivindicatória. Mas, nem isso, impediu a Petrobras de lançar o “Mobiliza 2013”.

Trata-se de um programa de Recursos Humanos que tem por objetivo preencher 3.399 vagas, disponibilizadas, em sua maioria, no Sudeste do País. Apesar do nome, o que o programa promove no Nordeste, ao incentivar a saída da mão-de-obra qualificada da Região, vai, exatamente, na contramão do que sugere.

Graça Foster faz pose com políticos do RN em abril deste ano.

Vem daí o seu novo apelido: “desmobiliza”.

Entre as regras do Programa está a obrigatoriedade das gerências da Estrutura Básica de liberar os candidatos selecionados em, no mínimo, dez por cento, sem que haja reposição. Áreas de produção em terra, como Rio  Grande do Norte e Ceará, são atingidas em cheio.

O efeito econômico-social dessa desmobilização, ou “desmanche”, como o Blog já denominou há muitos meses, já vem sendo sentido há bastante tempo.

O quadro é delicado e deverá piorar muito mais, a pesar do blá-blá-blá da classe política, posando ao lado da presidente da Petrobras – Graça Foster – e das promessas da empresa de que continua investindo na região.

Para o Sindicato dos Petroleiros do RN (SINDIPETRO-RN), a medida da companhia é não somente “desrespeitosa, como também ilegal, uma vez que o Acordo Coletivo proíbe a movimentação de pessoal durante o processo de campanha salarial”.

O sindicato avisa que estuda com sua assessoria jurídica, um contra-ataque através de medidas jurídicas que possam conter essa evasão.

De antemão, cabem alguns questionamentos: por que estas vagas não foram preenchidas pelo pessoal do Cadastro de Reserva do último concurso? Partindo do precedente de que a Empresa não prevê reposição dos funcionários transferidos, quem irá ocupar os cargos que foram deixados para trás? Serão simplesmente terceirizados, ignorando a necessidade de concurso público?

Desigualdades

Não é novidade que os campos terrestres do País, concentrados principalmente no Nordeste, vêm sofrendo desmobilização por parte da Petrobras.

O Programa de Aumento da Eficiência Operacional (PROEF) e o Programa de Otimização de Custos Operacionais (PROCOP) já trouxeram essa realidade, promovendo retração de investimentos e movimentação de trabalhadores para o Sudeste.

Agora, o “Desmobiliza” chega para ratificar a orientação de progressivo abandono da exploração do petróleo em continente a fim de arrecadar recursos para investir no Pré-sal.

Assim, na gestão Graça Foster, ao invés de a Petrobras ser um instrumento de apoio ao Estado no combate às desigualdades regionais, passa a ser fator de agravamento.

A classe política, sempre prodigiosa em tirar proveito na promoção pessoal e de grupos, da força e do abundante capital da Petrobras, insiste em fazer barulho e rugir, sem conseguir nada de concreto.

A indústria do petróleo está baseada em exploração e produção, além de grandes investimentos em pesquisa. A prioridade da Petrobras é o Pré-Sal, seu Eldorado, espécie de Serra Pelada oceânica.

Os investimentos em terra caem e não devem ser retomados. A riqueza e o progresso de incontáveis comunas estão comprometidos e o “Mobiliza 2013” é um atestado de óbito que contraria qualquer discurso ou retórica da empresa e de políticos.

Qualquer dúvida quanto a essa realidade, é só tomar a própria Mossoró como base. Veja AQUI reportagem especial desta página, sobre o comportamento da arrecadação direta da Prefeitura de Mossoró.

Os royalties do petróleo caem. Numa proporção ainda maior desabam os números do Imposto sobre Serviços (ISS) e a empregabilidade no setor definha com voracidade.

O efeito em cadeia é devastador. E o futuro, então…

Algumas cidades que cresceram com o “ouro negro”, no ciclo do petróleo, tendem a encolher nos próximos anos/décadas. Não aproveitaram o boom… pagarão caro por isso.

Com informações adicionais do Sindipetro/RN.

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Categoria(s): Administração Pública / Economia
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quinta-feira - 10/10/2013 - 10:10h
"Metrópole do Futuro"

Prefeitura mossoroense precisa administrar perda de receita

Mossoró enfrenta crise em arrecadação própria que ameaça gestão municipal e seu desenvolvimento

As contas da Prefeitura de Mossoró não vão bem. Podem piorar. E podem piorar muito.Os números da receita direta, por exemplo, estão em queda livre.

Agravante, é que o governo não tem a ousadia de proceder, por exemplo, uma auditoria na folha de pessoal.

“Metrópole do Futuro” sofre com fuga de empregos e comprometimento de erário (Foto: Pereyra)

Em se tratando de receita direta (ou própria), o foco desta postagem, os números são insofismáveis e revelam que Mossoró está no “fio da navalha”.

Em agosto deste ano, por exemplo, a principal fonte de receita própria do Município, o Imposto Sobre Serviços (ISS), despencou 51,56% em comparação com igual período do ano passado.

Em agosto do ano passado, o ISS respondeu com o volume de R$ 2.811,627,31. Já este ano, o total arrecadado com esse tributo foi de R$ 1.361,932,87.

Entre janeiro e agosto de 2013, somente a arrecadação direta de maio “pipocou”, num comparativo com mesmo mês de 2012. Subiu 37,1%.

Em maio de 2012, a receita direta municipal foi de R$ 5.109,,170,73.

Desmoronamento

Em maio deste ano, saltou para R$ 7.381,950,24.

O exercício passado, ou seja, 2012, último ano da prefeita Fafá Rosado (DEM, hoje no PMDB), o erário municipal empalmou R$ 63.754,314,57 como arrecadação própria.

Nesse pacote entram ISS (o principal), taxas diversas, multas e juros, dívida ativa, Imposto Sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) etc..

Seu melhor desempenho foi no mês de março/2012, com R$ 8.387,322,35.

Em março deste ano, gestão de Cláudia Regina (DEM), houve um “desamamento” de quase 30% na receita própria. Chegou a R$ 6.409,340,26.

O desmoronamento no comparativo com março de 2012 é de 27,4%.

ARRECADAÇÃO DIRETA

2012                                                      2013

Janeiro – R$ 5.164,290,73          Janeiro – R$ 6.291,561,75
Fevereiro – R$ 4.315,734,45     Fevereiro – R$ 4.056,959,02
Março – R$ 8.387,322, 35           Março – R$ 6.409,340,26
Abril – R$ 4.831,008,15               Abril – R$ 4.759,411,85
Maio – R$ 5.109,170,73               Maio – R$ 7.381,950,24
Junho – R$ 5.234,152,87             Junho – R$ 4.746,324,87
Julho – R$ 5.460,837,09             Julho – R$ 5. 059,316,43
Agosto – R$ 5.600,450,43          Agosto – R$ 4.684,007,68

O cenário é ruim, mas apenas mostrar números, fazer comparações e resmungar não podem resumir essa matéria jornalística.

A contribuição do Blog vai mais além. E continuará mais além em outras reportagens especiais.

Existem fatores endógenos (internos) e exógenos (externos) concorrendo para essa perda de nutrientes da receita direta municipal.

A ampliação do teto  para o “Supersimples”, decretado pelo Governo do Estado, para adesão de empreendedores individuais, estaria levando a migração de muitos pequenos contribuintes para essa modalidade de vínculo tributário, deixando de representar arrecadação pingada no próprio cofre do município. Há quem aponte perdas crescentes para o Município, com a medida.

O ISS indica, por exemplo, que o “desmanche” da atuação da Petrobras em solo mossoroense é uma realidade que nenhum discurso bonito – ou promessa eloquente – pode desmentir.

Essa metástase na economia atinge outros setores de forma direta e indireta. A Construção Civil, que talvez seja o segmento de maior amplitude na distribuição de renda na pirâmide social, é alcançada em cheio.

Do construtor ao carroceiro que carrega “areia lavada, há queixa.

Os reflexos chegam ao cofre público, que precisa reagir para retomar e ampliar receita, mas com o cuidado para não matar a “galinha dos ovos de ouro”, ou seja, o contribuinte.

Grita geral

Na Prefeitura, atual gestão, um grupo de trabalho na Secretaria da Fazenda passou a ser mais rigoroso e com resultados consideráveis, na avaliação e cobrança tributária relativa a negócios imobiliários. A grita é geral.

A prática comum, cultural e sedimentada, de se avaliar imóveis de forma subdimensionada – em prejuízo ao cofre da prefeitura, passou a ser combatida.

Noutra frente, há aposta para que seja instituído o IPTU progressivo, com rastreamento via satélite (GPS) de cada porção de terra/imóvel no município. Quem tem muito terreno e ocioso, pagará mais.

A alíquota subirá progressivamente para terrenos e imóveis sem uso ou subutilizados. É ainda uma forma de combate à especulação imobiliária.

Como ampliar a arrecadação sem onerar mais ainda o setor produtivo, é o “xis” da questão. Se apertar demais, pode produzir um efeito dominó devastador.

Mas o que ocorre com a Prefeitura de Mossoró é a reprodução do que temos numa dimensão maior: a União.

Máquina pública e CEI

A prefeita Cláudia Regina (DEM) precisa administrar melhor o custo da máquina, reduzir endividamento, podar empreguismo e combater desperdícios e distorções.

Cláudia: medidas duras

Para isso, fundamental é ter coragem e vontade política, pois naturalmente muitos privilégios terão que ser arrancados.

Deve ser assinalado, que o atual Governo trabalhou para que uma Comissão Especial de Investigação (CEI), na Câmara Municipal, não apurasse naturais distorções por má-fé ou por deslizes burocrático-legais na folha da municipalidade.

O vice-prefeito Wellington Filho (PMDB) chegou ao cúmulo do disparate ao afirmar numa entrevista na TV Cabo Mossoró (TCM), programa “Cenário Político”, que “todas as informações são abertas” e “nunca” a prefeitura foi procurada por vereadores para dar informações.

Vários requerimentos e proposições nesse sentido foram barrados pela bancada governista na Câmara Municipal ou sequer respondidos.

A “metrópole do futuro”, epíteto fantasioso que os donos do poder adesivaram no imaginário popular, vive momento delicado.

Fazendo um trocadilho com célebre frase do jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, “é preciso alma até para chupar um Chicabon!”

Para administrar a Prefeitura de Mossoró para todos e, não apenas, em favor de uma patota de privilegiados, com uma herança maldita (dívida de mais de R$ 80 milhões, segundo informação de uma fonte do próprio governo), a exigência é bem maior: coragem para quebrar paradigmas.

Mãos à obra.

 

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