sábado - 06/09/2014 - 10:02h
Propinobras

A Petrobras “deles” precisa ser devolvida ao povo do Brasil

O caso que trato por “Propinobras” (propina na Petrobras) é outro exemplo típico do “imponderável de almeida”, diria o grande dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues. Mas a delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (veja AQUI), nem deveria nos surpreender.

Essa expressão criada por Rodrigues define o inesperado, o que estaria fora do ‘script’, surgindo do nada e alterando história e destinos. Pode ter esse peso no processo eleitoral presidencial e em vários estados.

A Petrobras já foi “nossa”, ufanisticamente. Há muitos anos a Petrobras passou a ser “deles”, ocupada, aparelhada, manipulada, vilipendiada, surrupiada, expropriada, sugada, ROUBADA.

Até para nomeação de cargos nos estados, como no RN, o critério é politiqueiro.

Gente que não sabe diferença entre óleo e água virou diretor. É o caso de Luiz Antônio Pereira (veja AQUI), irmão de Emanoel Pereira, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Antônio, conhecido na “Base” de Mossoró pelo nefasto apelido de “O monstro”, é um bacharel de direito de desempenho acadêmico sofrível que virou diretor geral da Petrobras na região de Mossoró durante a era PT/Lula/Dilma.

Saiu na marra, mas arranjaram um cargo compensatório para ele em Natal. Os mesmos amigos de sempre, os mesmos figurões influentes de sempre.

Sigo abastecendo meu transporte na rede BR, porque confio. Mas os “donos” da Petrobras vão continuar assaltando o que é nosso até quando?

Estado democrático de direito é incompatível com muitas figuras ‘republicanas’.

Como não são banidos, seguem imunes e impunes até outro escândalo.

A Petrobras precisa ser devolvida ao povo do Brasil.

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segunda-feira - 02/12/2013 - 22:38h
Força política

Irmão de ministro do TST ganha cargo especial na Petrobras

Valeu a força política.

O ex-gerente da Construção de Poços Terrestres (CPT/SE) da Petrobras – que durante mais de uma década esteve sediado em Mossoró -, Luiz Antônio Pereira, passa a ocupar outro posto na estatal.

Hoje, ele tomou possena nova Gerência de Serviços Especiais na Sede da Petrobras em Natal.

O cargo foi criado especialmente para ele, depois de ter saído da Gerência em Mossoró em situação delicada.

“Havia sido afastado da gerência devido a problemas relacionados com a falta de competência gerencial e prática de assédio moral tendo sido, inclusive, condenado na Justiça Trabalhista por tais atitudes,” denunciou o Sindicato dos Petroleiros (SINDIPETRO) – veja AQUI.

Luiz é irmão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emanoel Pereira, além de ter forte endosso político dos deputados federais Fátima Bezerra (PT) e Henrique Alves (PMDB).

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domingo - 24/11/2013 - 11:06h
Petrobras

Petroleiros vão à luta contra uso político e demissões

As entranhas da Petrobras estão em ebulição. Supostas intervenções político-partidárias, adoção de nova ordem de investimentos e relações com trabalhadores fundamentam mobilização que ganha proporção nacional.

Federação Única dos Petroleiros (FUP) convoca  os Sindipetro´s filiados, especialmente, o SINDIPETRO-AM, SINDIPETRO-CE/PI, SINDIPETRO-BA, SINDIPETRO-ES, SINDIPETRO-PE/PB e convide também o SINDIPETRO-AL/SE para reunião emergencial em Natal, nesta segunda-feira (25), às 14h, no Hotel Monza, “com o objetivo de discutir ações, atos e formas de luta para o enfrentamento do avanço da política neoliberal na Petrobras e no dia 26 (terça-feira) realizaremos um grande ato, na sede da Petrobras, em Natal em protesto contra assas agressões”, assinala comunicado.

Poder queima estatal e deixa trabalhadores em dificuldades

As áreas terrestres da Petrobras enfrentam problemas que dizem respeito ao esvaziamento de atividades, cortes de investimentos, calotes, desativação de postos de trabalho, violência e assédio moral, substituição de trabalhadores próprios em regimes especiais por trabalhadores terceirizados entre tantas perseguições, irregularidades e arbitrariedades se configurando em desrespeito a legislação trabalhista e civil vigente, como também em descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho.

José Araújo, coordenador geral do Sindipetro/RN, assinala que três pontos em especial estão na pauta dessa luta.

Desemprego

“Primeiro foi desligamento de 3 companheiros da Petrobras sob a alegação de uma suposta por incompatibilidade com o Edital do Concurso. Os companheiros demitidos já estavam com mais de 3 anos de empresa”, afirma.

“O segundo caso refere-se a empresa Sertel, que prestava serviços de manutenção na Petrobras em Mossoró. A empresa não pagou os salários do mês de outubro, encerrou bruscamente suas atividades no dia 19 de novembro próximo passado e demitiu todos os 430 trabalhadores alegando supostas querelas judiciais e, pior, não pagou as verbas rescisórias para ninguém”, aponta.

Outra situação delicada está relacionada a Luiz Antônio Pereira, “um ex-gerente da Construção de Poços Terrestres (CPT/SE) que havia sido afastado da gerência devido a problemas relacionados com a falta de competência gerencial e prática de assédio moral tendo sido, inclusive, condenado na justiça trabalhista por tais atitudes.”

Araújo assinala, que “o tal ex-gerente foi agraciado com uma nova gerência (veja AQUI) criada especialmente para atender seus interesses particularistas devido a uma suposta intervenção do PMDB e um irmão que é ministro do TST (Tribunal Superior do Trabalho) – Emanoel Pereira. Isso tudo com a conivência da alta cúpula da Petrobras”.

Luiz Antônio: mais força do que o "capitão"

O Monstro

Luiz Antônio foi ungindo no começo do Governo Lula, a partir de articulação especial dos deputados federais Henrique Alves (PMDB) e Fátima Bezerra (PT), no Gabinete Civil, à época comandado pelo “capitão do time” – o ministro José Dirceu (PT).

O ex-ministro há poucos dias passou a fazer parte do elenco de presidiários do complexo da Papuda, em Brasília, devido condenação no escândalo do “mensalão”.

Luiz Antônio, mais “forte”, ganhou outro cargo, para compensar a queda ocorrida em setembro, em meio a um turbilhão de problemas e revoltas internas contra sua gestão, onde ficou conhecido como “O Monstro”.

Mas há possibilidade de ser devolvido ao antigo posto, numa demonstração de influência, mesmo sendo visto de forma repulsiva no ambiente que reinou durante mais de uma década.

 

 

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terça-feira - 22/10/2013 - 08:03h
Cargo novo

Força política pode devolver irmão de ministro à Petrobras

No plano nacional e internacional, a Petrobras ganhou divulgação superdimensionada no dia passado, com o primeiro leilão do Pré-Sal sob o regime de partilha – em que parte do petróleo extraído fica com a União (veja AQUI).

Luiz: força de cima para baixo

Mas em suas entranhas e no microcosmos potiguar, o nível de negócios – ou de ingerência politiqueira – na estatal chega a patamares burlescos. O enredo revela como a empresa sofre influência externa, para acomodação de arrumações estranhas aos seus propósitos, foco e perfil técnico-econômico.

No dia 26 de outubro, este Blog noticiou com exclusividade (Clique AQUI – Gestão pouco ‘republicana’ derruba gerente da Petrobras) a queda do Luiz Antônio Pereira, gerente do Serviços Especiais em Mossoró, após 11 anos de administração questionável e carregada de denúncias de abuso de poder, com evidência de assédio moral.

Mas a história não está concluída.

O fato é que após ser ejetado da gerência, o bacharel em direito Luiz Antônio Pereira passou à nova pressão de bastidores, para retomada de espaço, graças a influência do seu irmão – o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emanoel Pereira.

Por via transversa, o nome do deputado federal Henrique Alves (PMDB), presidente da Câmara Federal, aparece de forma proeminente no caso. Seria a voz tonitruante dos “Pereira” na Petrobras, para que Luiz continue com bom emprego, mesmo considerado um pária na empresa, espécie de “corpo estranho”.

A alta gerência da Petrobras no Rio Grande do Norte passou a sofrer pesada pressão para voltar a arrumar “um canto” para Luiz Antônio.

Entre empregados que conhecem sua atuação bizantina e intempestiva, Luiz Antônio é  conhecido por um epíteto que dá sua dimensão. É alcunhado de “O monstro”, tamanho o estigma que carrega.

Chegou ao cargo e à longevidade na cadeira de chefia, sem ter currículo técnico algum. Foi aboletado meramente por força de “QI” (Quem Indica). Era e é um estranho no meio, a exigente indústria do petróleo.

Com a saída atribulada e “inesperada”, muitos pensavam que estaria fechado o seu nefasto ciclo na empresa. Ledo engano.

Há costura política para que seja arranjada uma alternativa honrosa para Luiz Antônio, de modo que ele “volte por cima”.

Diante de toda esta pressão política o inimaginável estar para ser consagrado.

Graça Foster

Corre versão confiável de que a presidente da estatal, Graça Foster, conhecida como uma xerife, estaria disposta a ceder ao cerco. A Petrobras pode vir a criar uma nova gerência na região de Mossoró, para que Luiz Antônio não continue amuado e desmoralizado.

Henrique e Foster: poder que pode. Ou não!

O novo cargo vai de encontro à política da própria empresa, que começou sorrateiramente uma desmobilização de pessoal na região de produção terrestre, para investimento dessa mão-de-obra especializada no Pré-sal (veja AQUI).

Luiz Antônio Pereira passaria a ocupar outro cargo, mesmo que sem maior valor prático e de influência como o que detinha antes. Entretanto o “mimo” é uma forma de ele dar a volta por cima e tamponar um pouco do desgaste de sua saída, sem qualquer pompa ou questionamento dos liderados.

Até foguetões foram disparados nas cercanias da Petrobras (Mossoró), exaltando o bota-fora.

O caso promete render mais desgaste à Petrobras e mexer com os petroleiros.

Luiz Antônio consegue ser quase uma unanimidade, negativa, na empresa.

Mas ninguém pode desconhecer uma “qualidade” considerável nele: tem as “costas largas”.

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quinta-feira - 26/09/2013 - 11:31h
Luiz Antônio Pereira

Gestão “pouco republicana” derruba gerente da Petrobras

“Caiu”.

Luiz: enxurrada de processos por assédio moral

Como se diz na gíria política, quando algum nomeado para cargo comissionado é defenestrado, o todo-poderoso gerente de Serviços Especiais da Petrobras em Mossoró e região, Luiz Antônio Pereira, não é mais titular desse cargo estratégico.

Literalmente, “caiu”. Foi abatido, seria o termo mais correto.

Bacharel em direito e irmão do influente ministro do Emanoel Pereira, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Antônio nunca foi uma unanimidade na empresa e no posto. Foi aboletado na Giroflex por mera intervenção politiqueira na estatal, que na era PT se transformou numa subsidiária de interesses partidários e valhacouto para acomodar amigos do poder.

Ele desembarcou por lá como indicação política. Só. No currículo, praticamente nada. Nenhum vínculo, mínimo que fosse, com a história e foco da Petrobras.

Luiz Antônio Pereira foi comunicado ontem no final da manhã, que estava fora do cargo. Foi pego de surpresa.

Convocou reunião para informar que estava de saída e viu um auditório com rostos impassíveis. Ninguém ladeou-o ou manifestou solidariedade.

Isolado

Balbuciou algumas palavras e em menos de três minutos encerrou sua fala. Percebeu pela própria reação dos presentes, que teria tudo da “tropa” – menos apoio ou manifestação de sentimento de perda.

No cargo desde 2002, Luiz Antônio coleciona uma série de problemas que desaguam na Petrobras, sobretudo com enxurrada de demandas judiciais por assédio moral (veja exemplo AQUI, que este Blog publicou há alguns meses).

Contudo nos intramuros da empresa, há muito mais sendo administrado e camuflado administrativamente, para preservação do “nome” da estatal. Situações “pouco republicanas” estão no cabedal de problemas em apuração.

Substituto

A ordem é evitar escândalos. Bastam os já existentes no plano nacional e o desgaste da Petrobras perante a sociedade regional, devido recuo em investimentos e desempregos no setor.

Um nome saído de Aracaju-SE, deverá ser o substituto de Luiz Antônio Pereira. O engenheiro Mafram (prenome não obtido ainda pelo Blog), funcionário de carreira, está convocado para a tarefa.

O gerente geral Luiz Ferradans, ao lado de outros nomes de proa da Petrobras, esteve ontem em Mossoró. Em tese, apenas para reinauguração do Museu do Petróleo, na Estação das Artes Eliseu Ventania.

A Petrobras em Mossoró precisa passar por profundo reordenamento de métodos e relação com sociedade, servidores e terceirizados. Nos últimos anos, seu conceito desabou de forma proporcional à queda livre de Luiz Antônio Pereira, que se jactava de ser “imexível”.

Depois trago mais informações de bastidores.

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segunda-feira - 27/05/2013 - 20:56h
Trabalhador explorado

Petrobras é condenada a pagar R$ 1 milhão a empregado

Do Blog de Daniel Dantas

Em uma ação trabalhista que foi julgada em grau de recurso pelo Tribunal Regional Federal da 21a Região um empregado da Petrobras teve garantido o direito a uma indenização de R$ 1 milhão.

O empregado atuou na gerência setorial de Serviços Especiais da Sondagem Terrestre, comanda por Luiz Antonio Pereira, irmão do ministro do TST Emanuel Pereira. O Acórdão 125.669 da turma do TST sobre o recurso nº100100-31.2011.5.21.0013 fala sobre a jornada de sobreaviso, afirmando que em cada jornada de sobreaviso, o trabalho efetivo não excederá de 12 (doze) horas.

Assim, tendo o reclamante trabalhado além de 12 horas consecutivas, adquiriu o direito ao recebimento dessas horas como extras A prova dos autos- relatórios de operação – mostram a ocorrência de extrapolações da jornada de 12 horas, prova robustecida pela testemunha que confirmou a versão autoral, ensejando o reconhecimento de jornada de trabalho de 17 horas.

Incensurável a sentença que condenou a reclamada ao pagamento de horas extras em prol do autor, com os consectários reflexos.

Nota do Blog – Existem várias outras ações com essa mesma característica, de abuso contra empregados da estatal, cometido pela mesma gerência.

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terça-feira - 28/08/2012 - 09:26h
Assédio Moral

Petrobras silencia diante de acusações graves contra gerente

Do Blog de Daniel Dantas (De Olho no Discurso)

Desde a última quinta-feira (23) aguardo respostas da Petrobras quanto aos questionamentos referentes ao gerente setorial Luiz Antônio Pereira, irmão do ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira.

Sequer me foi dado algum prazo para a resposta, o que não condiz com a prática que tinha no período em que atuei como profissional de comunicação da empresa. Enquanto isso, histórias mal-contadas se multiplicam.

A última, é um texto assinado por empregados da Gerência de Serviços Especiais e encaminhado ao gerente geral Stenio Jayme. O texto tem uma conotação de desagravo, mas com uma inusitada contradição.

Enquanto o primeiro parágrafo trata de estigmatizar o grupo de trabalhadores que apresenta ações na justiça – com ganho de causa – relativas a assédio e direitos aviltados, o segundo confirma os problemas, por exemplo, referentes ao pagamento de horas-extras, que levou a Petrobras a derrotas na justiça por responsabilidade do gerente.

Antes era apenas o PGR e a Assembléia Legislativa que se furtavam a responder meus questionamentos. Agora é a Petrobras, empresa que se apresenta e gosta de cultivar a imagem de transparente, que se omite inclusive de indicar prazo para encaminhar resposta à demanda de imprensa.

Veja AQUI matéria correlata: “Casos de assédio moral inundam Justiça e afetam Petrobras”;
Veja AQUI matéria correlata: “Perseguição e dor banalizam o mal na Petrobras/Mossoró”.

Nota do Blog do Carlos Santos – Tive acesso a milhares de páginas processuais, colhi depoimento de empregados. Também ouvi fontes ligadasa  ex-prestadoras de serviço à Petrobras.

O que está vindo à tona é “fichinha”. Posso afirmar sem medo de estar exagerando: tape o nariz. Repito: tape o nariz.

O silêncio da estatal e do gerente Luiz Antônio não é por acaso.

O que deverá ser puxado dos intramuros e submundo tende a ser muito pior do que já é do conhecimento público através desta página, do Blog De Olho no Discurso e nos escaninhos da Justiça Trabalhista e Comum.

Anote. Aguarde.

Ah, só para lembrar: tape o nariz.

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domingo - 26/08/2012 - 10:32h
Assédio Moral

Perseguição e dor banalizam o mal na Petrobras/Mossoró

São vários os casos em que o gerente Luiz Antônio aparece como principal acusado de maus-tratos

O Blog do Carlos Santos publicou matéria sob o título “Casos de assédio moral inundam a Justiça e afetam Petrobras” (veja AQUI) às 19h53 da última quinta-feira (23), em que retratava o ambiente de expoliação da força de trabalho, na gigante estatal brasileira, a partir de Mossoró. Mas há muito mais a ser contado.

Na seara judicial correm diversas ações trabalhistas que pleiteiam reparos pelo escravismo e supostas humilhações deliberadas, encetadas por recalques, sadismo ou má-fé. Ou a simbiose dessas distorções psicossociais.

Há um abundante e crescente número de processos por assédio moral. Um rosário de gente que se queixa de maus-tratos encetados pelo gerente da empresa na região de Mossoró, bacharel em direito Luiz Antônio Pereira.

O gerente Luiz Antônio Pereira parece ter sido pinçado de algum romance de Jorge Amado ou dos autos do Tribunal de Nuremberg. Pode ser descrito como um jagunço/feitor ou alguém que se especializou na “banalidade do mal”. A filósofa Hannah Arendt teria-o como um experimento perfeito à sua tese da insensibilidade burocrática no trato de vidas humanas.

Luiz, relata-se, está sempre com chicote à mão. Parece um déspota esclarecido ou convicto da impunidade, sob a proteção desse orgulho nacional que é a Petrobras – e seus padrinhos graduados.

O Blog teve acesso a dezenas de documentos no campo judicial, dossiês e colheu depoimentos de pessoas que tiveram relações contratuais traumáticas com a Petrobras. O que está para vir à tona merece uma recomendação prévia: tape o nariz.

Hélio Silva (foto de junho de 2011): punido pelo mérito

Abaixo, só para se ter uma ideia da dimensão desse e de outros problemas correlatos, veja trechos de uma entrevista com o petroleiro Hélio Oliveira da Silva, 48, com 30 anos de Petrobras, originário de Pernambuco, considerado um servidor exemplar e de conceito além das fronteiras do país.

Mesmo sob extremo regime laboral, ainda conseguiu o feito de ser aprovado num concorrido vestibular de Medicina na Universidade do Estado do RN (UERN).

O material é colhido do Blog De Olho no Discurso, que desencadeou denúncia de exploração e uso da estatal para empreguismo gracioso. Vale lembrar que Luiz Antônio não é funcionário de carreira da Petrobras, mas foi aboletado no cargo por influência política do seu irmão, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira.

É essa a história de Hélio. Uma história de vitórias, superação e horrores…

Hélio Oliveira da Silva, 48 anos e trinta de Petrobras.  Filho de família pobre, cuja pai era carteiro, seu sonho era ser médico.  Mas, aos dezoito anos, passou no concurso para a Petrobras.  “A proposta salarial era irrecusável”, diz Hélio, .

O sonho de ser médico foi adiado em troca de uma carreira como técnico de perfuração e poços.

“Como Técnico de Perfuração e Poços Sênior, atuo na complexa atividade de Pescaria, Teste de Formação e Testemunhagem, atividades essas desenvolvidas sempre em campo, junto a sondas de perfuração e produção, terrestres e marítimas”, explica. “Sou um técnico multidisciplinar”, conclui.

Hélio trabalha atualmente na Gerência Setorial de Serviços Especiais, na Gerência Geral de Construção de Poços Terrestres, em Mossoró.  Ele é uma das vítimas de maior dramaticidade do assédio moral na Petrobras.

Leia sua entrevista a seguir.

– Há quanto tempo você trabalha na Petrobras?

Hélio Silva – Antes de tudo agradeço-lhe a oportunidade, pois falar do problema, ser ouvido é uma forma de aliviar a intensidade dos meus sofrimentos. Trabalho há exatos trinta anos, cinco meses e vinte dias. À época, já tinha metas de vida estabelecida. A principal? Ser Médico. De família pobre, filho de carteiro, com doze irmãos. Passei no concurso da Petrobras aos 18 anos, a proposta salarial era irrecusável. Adiei o meu sonho, mesmo assim trabalhei na companhia com esmero e indiscutível dedicação o que me proporcionou uma carreira vitoriosa. Técnico de Perfuração e Poços Sênior.

E continua: “Como Técnico de Perfuração e Poços Sênior, atuo na complexa atividade de Pescaria, Teste de Formação e Testemunhagem, atividades essas desenvolvidas sempre em campo, junto a sondas de perfuração e produção, terrestres e marítimas. Sou um técnico multidisciplinar”.

HÉLIO SILVA

Trabalhar na Petrobras é ter experiência que nos proporciona um grande patrimônio, não me refiro ao material e sim ao imaterial, já que, não tenho dúvidas e sem demérito a outras empresas, a inteligência brasileira gravita em torno da empresa, há muita gente inteligente e competente trabalhando nela. Razão pela qual a Petrobras é uma companhia vencedora, eu recomendo a qualquer jovem que se esforce para fazer parte de sua equipe. O meu caso de dor e sofrimento é pontual e em nada diminui a empresa, são distorções que ocorrem em qualquer grande instituição, mas que precisam ser corrigidas e combatidas.

– Quando começaram seus problemas na empresa?

Hélio Silva – Sempre fui considerado um profissional exemplar, cheguei a técnico sênior ainda muito jovem, topei na carreira há mais de 15 anos, mesmo assim mantive o entusiasmo. Certo dia, perguntei ao gerente local se era justo trabalhar e sequer ser apontado o meu dia de trabalho. Fui defenestrado, desrespeitado. Comecei a pensar duas coisas que foram determinantes para uma tomada de posição, que culminou com a fase mais difícil da minha vida. Primeiro, o país tem uma lei cruel, injusta e perversa que se chama fator previdenciário, tal lei pela sua fórmula matemática empurra pouco a pouco o aposentado para a mendicância.

Vítima

E continua: “Segundo, como posso trabalhar na maior empresa da America Latina, a quarta maior do mundo em energia, tendo a clareza e observando as injustiças a mim acometidas por ocasião do meu regime extremo de trabalho e a supressão de direitos sociais e trabalhistas que não vinham sendo pagos pela empresa, notadamente a subtração de horas extras (tanto inter quanto extrajornada), ingressei com a ação judicial n.º 100200-86.2011.5.21.0012 (Segunda Vara do Trabalho de Mossoró/RN) para fins de postular os meus respectivos direitos? Aí se iniciou um inequívoco processo orquestrado de perseguição.”

– Você se considera vítima de violência no local de trabalho, aquilo que costumamos chamar de assédio?

Hélio Silva – Indubitavelmente. Poderia citar várias situações além do rigor excessivo aplicado. Darei apenas dois exemplos, cristalinos e elucidativos: Pois bem, no dia 21/12/2011, quarta feira, as 08h20min, dia do embarque, fui convocado para comparecer à sala do gerente local. Aí começou o massacre e a verborragia descontrolada e assim foi dito pelo dirigente: “por causa da ação trabalhista das horas extras eu vou destruir você, vou acabar com você, eu posso tudo, tenho todo poder e faço o que bem entendo e além do mais ai de você se for à faculdade de Medicina fazer provas. A partir de hoje você deve ficar na base de 06h00min as 18h00min. Vou desfazer esta ação porque não vai dá em nada, a Petrobras desmancha a ação com facilidade.”

Hélio continua seu relato: “Coincidentemente era a semana de provas na Uern e fiquei transtornado pela virulência e ameaças que sofri. Ao sair da sala de hostilizações tive uma crise de nervos e de choro presenciado por Sóegima Cristina e Valdenildo. São público e notório que ninguém do sobreaviso nunca foi obrigado a permanecer na base durante 12h, uma vez que o trabalho é eminentemente no campo”.

Ele tem mais a dizer sobre o assédio moral.

“No segundo exemplo, no dia 05/03/2012, em Natal, às 10h20min, houve uma reunião do Gerente Regional com o Sindicato dos Petroleiros para tratar de assuntos relativos a perseguições e agressões nas relações de trabalho. Estava presente o Gerente dos Recursos Humanos. Os diretores sindicais Márcio Dias, José Araújo (Dedé), Pedro Idalino e Belchior, além dos empregados da Petrobras Décio, Hélio, Jaime, Soégima Cristina e Valdenildo. O Gerente Regional reforçou os desatinos do Gerente local, foi extremamente duro e cruel. A angústia que já vinha sofrendo, a depressão devidamente diagnosticada, aumentou com a insensibilidade daquele Gerente e a dor doeu mais forte, saí da reunião em completo desatino porque de dedo em riste e na condição de ser proibido de falar, de forma ríspida e autoritária foi dito: ‘Hélio, você vai ficar no administrativo porque eu quero, e quem vai buscar conhecimento em área que não é de interesse da empresa, eu não tenho compromisso e o ônus é todo do empregado.’” Reconheceu que em toda Petrobras sobrara dinheiro no ano de 2011 e disse textualmente que tinha a missão de lapidar o gerente local.

O que o assédio sofrido já lhe trouxe de consequências pessoais, profissionais e de saúde?

Hélio Silva – O assédio moral foi devastador em minha vida. Passei, em dezembro, da condição de um feliz e vibrante acadêmico de Medicina para um paciente com necessidades de fazer uso de ansiolíticos e antidepressivos. Já no mês de fevereiro, adoeci gravemente, deixei de freqüentar as aulas, perdi todas as disciplinas. A depressão se acentuou e imuno deprimido, tive a infelicidade de ser acometido de dengue hemorrágica, fui internado na UTI do Hospital Português (Recife-PE), tive uma experiência de morte.

Segundo o entrevistado, sua vida saiu da euforia da aprovação no vestibular, para um inferno: “Os problemas são muitos: sofro de transtorno ansioso-depressivo, severo distúrbio do sono, dores de cabeça dilacerantes, inapetência, perda de peso, diminuição da libido e diminuição da eficácia do sistema imunológico. O que tanto afeta meus amigos e fundamentalmente a minha esposa, meus três filhos é o desinteresse e o isolamento social. Digo, a depressão é malvada, quem já passou por isso sabe muito bem do que estou falando.”

Ele continua o desabafo emocionado: “Reduziram meu salário cerca de 40% e mudaram meu regime de trabalho do campo, onde sou especialista para o administrativo. Tenho sentimento de indignação e ponho minha esperança em Deus e na justiça, que sabiamente não terá dificuldades de equacionar a problemática”.

– E a justiça? O que ela já disse do seu caso?

Hélio Silva – Bem, acredito na justiça do meu país, a minha ação trabalhista tem forte embasamento. O juiz para bem decidir precisa de provas, as minhas são incontroversas, incontestáveis e insofismáveis, não tenho dúvidas disso. Caso ocorra uma análise bem feita, não haverá a mínima dúvida de que trabalhei em regime excessivo, por que não dizer como uma espécie de semi-escravidão. Com sobrecarga de trabalho e com as folgas desrespeitadas, inclusive nas férias. Tudo isto, sem o pagamento devido. Diga-se de passagem que a Petrobras em sua essência não concorda com isto, o problema é localizado, regional.

Paralelamente à demanda trabalhista, Hélio Silva reage à opressão com outro instrumento jurídico. “Estou entrando com uma ação de assédio moral que é de estarrecer e causar espanto em qualquer um pelo puro desrespeito ao acordo coletivo e próprio código de ética da empresa. Repito, confio na justiça, há homens de bem em todos os lugares e o mal será de alguma forma reparado. Em termos de sentença das ações de horas-extras proferidas pela justiça trabalhista, duas dentre as quatro já foram julgadas favoráveis, as outras duas estão em tramitação. Quanto à ação de assédio acredito que ela é de uma clareza solar e assim sendo, espero um posicionamento favorável do magistrado”.

– Há outros colegas em situação semelhante?

Hélio Silva – Sim. Não obstante, não foi apenas eu quem ingressou com a medida judicial em dissertação. Diversos outros colegas, sentindo-se injustiçados com o não pagamento das horas-extras em foco, assumiram a mesma postura e vêm pleiteando judicialmente o pagamento de suas jornadas extraordinárias. Agora, sou o bode expiatório, como sempre acontece na história da humanidade.

Ele cita adiante, o que tem ocorrido a outros empregados da estatal que vende imagem de excelência para o mundo. “Há seis colegas extremamente afetados, todos passam por tratamentos psiquiátricos, diga-se de passagem, com profissionais médicos diferentes. O que não é coincidência são os diagnósticos e o tratamento, uma vez que todos estão tomando medicação com tarja preta (antidepressivos e ansiolíticos). São eles: Décio (depressão crônica e sem avanço com o tratamento); Jaime, Hollanda, Sóegima Cristina e eu.”

– Qual a sua expectativa? O que você espera que possa acontecer nesse caso?

Hélio Silva – Primeiramente a minha maior expectativa é ver a minha saúde ser restabelecida. A mudança do regime de sobreaviso foi para inviabilizar a minha freqüência no curso, que é o sonho da minha infância. Estando em sobreaviso, poderia comparecer em tempo integral na faculdade nos dias que estava de folga. Em regime administrativo sou obrigado a trabalhar todos os dias, justamente nos horários em que se desenvolvem as aulas da Faculdade de Medicina. A inviabilidade de consensualização do horário de trabalho novo com as obrigações do curso é evidente. Dito isto, sonho em poder voltar a estudar Medicina na UERN; ver a justiça erguida e fundamentalmente que práticas perversas como estas não venha ocorrer com nenhum outro trabalhador. Que as gerações futuras na companhia tenham o prazer de dedicar-se com afinco e zelo e por isso ser reconhecida, e não castigada como está sendo no meu caso. Visto que a pior dor é a da alma, a depressão é malvada e insiste em não ir embora justamente porque estou levando uma vida a qual não suporto, pois não há como agüentar ver a minha decência e dignidade serem subtraídas pela arrogância e insensibilidades de uns poucos.

Veja entrevista completa clicando AQUI.

Nota do Blog – O Blog evitou colocar fotos “novas” de Hélio Silva em seu respeito, a familiares e amigos, tamanha a depauperação de imagem (em relação a essa foto antiga postada nesta postagem).

Punido por seus méritos, Hélio não poderia ser punido pelo Blog.

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quinta-feira - 23/08/2012 - 19:53h
Crise

Casos de assédio moral inundam Justiça e afetam Petrobras

A Petrobras tem agido em duas frentes distintas, mas que se interligam pelo foco comum, para estancar uma crise que ganha proporções inimagináveis na Gerência de Mossoró. O caso, por enquanto, tem maior elouquência na esfera judicial.

Emmanoel: Irmão influente do TST

Ao mesmo tempo, há diligências para ser encontrada uma via negociada, pacífica e menos traumática que não exponha ao público o nome da empresa.

Mas o problema jorra de forma crescente e torrencial, contaminando outros setores.  Ganha eco até na sede nacional dessa poderosa transnacional do petróleo e energia, no Rio de Janeiro.

Seu epicentro é a Gerência de Serviços Especiais, comandada por Luiz Antônio Pereira. Ele é visto por empregados litigantes, na Justiça comum e do Trabalho, como um chefe de perfil intolerante e despótico.

Dessa relação conflituosa tem surgido uma série de ações que acuam a empresa na esfera trabalhista. A questão passou a gerar também uma série de demandas judiciais que acusam Luiz Antônio de “assédio moral” e outros excessos correlatos.

No ambiente judicial, a Petrobras passou a jogar duro e com as armas que tem à mão, para rechaçar os empregados. Não tem tido sucesso até aqui.

Causas que tratam de exploração de mão-de-obra passam a formar uma bomba-relógio de milhões e milhões de reais.

No início do mês de julho a Petrobras foi condenada a pagar mais de R$ 620 mil a empregado da Gerência de Serviços Especiais, comandada por Luiz Antônio Pereira. O empregado fez jus ao pagamento porque mesmo submetido ao regime de turno – que prevê jornadas ininterruptas de 12 horas em um regime de embarque de 7 x 7 dias e 7 x 14 -, restou comprovado que trabalhava 17 horas por turno.

Desse modo, o juiz determinou o pagamento de “70 (setenta) horas extras por cada mês de efetivo serviço que devem ser pagas com o adicional de 50% (cinqüenta por cento), em relação a todo o período laborado pelo reclamante não atingido pela prescrição”.

Luiz Antônio pousou na Petrobras, graças àqueles arranjos conhecidos na política nacional. Qualquer pessoa medianamente bem-informada sobre a terra Brasil, sabe, que o pindorama verde-e-amarelo tem uma vocação para acertos de compadrio.

TST

Ele, a propósito, não é funcionário de carreira da Petrobras, uma empresa que se transformou em orgulho nacional por sua pujança e é símbolo do nacionalismo vencedor. Luiz chegou à Gerência graças ao “QI” (Quem Indica).

Seu irmão mais influente, não se surpreenda, é Emmanoel Pereira, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST).  A corte é o órgão máximo de julgamento no país dos conflitos entre capital e trabalho, patrão e empregado.

Nos intramuros da Petrobras, qualquer estafeta sabe, que Luiz ascendeu ao cargo por essa influência e a força política de um amigo da família, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Henrique: aborrecimento previsível

Agora, patinhando em seu estilo atrabiliário, Luiz Antônio compromete quem o indicou e contamina diretamente a Petrobras.

Esta semana, um graduado executivo da empresa desembarcou sem alardes em Mossoró, para se reunir com uma série de empregados que estão travando esse prélio com o ‘gerentão’. O clima é de beligerância. Digladiam-se sem perspectiva de pacificação.

O graduado executivo retornou de sua missão diplomática sem êxito na investida. Confessou, sem rodeios, que o problema está lhe tirando o sono e de outros figurões destacados. E tudo pode ficar ainda pior. Não duvide.

Sabe-se que há um movimento crescente, articulado, para formalização de denúncia a veículos de imprensa de nível nacional. Dossiê engorda a cada dia. As perseguições poderiam ser comprovadas em farto material. Pior é quando forem relacionados o vigor e condição de “imexível” de Luiz Antônio, no cargo, à relação familiar com um ministro do TST e ao poder de Henrique Alves. Prato cheio para que sejam abertos manchetões na chamada Grande Imprensa. Tudo que Emmanoel e Henrique não desejam. Nem podem deixar correr solto.

Para engrossar o “caldo”, essa crise pode desfiar outras situações ainda mais delicadas e que comprometeriam o status de seriedade da Petrobras, na relação com prestadores de serviços e fornecedores de produtos.

Há algo de podre no reino da Dinamarca? Quem sabe?

O Blog ouviu pelo menos cinco pessoas que estão nesse redemoinho. Algumas delas, em face do que estariam sofrendo, estão até sob tratamento psicológico e psiquiátrico.

Quem tem muito a acrescentar ao assunto é o jornalista e blogueiro Daniel Dantas. Ele, que se diga, até bem pouco tempo era funcionário da estatal. Sabe muito. Tem muito a contar.

Veja AQUI.

 

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Categoria(s): Administração Pública / Gerais
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