domingo - 17/08/2025 - 06:26h

Interrogatório do poeta Augusto Floriano

Por Cid Augusto

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

– Nome?

– Augusto Floriano.

– Profissão?

– Dizem-me poeta.

– Tem filhos em idade escolar?

– Sim.

– Renda mensal?

– Inconstante e insuficiente. Sou um “liso estável”, como diria o jornalista Carlos Santos.

– O senhor tem o direito de permanecer em silêncio, sem que o silêncio seja usado em seu desfavor, mas o interrogatório é também momento de especial oportunidade para o acusado se defender, além de a confissão representar diminuição da pena que eventualmente vier a ser imposta. Compreende isso?

– Sim, compreendo. E desejo falar. Ou confessar, se minhas palavras assim parecerem.

– O senhor ouviu atentamente a acusação?

– Com certeza! Dicção perfeita, a de Vossa Excelência, com pausas dramáticas nas partes mais “incriminadoras”.

– Os fatos narrados são verdadeiros?

– Absolutamente!

– Não entendi. A resposta é ambígua.

– Cristalinos como um bordeaux Château d’Yquem, safra de 1811.

– Por favor, respeito. Não venha com ironia barata.

– Bom, o vinho é caríssimo, mas, de fato, prefiro cachaça.

– Essa confissão é espontânea?

– As minhas palavras são livres, espontâneas e gratuitas, sem os favores dos 30 dinheiros com os quais se vêm convencendo delatores das mais elevadas classes, patentes e estrelas. Até porque um poeta, por menos talento e inspiração que tenha, jamais seria dedo-duro. Aliás, senhor magistrado, o que tenho a dizer diz tudo de mim, nada de ninguém.

– Então, indo direto ao assunto…

– Sim, é verdade, eu faço amor por fazer, e não me importo, de jeito maneira alguma, se essa impostura ofende a honra da música sertaneja ou se os românticos vão me excluir de suas redes sociais. Quanto aos puritanos, prefiro exercitar o direito constitucional ao silêncio.

– O réu está se esquivando… ou fala tudo ou se cala…

– Seria preferível não falar dessa gente. Entretanto, já que insiste em me negar o silêncio seletivo, afirmo que os puritanos são criaturas desprezíveis, a escória da humanidade. Eles fazem guerra por fazer. Quem faz guerra não faz amor.

– Como assim?

– O puritano é, na essência, um depravado enrustido, que deturpa moralidades para disfarçar perversões e infernizar a vida alheia. Em vez de amor – puro, espontâneo, leve e solto –, ele faz guerra.

– Como assim, guerra?

– Guerra para atormentar ex-mulher, ex-marido, vizinho, desconhecido; guerra para atanazar protestante, budista, católico, umbandista; guerra para irritar esquerda, direita, centro; guerra contra a felicidade alheia; guerra contra tudo o que é democrático, a exemplo do amor. Guerra contra o que lhe parece contra!

– Fazer amor por fazer é subversivo aos olhos de Deus, da Pátria e da Família (escrivão, favor consignar Deus, Pátria e Família com letras iniciais maiúsculas).

 – Não perante Florbela Espanca, que defende “amar só por amar” em vez de odiar só por odiar. A propósito, como diria José Régio, “Eu amo o Longe e a Miragem,/ Amo os abismos, as torrentes, os desertos…”. Nada contra quem ama “o que é fácil”, embora o amor belo, recatado e do lar não seja o espírito de Coríntios 13: 1-13.

– Coríntios 13: 1-13? O senhor zomba das Sagradas Escrituras (escrivão, Sagradas Escrituras com iniciais maiúsculas, por favor).

– De nada adianta falar a língua dos homens e até a língua dos anjos, conhecer mistérios, dominar ciências, distribuir falsa caridade, sem a capacidade de amar perdidamente o próximo e o distante, pois o amor é um dom que, em sua plenitude, supera a fé e a esperança.

– Melhor o senhor se aconselhar com a sua advogada antes de prosseguir nesse raciocínio profano e subversivo…

– Não vou precisar. O senhor mesmo exigiu-me a fala franca como condição de prosseguir com o interrogatório.

– Precisar, verbo transitivo direto ou indireto?

– Interprete como quiser, o juiz aqui é o senhor, embora eu deva dizer, “com a máxima vênia”, da intransitividade que…

– Respeito à Justiça! Chega de blasfêmias e ironias!

– Desculpa! Quis apenas ressair que a justiça deve se preocupar também – e ainda mais – com os que precisam de Justiça, muito acima, parodiando famoso jurisconsulto de minha terra, das abstrações da lei adormecida “na frialdade inorgânica da celulose, o papel”. Essa lei, excelência, jamais será exata porquanto interpretada por homens, que, por último, desde a Suprema Corte, passam a decidir maquinalmente pelo livre convencimento da inteligência artificial. Deram-lhe até nome: Maria!

– Eu decido com base no livre convencimento motivado, conforme a legislação me faculta, e escrevo minhas próprias decisões.

– Tudo bem, “Doutor”! Meu convencimento também é motivado. E meu motivo é a poesia, o verso que atravessa a alma e liberta a carne viva e pulsante de quem ama porque ama. Ou isso seria um livre convencimento imotivado, já que não preciso de motivo algum para fazer amor com quem me deseja e a quem desejo?

– Legalmente…

– Do ponto de vista legal, só posso dizer que sou camonianamente indefeso contra o tal “fogo que arde sem se ver”, contra a tal “dor que desatina sem doer”, contra o tal “querer estar preso por vontade”; embora drummondianamente consciente das “sem-razões do amor” e de seu parentesco de quarto grau com a morte, que o vence e por ele é vencida a todo o tempo.

– A medida do amor desmedido pode ser a dor constante da perda…

– Provavelmente. Contudo, sopesando os prós e os contras, convenço-me de que é melhor sofrer por amor do que se regozijar no ódio. Em outros termos, melhor ser passarinheiro e gostar de passarinhar, na voz de Roberta Sá, com a licença de Dudu Nobre e Roque Ferreira, do que cair nas armadilhas das desafeições.

– Que vergonha, seu Augusto! O senhor, um homem velho…

– Interrompo, respeitosamente, antes de que a Excelência cometa a gafe de antecipar o veredicto, não obstante vossa inquestionável proximidade com certa República de Curitiba. E, se me permite, acrescento, mais uma vez fundamentado em Drummond, que “amar se aprende amando” e que o “amor é grande e cabe/ no breve espaço de beijar”. De cada amor que se encanta o poeta, nasce uma rosa, um verso e, quem sabe, um quadro de Laércio Eugênio ou de Túlio Ratto.

– E os grandes e verdadeiros amores onde ficam?

– Grandes e verdadeiros? E todos não são assim? Olha, senhor juiz, já percorri tantas vezes o inferno e o purgatório para alcançar Beatriz e continuo descendo ao mundo dos mortos para resgatar Eurídice sempre que ela me chama.

– E esse esforço vale a pena?

– Sempre vale a pena. Sempre! Pois a recompensa é o paraíso perdido que se encontra e volta a se perder em si. Nesse exercício, aprendi que todos os amores são grandes, excelência, mesmo os que se consumam “no breve espaço de beijar” ou, transgredindo o bom mineiro, no breve espaço de um orgasmo.

– O senhor tem algo a acrescentar?

– Sim! Sem anistia! Sem anistia para os que atentaram contra o estado democrático de amar, com a arma – anagrama ilícito de amar – mais abjeta dos fascistas: o ódio à soberania dos que amam a liberdade.

– Ministério Público, perguntas?

– Satisfeito, excelência.

– Advogada Clarisse Tavares, perguntas?

– Sem perguntas, excelência. A defesa está posta.

– Partes intimadas em audiência para alegações finais sucessivas, por memoriais. O réu continuará preso cautelarmente, com respaldo na proteção da ordem pública, aguardando pela sentença. Audiência encerrada.

Cid Augusto é jornalista, advogado, professor, poeta e escritor

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Categoria(s): Conto/Romance
quarta-feira - 19/08/2020 - 10:20h
Ricardo Lopes

As lentes que recomendo na campanha política 2020

Esse eu indico. Com ele tenho trabalhado há quase 20 anos: Ricardo Lopes.Esse cara é múltiplo; de artista plástico a caixeiro viajante.

Gosto dele, primeiro como gente, porque é do bem, de caráter.

Na hora que recorro ao seu trabalho, suas lentes sensíveis dizem mais do que eu peço, falam mais do que meu texto.

Por vezes revelam tudo!

E, nesse período de campanha eleitoral, é quem procuro e indico.

Senhor (a) candidato (a), caro marqueteiro, eis Ricardo Lopes.

Entre vários profissionais competentes que conheço e com quem trabalho, cito-o e indico-o.

Tem outros bons, muito bons também. E há mercado para todos (amém!).

Mas Ricardo é também meu amigo, um “liso estável” da melhor linhagem, como eu.

Ah, tem mais: é casado com Iarinha (ela vai gargalhar ao ler isso)!

Ao trabalho!

Ricardo Lopes – Whatsapp – (84) 98701-1111

Endereço – Rua Segundo Marques, 216, Nova Betânia, Mossoró.

E-mail: ricardofranciscofernandeslopes@gmail.com

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terça-feira - 23/05/2017 - 04:14h
Esquisito

A “estranha” vida de Joesley Batista

Esquisito: um monte de gente estranha que o bilionário Joesley Batista (Grupo JBS) tenha uma vida de bilionário.

Era para ter a minha, de “Liso Estável”?

Sostô!

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Categoria(s): Só Pra Contrariar
quinta-feira - 06/10/2016 - 16:50h
Liso estável

Greve bancária e extrato de tomate

Greve bancária não me afetou.

Não tenho o que ver em banco, por motivo óbvio:

– Sou um Liso Estável.

Extrato que mais conheço é o de tomate.

Toca para frente!

Nota do Blog – Paralisação começa a ser encerrada em algumas partes do país.

Atualizaremos informações aqui mesmo.

P.S – 06-10-16 às 20h25 – Bancários voltam ao trabalho amanhã. Fim da greve.

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sexta-feira - 13/11/2015 - 12:00h
Espetinho do Netão

Eu Vou!

Hoje é dia de estreia.

Nosso amigo Germano Alves, que ninguém conhece por tal batismo, vai estrear o seu “Espetinho do Netão”.

Beicinho da noite de hoje, à Rua César Campos, no bairro Boa Vista, o “Netão do Grito” receberá amigos, conhecidos, simpatizantes e anônimos.

Intrigados, não!

Quase toda a fauna humana, que se diga.

A turma da “Confraria do Café e Artesanato” tem mesa reservada e prego bem fincado, já acima da cumeeira.

Eu, particularmente, na condição de “liso estável” – espero mesa farta e a compreensão do proprietário do estabelecimento.

Quanto ao tempo, não há pressa: tenho um monte de coisa para não fazer.

Eu vou!

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Categoria(s): Gerais
segunda-feira - 29/09/2014 - 21:30h
Começa amanhã

Greve e extrato bancário

Tem greve de bancários programada para começar amanhã (terça-feira, 30).

Estou muito tranquilo.

Na condição de “liso estável”, não tenho o que fazer em banco e fila bancária desconheço há muitos anos.

Extrato, só de tomate.

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  • Repet
terça-feira - 30/04/2013 - 09:40h
Liso estável

De bem com o Leão (tudo declarado)

Apesar da minha condição de “liso estável” já fiz declaração do Imposto de Renda – com boa antecedência.

Estou melhor do que o ‘colega’ Eike, o Batista. Estável.

Tá tudo declarado: meus sentimentos, minha fé, minha indissociável crença no homem, meus medos (nunca o pânico).

Meus bens. Gente eu lustro, coisas eu uso.

Tudo declarado.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 31/03/2013 - 12:20h
Prêmio

Lotomania faz um mossoroense milionário

Dois apostadores, um de Manaus e outro de Mossoró (RN), acertaram as 20 dezenas do concurso 1.335 da Lotomania especial de Páscoa, realizado em Gramado (RS), e irão dividir a maior parte do prêmio de R$ 46.034.029,50.

Cada um deles receberá R$ 20.626.601,34.

Veja AQUI.

Nota do Blog – Aviso aos “amigos”, conhecidos, familiares, metidos e bandidos: eu não sou o ganhador de Mossoró dos mais de R$ 20 milhões (R$ 20.626.601,34) da Lotomania.

Continuo em ótima situação econômico-financeira: sou um “liso estável”.

Nem quebro nem fico rico.

Amém!

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Categoria(s): Gerais
  • Repet
sexta-feira - 01/03/2013 - 07:10h
Pra descontrair

Um milionário a cada 20 minutos e a “fila”

Vejo na Net a informação de que a estabilidade econômica tem gerado o surgimento de um milionário a cada 20 minutos no Brasil.

Pelo visto, eu fiquei para o rabo-da-fila… Kkkkk!!!

Minha condição de “liso estável” está consolidada.

Menos mal!! Kkkk!!

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Categoria(s): Crônica / Gerais
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