domingo - 16/09/2018 - 15:52h
Passado e presente

Acusado de acordo com PCC, Robinson agora acusa Fátima

No dia 19 de janeiro de 2017, o jornal “O Globo” do Rio de Janeiro estampava a seguinte manchete: “Retirada de presos em Natal foi negociada com facção”. E complementava em manchetinha: “Governo do RN admite ‘conversa’ com PCC” (veja AQUI).

No dia 21 de janeiro do mesmo ano, a revista Época detalha acordo feito pela gestão Robinson Faria com bandidos, apesar de ele negar (veja AQUI).

O Blog Carlos Santos exuma esses registros sobre rebelião no Presídio de Alcaçuz (Nísia Floresta) no início do ano passado, num momento em que de novo se associa a política com o submundo no Rio Grande do Norte.

Vidraça àquela ocasião, agora o governador Robinson Faria (PSD) sai dessa condição para ser estilingue. Acusa a senadora e adversária ao governo, Fátima Bezerra (PT), de ter apoio da marginália (veja AQUI).

Capa de O Globo de hoje mostra foto impactante e manchete comprometedora (Foto: reprodução)

“Segundo um integrante do alto escalão do governo, a negociação aconteceu na sede da polícia, no bairro Cidade Esperança, com José Claudio Cândido do Prado, o Doni Gil, um dos chefões da facção paulista no Rio Grande do Norte. O acordo foi registrado em ata”, disse a Época.

“Na segunda-feira (16 de janeiro de 2017), ele havia sido retirado do presídio com outros quatro do PCC para presídios federais. Foi Doni quem determinou os termos da rendição. Em troca de devolver a calmaria à cadeia, exigiu que o governo transferisse dali somente membros doSindicato do RN (SDC) – no mundo do crime, mudar de “casa” é como ter a prisão decretada pela segunda vez. Sheila Freitas (atual secretária da Segurança) consentiu, e o pacto foi selado”, garantiu.

O governador negou qualquer acordo (veja AQUI).

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Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
sábado - 21/01/2017 - 01:08h
Revista Época

Trapalhada do governo culmina em sete dias de rebelião

Revista Época detalha acordo feito pela gestão Robinson Faria com bandidos, apesar de ele negar

Da revista Época

Já fazia mais de 100 horas que, com escudos improvisados e rostos encobertos por camisetas, presos dominavam a penitenciária de Alcaçuz, no Rio Grande do Norte. Na manhã da quarta-feira (18), o pátio da cadeia lembrava um campo de batalha medieval prestes a explodir. Criminosos da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) ocupavam o lado esquerdo da arena.

Separados por uma barricada de chapas de madeira, membros da organização potiguar Sindicato do Crime (SDC) estavam a postos à direita. Àquela altura, com o peso de 26 assassinatos desde o início da rebelião, o governo estadual se viu emparedado. Em desvantagem, decidiu negociar.

Facções rivais se enfrentam na quinta-feira (19). Governo quer construir um muro (Foto: Andressa Anholete/AFP)

A missão foi encabeçada pela delegada Sheila Freitas, diretora da Polícia Civil na Grande Natal. Sheila é descrita em uma homenagem de parlamentares como “sinônimo de força e de muita determinação”, predicados úteis nas tratativas com a bandidagem.

Segundo um integrante do alto escalão do governo, a negociação aconteceu na sede da polícia, no bairro Cidade Esperança, com José Claudio Cândido do Prado, o Doni Gil, um dos chefões da facção paulista no Rio Grande do Norte. O acordo foi registrado em ata.

Na segunda-feira (16), ele havia sido retirado do presídio com outros quatro do PCC para presídios federais. Foi Doni quem determinou os termos da rendição. Em troca de devolver a calmaria à cadeia, exigiu que o governo transferisse dali somente membros do SDC – no mundo do crime, mudar de “casa” é como ter a prisão decretada pela segunda vez. Sheila consentiu, e o pacto foi selado.

Ao determinar a remoção de 220 detentos de Alcaçuz, nenhum deles do PCC, o governador Robinson Faria (PSD) ignorou a recomendação do setor de inteligência prisional: a de retirar integrantes da facção paulista em vez dos membros da potiguar, por serem minoria – 500 diante de 1.000.

Secretário lamenta orientação ser ignorada por governador

“O que dissemos não foi levado em consideração”, afirmou Wallber Virgolino, secretário de Justiça e Cidadania, em entrevista a ÉPOCA. Num roteiro recorrente para autoridades da segurança pública, Faria negou com veemência qualquer tipo de acordo com o crime, assim como minimizou a divergência com Virgolino. Sheila negou-se a atender à reportagem por impossibilidade de agenda.

Desavenças em momentos de crise são sinais inequívocos de que a situação está fugindo do controle. A confusão entre as autoridades logo foi sentida fora do gabinete. Na mesma tarde do aval para a remoção dos presos, chefes do Sindicato do Crime emitiram um “salve”, como são chamadas as ordens, determinando que os ataques chegassem às ruas.

Pela primeira vez desde o começo da crise na segurança pública – deflagrada em outubro passado, em decorrência de uma guerra entre PCC e a carioca Comando Vermelho (CV) –, a barbárie saiu das prisões.

A Grande Natal foi tomada por cenas de horror. A Polícia Militar registrou pelo menos 38 incêndios e ataques a ônibus, carros oficiais e prédios públicos. Amedrontada, boa parte dos turistas não saiu dos hotéis. Na manhã da quinta-feira (19), a batalha campal se concretizou em Alcaçuz – e pôs fim ao frágil armistício costurado com o governo.

Os presos se enfrentaram com barras de ferro, pedras e pedaços de pau e armas de fogo. A Polícia Militar afirmou que os detentos “estavam armados e se matando”. Sobrou até para o diretor do presídio, Ivo Freire, ferido por estilhaços. Houve mais mortes, mas o número não foi confirmado.

Trapalhadas

O governador Robinson Faria veio a público na quinta-feira para dar uma resposta às trapalhadas ao longo da semana. No ponto mais agudo da crise, anunciou a entrada do Batalhão de Choque em Alcaçuz como medida imediata para conter a batalha medieval. Prometeu mais.

Na entrevista ao canal de TV Globonews (veja AQUI), disse ao vivo para o Brasil que, na manhã seguinte, daria início à construção de um muro para isolar grupos rivais. Parecia ter esquecido que a derrubada de um, dias antes, permitiu o massacre em Alcaçuz.

Saiba mais detalhes AQUI.

Nota do Blog – A revista Época é mais um órgão de imprensa da chamada Grande Imprensa a confirmar, ratificar e detalhar, o acordo feito entre o Governo do RN e o crime organizado (veja AQUI também).

Apesar de negar (veja AQUI), o governador na prática não prova o contrário nem exonerou qualquer auxiliar que atestou a existência dessa negociação de esgoto.

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