segunda-feira - 19/08/2019 - 15:26h
Decidido

Ex-guerrilheiro que esteve preso em Mossoró será extraditado

Do G1 e Blog Carlos Santos

Após ficar mais de 16 anos preso no Brasil, o ex-guerrilheiro e sequestrador chileno Maurício Hernández Norambuena será extraditado para o Chile nas próximas semanas, informaram nesta segunda-feira (19) o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Polícia Federal (PF). Ele esteve preso anteriormente em Mossoró.

Norambuena esteve na Penitenciária Federal de Mossoró (Foto:reprodução)

Recolhido desde março de 2016 numa cela de sete metros quadrados na Penitenciária Federal de Mossoró, Norambuena teve sua transferência para o sistema prisional estadual paulista autorizada no dia 30 de novembro do ano passado, pelo juiz federal Orlan Donato Rocha da 8ª Vara Federal de Mossoró.

Atendeu pedido da 5ª Vara das Execuções Criminais de São Paulo. Norambuena estava preso na Penitenciária Nelson Marcondes do Amaral, em Avaré, São Paulo, após ser transferido de Mossoró no dia 29 de janeiro deste ano (veja AQUI).

Prisão e extradição

Ele cumpre pena de 30 anos de prisão pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto em 2001, na capital paulista. O empresário foi libertado pela polícia após 53 dias no cativeiro.

O governo chileno pedia a extradição de Norambuena desde a prisão dele no Brasil por causa do sequestro de Olivetto. Acórdão do Supremo Tribunal Federal (STF) de 26 de agosto de 2004 autorizou extraditá-lo, mas desde que as condenações de prisão perpétua por assassinato e sequestro no país andino fossem substituídas por pena de, no máximo, 30 anos _como funciona no Brasil.

Segundo o Ministério da Justiça, as autoridades chilenas concordaram em seguir as regras penais brasileiras previstas para extraditar o criminoso.

Leia reportagem especial postada pelo Blog Carlos Santos no dia 13 de janeiro deste ano, assinada pelo jornalista Esdras Marchezan, sobre Norambuena: Cesare Battisti e Maurício Norambuena – dois finais possíveis.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

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terça-feira - 29/01/2019 - 21:16h
Comandante Ramiro

Ativista de esquerda é transferido para presídio em São Paulo

Por Esdras Marchezan (Especial para Blog Carlos Santos)

O chileno Maurício Hernandez Norambuena foi transferido hoje (terça-feira, 29), num avião comercial da Azul Linhas Aéreas, de Mossoró para São Paulo, onde continuará cumprindo sua pena, de 30 anos, pelo sequestro do empresário publicitário Washington Olivetto, ocorrida em 2001.

Norambuena: ações no Chile e no Brasil (Foto: Web)

Recolhido desde março de 2016 numa cela de sete metros quadrados na Penitenciária Federal de Mossoró, Norambuena teve sua transferência para o sistema prisional estadual paulista autorizada no dia 30 de novembro do ano passado, pelo juiz federal Orlan Donato Rocha da 8ª Vara Federal de Mossoró. Atendeu pedido da 5ª Vara das Execuções Criminais de São Paulo.

Norambuena ficará preso na Penitenciária Nelson Marcondes do Amaral, em Avaré, São Paulo.

Na penitenciária de Avaré, Norambuena voltará a cumprir sua pena numa cela coletiva, com direito a banho de sol e outros serviços que não dispunha em todo o tempo que esteve recolhido no sistema penitenciário federal.

A transferência do chileno aconteceu na tarde desta terça-feira, às 15h. Ele foi transportado do Presídio Federal de Mossoró para o Aeroporto Dix-sept Rosado, onde embarcou no voo comercial da Azul Linhas Aéreas com destino a Recife/PE, junto aos demais passageiros.

De Recife, ele embarcou em outro voo com destino a São Paulo.

Nota do Blog Carlos Santos – Esta página divulgou o embarque de Norambuena (veja AQUI) hoje à tarde, mas sem identificação oficial. A matéria especial de Marchezan esclarece tudo.

Norambuena fez parte na juventude de um grupo guerrilheiro de esquerda. A Frente Patriótica Manuel Rodriguez (FPMR) nasceu de uma divisão do Partido Comunista chileno, sendo o braço armado na luta contra a ditadura de Augusto Pinochet. Seu condinome era “Comandante Ramiro”.

Remoção de Norambuena aconteceu hoje com forte aparato de segurança (Foto: BCS)

Leia também: Cesare Battisti e Maurício Norambuena – dois finais possíveis.

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domingo - 13/01/2019 - 15:18h

Cesare Battisti e Maurício Norambuena – dois finais possíveis

Por Esdras Marchezan

A prisão do italiano Cesare Battisti e a euforia do governo Bolsonaro em extraditá-lo imediatamente para a Itália, onde Battisti é condenado à prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos durante a década de 70, coloca em evidência também outro caso de bastante repercussão no País: o destino do chileno Maurício Hernandez Norambuena, 60, condenado no Brasil pelo sequestro do publicitário Washington Olivetto, em 2002, e condenado à prisão perpétua no Chile por atos considerados terroristas na década de 90 (a autoria intelectual do assassinato do senador conservador Jaime Gúzman e o sequestro do empresário Christian Edwards).

Chileno Maurício Hernandez Norambuena está preso na Penitenciária Federal de Mossoró (Foto:reprodução)

Norambuena encontra-se recolhido no Presídio Federal de Mossoró, aguardando transferência para o sistema prisional paulista. Com sua extradição decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) desde 2004, o chileno continua em solo brasileiro por uma exigência da justiça brasileira não aceita pela justiça chilena: a comutação de sua pena no Chile (duas prisões perpétuas) a penas que, juntas, somem no máximo 30 anos, limite permitido na legislação brasileira.

Sem essa mudança, o Brasil se nega a entregá-lo ao Chile.

Em tese, a mesma limitação deve se aplicar à extradição do italiano. Sua ida para a Itália, levando em consideração o decidido pelo STF no caso Norambuena, só poderia ocorrer caso a justiça italiana transforme sua prisão perpétua em penas de no máximo 30 anos. Caso o governo brasileiro ignore a questão e autorize a ida de Battisti para a Itália, abre-se um precedente para que a situação do chileno Norambuena tenha resultado semelhante.

O impasse entre a justiça brasileira e a chilena têm impedido, inclusive, a progressão de regime de Norambuena em relação à condenação da justiça brasileira, o colocando num labirinto jurídico.

Preso desde 2002, ele já teria direito à progressão de regime, pelo tempo que está encarcerado, mas a existência das duas penas de prisão perpétua, por atos considerados terroristas, tem levado os juízes brasileiros a negarem todos os pedidos de progressão da defesa do chileno.

O fato o torna hoje o condenado a passar mais tempo na prisão (16 anos), no sistema prisional brasileiro. Boa parte deste tempo no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do sistema prisional paulista, e no sistema federal, em celas individuais.

Em Valparaíso, sua cidade natal, Norambuena conta com o apoio de amigos, familiares e ONGs que mantêm uma campanha internacional em favor de sua liberdade. Para eles, entre estar preso no Brasil, longe da família, e em solo chileno, é melhor que cumpra sua pena em sua terra natal.

Assim como Battisti, Norambuena fez parte na juventude de um grupo guerrilheiro de esquerda. A Frente Patriótica Manuel Rodriguez nasceu de uma divisão do Partido Comunista chileno, sendo o braço armado na luta contra a ditadura de Augusto Pinochet.

Manifestações pedem liberdade de Norambuena (Foto: Web)

Uma das ações praticadas pelo grupo, inclusive, foi uma emboscada que quase levou à morte o ditador chileno. Na oportunidade, Norambuena – ou Comandante Ramiro, como ficou conhecido na Frente – foi um dos participantes.

Preso em 1996, acusado de envolvimento com a execução do senador Jaime Guzman, fiel aliado de Pinochet, Norambuena e mais quatro companheiros da Frente protagonizaram uma fuga do Presídio de Segurança Máxima de Santiago, conhecida até hoje como “A fuga do século”. Com apoio de um helicóptero, o grupo fugiu dentro de um cesto metálico, suspenso no ar por cabos presos à aeronave.

Foragido, Norambuena se integrou à luta do Exército de Libertação Nacional (ELN), na selva colombiana, grupo que pretendia ajudar com o dinheiro que buscava obter com o pagamento do resgate no sequestro a Washington Olivetto.

Nas próximas horas, a decisão do governo brasileiro sobre o italiano Cesare Battisti pode definir não apenas o destino dele, mas inaugurar um novo tipo de procedimento em casos de extradição de cidadãos estrangeiros presos em solo brasileiro.

Esdras Marchezan é jornalista e professor da Universidade do Estado do RN.

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