domingo - 06/04/2025 - 03:40h

O Alumioso

Por François Silvestre

Imagem em estilo surrealista gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Imagem em estilo surrealista gerada com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Estou a falar de Sinésio, entrando em Taperoá, no meio dia, com seu chapéu de alumínio, brilhando ao sol de escaldo, no sertão da Paraíba? Não. Falo, do verbo falar, e não do membro fálico do herói que aqui trato.

Isso. O herói aqui tratado nem é daqui. Mesmo sendo louvado pela desfalacidade dos escassos e flácidos falos dos seus admiradores daqui. De quem falo? De Donald Trump, o alumioso da desluminosidade.

Meu ídolo! Ave Trump!…Morituri te salutant! Como saudação aos Césares pelos gladiadores no teatro da monumental estupidez humana. Nada é mais exuberante na condição humana do que a estupidez. Somos deliciosa e genialmente estúpidos.

Se eu pudesse interferir, em retorno, na minha condição, gostaria de ser qualquer coisa, menos humano. Calango, sapo, pirilampo, qualquer coisa, menos a merda que sou.

Porém, entretanto mas porém, eis que me aparece um brilho na escuridão. No picadeiro um palhaço genial desmoraliza o trapézio. A face rosa, cabelo de boneca de milho verde, torcida do pescoço de quem esnoba a plateia, eis o meu herói. Donald Trump.

Marx e Engels tentaram, não conseguiram. Lenin também, não conseguiu. Mao Tse Tung e Chu en lai quiseram, também falharam. Todos, sem exceção, quebraram a cara contra o Capitalismo. A relação econômica mais eficiente e invicta. Onde se aboletam a ganância, a exploração dos espertos sobre os ingênuos, a concentração de poder e grana, a dominação sofista das igrejas, a mentira fantasiada de verdade plena, a negação da dúvida, a lâmpada da escuridão nas mentes embotadas, tudo, absolutamente tudo, no estuário da hipocrisia e descaramento. Suavemente embalados no berço da patifaria.

Eis que surge Trump, o alumioso! Não de Taperoá. Não. Faz uma semana que o Capitalismo não sabe pra onde vai. Nada mais gaiato do que ver e ouvir as explicações, conjecturas e esperneio dos economistas, colunistas, cientistas dessa merda toda. Tá uma delícia. Brigado, Trump. Muito obrigado. Mas, não se iluda, logo logo eles vão inventar uma munganga pra se livrarem de você.

Não se preocupe com seus adversários. Esses estão satisfeitos! Cuidado com os seus “aliados”. Os que lhe cercam, eles estão em desespero. É aí, perto de você, onde mora o perigo!

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 06/01/2019 - 08:34h

O fascismo de cada lado

Por François Silvestre

O fascismo não é uma doutrina ideológica cristalizada numa das pontas da Rosa dos Ventos. É sim uma atitude comportamental que se agrega em qualquer ideologia. Seja à direita, à esquerda, ao Leste, ao Oeste, ao Norte ou ao Sul.

Hitler e Mussolini encarnavam o fascismo. Stalin e Tito também. Franco e Salazar eram fascistas. Mao-Tsé Tung e Brejnev também. Portanto, o fascismo não é uma ideologia, e sim um componente de caráter que se aboleta em qualquer lado do embate político, ideologizado ou não.Getúlio Vargas e o Estado Novo estabeleceram uma forma de poder constitucionalmente fascista. A Carta de Chico Ciência, que dele foi dito, “Quando as luzes de Chico Campos se acendem, apagam-se as luzes da democracia”, copiou em princípios e textos o ideário do  neo fascismo polonês e do fascismo italiano.

Getúlio, de pendores fascistas, apoiou o fascismo na guerra? Não. Aliou-se aos que derrotaram o Eixo. Seu fascismo era de atitude, de conveniência, para garantir o centralismo do poder, o personalismo e o controle ditatorial do Estado.

O fascismo se exerce em todos os níveis. No poder do Estado, de uma associação, num clube, num time, numa igreja, numa autarquia, e até numa casa. Um pai fascista ou uma mãe fascista.

A República do Brasil nasceu de um golpe, que teve componentes de todas os matizes e naturezas. Até um chifre que uma namorada de Deodoro da Fonseca lhe pôs com Silveira Martins, teve papel relevante. Quanto à feição doutrinária, essa República nasce no estuário do positivismo.

O positivismo é uma doutrina preparatória do fascismo. Próceres do movimento republicano pregavam e militavam sob a orientação do ideário criado por Augusto Comte. Dentre eles, destacava-se o coronel Benjamim Constant.

Prima essa doutrina pelo centralismo do poder, disciplina rígida, controle dos costumes, ordem e comando sob determinação hierárquica, encarnada na figura do líder. É ou não é o pré-fascismo? Liberdade, nesse estuário, só por concessão. E não um direito inalienável do indivíduo.

O antissemitismo é fascista. O sionismo também. Toda forma de racismo é fascista. Os alemães, da era nazista, tinham sobre os judeus a mesma opinião que tinham os russos, da era soviética.

O governo atual fala em escoimar o fascismo da legislação trabalhista, mas promete aprofundar o fascismo em matéria de costumes. É apenas um remanejamento do fascismo.

Resta saber, e o tempo dirá, onde o fascismo é mais nefasto. Té mais.

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Artigo
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