domingo - 04/06/2023 - 09:10h

Língua portuguesa

Por Marcos Ferreira

Foto ilustrativa

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Houve momentos em que me arrisquei tocando em assuntos delicados ou polêmicos. Discorri acerca de temas espinhosos, como política, religião e até um pouco sobre futebol. Imaginem só isso! Futebol! Uma inconsequência de meu bestunto, admito. Mas o que busquei foi oferecer o máximo de minha pena, da linguagem de que faço uso com certa dose de imoderação, descomedimento.

Pois escrever, embora duro, penoso e solitário, também é algo que nos liberta e aprisiona a um só tempo. Sempre escolhi o melhor verbo, tentei simplificar sem baixar o nível, de forma que o leitor possa se elevar.

De minha parte, então, entreguei-me com ardor. Vivo em função da palavra. Não tenho outro anseio, ambição, exceto reverenciar nossa Língua Portuguesa. O texto é uma pedra bruta que nos propomos a esculpir. Às vezes a escultura derrota o escultor. Noutras vezes o resultado consagra o artista. De um modo ou de outro, enfim, escrever não é moleza. Requer paixão, entrega, tenacidade.

Colhi das árvores e beirais, durante a alvorada e à hora do crepúsculo, o canto benigno dos pássaros. Incrustei no exercício do meu letramento uma constelação de estrelas. Tudo isso em favor da literariedade e poeticidade da folha momentaneamente vazia. Nada pior que uma página em branco.

Reproduzi (bem ou mal) o som de regatos, o melódico dialeto da chuva banhando o espaço e a terra, metrificando horizontes, retomando seus caminhos. Cantei a moeda infalível da Lua, a juba indomável do Sol, o rendilhado das estrelas, o pisca-pisca de vaga-lumes parnasianos. Essas e outras joias apenas para louvar a poesia que há em cada vocábulo que descortina a hora azul do silêncio.

Caminhei com minhas limitações, com minha cultura rasa e modesta de um devoto da literatura. Porque não sou doutor em coisa alguma, não possuo estofo intelectual como o de alguns amigos e escritores que admiro.

Minha universidade foi uma pequena estante de livros. Daí provém o que sou e reconheço ser. Tudo fiz com esta verve, do meu jeito, à minha maneira. Não achei melhor forma de me expressar exceto pela escrita.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 10/04/2022 - 08:20h

Ucrânia, o berço dos idiomas globais

Por Ney Lopes

Uma curiosidade associa a cultura da Ucrânia aos povos que falam português.

Sendo o segundo maior país do continente europeu em território, a sua língua deu origem ao português, entre outras nações.línguas, cultura, obrigado

O jornalista português Marco Neves publicou artigo, no qual aborda que quase todas as línguas da Europa provêm de uma antiga língua chamada protoindo-europeu, que também deu origem ao persa e o hindu.

Os protoindo-europeus são aqueles que falavam a língua protoindo-europeia; um povo pré-histórico da Idade do Cobre e do início da Idade do Bronze.

A língua protoindo-europeia é o ancestral comum hipotético das línguas indo-europeias, tal como era falado há cerca de 5000 anos, nas proximidades do mar Negro, na Ucrânia.

Os estudiosos da linguística são unanimes em considerar que esse idioma  além de dar origem a línguas como o português, chegou a alcançar até o atual território chinês.

É enganadora a ideia de que cada Nação tem uma língua própria. As fronteiras linguísticas são bastante diferentes das fronteiras políticas.

Na Europa há territórios em que agregam populações, com línguas diferentes e que pertenceram a muitos países ao longo dos séculos.

Por exemplo, países trilíngues, como o Luxemburgo, passando por territórios onde há duas línguas oficiais (várias regiões de Espanha, a cidade de Bruxelas, entre tantos outros casos).

A própria cidade de Lisboa do século XVI era uma cidade que se falava português e castelhano.

Mais ao ocidente, o eslavo ocidental, com línguas como o polaco, o checo, o eslavo meridional, o sérvio, o croata, o búlgaro, classificam-se como línguas próximas, mas com tradições linguísticas e literárias distintas.

Observe-se que o croata e o sérvio (e ainda o bósnio e o montenegrino) estão muito próximos.

Todas estas línguas são padrões criados a partir da convivência de populações dentro dos mesmos territórios, ao longo do tempo.

As dúvidas linguísticas vêm do século XII. Ainda hoje há discussões sobre se o galego e o português são a mesma língua, por estarem separados por uma das mais antigas fronteiras do mundo (Espanha e Portugal).

Em resumo, estudiosos consideram a Ucrânia, hoje dilacerada pela guerra, como o berço dos idiomas falados por quase todos os europeus e países de outros continentes.

Até por esse aspecto os ucranianos merecem receber a solidariedade internacional, neste momento difícil que atravessam.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

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Categoria(s): Crônica
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