domingo - 10/01/2021 - 04:00h

Padre Tércio…

Monsenhor Tércio faleceu dia passado (Foto: Web)

Monsenhor Tércio faleceu dia passado (Foto: Web)

Por François Silvestre

…Mais um desmanche do passado. E como dói. Não doem os músculos nem o coração, é o passado que dói.

Quando cheguei ao Ginásio Diocesano Seridoense, que depois virou Colégio, em 1961, o diretor era Monsenhor Walfredo, que eleito vice-Governador no ano anterior, foi substituído pelo Padre Itan Pereira. Padre Ausônio Tércio de Araújo era o professor de francês. Depois assumiu a direção.

Padre João Agripino, de matemática. Também ensinava matemática o professor João Diniz, o admirável João Bangu, como era conhecido. E sua mulher, dona Neta. Plácido Saraiva, o bode rouco, lecionava português. Padre Balbino, latim. Professor Guerra, geografia. Dona Iracema, história. Padre Antenor, religião.

Quase todos já se foram, e em homenagem aos vivos eu me curvo reverencialmente ante à inapelável sina do todos nós. Parte agora o Padre Tércio. Com quem mantive ao longo de toda a vida uma relação de amizade e afeto. Era um educador no sentido mais completo e extensivo da palavra.

Vejo agora, pelo olhar turvo da memória aqueles corredores guarnecidos de arcadas da mais simples nobreza, como sói ser a simplicidade do que é verdadeiramente nobre. As salas de aulas, os dormitórios, o refeitório e suas freiras adocicadas de humildade, a capela que separava o ginásio do seminário, o campo de futebol e os bebedouros em fila numa parede azulejada.

E vejo Padre Tércio, irado, após uma pichação que eu e Murilo Diniz fizemos criticando o Colégio. Ele entrou na sala de aula e nos apontou: foram vocês dois.

Quando alguém perguntou como ele sabia, sua resposta foi: “Pela péssima caligrafia e a má feitura das frases”.

Saudade…muita saudade!

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Crônica
terça-feira - 16/09/2014 - 23:54h
Decisiva

Eu te conheço, Mossoró!

Em campanha ao Governo do Estado em 1965, em Mossoró, Monsenhor Walfredo Gurgel bradou a plenos pulmões em um de seus comícios na cidade:

– Eu vou ganhar aqui porque eu te conheço, Mossoró!

Agora, em 2014, vamos saber quem também conhece Mossoró:

Henrique Alves (PMDB) ou Robinson Faria (PSD); Robinson Faria ou Henrique.

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Categoria(s): Política
  • San Valle Rodape GIF
sexta-feira - 28/03/2014 - 11:33h
Ouvido ao chão...

Histórias políticas e de vice que estão atualíssimas

O presidente da Assembleia Legislativa, Ricardo Motta (PROS), me faz pensar em seu pai nesses momentos de intrincada política do Rio Grande do Norte.

Motta: filho de um vice

Clóvis Motta foi vice-governador, pelas mãos de Aluízio Alves (pai do governadorável Henrique Alves), compondo chapa com Monsenhor Walfredo Gurgel no pleito de 1965.

Também presidiu a Assembleia Legislativa e obteve mandato de deputado federal.

Osmundo

Tempo de lembrar, ainda, do empresário Osmundo Faria, que por pouco não foi governador do Rio Grande do Norte no jogo de bastidores nos anos 70.

Osmundo, para quem não sabe, era pai do hoje vice-governador dissidente e ex-presidente da Assembleia Legislativa Robinson Faria (PSD), uma casa que lhe cai bem.

História que continua atual.

Atualíssima.

Ouvido ao chão como bom índio Sioux, Apache, Comanche, Cherokee ou Navajo…

 

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Categoria(s): Política
domingo - 12/08/2012 - 10:50h

Só Rindo (Folclore Político)

Dedada poética

É 1965. Campanha ao Governo do Rio Grande do Norte em andamento, como sempre Mossoró está em ebulição. Ferve, respira e transpira política.

Poeta popular de extrema alma crítica, Luiz Campos é indagado por que é refratário à candidatura do monsenhor Walfredo Gurgel ao Governo.

Sem maior pausa, ele usa sua própria arte para responder:

“(…) Vou dizer por que não voto
Nesse Monsenhor Walfredo;
É que o partido de Aluízio
Tem uma mão mostrando o dedo.
E pobre só leva dedada;
Quando vê isso tem medo.”

 

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Categoria(s): Folclore Político
  • Repet
domingo - 29/07/2012 - 08:55h

Só Rindo (Folclore Político)

Lei Seca para adversário

A campanha ao Governo do Rio Grande do Norte divide Mossoró em 1965. Aluizistas cantam vitória em defesa da candidatura do Monsenhor Walfredo Gurgel, apoiado pelo governador Aluízio Alves.

Num tradicional reduto adversário, o conhecido “Bar IP”, seu proprietário João Pinheiro observa do balcão a chegada de um aluizista. É o suficiente para fechar a cara. Mais ainda, que se diga.

– Bote aí uma cana, João – pede o ‘fiscal de rendas’ Moacir Vilar, adornado por adereços verdes que simbolizam sua preferência política.

– Só despacho no balcão e tá faltando – infla João Pinheiro, contraindo os músculos faciais, numa reação que não disfarça seu desinteresse em fazer a vontade do cliente.

– Então eu quero uma cerveja, homem! – insiste Moacir, desdenhando o humor de quem o atende.

Sem qualquer meio-termo, o dono do IP volta a rechaçá-lo: “Tá quente!”

O insistente freguês não desiste. Coça o próprio cocoruto como se os dedos fossem eficientes arados e parte para o definitivo pedido:

– O.K! Eu vou tomar mesmo é um uísque…

Nem aí ele consegue dobrar João Pinheiro, impávido na tarefa de não atender o adversário:

– Não tem gelo!

A resposta faz Moacir Vilar ser ejetado da cadeira, endemoniado: “Quando o ‘padre’ ganhar eu fecho essa …!”

João e sua clientela vibram com o aguardado desfecho da contenda. Nas urnas Monsenhor Walfredo foi vitorioso, mas o Bar IP continuou inexpugnável ainda por décadas.

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