domingo - 03/12/2023 - 10:32h

Dois anos sem Ney Júnior

Por Ney Lopes

Ney Júnior foi vereador por dois mandatos em Natal, era jornalista e advogado (Foto: Elpídio Jr./arquivo)

Ney Júnior foi vereador por dois mandatos em Natal, era jornalista e advogado (Foto: Elpídio Jr./arquivo)

Meu filho Ney Jr,

Hoje, 30 de novembro, completam-se dois anos (veja AQUI), desde o dia em que você partiu deste mundo e nada voltou a ser igual.

Ainda não aceito tanto tempo sem você.

Ainda não reconheço a sua morte, o seu adeus.

Hoje, acordei com a profunda dor da distância que nos separa.

O tempo passou sem que notasse.

Parece que foi ontem, que você nos deixou.

Não houve um só dia (nem haverá), que deixasse de lembrá-lo e rezar pelo seu descanso eterno.

A coisa mais penosa que fiz na vida foi beijar a sua cabeça (gesto familiar que repetia em toda nossa convivência), antes de fechar o ataúde coberto de flores.

Conforta-me saber que Deus está cuidando de você na Eternidade.

Mesmo assim, é difícil assistir o amanhecer e o anoitecer sem a sua afetiva presença, sem escutar sua voz.

O coração sofre por não ter mais ao lado, quem tanto amor em mim despertou.

O tempo, na definição de Aristóteles, é a medida (contagem) das coisas, que se movimentam ou mudam, segundo um “antes e um depois”,

A Eternidade, segundo a Bíblia,  significa um tempo sem fim, uma vida que nunca terá fim.

Um dia nos encontraremos outra vez e, juntos, viveremos a vida sem fim da Eternidade.

Antes que isso aconteça, a dor não abranda, porque na perda de um ente querido o tempo não cura a saudade.

Caso possível e se puder me ver de onde está, não deixe de dá os conselhos que as vezes preciso.

O seu novo mundo é repleto de amor.

Nestes dois anos, o vazio aumentou sem dimensão e a dor sem limitações.

Hoje é o dia de homenageá-lo, após a sua partida para jamais voltar.

Fique certo que eu, a sua mãe, as suas irmãs, seus sobrinhos saudosos, seus avós, seus tios e primas, enfim toda a família e amigos, reverenciam a sua memória e jamais o esquecerão.

Para sempre iremos manter viva a sua história de jovem idealista, filho exemplar, político por vocação, com grande sensibilidade humana.

Isso consola o meu coração, em lágrimas.

Rogo a Deus que me indique um caminho e eu possa superar a sua falta.

Desejo-lhe paz e descanso com serenidade.

Beijos, meu querido filho!

PS Em família rezaremos hoje, numa Missa em sua intenção.

Ney Lopes é advogado, jornalista e ex-deputado federal

*Texto originalmente publicado em página própria do autor, no último dia 30 de novembro.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 05/12/2021 - 04:10h

Até um dia, meu filho Ney Jr.!

Por Ney Lopes

Não se pode descrever a dor de um pai e uma mãe despedindo-se do filho para sempre.

Ainda na mente, a notícia dada pelos netos, na noite do último dia 30, de que havia falecido Ney Lopes de Souza Júnior (veja AQUI), o nosso único filho, presente, amigo e solidário em todos os momentos da vida.

O desalento que assaltou a mim e Abigail foi aquele do rei Davi, diante do corpo do filho Absalão, ao exclamar:

Ó meu filho Absalão! Eu preferiria ter morrido no seu lugar”.

Ney Lopes, dona Abigail e Ney Lopes Júnior Foto de família)

Ney Lopes, dona Abigail e Ney Lopes Júnior (Foto: de família)

O sofrimento dilacerante sobreveio, quando tocamos o seu corpo frio, inerte, aparência tranquila como ele era.

Olhamos sua face, contando os segundos que corriam para o fechamento do ataúde e a cremação, por ele desejada.

Acariciamos o seu rosto, deitamos a cabeça sobre o seu corpo, apertamos as mãos geladas com um terço entrelaçado, num gesto de comiseração e piedade.

O nosso filho querido estava morto.

Recordei aquele 25 de março de 1974, quando com Abigail na Maternidade Januário Cicco, em Natal, aguardávamos o tão esperado único “filho homem”.

A expectativa era dar as boas-vindas ao recém-nascido, o que afinal aconteceu.

Passaram-se os anos.

Tenho presente a sua extrema dedicação à minha vida política.

Criança, ele fazia questão de me acompanhar e falar nos comícios.

Junto com amigos dedicados, que lhe homenagearam pós morte, participou da organização da ala jovem do PFL, em Natal e depois em Brasília, onde chegou a presidir nacionalmente o movimento.

Na última sexta, visitando Natal, o ministro João Roma, da Cidadania, que foi um dos jovens que com Ney Jr desejaram contribuir com a política brasileira, recordou momentos de idealismos e sonhos.

Destacou o desprendimento de Ney Jr, sempre buscando a conciliação e até renunciando posições em favor de amigos, como fez em relação a ele próprio

A visita que recebemos de João Roma nos gratificou pelas recordações e, sobretudo, pelo merecido êxito dele como auxiliar prestigiado do presidente Bolsonaro.

Outros jovens daquela época, companheiros de Ney Jr, estão hoje na política nacional: ACM Netto, Eduardo Paes, Efraim Morais Filho.

O deputado Felipe Maia, também participante do movimento, disse-me no velório, que a história desses jovens idealistas ainda precisa ser contada.

Ney Jr foi um lutador e venceu o bom combate.

Semeou o bem, por onde passou, comprovado pela unanimidade de mensagens carinhosas, calorosas e verdadeiras, que temos recebido, lido e ouvido, de tantos que tiveram a felicidade de com ele conviver.

Embora bem assistido por médicos, Ney Jr sofreu muito nos últimos anos.

Em plena campanha passada, internou-se em UTI com pneumonia (teve três em períodos diversos), duas vezes Covid-19 e processos depressivos.

Essas foram as causas do seu insucesso eleitoral em 2020, impossibilitado de fazer a campanha.

Quando se imaginava curado, veio o laudo médico do óbito, acusando como “causa mortis” edema e congestão pulmonar, enfarte agudo do miocárdio; cardiopatia isquêmica e doença arterial coronariana.

Há quem admita tenham sido fatais efeitos colaterais do terrível coronavírus.

Com apenas 47 anos de idade foi-se para a Eternidade.

Deixou legado de um ser humano, de profunda sensibilidade social.

Demonstrou isso ao concluir em Washington DC um mestrado em direito econômico e ser convidado para trabalhar no BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Optou por ingressar na política em Natal e ajudar os desprotegidos.

Aprovou como vereador 52 projetos de lei na Câmara Municipal de Natal, todos eles voltados para os mais necessitados.

Propôs, em convenio da Câmara Municipal com o Tribunal de Justiça, a implantação da mediação comunitária em Natal, como forma de solução rápida dos conflitos judiciais de pessoas carentes.

A propósito, o arcebispo Dom Jaime, ao dar uma benção no corpo, fez o registro da sua vocação de servir, depois ratificado pelo amigo padre Charles, que oficiou a missa de corpo presente e acompanhou a cremação.

Guerreiro, não desistiu nem por um só segundo, mesmo quando lhe pesava nos ombros a dor física, psicológica e o sentimento avassalador das intempéries sofridas, que por vezes não podiam ser expressas, nem tampouco remediadas.

Para atingir os seus objetivos precisou muitas vezes rumar mar adentro, mesmo sob o risco de naufragar, mas sempre com o maior objetivo de persistir na luta pelos que acreditava.

Como dizia São Tomás de Aquino: “Se a meta principal de um capitão fosse preservar seu barco, ele o conservaria no porto para sempre. …”!

E você, sempre o manteve em “alto mar”, remando, muitas vezes, contra a maré, sob maus tempos e ventanias, desbravando caminhos, por causas pelas quais se comprometera publicamente.

Ney Jr a todos tratava com educação e urbanidade.

Por isso, as correntes políticas locais manifestaram pesar, sem exceções.

Exerceu os cargos de Prefeito de Natal e Presidente da Câmara Municipal, em caráter transitório.

Na condição de prefeito constatou o clamor dos servidores com atraso de vencimentos, em período natalino.

Conseguiu levantar no TRT um depósito da PMN e pagou aqueles de menor salário.

Em 48 hs autorizou um “mutirão” de limpeza pública em Natal.

Quando deu posse a Carlos Eduardo saiu do prédio da Prefeitura sob aplausos.

No seu sepultamento no Morada da Paz em Natal foram 79 coroas em homenagem póstuma.

Não teve mais pelo estoque de flores ter acabado no cemitério.

Eu, Abigail e familiares lutaremos para conseguir suportar a ausência do filho e amigo querido.

Não vai ser fácil.

Mas, descanse em paz, Ney Jr.

Você ainda poderia nos dar muitas alegrias, mas escolheu ser “saudade”. Por força da saudade, ainda convive entre nós.

Como escreveu a sua irmã Ana Lilian, no livro da missa de sétimo dia, temos a certeza que cumpriu o seu ciclo na vida da melhor forma, até o fim… nunca desistindo de lutar!

Hoje, rogamos a Deus que tenha alcançado a paz tão merecida, e descanse, enfim, nos braços do Pai!

Te amaremos para sempre, e para sempre, não tem fim!

Sabemos que está apenas no outro lado do caminho e que Santo Agostinho tem razão ao dizer, que “a angústia de ter perdido, não supera alegria de ter um dia possuído”.

O vazio da sua ausência de Ney Jr será preenchido em nosso reencontro da Eternidade.

Até um dia, meu filho Ney Jr, até um dia!

  1. Nesta segunda, 6, às 18h30 missa de sétimo dia de Ney Lopes Jr, na Igreja de Santa Terezinha (@igrejasantateresinha, em Natal.

Ney Lopes é jornalista, advogado e ex-deputado federal

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