“Quem mata o tempo não é um assassino: é um suicida.”
Millôr Fernandes
Jornalismo com Opinião
“Quem mata o tempo não é um assassino: é um suicida.”
Millôr Fernandes
“A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.”
Millôr Fernandes
“O Brasil é o único país em que os ratos conseguem botar a culpa no queijo”.
Millor Fernandes
Por Sebastião Nery
Os dez mandamentos do político mineiro:
01 — Mineiro só é solidário no câncer;
02 — O importante não é o fato, é a versão;
03 — Aos inimigos, quando estão no poder, não se pede nada. Nem demissão;
04 — Para os amigos tudo. Para os inimigos, a lei;
05 — Respeitar, sobretudo, o padre que consegue votos; o juiz, que proclama o eleito; e o soldado, que garante a posse.
06 — Nas horas difíceis, cabe ao líder comandar: “Preparemo-nos e vão”;
07 — Voto comprado não é atraso, é progresso. Se o voto é comprado é porque tem valor;
08 — Em briga de político, geralmente perdem os dois;
09 — Mais vale quem o governo ajuda do que quem cedo madruga;
10 — É conversando que a gente se entende.
José Cavalcanti, o filósofo de Patos (Paraíba): “O homem de responsabilidade política não mente: inventa a verdade.”
Tem mais dele, José Cavalcanti: “Político é o indivíduo que pensa uma coisa, diz outra e faz o contrário”;
– O político, quando se elege, assume dois compromissos: um com ele mesmo e outro com o povo. O primeiro ele cumpre;
– Dinheiro é como azeite: por onde passa, amolece;
– Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança mas não toca;
– O bem público não quer bem a ninguém, a não ser a si mesmo;
– João Agripino (ex-governador paraibano, irmão do ex-governador do RN Tarcísio Maia) é como mandacaru: não dá sombra nem encosto;
– Político pobre é como mamoeiro: quando dá muito, dá duas safras;
– Se queres ser bem sucedido na política, cultiva essas duas grandes virtudes: a sinceridade e a sagacidade. Sinceridade é manter a palavra empenhada, custe o que custar. Sagacidade é nunca empenhar a palavra, custe o que custar;
– Oposição agora é como grama de jardim: tem direito de viver, mas sem direito de crescer. (Obs: dito durante o regime militar de 1964);
– Oposição é como pedra de amolar: afia mas não corta;
– Governo técnico é como maestro: rege a orquestra de costas para o público.
Domingos, filósofo de Jaguaquara (Bahia): “Oposição e sapato branco só é bonito nos outros”.
– Sabedoria, quando é demais, vira bicho e come o dono;
– Candidato é como puta: se não ficar na janela, marinheiro não vê.
Ulisses Guimarães, o filósofo da oposição (traçando a estratégia da escalada do MDB em 1974, 76 e 78): “No alto do morro estavam dois touros. O touro velho e o touro novo. Viram lá embaixo o pasto cheio de vacas. O touro novo ficou aflito: — Vamos descer depressa e pegar umas dez. O touro velho balançou a cabeça: — Nada disso. Vamos descer devagar e pegar todas.”
– Deus manda lutar, não manda vencer;
– 1974 não foi uma tempestade. Foi uma tromba d’água (referência às vitórias do MDB em 16 dos 22 estados da federação, em 1974;
– O destino do MDB não é a oposição. O destino do MDB é o poder.
De Millor Fernandes sobre Sebastião Nery, sua obra e a política do bom humor: “No decorrer de sua experiência de mais de duas décadas como repórter especializado, Sebastião Nery pode colher, nos anfiteatros mais engraçados do Brasil, o Senado e a Câmara, muitos de seus momentos mais hilariantes”.
E prossegue: (…) “Nery aprendeu que, muitas vezes, parar de enfrentar o tigre frente a frente e puxar-lhe o rabo inesperadamente é mais útil à causa e muito mais eficiente. Já foi muito dito mas nunca é demais repetir: castigat ridendo mores, ou seja, “rindo é que se castiga os mouros“.
Sebastião Nery é jornalista, escritor, bacharel em direito e político
* Texto publicado originalmente em 1º de janeiro de 2012, mas republicado a pedido de alguns webleitores.
Por Millôr Fernandes
Quando uma aeromoça manda apertar o cinto, muito bem. Mas quando quem manda é o ministro da Fazenda?
Pensar. Eis um verbo reflexivo.
Um homem está definitivamente velho quando aponta para o próprio sexo e diz: “Isto é um símbolo fálico.”
Chato é o sujeito que não pode ver um saco vazio.
Todo dia leio cuidadosamente os avisos fúnebres dos jornais; às vezes a gente tem surpresas agradabilíssimas.
Nunca deixe para amanhã o que pode deixar hoje.
Se a morte é fatal, por que será que todo mundo deixa o enterro pra última hora?
Tem o cérebro de um verdadeiro computador: comete erros inacreditáveis!
É preciso ter coragem. É preciso dar pseudônimo aos bois.
Ah, se a gente pudesse empenhar as bodas de prata!
Televisão — um veículo eletrônico com tração animal.
Fofoca a gente tem que espalhar rápido porque pode ser mentira.
Quando muita gente insiste muito tempo em que você está errado, você deve estar certo.
Tempo é dinheiro. Contratempo é nota promissória.
Eu só não sou o homem mais brilhante do mundo porque ninguém me pergunta as respostas que eu sei.
Essa gente que fala o tempo todo contra a corrupção está apenas cuspindo no prato em que não comeu.
De madrugada, o melhor amigo do homem é o cachorro-quente.
O cara que gosta de arranjar encrenca cada vez tem que andar menos.
O maior teste da dignidade é um trambolhão.
Se eu não soubesse o valor do dinheiro não vivia botando ele fora.
A ostra pode ser pai num ano e mãe no outro. Andrógino é isso aí. O resto é bicha mesmo.
Quem se mata de trabalhar merece mesmo morrer.
Antes de entregar sua declaração de Imposto de Renda verifique bem se você omitiu tudo.
Uma linda mulher de quarenta anos: cara e coroa.
Millôr Fernandes (1923-2012) – Foi um desenhista, humorista, dramaturgo, escritor, tradutor e jornalista brasileiro.
“Se você não tem dúvida, é porque está mal informado.”
Millor Fernandes
Do portal G1
O escritor carioca Millôr Fernandes morreu, às 21h desta terça-feira (27), em casa, no bairro de Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo Ivan Fernandes, filho do escritor, ele teve falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca. Millôr tinha dois filhos, Ivan e Paula, e um neto, Gabriel.
Ele foi casado com Wanda Rubino Fernandes. De acordo com sua certidão, Millôr nasceu em 27 de maio de 1924, embora ele dissesse que a data correta era 16 de agosto do ano anterior.
De acordo com a família, o velório está marcado para esta quinta-feira (29), das 10h às 15h, no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio. Em seguida, o corpo será cremado numa cerimônia só para a família.
Saiba mais AQUI.
Nota do Blog – Mais um desfaque irreparável no cenário da inteligência nacional. Depois de Chico Anysio, Millôr. Que descanse em paz.
Por Mário Prata
Largar de fumar é facílimo! A frase não é minha. É do sempre ótimo Millôr Fernandes, que complementava:
– Eu, por exemplo, já larguei umas quinze vezes!
O pior problema dos tabagistas, não é fumar. É passar a vida inventando maneiras de deixar de fumar. Sempre achei que um dia irão proibir a fabricação e a gente vai fumar unzinho só, traficado, por dia. Da lata! Mas, enquanto os governos não tomam providências, cada um vai se virando da sua maneira para deixar o vício.
Conheço várias histórias de tentativas verdadeiras (todas frustradas, é claro) de amigos e amigas. A minha comadre Joana Fomm, por exemplo, foi me visitar um dia em Cascais, tirou o maço do bolso e me pediu:
– Não rias! Não rias!
Cortou com a mão metade do cigarro e fumou a outra parte. Claro que eu ri. Joana continua fumando até hoje. Só que, no lugar de um maço, fuma dois, pela metade. Mas tem seu fundo científico. Segundo o doutor Castanho, do spa São Pedro, este método está sendo testado nos Estados Unidos e muita gente vem abandonando o prazer. Sabia, Joaninha?
Meu querido colega João Ubaldo Ribeiro, por exemplo. Foi proibido de fumar porque a nicotina estava afetando a visão dele. Na Copa dos Estados Unidos, onde quer que a gente estivesse, ele se encostava em mim e falava baixinho no meu ouvido:
– Me dá um.
– Mas você não está proibido?
– Mas eu vou fumar escondido.
– Escondido de quem?
– De mim, uai.
E ia fumar atrás de uma árvore. Parecia que estava a fazer xixi.
Tenho um amigo, em Lins, de mais idade, que também está proibido. E olha que ele é médico. Sabe o que ele faz? Nem fuma, nem traga. Come cigarro. Isso mesmo, come.
Mas os métodos vão evoluindo. Na minha infância tinha um tal de Nicotinex. Depois inventaram chichetes de nicotina. Dava um hálito horroroso. Hoje em dia tem as tais placas que você gruda no peito. Com todo o meu respeito às indústrias farmacêuticas, sei não…
E o furo na orelha, você lembra? Grande moda do final dos anos setenta. Chegou um gringo aqui e começou a furar orelha de todo mundo. Parecia o Tyson. Não podia ver um fumante com orelha que mandava o bisturi. Depois dava um ponto. Tinha uma fila.
Ele operava trinta, quarenta pessoas de cada vez. Deve ter ficado rico. Sem falar na acupuntura. Sei não… Me lembro de um famoso advogado que fez a operação da orelha (eu também fiz) e começou a fumar escondido da família e dos amigos. Pode? Pode, porque eu também fiz a mesma coisa.
Agora, o pior não-fumante é o ex-fumante. Como fica chato. É como aquele que para de beber e não consegue mais acompanhar o papo dos que bebem. Além do mais, passam a fumar charutos e/ou cachimbo. Quer cheiro pior?
Toda essa tergiversação começou com um encontro casual que eu tive com uma ex-namorada que eu não via há quase 30 anos. Foi domingo num spa. Ela estava com as tais placas peito acima, me garantindo que, desta vez, ia largar o vício de mais de 40 anos. Ela estava de visita ao irmão e eu num almoço para uns publicitários. Cinco horas, ela indo embora. Meu cigarro acabou e eu ainda ia ficar mais umas duas horas.
– Aninha, você não se incomoda de deixar o seu maço comigo? O meu acabou e a lojinha está fechada.
– Tenho vergonha, me disse toda tímida.
– Vergonha do quê, de me dar o seu maço?
– É que você não vai acreditar.
Me deu um maço de Free. Já tínhamos (novamente) alguma coisa em comum.
– Olha. Olhei.
– Mas o que é isso? Juro:
– É que, para fumar menos, puxar menos fumaça, eu pego o maço, ainda fechado e faço vários furos nele. De um lado até o outro do maço, está vendo. Igual àquelas espadas nas caixas de mágico com, mulher dentro. Acerto o filtro e várias partes do cigarro.
Você não pode imaginar o estrago que estava o maço da Aninha. Ela foi embora. Eu tentei fumar. Tentei. Pode ser uma solução. Furar o mal pela raiz.
Mário Prata é escritor e cronista
Por Sebastião Nery
Os dez mandamentos do político mineiro:
01 — Mineiro só é solidário no câncer;
02 — O importante não é o fato, é a versão;
03 — Aos inimigos, quando estão no poder, não se pede nada. Nem demissão;
04 — Para os amigos tudo. Para os inimigos, a lei;
05 — Respeitar, sobretudo, o padre que consegue votos; o juiz, que proclama o eleito; e o soldado, que garante a posse.
06 — Nas horas difíceis, cabe ao líder comandar: “Preparemo-nos e vão”;
07 — Voto comprado não é atraso, é progresso. Se o voto é comprado é porque tem valor;
08 — Em briga de político, geralmente perdem os dois;
09 — Mais vale quem o governo ajuda do que quem cedo madruga;
10 — É conversando que a gente se entende.
José Cavalcanti, o filósofo de Patos (Paraíba): “O homem de responsabilidade política não mente: inventa a verdade.”
Tem mais dele, José Cavalcanti: “Político é o indivíduo que pensa uma coisa, diz outra e faz o contrário”;
– O político, quando se elege, assume dois compromissos: um com ele mesmo e outro com o povo. O primeiro ele cumpre;
– Dinheiro é como azeite: por onde passa, amolece;
– Político sem mandato é como chocalho sem badalo: balança mas não toca;
– O bem público não quer bem a ninguém, a não ser a si mesmo;
– João Agripino (ex-governador paraibano, irmão do ex-governador do RN Tarcísio Maia) é como mandacaru: não dá sombra nem encosto;
– Político pobre é como mamoeiro: quando dá muito, dá duas safras;
– Se queres ser bem sucedido na política, cultiva essas duas grandes virtudes: a sinceridade e a sagacidade. Sinceridade é manter a palavra empenhada, custe o que custar. Sagacidade é nunca empenhar a palavra, custe o que custar;
– Oposição agora é como grama de jardim: tem direito de viver, mas sem direito de crescer. (Obs: dito durante o regime militar de 1964);
– Oposição é como pedra de amolar: afia mas não corta;
– Governo técnico é como maestro: rege a orquestra de costas para o público.
Domingos, filósofo de Jaguaquara (Bahia): “Oposição e sapato branco só é bonito nos outros”.
– Sabedoria, quando é demais, vira bicho e come o dono;
– Candidato é como puta: se não ficar na janela, marinheiro não vê.
Ulisses Guimarães, o filósofo da oposição (traçando a estratégia da escalada do MDB em 1974, 76 e 78): “No alto do morro estavam dois touros. O touro velho e o touro novo. Viram lá embaixo o pasto cheio de vacas. O touro novo ficou aflito: — Vamos descer depressa e pegar umas dez. O touro velho balançou a cabeça: — Nada disso. Vamos descer devagar e pegar todas.”
– Deus manda lutar, não manda vencer;
– 1974 não foi uma tempestade. Foi uma tromba d’água (referência às vitórias do MDB em 16 dos 22 estados da federação, em 1974;
– O destino do MDB não é a oposição. O destino do MDB é o poder.
De Millor Fernandes sobre Sebastião Nery, sua obra e a política do bom humor: “No decorrer de sua experiência de mais de duas décadas como repórter especializado, Sebastião Nery pode colher, nos anfiteatros mais engraçados do Brasil, o Senado e a Câmara, muitos de seus momentos mais hilariantes”.
E prossegue: (…) “Nery aprendeu que, muitas vezes, parar de enfrentar o tigre frente a frente e puxar-lhe o rabo inesperadamente é mais útil à causa e muito mais eficiente. Já foi muito dito mas nunca é demais repetir: castigat ridendo mores, ou seja, “rindo é que se castiga os mouros“.
Sebastião Nery é jornalista, escritor, bacharel em direito e político


