segunda-feira - 01/09/2025 - 16:02h
Saúde pública

Parecer do MP de Contas pede suspensão de terceirização de UPA’s

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte (MPC/RN) recomendou a suspensão dos chamamentos públicos que previam a terceirização da gestão das quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Natal — Potengi, Pajuçara, Cidade da Esperança e Satélite.

A posição consta de parecer apresentado no Processo nº 2551/2025, após escuta inédita da comunidade de saúde e vistorias presenciais.

Segundo o documento, não há estudos técnicos consistentes que comprovem a vantajosidade da terceirização.

O MPC apontou que as propostas apresentadas pelas Organizações Sociais são genéricas, sem conexão com os problemas reais das unidades, e que a ausência de memória de cálculo pode gerar custos ocultos e aditivos onerosos.

Relatos comoventes

As respostas abertas do questionário aplicado nas UPAs revelaram situações graves: partos improvisados em banheiros, recém-nascidos ventilados manualmente por horas na falta de equipamentos, idosos em poltronas quebradas por semanas e mortes atribuídas à ausência de insumos e falhas em respiradores.

“Perdi meu pai esperando uma transferência que nunca chegou”, relatou um usuário ouvido na consulta”.

“Meu filho ficou quatro horas sendo ventilado com o ambu, porque o respirador estava quebrado”, disse outra mãe.

O MPC afirmou no parecer: “Esta Procuradora chorou diante do sofrimento narrado, do heroísmo dos profissionais e da dor dos usuários. A escuta trouxe mais do que dados — trouxe lamentos e gritos silenciosos que pediam o registro de que alguém ouviu e se fez presente.”

Conclusões sobre cada UPA

UPA Potengi (ISAC) – Proposta genérica e sem diagnóstico, em desacordo com os problemas de superlotação e falta de insumos.

UPA Pajuçara (ISAC) – Ausência de estudo de viabilidade e situação estrutural crítica, com entrada insegura e improvisos em emergências.

UPA Cidade da Esperança (CEPHRECE) – Estrutura comprometida, equipamentos enferrujados e profissionais sem remuneração há meses.

UPA Satélite (Humaniza) – Falhas econômicas graves e ausência de diagnóstico concreto da unidade.

Próximos passos

O MPC pediu medida cautelar ao Tribunal de Contas para suspender os certames até que estudos técnicos específicos sejam apresentados e os Conselhos de Saúde participem efetivamente das decisões.

A manifestação ressalta que não cabe ao órgão escolher o modelo de gestão, mas zelar para que qualquer decisão seja legítima, transparente e fundada na verdade.

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quarta-feira - 01/08/2018 - 20:48h
Royalties

Ministério Público de Contas é contrário à antecipação

O Ministério Público de Contas do Rio Grande do Norte (MPC/RN) posicionou-se de modo favorável à concessão de medida cautelar para que o Chefe do Poder Executivo (Robinson Faria-PSD) se abstenha de realizar atos administrativos visando contratar operação de crédito utilizando royalties do petróleo como garantia.

Ricart Coelho: limites (Foto: TCE)

Em seu parecer, o Procurador-Geral de Contas, Ricart César Coelho dos Santos, defendeu que a antecipação dos recursos dos royalties violaria os limites previstos nas normas gerais de direito financeiro e na Lei de Responsabilidade Fiscal.

A Assembleia Legislativa aprovou a antecipação dos royalties no dia 13 de junho deste ano. Executivo justificou que receberia R$ 162 milhões, usando o montante para injeção no Fundo Previdenciário, para pagamento de aposentados e pensionistas.

Desequilíbrio

A fumaça do bom direito estaria presente em razão do ato acontecer no fim do mandato do chefe do Poder Executivo e os recursos pertencerem ao exercício financeiro do ano seguinte, bem como a destinação pretendida ser vedada em lei; já o perigo da demora se configura na iminência do processo político-eleitoral e na contratação importar em valores superiores a 160 milhões de reais, o que provocaria desequilíbrio financeiro no próximo ano.

O processo nº 4202/2018 agora segue para o gabinete do Conselheiro Relator, que irá elaborar o voto a ser levado para apreciação em Plenário.

Veja AQUI a íntegra do parecer.

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