quinta-feira - 02/07/2015 - 01:05h
Nesta madrugada

Câmara reduz maioridade penal em nova votação

Do UOL

A Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, na madrugada desta quinta-feira (2) a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos para crimes hediondos, para homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte. Na nova sessão, 323 deputados foram a favor, 155 deputados votaram contra a redução da e houve ainda 2 abstenções.

O texto “mais brando” votado nesta sessão foi considerado uma “pedalada regimental” do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para reverter a rejeição da proposta votada na sessão da madrugada de terça para quarta. Na madrugada de quarta, outro texto que propunha a redução da maioridade foi rejeitado pelos deputados por cinco votos. Eram necessários 308 votos a favor para a aprovação de uma emenda constitucional.

O texto aprovado na sessão iniciada nesta quarta-feira (1º) prevê a redução da maioridade para 16 anos para jovens que cometerem crimes hediondos, homicídio doloso (com intenção de matar) e lesão corporal seguida de morte. A diferença em relação ao texto derrotado na sessão de terça-feira foi a retirada de tráfico de drogas, de terrorismo e de roubo qualificado do rol de crimes que faria o jovem responder como um adulto.

A emenda aglutinativa foi acordada entre PMDB, líderes da oposição e deputados favoráveis à redução da maioridade penal e sofreu críticas do PT, PC do B e PSOL.

“Cada vez que alguém que está na presidência tem uma opinião sua derrotada em uma votação democrática, ele pode articular uma maioria de novo, fazer um novo substitutivo e provocar uma nova votação. Retirando uma palavra, retirando um artigo. Nós teríamos múltiplas votações até que a vontade de quem dirige seja uma vontade vitoriosa”, afirmou o vice-líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), criticando Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Nas falas que defendiam a redução da maioridade penal, diversos deputados chamavam o “clamor das ruas” em defesa da aprovação do texto. Cerca de 87% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, segundo pesquisa de opinião feita pelo Datafolha no último dia 22 de junho.

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Categoria(s): Política
quinta-feira - 25/06/2015 - 18:38h
Mossoró

Câmara discute maioridade penal para aprontar documento

Nesta quinta-feira (25), a Câmara Municipal de Mossoró reuniu em audiência pública, autoridades do município, para debater a Redução da Maioridade Penal.

A proposta dos vereadores Alex Moacir (PMDB) e Vingt-un Neto (PSB), levantou uma discussão marcada pela diversidade de opiniões.

“Esse foi o nosso objetivo. Ouvir os mais diversos segmentos da sociedade mossoroense acerca deste assunto que tem gerado tanta polêmica”, disse Vingt-un Neto.

Ao final da audiência, Alex Moacir, comunicou que todos os depoimentos serão organizados em um documento e na sequência será enviado a cada deputado federal do Rio Grande do Norte, para que conheçam a posição de Mossoró sobre o tema. “Mossoró precisa ter voz e opinar nesta discussão”, sentenciou o edil.

Participaram da audiência presidida pelo vereador Alex Moacir: José Herval Sampaio, Diretor do Fórum Silveira Martins; Gabriel Conrado, representante da OAB; Clóvis Linhares, representante do Ministério Público; Gerlúcia Oliveira Freitas, Gerente de Planejamento e Finanças da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social e Juventude; José Deques Alves, representante da FUNDAC; Thalita Queiroz, Procuradora do Município; e Jairo Ponte, Professor do Curso de Direito da UFERSA. Além dos vereadores: Vingt-un Neto (Co-autor da audiência pública), Jório Nogueira (PSD), Francisco Carlos(PV), Tomaz Neto (PDT), Lahyre Neto (PSB), Genilson Alves, Tassyo Mardonny (PSDB) e Manoel Bezerra (DEM).

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Categoria(s): Política
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 19/04/2015 - 10:56h

Maioridade penal e números distorcidos

Por Carlos Duarte

Depois de a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados (CCJ) ter dado a admissibilidade do texto que envolve a redução da maioridade penal para 16 anos, o assunto tomou conta das discussões em todos os lugares do Brasil, inclusive com repercussões além-fronteiras.

O tema é antigo e a PEC 171, que estava engavetada desde 1993, foi exumada em virtude da crescente escalada da violência, com a clara sensação de impunidade, ter atingido o limite da tolerância.

O assunto é polêmico, divide opiniões, e será mais intenso ainda nos próximos dias. Entretanto, nas últimas semanas, os mais importantes veículos de comunicação do País e quase todos os políticos e ONGs contrários à redução da maioridade penal, incluindo a presidente Dilma, usaram o argumento de que os adolescentes do Brasil comentem menos de 1% dos homicídios. Até o momento, nenhuma das fontes citadas nas noticias confirmou a produção dos dados da “pesquisa”.

Será uma pesquisa fantasma ou será mesmo que os adolescentes brasileiros são os mais tranquilos e bonzinhos do mundo?

Eis alguns dos parâmetros dos países mais desenvolvidos do planeta para efeitos de comparação: nos Estados Unidos os homicídios praticados por menores são 7%; No Canadá 11%; Na Inglaterra 18% dos crimes violentos.

Na prática, 90% dos homicídios no Brasil não têm sequer a identidade dos criminosos revelada, simplesmente, porque a polícia não consegue esclarecer os crimes. Por outro lado, o IBGE diz que os adolescentes entre 15 e 18 anos são 8% da população brasileira.

O cruzamento estatístico dessas informações compara uma estreita faixa etária dos adolescentes com uma ampla faixa etária de adultos maiores de 18 anos. Isso demonstra que os adolescentes são mais violentos, sim, que a média dos cidadãos brasileiros.

Outra informação distorcida, que também circula na mídia e redes sociais, é a de que os adolescentes são 36% das vítimas de homicídios do país. Na verdade, as pesquisas apontam que as causas de morte de adolescentes, que não morreram de causa natural, são 36% de assassinados. O número real é bem menor, se dividirmos em partes iguais, os mortos entre 15 e 17 anos são de 5,4% do total.

O argumento dos opositores à redução da maioridade penal de que os adolescentes no Brasil respondem por uma pequena parte dos crimes e que não são culpados pela violência do país, é mais uma dessas engenharias montadas por setores da sociedade e por grupos políticos com interesses obscuros nesse tema.

É preciso haver mais seriedade nesse tipo de discussão que tanto atormenta a sociedade – que é a verdadeira vítima dessa situação – sem empurrar para debaixo do tapete os motivos reais que resultaram no avanço desenfreado do crime impune; buscar soluções integradas e eficazes que promovam e devolvam o bem-estar das pessoas de bem, punindo com rigor a bandidagem que ora reina tranquilamente em todo o país.

Carlos Duarte é economista, consultor Ambiental e de Negócios, além de ex-editor e diretor do jornal Página Certa

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