terça-feira - 08/03/2022 - 08:30h
Cultura

Instituto Gentil celebrará os 100 anos da Semana de Arte Moderna

Para marcar as comemorações do Centenário da Semana de Arte Moderna, o Instituto Gentil programou um evento cultural a acontecer nos próximos dias 11 e 12 (sexta-feira e sábado), em sua sede, Campo Grande, cidade do médio-oeste potiguar.

Instituto Gentil fica em Campo Grande, região Oeste do RN (Foto: divulgação)

Instituto Gentil fica em Campo Grande, região Oeste do RN (Foto: divulgação)

O evento tem início às 17h30 da sexta-feira, com a realização de um “Sarau músico-poético”, organizado pela Academia Campo-grandense de Letras (ACLAR). Às 18h30, acontece uma palestra abordando a “A transformação cultural da Semana de 1922 e o Modernismo brasileiro”, seguido, às 19h15 de outra palestra sobre “Artes Plásticas”, tendo como palestrante a artista Ângela Felipe.

No sábado, 12, a programação comemorativa tem início às 08h30 com uma “Oficina de pintura em cerâmica”, tendo como facilitador o artista plástico Ajuri Souza. Às 09h30, a escritora Tereza Custódio promove o lançamento do seu livro “O baú de Filomena”. Às 10h30 está prevista a apresentação da Banda de Música Antônio de Pastora que, sob a regência do maestro Juca Tigre, encerrará a programação.

 A semana

Também conhecida como a Semana de 22, a Semana de Arte Moderna aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, marcando o início do modernismo no Brasil e tornando-se a referência cultural do século XX com suas novas ideias e conceitos artísticos. Na sua programação, a Semana trabalhou um aspecto cultural por dia: pintura, escultura, poesia, literatura e música.

Nomes consagrados do modernismo brasileiro fizeram a Semana de 22, como Plínio Salgado, Menotti Del Picchia, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Víctor Brecheret, Anita Malfatti, Guilherme de Almeida, Sérgio Milliet, Heitor Villa-Lobos, Tácito de Almeida, Di Cavalcanti e Agenor Fernandes Barbosa.

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Categoria(s): Cultura
domingo - 03/07/2016 - 09:22h

Um país disléxico

Por François Silvestre

A dislexia é um transtorno de percepção, multidisciplinar, que afeta tanto a orientação quanto o aprendizado. Contudo, o termo ganhou contornos quase que limitados à incapacidade ou dificuldades de leitura.

E por tratar-se de assunto no campo da patologia, em fase de estudos e aprofundamentos, não me é permitido cuidar das suas conceituações na área da ciência. Até por obrigação de honestidade intelectual.

Faço-o, portanto, na seara da literatura. Metaforicamente. Para a triste constatação de que dentre as nossas limitações culturais, o Brasil é também um paciente disléxico.

Acometido da dislexia coletiva. No caso, sem diagnóstico funcional ou orgânico. Não detectado por averiguação neurológica.

A clínica onde se faz esse diagnóstico é de natureza cultural e social. Sem necessidade de ultrassonografia ou outros exames laboratoriais.

O Brasil não lê. Não sabe ler. Não gosta de ler. Não quer aprender a ler. E por não ter leitores, começa a se tornar também um país ágrafo. Sem leitores e sem escritores. Ou com ambos sofrivelmente considerados.

A internet, pra se fazer justiça, abriu um leque à leitura, mas esse gosto não corrigiu a dislexia. Pelo contrário, fez da escritura uma agressão gráfica. Leitor apressado, escritor inculto e língua sofredora.

Tudo no contorno de um ciclo de infinita pobreza cultural, a misturar ou confundir entretenimento com arte e folguedos com cultura.

O assunto me traz à memória um episódio ocorrido em São Paulo, fim dos anos Setenta. O palco foi a Biblioteca Mário de Andrade, na Praça D. José Gaspar, vizinhança da ex-elegante Av. São Luís.

Um encontro de palestras, com nomes de reconhecimento consolidado no mundo literário. No ciclo daquela noite, estavam Menotti Del Picchia, (velhinho, acomodou-se com dificuldade), que fora um dos astros da Semana de Arte Moderna, com seu Juca Mulato. Jorge Andrade, cujas peças “Os Ossos do Barão”, virara novela da Globo e “O Grito”, alvo de polêmica e patrulhamento. Murilo Rubião, precursor do nosso realismo fantástico, e o crítico de literatura Léo Gilson Ribeiro, consagrado no Eixo do Sudeste e na América Latina.

Chamou-me a atenção o relato de Murilo Rubião. Menos por suas narrativas do sobrenatural, incluindo uma experiência própria, e mais pelo desabafo sobre “a dura escritura” de que falara Clarice Lispector.

Murilo Rubião queixou-se de si mesmo pela escolha da atividade que escolhera para “ganhar a vida”.

E explicou, usando como modelos um irmão seu e um amigo de ambos. Um deles construtor e o outro comerciante. “O construtor tem trabalho suave e ganha bem. O comerciante ganha muito e tem vida de folga”.

“Escolhi escrever livros, produto de sobra para consumo escasso. Vivo com dificuldades”. Encerrou Murilo Rubião.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

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Categoria(s): Artigo
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