Por François Silvestre
De minha parte, sobre o uso do tempo, sempre o fiz para viver. Sempre, e não me arrependo.
Leitura, escritura e trabalho são coisas para as sobras do tempo. E vez ou outra ainda dá para furtar algum tempinho dessas sobras para coisas fundamentais.
Fundamental é viver. O resto é sobremesa.
Num dos livros de Júnior de Maneco ele conta um fato que serve a esse texto. Diz ele que um amigo seu, não lembro do nome, informou que um jovem literato da terrinha, de cujo nome também não lembro, queria conhecê-lo.
E lá se foram os dois à casa do intelectual. Era hora da ceia. Foram recebidos pela empregada da casa, que os levou à sala de jantar.
O jovem intelectual estava tomando sopa e lendo um livro. Nem olhava para o prato.
Cumprimentou os visitantes e voltou à leitura.
Júnior de Maneco, vulgo Manoel Onofre, pensou: “Taí um homem que adora os livros”.
Foi a sua leitura do episódio. A leitura que fiz, ao ler o relato, foi diferente.
Pensei assim: “Taí um cabôco que detesta sopa”!
François Silvestre é escritor






















