quinta-feira - 18/09/2025 - 23:56h

Pensando bem…

“Todo mundo é só a ponta do seu iceberg.”

Luis Fernando Veríssimo

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sábado - 30/08/2025 - 18:22h
Luto

Morre no RS o escritor Luis Fernando Veríssimo

Luís Fernando Veríssimo morreu em Porto Alegre (Foto: Mateus Bruxel/Agência  RBS)

Luís Fernando Veríssimo morreu em Porto Alegre (Foto: Mateus Bruxel/Agência RBS)

O escritor Luis Fernando Verissimo morreu aos 88 anos, na madrugada deste sábado (30), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ele estava internado na UTI do Hospital Moinhos de Vento desde o dia 11 de agosto. A causa da morte foi complicações decorrentes de uma pneumonia, informou a instituição.

Verissimo tinha Parkinson e problemas cardíacos – em 2016, implantou um marcapasso. Em 2021, o escritor sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), e segundo a família, enfrentava dificuldades motoras e de comunicação.

O escritor deixa a mulher, Lúcia Helena Massa, três filhos e dois netos.

A despedida ocorrerá no Salão Nobre Júlio de Castilhos, na Assembleia Legislativa do RS. Veríssimo nasceu em Porto Alegre, em 26 de setembro de 1936. Viveu parte da infância nos Estados Unidos porque o pai, o escritor Erico Verissimo, um dos maiores nomes da literatura nacional, autor de obras como “O Tempo e o Vento”, dava aulas de literatura brasileira nas universidades de Berkeley e de Oakland.

“O pai foi um dos primeiros escritores brasileiros a escrever de uma maneira mais informal. E eu acho que herdei um pouco isso. Essa informalidade na maneira de escrever”, disse sobre o pai.

A carreira começou no jornal Zero Hora, de Porto Alegre, onde começou como revisor em 1966. No Rio de Janeiro, trabalhou como tradutor.

O primeiro livro, “O Popular”, foi publicado em 1973. Ao todo, Verissimo teve mais de 70 livros publicados e 5,6 milhões de cópias vendidas, entre crônicas, romances, contos e quadrinhos.

O escritor também escrevia colunas para os jornais “O Estado de S.Paulo”, “O Globo” e “Zero Hora”.

Discreto nos hábitos e nas declarações, Verissimo ainda vivia na casa onde cresceu depois do retorno ao Brasil. O imóvel no Bairro Petrópolis, em Porto Alegre, foi comprado em 1941 pelo pai.

O escritório onde Erico trabalhava é conservado intacto pela família. Cercado de livros, Luis Fernando tinha o costume de escrever em outro cômodo da casa, onde também guardava o saxofone e dezenas de discos e CDs de jazz.

Metódico, só interrompia o trabalho quando a mulher, Lúcia, o chamava para o almoço. Já à noite, parava para assistir ao Jornal Nacional. Quando queria curtir seu estilo de música preferido, o fazia sem distrações. “Música é sentar e ouvir”, disse em entrevista em 2012.

Veja matéria completa AQUI.

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quinta-feira - 08/05/2025 - 23:38h

Pensando bem…

“O mundo não é ruim, só está mal frequentado.”

Luís Fernando Verissimo

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sexta-feira - 19/04/2013 - 23:48h

Pensando bem…

“A maneira como você encara a vida é que faz toda diferença. A vida muda, quando você muda.”

Luís Fernando Veríssimo

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domingo - 10/02/2013 - 13:28h

Outra carta da Dorinha

Por Luís Fernando Veríssimo

Recebo outra carta da ravissante Dora Avante.

Dorinha, como se recorda, acidentou-se no último carnaval, quando desfilou na Sapucaí como madrinha da bateria de uma escola. Ela não conseguiu acompanhar o ritmo da escola e foi atropelada pela bateria.

Além dos arranhões e da perda de miçangas sofreu o que ela chama de “escoriações morais”, pois foi bem na frente do camarote da Brahma.

Este ano Dorinha desfilará outra vez como madrinha da bateria, mas de patinete. Como todos os anos, ela preparou-se para o carnaval internando-se no Pitanguy durante quatro meses, só saindo de lá com a garantia de que nada que foi esticado se soltaria na avenida, por mais que ela rebolasse.

Dorinha também diz que… Mas deixemos que ela mesmo nos conte. Sua carta veio em papel roxo, escrita com tinta carmim e cheirando a Mange Moi, o perfume que tira o sono Papa.

“Caríssimo! Beijíssimos!

Sim, estarei na avenida de novo, recordando meus velhos triunfos.

Você se lembra da vez em que desfilei completamente nua com apenas um retratinho do Fernando Henrique como tapa-sexo, para protestar contra a política econômica do seu governo? Como eu ia saber que a política econômica do Lula seria igual à do Fernando Henrique, só que de barba? Pensei em repetir a fantasia trocando o retratinho mas um tapa-sexo barbudo poderia ser mal interpretado.

Minhas manifestações políticas não foram em vão, no entanto. Até hoje tenho certeza que aquela minha alegoria sobre a necessidade de renovação na política, usando a renovação dos meus seios como exemplo, foi responsável pelo afastamento do cenário nacional de figuras como José Sarney, Renan Calheiros e Jader Barbalho, de quem nunca mais se ouviu falar, se é que não estou mal informada.

Minhas companheiras do grupo de pressão Socialaites Socialistas, que luta pela instalação no Brasil do socialismo no seu estágio mais avançado, que é o fim — Tatiana (“Tati”) Bitati, Betania (“Be”) Steira, Cristina (“Kika”) Tástrofe e as outras — formarão uma ala toda de tailleur e carregando motosserras, simbolizando a Dilma e os cortes no Orçamento.

Não pretendo ser abalroada de novo pela bateria, mas se acontecer já combinei com o Gustavão, que toca surdo de repique, para me salvar. Estou chegando naquela idade em que o repique começa a ser um conceito interessante. Ainda se diz ziriguidum?

Beijão da tua Dorinha.”

Luís Fernando Veríssimo é escritor e cronista

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quinta-feira - 22/11/2012 - 16:15h
Perigo de morte

Escritor Luís Fernando Veríssimo tem saúde delicada

G1

O escritor Luis Fernando Verissimo, 76 anos, foi internado na noite de quarta-feira (21) no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o estado de saúde é grave. Ele está internado no CTI adulto da instituição e respira com ajuda de aparelhos.

Segundo Pedro, filho do escritor, Verissimo começou a sentir os sintomas do que pensou ser uma gripe no Rio, onde passou alguns dias depois de participar de um festival literário em Araxá (MG).

Quando retornou ao Rio Grande do Sul, há cerca de uma semana, os sintomas pioraram.

“Eram sintomas de uma virose ou uma gripe. Ele foi para o hospital fazer uns exames, mas durante a noite de ontem ele piorou. O quadro ainda é inconclusivo, mas já se sabe que é grave”, disse Pedro ao G1 na tarde desta quinta-feira.

Saiba mais AQUI.

Nota do Blog – Veríssimo é uma figuraça e tinha compromisso com festival literário de Pipa (Tibau do Sul-RN) – 4º Festival Literário da Pipa (Flipipa) – nesta semana.

Torçamos por sua saúde.

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domingo - 18/11/2012 - 08:12h

Botecos

Por Luís Fernando Veríssimo

Tinha uma mania: colecionava botecos. Não os frequentava, apenas era um estudioso. Gostava de descobrir botecos e recomendar para os amigos.

Ultimamente, vinha se especializando — um refinamento da sua paixão — no que chamava de botecos asquerosos. Daqueles que nenhum fiscal da Saúde Pública incomoda porque não passa pela porta sem desmaiar.

Seu rosto se iluminava na frente de um boteco asqueroso recém-descoberto. Não resistia e entrava. Depois contava para os amigos.

— Uma glória. Sabe ovo boiando em garrafão com água?

— Repelente, não é?

— As galinhas não os receberiam de volta. A própria mãe! Descrevia o boteco com carinhoso entusiasmo.

— E que moscas. Mas que moscas!

Só não tinha paciência com o falso sórdido. Alguns botecos assumiam suas privações como uma declaração de falta de princípios. Ele preferia o sórdido inconsciente, o sórdido autêntico. Principalmente, o sórdido pretensioso.

Uma vez contara, extasiado, uma cena. Terminara de comer uma inominável almôndega, pedira um palito para o dono do boteco e desencadeara uma busca barulhenta e mal-humorada, com o dono procurando por toda parte e gritando para a mulher:

— Cadê o palito?

Finalmente o dono encontrara o palito atrás da orelha e o oferecera. Ele se emocionava só de contar.

Os amigos, sabendo da sua paixão, mantinham-se atentos para botecos sórdidos que pudessem interessá-lo. Muitos ele já conhecia.

— Um que tem uma Virgem Maria pintada num espelho com uma barata esmigalhada de tapa-olho? Vou seguido lá. A cachaça é tão braba que tem bula com contra- indicação.

Outro dia lhe trouxeram a notícia do pior dos botecos. Não era um boteco de quinta categoria. Era um boteco de última categoria. Ficava no limite entre a vida inteligente e a vida orgânica. Ele precisava ir lá verificar. Foi no mesmo dia.

Ficou estudando o boteco de longe, antes de se aproximar. Tinha um garoto na porta do boteco. A função do garoto era atacar cachorros sarnentos. Quando passava um cachorro sarnento o garoto o enxotava — para dentro do boteco!

Ele atravessou a rua na direção do boteco com aquele brilho no olhar que tem o pesquisador no limiar da grande revelação, ou o santo antes do doce martírio.

E tem a história do Nascimento, que um dia quase brigou com o garçom porque chegou na mesa, cumprimentou a turma, sentou, pediu um chope e depois disse:

– E trás aí uns piriris.

– O quê? – disse o garçom.

– Uns piriris.

– Não tem.

– Como, não tem?

– “Piriris” que o senhor diz é…

– Por amor de Deus. O nome está dizendo. Piriris.

– Você quer dizer – sugeriu alguém, para acabar com o impasse – uns queijinhos, uns salaminhos…

– Coisas pra beliscar – completou o outro, mais científico.

Mas o Nascimento, emburrado não disse mais nada. O garçom que entendesse como quisesse. O garçom, também emburrado, foi e voltou trazendo o chope e três pires. Com queijinhos, salaminhos e azeitonas.

Durante alguns segundos, Nascimento e o garçom se olharam nos olhos. Finalmente o Nascimento deu um tapa na mesa e gritou:

– Você chama isso de piriris?

E o garçom, no mesmo tom:

– Não. Você chama isso de piriris!

Tiveram que acalmar os ânimos dos dois, a gerência trocou o garçom de mesa e o Nascimento ficou lamentando a incapacidade das pessoas de compreender as palavras mais claras. Por exemplo, “flunfa”. Não estava claro o que era flunfa? Todos na mesa se entreolharam. Não, não estava claro o que era flunfa.

– A palavra está dizendo – impacientou-se Nascimento.

– Flunfa. Aquela sujeirinha que fica no umbigo. Pelo amor de Deus!

Luís Fernando Veríssimo é escritor e cronista

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