segunda-feira - 08/08/2016 - 08:02h
Reportagem especial

“Sindicato do Crime” desafia Governo do RN e o PCC

Do jornal O Estado de São Paulo

A facção que levou insegurança ao Rio Grande do Norte e fez com que homens do Exército e da Marinha ocupassem a capital, Natal, nasceu há três anos. O Sindicato RN faz parte de um novo fenômeno que autoridades do Norte e Nordeste vêm enfrentando: criminosos que se uniram como uma resistência ao crescimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) de São Paulo em seus Estados.

Em pouco mais de uma semana, o grupo fez 108 ataques, em 38 cidades, contra a instalação de bloqueadores de celular em penitenciárias do Estado. Ônibus deixaram de circular e o turismo foi afetado, em uma região conhecida por suas praias, dunas e outras belezas naturais.

Detentos fizeram motim em penitenciária de Parnamirim contra bloqueadores (Foto: reprodução)

As autoridades estimam em pelo menos mil os integrantes da facção. Ela surgiu na Penitenciária Alcaçuz, a maior do Estado, localizada em Nísia Floresta, e no Presídio Estadual de Parnamirim, na Grande Natal. “Começamos a ter notícia do Sindicato ao mesmo tempo nos dois presídios”, diz o juiz de execuções penais Henrique Baltazar.

PCC no RN

O magistrado conta que o PCC já tinha operações nos presídios do Estado desde 2010. Por meio de escutas telefônicas o Ministério Público Estadual estimava que a facção paulista tinha entre 200 e 300 integrantes nos presídios — para uma população carcerária de cerca de 8 mil detentos.

“Havia criminosos daqui que não gostavam do PCC, das normas rígidas de seu estatuto, e decidiram se organizar para fazer frente a eles. Mas não era nada levado muito a sério. Era, como se diz, um bando de ‘nóias’, drogados”, continua o juiz.

A coisa mudou em 2015, a medida em que traficantes e ladrões de banco mais organizados foram se juntando ao grupo. Em março, os integrantes do Sindicato organizaram uma rebelião nos dois presídios.

Mossoró

O motim se espalhou por outras cadeias do Estado e só se encerrou após uma negociação que incluiu mais respeito aos familiares dos presos nas visitas. Atrás das grades — que, aliás, já não existem no interior das cadeias, segundo o juiz –, o grupo passou a ser visto como vitorioso, e cresceu.

Na mesma rebelião, os potiguares do PCC se amotinaram no presídio de Mossoró, onde estavam concentrados. “Aconteceu que Mossoró foi o único em que o governo entrou na cadeia e acabou com a rebelião. Rapidamente. Eles ficaram desmoralizados”, diz o juiz.

Henrique vê avanço do "Sindicato" (Foto Ana Amaral)

O crescimento do Sindicato está relacionado, também, com suas associações. A facção precisou buscar outros fornecedores de drogas para alimentar seus negócios. E se associou, em uma espécie de cooperativa do crime, com outras facções regionais que surgiam como resposta ao domínio dos paulistas.

“Eles antes faziam negócios com o PCC no Paraná. Chegamos a interceptar teleconferências, feitas entre presos de três cadeias diferentes”, continua Baltazar. “Aí eles se associaram a outros grupos muito parecidos com eles, de outros Estados. Com os Amigos da Amazônia, com a Al-Qaeda, de Alagoas, e com o Comando Vermelho do Ceará. É assim que eles têm comprado drogas para abastecer o Estado”, afirma.

Mortes

O juiz faz as contas: diz que em 2014 havia 300 integrantes do PCC nas cadeias e 200 do Sindicato. Após a rebelião de 2015, o PCC terminou com 200 membros e o Sindicato, 1 mil. “Nesse crescimento, teve muito ‘suicídio’. Houve uns 30 casos de suicídio nas cadeias, que acompanhamos. Na verdade, o cara ‘era suicidado’ pelos companheiros.”

O secretário da Segurança Pública do Estado, general do Exército Ronaldo Cavalcanti Lundgreen, também afirma que a situação nos presídios foi uma das agravantes para a crise. Ele diz que somente com a abertura de mais vagas nos presídios é que as facções perderão forças. “A instalação dos bloqueadores foi só o fósforo riscado.”

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sábado - 09/01/2016 - 10:30h
Arena das Dunas

Henrique fez lobby para empreiteira, diz Procuradoria Geral

O Estado de São Paulo (Adriano Ceolin e Fábio Fabrini)

O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez lobby para a construtora OAS em dois tribunais de contas para evitar o bloqueio de recursos para as obras da empreiteira na Arena das Dunas, em Natal, um dos estádios da Copa de 2014.

Henrique Alves teve diálogos observados (Foto: O Globo)

A ação é comprovada por mensagens trocadas entre Alves e o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, já condenado a 16 de reclusão por crimes cometidos no escândalo de corrupção da Petrobrás. Trechos das conversas, de 2013 e 2014, foram obtidos pelo Estado. No período, o peemedebista era deputado federal pelo PMDB e presidia a Câmara.

Nos diálogos, além tratar de favores para o empresário nos tribunais, o ministro cobra repasses da OAS para sua campanha ao Governo do Rio Grande do Norte em ação conjunta com o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), um dos principais articuladores de sua candidatura.

Nos diálogos, além tratar de favores para o empresário nos tribunais, o ministro cobra repasses da OAS para sua campanha ao Governo do Rio Grande do Norte em ação conjunta com o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), um dos principais articuladores de sua candidatura.

“Vantagens indevidas”

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), as doações foram “vantagens indevidas” pagas para que Cunha e seu grupo defendessem interesses da OAS. Como revelou o estadão.com.br na quinta-feira, as conversas mostram que contribuições de empreiteiras “pressionadas” pelos dois peemedebistas foram de ao menos R$ 6,9 milhões, dos quais R$ 5 milhões para a campanha do atual ministro. Ele foi derrotado no segundo turno.

As mensagens sobre o lobby nos tribunais foram trocadas entre junho e julho de 2013. Em 14 de julho, Alves promete a Léo Pinheiro agir no Tribunal de Contas da União (TCU): “Seg (segunda), em BSB (Brasília), vou pra cima do TCU. Darei notícias”, diz o atual ministro do Turismo.

Os diálogos indicam que a operação envolveria tratativas com o então ministro do TCU Valmir Campelo Bezerra, que na época relatava processo sobre a Arena das Dunas. Na ocasião, após receber denúncia de irregularidades do Ministério Público Federal, o tribunal abriu um processo para acompanhar o financiamento da obra, a ser concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, pediu ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN) que o informasse sobre qualquer falha no projeto. Isso implicaria a suspensão do empréstimo.

Em outra mensagem, de 22 de junho de 2013, Henrique Alves diz a Léo Pinheiro que poderia marcar com o presidente do TCE-RN. “Tenho sim. E resolvo. Sou como você…! Charles poderia me procurar seg (segunda) cedo em casa? Já marcaria com o Pres TC, irmão do Garibaldi. Discutiríamos problema”, afirmou.

Primo de Henrique

Na época, o presidente da corte estadual era Paulo Roberto Chaves Alves, irmão do senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), primo do ministro.

Em decisão de 2014, o TCU registra que não foram detectadas irregularidades passíveis de paralisação das obras.

Paulo Roberto: primo do TCE (Foto: Web)

Ao Estado, o ministro admitiu ter auxiliado a OAS. “Ele (Léo Pinheiro) mobilizou o governo, todo mundo para ajudar. Isso porque podia paralisar a obra e o estádio não seria entregue a tempo para a Copa. Se não houvesse esclarecimentos ao TCU, o BNDES paralisaria os repasses para o governo do Estado pagar a construtora”, afirmou. Sobre a expressão “ir pra cima do TCU”, ele explicou que o sentido era “tentar ajudar a resolver o problema.”

O ex-ministro Valmir Campelo disse não se recordar de tratativas com Alves sobre o assunto e ressaltou que não admitiria interferência em processos no TCU. Em decisão de 2014, a corte registrou que seus auditores não detectaram irregularidades na obra e que o TCE-RN não comunicou problemas.

A OAS não comentou. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem questionado diálogos de Léo Pinheiro em que ele é citado pela PGR como interlocutor. O deputado também nega ter recebido propina. O Estado não localizou Paulo Roberto Chaves Alves.

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segunda-feira - 26/01/2015 - 15:47h
Réplica

Governo justifica aumento para governador/vice e secretários

Com relação à reportagem 13 Estados aumentam salários do primeiro escalão do Governo, publicada no Estado de São Paulo deste domingo, 25, o Governador Robinson Faria (PSD) esclarece que o salário do Rio Grande do Norte é o quarto menor da lista de treze, levantada pelo jornal.

O aumento em questão foi definido em dezembro de 2013, na gestão passada, por meio de um Projeto de Lei aprovado pela Assembleia Legislativa, equiparando o salário do chefe do Executivo Potiguar ao dos seus correlatos em outras unidades da Federação.

Com relação ao reajuste dos salários dos secretários de Estado, o Governador ressalta que foi o único caminho encontrado para atrair bons quadros técnicos e montar, assim, uma equipe comprometida com o novo projeto de modernização da maquina pública para desenvolver o estado do Rio Grande do Norte.

O Governador ressalta ainda que está adotando medidas de contenção de despesas tais como a extinção da Residência Oficial do Governador e dos custos que ela representava,  a revisão de contratos e o enxugamento  da máquina pública para reduzir gastos e aumentar o percentual de investimentos em áreas prioritárias como segurança, saúde e educação.

 

Estado Governador Vencimento
Paraná Beto Richa R$ 33,8 mil
Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja R$ 32,4 mil
Roraima Suely Campos R$ 30,9 mil
Paraíba Ricardo Coutinho R$ 29,6 mil
Piauí Wellington Dias R$ 26 mil
Rio Grande do Sul José Ivo Sartori R$ 25,3 mil
Rondônia Confúcio Moura R$ 25,3 mil
Goiás Marconi Perillo R$ 25 mil
Bahia Rui Costa R$ 22,4 mil
Rio Grande do Norte Robinson Faria R$ 22 mil
São Paulo Geraldo Alckmin R$ 21,6 mil
Mato Grosso Pedro Taques R$ 20,3 mil
Ceará Camilo Santana R$ 16,7 mil

Fonte: Estado de São Paulo

 

 

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sexta-feira - 19/12/2014 - 13:34h
Nota oficial

Henrique nega envolvimento em esquema da Petrobras

O presidente da Câmara Federal, Henrique Alves (PMDB), emitiu nota rebatendo teor de reportagem do jornal O Estado de São Paulo (veja AQUI), em que é citado como suposto beneficiado em esquema de corrupção na Petrobras.

Ele nega incisivamente participação em qualquer esquema.

Veja sua nota enviada ao jornal e ao Blog Carlos Santos:

É com extrema indignação que vejo meu nome citado em reportagem publicada hoje pelo jornal O Estado de São Paulo.

Não há qualquer hipótese de verdade no meu envolvimento com as irregularidades cometidas na Petrobras. Repilo qualquer insinuação nesse sentido. Tenho a consciência absolutamente tranquila.

Reitero que a delação premiada é um instrumento que beneficia o réu e não deve ser tomada como prova de verdade. Para isso, há a investigação séria dos órgãos competentes.

Henrique Eduardo Alves

Presidente da Câmara dos Deputados

 

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sexta-feira - 19/12/2014 - 13:29h
Petrobras

“Estadão” mostra lista de supostos envolvidos em corrupção

O Estado de São Paulo

Primeiro delator da Lava Jato, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa citou em 80 depoimentos que se estenderam por duas semanas, entre agosto e setembro, uma lista de 28 políticos – que inclui ministro e ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT), deputados, senadores, governador e ex-governadores.

O Estado obteve a lista completa dos citados. A relação inclui ainda parlamentares que integram a base aliada do Palácio do Planalto no Congresso como supostos beneficiários do esquema de corrupção e caixa 2 que se instalou na petrolífera entre 2004 e 2012.

Há nomes que até aqui ainda não haviam sido revelados, como o governador do Acre, Tião Viana (PT), reeleito em 2014, além dos deputados Vander Luiz dos Santos Loubet (PT-MS), Alexandre José dos Santos (PMDB-RJ), Luiz Fernando Faria (PP-MG) e José Otávio Germano (PP-RS). Entre os congressistas, ao todo foram mencionados sete senadores e onze deputados federais.

O perfil da lista reflete o consórcio partidário que mantinha Costa no cargo e contratos bilionários da estatal sob sua tutela – são 8 políticos do PMDB, 10 do PP, 8 do PT, 1 do PSB e 1 do PSDB. Alguns, segundo o ex-diretor de Abastecimento, recebiam repasses com frequência ou valores que chegaram a superar R$ 1 milhão – dinheiro que teria sido usado em campanhas eleitorais. Outros receberam esporadicamente – caso, segundo ele, do ex-senador Sérgio Guerra, que foi presidente nacional do PSDB e em 2009 teria pedido R$ 10 milhões para arquivar uma CPI da Petrobrás no Senado.

Sobre vários políticos, o ex-diretor da estatal apenas mencionou o nome. Não revelou valores que teriam sido distribuídos a eles ou a suas agremiações.

Foram citados os ex-governadores do Rio Sérgio Cabral (PMDB), do Maranhão Roseana Sarney (PMDB) e de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – que morreu em um acidente aéreo em 13 de agosto, durante campanha presidencial.

Primeiro escalão. A lista inclui também o ex-ministro Antonio Palocci (PT), que ocupou a Esplanada nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma; os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o atual ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, e ex-ministros Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Mário Negromonte (Cidades).

Os 28 nomes são exclusivamente de políticos que teriam sido beneficiários dos negócios da diretoria de Costa. A Polícia Federal e a Procuradoria da República trabalham com outros nomes de políticos que se relacionavam com os ex-diretores da estatal Renato Duque (Serviços) e Internacional (Nestor Cerveró).

As revelações foram feitas em depoimentos prestados por Costa à força tarefa da Lava Jato e fazem parte do acordo de delação premiada firmado pelo ex-diretor com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena. Desde que sua delação foi aceita pelo Supremo Tribunal Federal, ele cumpre prisão em regime domiciliar, no Rio.

Alguns nomes dessa lista também aparecem na relação fornecida pelo doleiro Alberto Youssef, que firmou acordo semelhante – ainda não homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deve denunciar os envolvidos no esquema de desvios da estatal em fevereiro, quando tem início a nova legislatura (mais informações no texto abaixo).

A delação do ex-diretor da Petrobrás, já homologada pelo Supremo, estava com Janot desde novembro. Ele aguarda o teor do depoimento de Youssef para cruzar os nomes citados, o que deverá ser realizado até o início da próxima legislatura.

Foro

Na troca da composição do Congresso, alguns dos citados perdem foro privilegiado e passam a ser julgados pela Justiça de primeira instância. Por decisão do ministro Teori Zavascki, as investigações permanecem divididas entre a Suprema Corte e a Justiça Federal no Paraná, onde serão investigados os acusados que não têm mandato.

A lista de 28 nomes foi revelada por Costa exclusivamente no âmbito da delação premiada. Como são citados políticos com foro privilegiado, o caso foi parar no STF. Em depoimentos à primeira instância da Justiça Federal, o ex-diretor da Petrobrás não falou de políticos, mas citou que o PP, o PMDB e o PT recebiam de 1% a 3% sobre o valor dos contratos da estatal para abastecer caixa de campanha.

A investigação desvendou uma trama de repasses a políticos na estatal. A Lava Jato foi desencadeada em março e identificou a parceria de Costa com o doleiro Youssef. Na última fase da operação, deflagrada em 14 de novembro, foram presos os principais executivos e dirigentes das maiores empreiteiras do País, todos réus em ações penais por corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes de cartel e fraudes a licitações.

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segunda-feira - 31/03/2014 - 08:00h
Eleições 2014

Henrique aguarda apoio de Agripino e distância de Rosalba

Erich Decat (Do Estado de São Paulo)

Embora trabalhe em busca do apoio do PSDB e do PSB para candidatura ao governo do Rio Grande do Norte, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), garante que no âmbito nacional o palanque será dado apenas a presidente Dilma Rousseff (PT).

Henrique e Agripino: apoio a caminho

Alves lançou na sexta-feira, 28, sua pré-candidatura ao governo do Estado e acredita que fechará uma chapa para o Senado com a presidente estadual do PSB, Wilma de Faria, e terá como aliado na disputa para um vaga à Câmara, Rogério Marinho, do PSDB. A vice deve ficar com o deputado federal, João Maia (PR).

Essa composição, no entanto, corre o risco de ser barrada pelas cúpulas nacionais dos socialistas e dos tucanos, uma vez que o PSB deverá ter como candidato à Presidência da República o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o PSDB, o senador Aécio Neves (MG).

O impasse ocorre porque no âmbito nacional Henrique Alves deverá fazer campanha apenas para a presidente Dilma, que tem como vice o presidente nacional do PMDB, Michel Temer.

PSB

“Vamos fazer campanha de Dilma e Michel, sem dúvida. Mas cada um vai ter o seu espaço, a realidade estadual supera isso”, afirmou Alves. “A coligação que for composta para a minha candidatura também servirá para a Wilma, que terá um tempo de TV livre para usar como quiser, o que pode incluir a participação do Eduardo Campos”, acrescentou.

O PT estadual do Rio Grande Norte também deve abrir palanque para a candidatura à reeleição de Dilma, mas deverá ser adversário do PMDB uma vez que pretende lançar um nome para a disputa local.

“O PT se isolou muito. Deve ter coligação de um ou três partidos. Se isolou porque só queria fazer aliança com integrantes da base da Dilma”, afirmou Henrique Alves. Segundo ele, deverá contar com um arco de aliança de até dez partidos.

Apesar de não contar com o apoio formal da atual governadora, Rosalba Ciarlini (DEM), o peemedebista acredita que contará com a participação na campanha do presidente nacional do DEM, senador Agripino Maia (RN).

“O líder estadual José Agripino pode individualmente nos apoiar. O DEM não, porque está contaminado pelos desgastes do governo da Rosalba. Mas o Agripino, que está praticamente rompido com ela, pode declarar apoio a nossa candidatura”, considerou o presidente da Câmara.

 

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domingo - 09/03/2014 - 03:53h

Jornal, qualidade e relevância

Por Carlos Alberto di Franco (O Estado de São P aulo)

A internet é, frequentemente, o bode expiatório para justificar a crise do jornalismo. Os jovens estão “plugados” horas sem-fim. Já nascem de costas para a palavra impressa. Será? É evidente que a juventude de hoje lê muito menos. Mas não é somente a moçada que foge dos jornais. Os representantes das classes A e B também têm aumentado a fileira dos navegantes do espaço virtual.

O público dos diários, independentemente da faixa etária, é constituído por uma elite numerosa, mas cada vez mais órfã de jornalismo de qualidade. Num momento de ênfase no didatismo, na infografia e na prestação de serviços – estratégias convenientes e necessárias -, defendo a urgente necessidade de complicar as pautas. O leitor que devemos conquistar não quer, como é lógico, o que pode conseguir na internet. Ele quer conteúdo relevante: a matéria aprofundada, a reportagem interessante, a análise que o ajude, de fato, a tomar decisões.

Para sobreviverem os grandes jornais precisam fazer que seja interessante o que é relevante. O jornalismo impresso deve ser feito para um público de paladar fino e ser importante pelo que conta e pela forma como conta. A narração é cada vez mais importante.

Quem tem menos de 30 anos gosta de sensações, mensagens instantâneas. Para isso a internet é imbatível. Mas há quem queira entender o mundo. Para estes deve existir leitura reflexiva, a grande reportagem. Será que estamos dando respostas competentes às demandas do leitor qualificado? A pergunta deve fazer parte do nosso exame de consciência diário.

Antes os periódicos cumpriam muitas funções. Hoje não cumprem algumas delas. Não servem mais para nos contar o imediato, o que vimos na televisão ou acabamos de acessar na internet. E as empresas jornalísticas precisam assimilar isso e se converter em marcas multiplataformas, com produtos adequados a cada uma delas. Não há outra saída!

O que se nota é que os jornais estão lentos para entender que o papel é um suporte que permite trabalhar em algo que a internet e a rede social não podem: a seleção de notícias, o jornalismo de alta qualidade narrativa e literária.

Gay Talese, um dos fundadores do New Journalism (novo jornalismo) – uma maneira de descrever a realidade com o cuidado, o talento e a beleza literária de quem escreve um romance – é um crítico do jornalismo sem alma e sem graça. É preciso “contar a história de uma forma que nenhum blogueiro faz, algo para ser lido com prazer”. É isso que o público está disposto a pagar.

A fortaleza do jornal não é dar notícia, é se adiantar e investir em análise, interpretação e se valer de sua credibilidade.

Estamos numa época em que informação gráfica é muito valiosa. Mas um diário sem texto é um diário que vai morrer. O suporte melhor para fotos e gráficos não é o papel. Há assuntos que não é possível resumir em poucas linhas. Assistimos a um processo de superficialização dos jornais.

Queremos ser light, leves, coloridos, enxutos. O risco é investir na forma, mas perder no conteúdo. Olhemos para o sucesso da revista britânica The Economist. Algo nos deveria dizer. Não é verdade que o público não goste de ler. O público não lê o que não lhe interessa, o que não tem substância, o que não agrega, não tem qualidade. Um bom texto, para um público que compra a imprensa de qualidade, sempre vai ter interessados.

Daí a premente necessidade de um sólido investimento em treinamento e qualificação dos profissionais. Para mim, o grande desafio do jornalismo é a formação dos jornalistas. O jornalismo não é máquina, tecnologia, embora se trate de suporte importantíssimo. O valor dele se chama informação de alta qualidade, talento, critério, ética, inovação. Por isso são necessários jornalistas com excelente formação cultural, intelectual e humanística. Gente que leia literatura, seja criativa e motivada.

O conteúdo precisa fugir do previsível. O noticiário de política, por exemplo, tradicionalmente forte nos segmentos qualificados do leitorado, perdeu vigor. Está, frequentemente, dominado pela fofoca e pelo declaratório. Fazemos denúncias – e é importante que as façamos -, mas, muitas vezes, faltam consistência e apuração sólida.

O resultado é a pauta superada por um novo escândalo. Fica no leitor a sensação de que não aprofundamos, não conseguimos ir até o fim. O marketing político avançou além da conta. Estamos assistindo à morte da política e ao advento da era do declaratório e da inconsistência.

Políticos e partidos vendem uma bela embalagem, mas fogem da discussão das ideias e das políticas públicas. Nós, jornalistas, somos – ou deveríamos ser – o contraponto a essa tendência. Cabe-nos a missão de rasgar a embalagem e mostrar a realidade. Só nós, estou certo, podemos minorar os efeitos perniciosos do espetáculo audiovisual que, certamente, não contribui para o fortalecimento de uma democracia sólida e amadurecida.

Uma cobertura de qualidade é, antes de mais nada, uma questão de foco. É preciso declarar guerra ao jornalismo declaratório e assumir, efetivamente, a agenda do cidadão. O nosso papel é ouvir as pessoas, conhecer suas queixas, identificar suas carências e cobrar soluções dos governantes. O jornalismo de registro, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial, mas oculta a verdadeira dimensão do País real. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela informação. Só assim, com equilíbrio e didatismo, conseguiremos separar a notícia do lixo declaratório.

Somente um sério investimento em qualidade, rigor e relevância garantirá o futuro dos jornais. Ninguém resiste a uma boa história, ao texto bem apurado, ao ímã mágico de uma bela reportagem.

Carlos Alberto di Franco é doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra.

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sexta-feira - 27/09/2013 - 16:16h
Lloyd's List

Jornal mais antigo do mundo abandona o papel

O Estado de São Paulo

Numa decisão que está sendo considerada como um marco na história da imprensa, o jornal mais antigo do mundo ainda em circulação, o Lloyd’s List, anunciou que vai abolir sua versão impressa e passará a existir apenas na web a partir de 20 de dezembro.

O jornal foi criado há 279 anos em Londres, servindo à indústria naval no centro do que era então a maior potência comercial mundial. Em seus primeiros dias, os interessados em vender algo ou anunciar alguma notícia colocavam papéis escritos em um das paredes de um café. O jornal foi fundado por Edward Lloyd, que fixava em seu café também notícias sobre a chegada de embarcações à cidade, despedidas, contratações e mortes.

Segundo a direção do jornal, a decisão de se dedicar ao mundo online veio após uma pesquisa com os assinantes mostrar que apenas 25 clientes ainda esperavam para ler a versão impressa. “Isso é apenas uma parte natural de nossa evolução”, disse o editor Richard Meade. A pesquisa também apontou que 97% dos entrevistados disseram usar mais a versão online.

Com circulação de 1,2 mil exemplares e mais de 16 mil assinaturas online, Meade confessou que não via a hora de acabar com a edição impressa.

Phil Smith, diretor do grupo Informa – atual dono do jornal – divulgou comunicado informando que, nos últimos anos, a expansão na web havia sido relevante, enquanto o número de cópias físicas do jornal havia sido drasticamente reduzido.

O Lloyds não é o primeiro a abandonar sua versão impressa. Outros, como o Christian Science Monitor e a revista Newsweek também optaram pela web como forma de sobrevivência.

 

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segunda-feira - 15/07/2013 - 23:08h
Empreguismo

Os cabeças e a manada

Por José Roberto de Toledo (O Estado de São Paulo)

Não adiantou a classe média inalar gás lacrimogêneo nem chorar lágrimas de spray de pimenta. A reforma política foi abortada pelo Congresso. De novo.

Ato reflexo, a impopularidade de deputados e senadores voa mais alto do que jatinho da FAB. Chega a ser injusto com os congressistas. Nem tudo é culpa deles.

O que são algumas centenas de assessores parlamentares em Brasília comparadas aos 508 mil funcionários sem concurso que os prefeitos, cada vez mais, nomeiam Brasil afora? Se morassem todos no mesmo lugar, formariam a 39ª maior cidade brasileira.

Não há avião ou estádio da Copa que abrigue todos eles. Mais de meio milhão de servidores unidos a um contracheque mensal exclusivamente pela caneta do prefeito. Quanto custa isso?

Só como exercício, multipliquemos os 508 mil sem-concurso pelo valor do rendimento médio dos servidores municipais, apurado pela Receita Federal. Se você é cardíaco, talvez prefira não saber o resultado: R$ 1,6 bilhão por mês, ou R$ 20 bi por ano.

Não é à toa que os prefeitos marcharam sobre Brasília e vaiaram Dilma Rousseff quando ela anunciou que repassaria R$ 3 bilhões a mais para eles. Com uma conta sete vezes maior para pagar só de cabides, tinham mais é que vaiar a presidente por sua avareza.

Se o cabide de emprego municipal chegou a esse tamanho e cresce sete vezes mais rápido que a população brasileira, a culpa – dizem – não é dos prefeitos. É de Dilma. Sim, é tudo culpa do governo federal – como explica o porta-voz da categoria:

“Há uma transferência constante de atribuições da União para os municípios. No momento em que você assume atribuições, você cria necessidades de coordenadorias. Não dá para colocar uma manada na mesma hierarquia sem ninguém comandar, tem que ter cabeça”.

A “manada” a que ele se refere deve ser a dos outros 5,5 milhões de servidores municipais, os concursados – aqueles que ganharam direito ao contracheque porque passaram em um processo seletivo e fazem carreira servindo o público. São eles que precisariam de “cabeça”, ou seja, dos 508 mil nomeados sem concurso.

Obviamente os prefeitos não podem depender de concursados para atender suas vontades.

Precisam de alguém de confiança, um correligionário, um amigo ou, melhor ainda, um parente. E como o governo federal teima em mandar cada vez mais atribuições (e verbas) para os municípios, mais correligionários, amigos e parentes se fazem necessários para comandar a “manada”.

É tão lógico que parece verdade. A explicação seria perfeita, não fossem os números. A proporção de funcionários sem concurso (os “cabeças”) em relação ao total de servidores municipais (a “manada”) varia de 0% a 77%. Sim, 47 municípios brasileiros declararam ao IBGE não ter nenhum “cabeça” em seus quadros.

Essas cidades parecem exceção, mas não são. Em uma de cada cinco prefeituras, a taxa de funcionários sem concurso não chega a 5%. E em três de cada cinco, a proporção é inferior a 10%.

A exceção está na outra ponta. Só 17 cidades têm mais da metade de funcionários municipais sem concurso (11 delas ficam em Goiás). Em só 2% dos municípios a falta de concurso supera um terço do funcionalismo.

Os números mostram que uma grande parte dos municípios brasileiros consegue dar conta de suas velhas e novas atribuições sem criar um bicho de sete cabeças – nem provocar o estouro da manada.

O mais provável é que a explicação para o inchaço das máquinas municipais onde abundam funcionários sem concurso seja política, e não administrativa.

A multiplicação dos pequenos municípios atende aos interesses partidários de criação de novas estruturas burocráticas, de mais cargos de confiança sem concurso, de mais vagas de vereador. Um pequeno novo município faz pouca diferença no total do gasto público. Mas muitos deles fazem toda a diferença.

 

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domingo - 23/06/2013 - 10:42h

E agora, galera?

Por Gaudêncio Torquato

Ante a baixa da tarifa de ônibus nas capitais que sediaram as maiores manifestações populares dos últimos tempos, a indagação aguça a curiosidade de todos: qual será o próximo foco? O primeiro round da guerra que tem, de um lado, exércitos compostos por variados conjuntos da sociedade e, de outro, guerreiros defensores do establishment deve terminar com evidente vitória dos primeiros. O atendimento da demanda por Executivos estaduais e municipais (até o alcaide paulistano cedeu) será o jorro d’água para apagar faíscas que ameaçam multiplicar fogueiras acesas nas principais regiões do território.

Urge atentar para o sinal amarelo aceso no farol dos governantes e suas múltiplas significações: o som barulhento das ruas não carece mais de maestros de grandes orquestras, sejam políticos ou lideranças sindicais; não é preciso muito tempo para as massas afluírem às ruas; e a tuba de ressonância destes tempos efervescentes é o conjunto das redes eletrônicas da internet.

Se a reivindicação concreta das turbas for acolhida, como governantes de algumas capitais e Estados já o fizeram (gerando o efeito dominó), permanecerá a dúvida sobre os próximos passos da ampla movimentação social, eis que as palavras de ordem tentam expressar a amálgama de carências que compõem o Produto Nacional Bruto da Insatisfação, agrupando, entre outras, os estrangulamentos do sistema de transportes, a precária estrutura de saúde, as deficiências nas frentes educacionais e a crescente insegurança pública ante a avalanche de atos de extrema violência nas grandes cidades.

E agora, galera, as batalhas continuarão? Haverá questões específicas a serem proclamadas? Os administradores públicos, por sua vez, ficarão entre a cruz e a caldeirinha: atenderão às demandas ou farão ouvidos de mercador.

A questão abre um leque de abordagens. A primeira diz respeito à natureza das reivindicações. O pleito da redução da tarifa de ônibus posicionou na linha de vanguarda a esfera estudantil. Os jovens encontraram na vertente dos transportes uma causa próxima aos seus interesses, sem deixar de avocar outras demandas.

Vale registrar a energia de um universo de quem se reclamava inércia, desinteresse, apatia. Desde os “caras-pintadas” da era Collor não se via tanta disposição, a demonstrar que os exércitos estudantis são os primeiros a usar a musculatura e a entrar no palco de guerra, caso tenham motivo para tanto.

A mobilização estudantil ganha expressão diante de uma paisagem urbana tradicionalmente ocupada por soldados comandados por centrais sindicais. Nas últimas décadas, vale lembrar, infiltraram-se elas nas entranhas do Estado, em conluio que deixa transparecer preocupação com os cofres. (Basta anotar as grandes concentrações de massas a cargo das centrais nas festas do 1.º de Maio, animadas por sorteios de casas e carros.) É saudável, portanto, enxergar grupamentos jovens voltando às passeatas, empunhando bandeiras e fazendo ecoar demandas e palavras de ordem.

Ocorre que, para ser eficaz, a locução cívica dos estudantes carecerá, doravante, de clarificação de metas, sob pena de suas vozes se perderem na polifonia de uma Torre de Babel.

Não se quer dizer que tenham de esquecer o discurso que clama por mudanças em muitas frentes, como este que costurou o pano de fundo da reivindicação da tarifa zero para as passagens de ônibus. Governantes e atores políticos de todas as instâncias precisam ser monitorados, avaliados, cobrados e, assim, perceber que há vigilantes cívicos fazendo ronda no entorno de palácios, sedes de governo, cúpulas congressuais, assembleias e câmaras. Mas, para efeito de resultados imediatos, as manifestações de caráter massivo necessitam abrigar metas, de acordo com parâmetros de bom senso e capazes de abrir diálogo entre as partes.

Nessa trilha e por conexão com a redução de tarifas, seria razoável que, neste momento, os entes municipais e estaduais se debruçassem sobre os meios de mobilidade urbana, refazendo programas, reordenando cronogramas, com vistas à expansão dos sistemas e melhoria de qualidade dos serviços. Dessa forma, a movimentação adensará seu escopo e poderá obter mais vitórias.

O recado das ruas serve ainda de alerta para que gestores públicos passem a lupa sobre serviços precários em todos os setores da vida cotidiana. Afinal, aguda dissonância fere a sensibilidade tanto de plateias das cadeiras numeradas quanto de galeras das gerais: de um lado, a estética exuberante dos estádios de futebol, emoldurada por formas e traços futuristas, a denotar a absorção de avançados parâmetros tecnológicos; de outro, a acanhada e esburacada estrutura de serviços, cuja estética é pontilhada por corredores de hospitais locupletados de macas, filas quilométricas em postos de atendimento, superpopulação nos meios de transporte, vielas e becos apinhados de jovens drogados, chacinas seriadas nas periferias.

Para completar o cenário de contrastes, a falta de ônibus para acesso rápido aos majestosos estádios e a indignação por se cobrar de torcedores R$ 8 por um cachorro-quente. A imagem que se tem é a do reizinho que tenta esconder doenças nas habitações de seu reino com paredes folheadas a ouro.

Chama a atenção o fato de que as manifestações se desenvolvem sob o empuxo de integrantes de grupamentos centrais: estudantes de curso superior (e seus pais), simpatizantes de partidos de esquerda, punks, ativistas em defesa de igualdade de gêneros e minorias, funcionários públicos, profissionais liberais, etc. Os exércitos periféricos não formam os maiores volumes dos contingentes.

Sabendo que as correntes centrais influenciam as margens (a pedra jogada no centro faz marolas que chegam à beira do lago), pode-se imaginar desdobramento perigoso caso bolsões miseráveis sejam afetados em sua parte mais sensível, o bolso. Nesse caso (Deus nos livre dessa ameaça), a fome se juntaria com a vontade de comer.

Gaudêncio Torquato é jornalista, consultor político de comunicação e professor titular da USP

* Texto originalmente publicado, hoje, no jornal O Estado de São Paulo.

 

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Categoria(s): Artigo
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terça-feira - 04/06/2013 - 07:18h
Rosalba Ciarlini

“Estadão” repercute aluguel de avião por R$ 102 mil

O jornal “O Estado de São Paulo” repercute viagem em avião alugado, ao valor de R$ 102 mil, pela governadora Rosalba Ciarlini (DEM), à semana passada.

Veja texto abaixo:

A governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM), gastou R$ 102 mil no aluguel de um jatinho que usou para ir ao Rio de Janeiro e voltar no mesmo dia.  No dia 27 de maio, Rosalba participou de uma homenagem ao senador Garibaldi Alves (PMDB) pela manhã e, à tarde, da comemoração de 35 anos de fundação do Telecurso 2000 2º Grau, na Fundação Roberto Marinho, no Rio.

A assessoria da governadora avaliou que a despesa “não foi uma exorbitância”. O gasto foi divulgado no Diário Oficial do Estado na última sexta-feira.

“Não foi uma exorbitância (a despesa). Em dois anos e meio de governo é a terceira vez que ela alugou um jato”, disse o secretário, segundo quem a governadora tinha compromissos inadiáveis no dia em que precisou do avião particular.

Na ocasião, Rosalba esteve numa homenagem feita ao ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves, no Rio Grande do Norte, e depois na comemoração . A assessoria do governo alegou que ambos os compromissos tinham horários próximos um do outro.

Ainda segundo Braga, as duas aeronaves reservadas para uso exclusivo da governadora estavam na revisão. A opção de voos de carreira também foi descartada porque todos eles fariam com que Rosalba perdesse seus compromissos.

Em entrevista à TV Ponta Negra, na última sexta-feira, a governadora teria dito que o expediente de fazer voos fretados eram mais corriqueiros nos governos anteriores ao seu. Teria afirmado também que o retorno financeiro proporcionado pela viagem, que custou R$ 102 mil aos cofres públicos, será maior.

Veja link de matéria AQUI.

 

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Categoria(s): Administração Pública
domingo - 26/05/2013 - 10:27h
Mais roubalheira

Transnordestina tem valor duplicado e entrega atrasada

O Estado de São Paulo

Com dois anos e meio de atraso, as obras da Ferrovia Transnordestina, uma das grandes promessas do governo Lula, ainda não estão nem na metade, mas o orçamento não para de crescer. Começou com R$ 4,5 bilhões, em 2007; foi reajustado para R$ 5,4 bilhões, em 2010; e acaba de ser revisto para R$ 7,5 bilhões. O detalhe é que o aumento do custo não vai parar por aí: por contrato, o valor é corrigido pela inflação e, segundo pessoas envolvidas no projeto, já estaria em mais de R$ 8 bilhões.

Embora seja uma obra privada, a Transnordestina nasceu como um projeto para ser executado pelo governo federal. Sem verbas e enrolada na burocracia, a obra nunca saiu do papel e foi repassada como uma missão à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruch. Ele já tinha a concessão de uma ferrovia no Nordeste e o direito de operar a nova Transnordestina.

A estrada de ferro começa no sertão do Piauí e seus 1.728 km de trilhos passarão por cerca de 80 cidades em três Estados, até chegar aos portos de Pecém (CE) e Suape (PE). Foi desenhada para escoar a produção de novas fronteiras agrícolas da região e incentivar investimentos no semiárido, como exploração de ferro e gesso.

Ao transferir o projeto para a CSN, a administração federal prometeu financiamentos de bancos e órgãos públicos, como o (BNDES) e o Banco do Nordeste. Por esse motivo, a revisão do orçamento, pleiteada desde 2011, dependia do aval do governo.

O acordo fechado com a CSN vai além do preço da obra e inclui ainda a prorrogação do contrato de concessão da Transnordestina por mais três décadas, novo prazo para entrega das obras, renegociação de dívidas e a criação de uma nova estrutura empresarial. O Ministério dos Transportes confirmou o acordo, por meio de nota. A CSN não quis se manifestar.

Veja matéria completa AQUI.

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Categoria(s): Administração Pública / Economia
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domingo - 31/03/2013 - 14:47h
Farra politiqueira

Governadores têm 105 mil servidores sem concurso

O Estado de São Paulo

A primeira pesquisa completa sobre a estrutura burocrática dos Estados, realizada pelo IBGE, revela que os 27 governadores empregavam em 2012, em conjunto, um contingente cerca de 105 mil funcionários que não fizeram concurso para entrar na administração pública. Apenas na chamada administração direta, da qual estão excluídas as vagas comissionadas das empresas estatais, o número de funcionários subordinados aos gabinetes dos governadores ou às secretarias de Estado sem concurso público chega a 74.740.

Do total de 105,5 mil servidores sem concurso nos Estados, quase 10% estão em Goiás. O governador Marconi Perillo (PSDB) abriga em sua burocracia 10.175 funcionários nessa situação, o que o torna líder no ranking desse tipo de nomeações em números absolutos. A Bahia, governada pelo petista Jaques Wagner, vem logo atrás, com 9.240 não concursados.

Ao se ponderar os resultados pelo tamanho da população, os governadores que saltam para a liderança do ranking são os de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), com 937 e 263 cargos por 100 mil habitantes, respectivamente.

Os oito governadores do PSDB controlam, em conjunto, 37,6 mil cargos ocupados por servidores não concursados. Os quatro governadores do PT, por sua vez, têm em mãos 23 mil vagas. Logo atrás estão os quatro do PMDB, com 21,6 mil.

O peso dos partidos muda quando se pondera a quantidade de cargos controlados por 100 mil habitantes. Nesse caso, o PT passa para o primeiro lugar (75), e o PSDB cai para o quinto (41).

Em teoria, os cargos de livre nomeação servem para que administradores públicos possam se cercar de pessoas com quem têm afinidades políticas e projetos em comum. Na prática, no entanto, é corrente o uso dessas vagas como moeda de troca.

Além de abrigar seus próprios eleitores ou correligionários, os chefes do Executivo distribuem as vagas sem concurso para partidos aliados em troca de apoio no Legislativo ou em campanhas eleitorais.

“Os critérios e métodos de composição de governo que servem para a esfera federal se reproduzem nos Estados”, observa o cientista político Carlos Melo.

“A grande reforma política que poderíamos fazer seria reduzir ao mínimo esses cargos, tanto no âmbito da União quanto no dos Estados e municípios. Faremos? Creio que não. Não interessa ao sistema político.”

Veja AQUI os números em cada governo estadual e capitais.

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Categoria(s): Administração Pública
segunda-feira - 29/10/2012 - 22:28h
Fim

Jornal vai deixar de circular após 46 anos

Do portal UOL

Circula nesta quarta-feira (31) a última edição do “Jornal da Tarde”, um produto do Grupo Estado, após 46 anos de sua fundação. O jornal teve uma tiragem média de 37.778 exemplares por dia em agosto, segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC).

A meta ao fechar o “JT”, segundo a empresa em nota no site do “Estado de S. Paulo”, “leva em conta o objetivo de investir na marca Estadão com uma estratégia multiplataforma integrada (papel, digital, áudio e vídeo e mobile), para levar maior volume de conteúdo a mais leitores, sem barreira de distância e custos de distribuição”.

“Hoje, o meio jornal é a segunda mídia mais importante para a publicidade, com o dobro de participação do terceiro colocado. Daí a estratégia de focar no Estadão, principal marca do Grupo, e de investir em uma plataforma digital mais robusta e avançada”, diz Francisco Mesquita Neto, diretor presidente do Grupo Estado.

Segundo funcionários, por decisão da Justiça, eles terão estabilidade no emprego até 4 de dezembro, quando haverá outra audiência; até lá, uma comissão negociará benefícios para quem for demitido.

“O JT deixará de existir, mas suas principais contribuições permanecem no seu irmão mais velho, o Estadão”, diz a nota.

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Categoria(s): Comunicação
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quarta-feira - 10/10/2012 - 10:52h
Povo mais atento

Taxa de reeleição de prefeitos é a mais baixa desde 2000

Do Blog de José Roberto de Toledo (O Estado de São Paulo)

A taxa de reeleição dos prefeitos caiu para o nível mais baixo desde 2000, quando a disputa por um segundo mandato passou a valer pela primeira vez. Em 2012, 55% dos prefeitos que tentaram se reeleger conseguiram se manter no cargo, abaixo da taxa de 2008, de 65%.

Em 2004 e 2000, as taxas foram de 58%. No total, são 1510 reeleitos e 14 prefeitos classificados para o segundo turno em 2012. O percentual de renovação no comando das cidades também foi mais alto que nas últimas eleições municipais.

Em 73% dos municípios, os eleitos não ocupam o cargo atualmente. Em 2008, a renovação foi de 60%.

O levantamento foi feito pelo Estadão Dados comparando o resultado do primeiro turno com informações da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) sobre os candidatos à reeleição.

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Categoria(s): Eleições 2012
terça-feira - 25/09/2012 - 08:25h
Vladimir Herzog

Juiz determina mudança em atestado de óbito

O Estado de São Paulo

Atendendo a pedido da Comissão Nacional da Verdade, o juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2.ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou na segunda-feira, 24, a retificação do atestado de óbito de Vladimir Herzog.

Herzog: a farsa do "suicídio"

Pela determinação judicial, daqui para a frente constará que a morte do jornalista “decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do 2.º Exército-SP”.

Herzog foi preso no dia 25 de outubro de 1975, no período do regime militar, e levado para interrogatórios nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), do 2.º Exército. Na versão das autoridades da época, ele teria cometido suicídio na prisão.

No laudo da época, assinado pelo legista Harry Shibata, consta que Herzog morreu “por asfixia mecânica” – expressão utilizada para casos enforcamento.

A recomendação ao magistrado foi assinada pelo coordenador da Comissão da Verdade, ministro Gilson Dipp. Segundo o advogado José Carlos Dias, que também faz parte do colegiado, a decisão judicial deverá ter forte repercussão.

“Existem muitos casos semelhantes. Nós já estamos estudando outros para encaminhar à Justiça”, afirmou.

Trata-se de decisão de primeira instância. A Promotoria de Justiça, que se manifestou contra a mudança, pode recorrer.

A Comissão da Verdade tomou a iniciativa atendendo a solicitação da viúva do jornalista, a publicitária Clarice Herzog.

No texto da sentença, o juiz Bonilha Filho afirmou que a Comissão “conta com respaldo legal para exercer diversos poderes administrativos e praticar atos compatíveis com suas atribuições legais, dentre as quais recomendações de ‘adoção de medidas destinadas à efetiva reconciliação nacional, promovendo a reconstrução da história’”.

Saiba mais clicando AQUI.

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Categoria(s): Justiça/Direito/Ministério Público / Política
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quinta-feira - 20/09/2012 - 15:11h
Política

Apoio de Dilma à Larissa Rosado causa ciumeira

Segundo o jornalista João Bosco Rabelo, do jornal O Estado de São Paulo, o apoio direto e pessoal da presidente Dilma Rousseff à candidatura a prefeito da deputada estadual Larissa Rosado (PSB), tem causado ciumeira.

Veja o que ele escreve sobre o assunto:

De exceção em exceção, a presidente Dilma Rousseff , que prometera restringir sua participação na campanha eleitoral a São Paulo e Belo Horizonte, já marcou presença no Rio, Manaus e, mais recentemente, chegou a … Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ela gravou para o programa eleitoral de Larissa Rosado (PSB), líder nas pesquisas na cidade mais importante do Estado.

Como Larissa é do PSB e Mossoró não é capital, resta a probabilidade de a presidente ter decidido participar por se tratar de cidade estratégica, tradicional reduto do DEM e especialmente importante para o senador José Agripino (DEM), a quem Lula dedicou especial empenho em derrotar, sem êxito, por considerá-lo um dos artífices da extinção da CPMF em seu governo.

A candidata de Agripino e da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) é Cláudia Regina que, embora em segundo lugar nas pesquisas, está nos calcanhares da líder.

O fato de Larissa ter por vice o petista Josivan Barbosa amenizou o ciúme dos dirigentes petistas, que estão em guerra declarada com o governador Eduardo Campos, padrinho da candidatura, após o rompimento das alianças entre PSB e PT em Belo Horizonte e Recife.

Mas Dilma obteve o descontentamento do PMDB. O ministro Garibaldi Alves, da Previdência Social, e o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves, estão com o DEM na cidade. Mossoró é o segundo maior município do Rio Grande do Norte e desponta como um dos principais arrecadadores de royalties de petróleo. Em 2011, esse valor chegou a R$ 392 milhões.

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Categoria(s): Eleições 2012
terça-feira - 31/07/2012 - 03:46h
PT e PMDB

Da cama ao octógono – romance e luta entre os partidos

Do Blog de José Roberto de Toledo

O PMDB é o maior aliado do PT. O PMDB é o maior adversário do PT. Se conseguir explicar a um marciano como as duas frases estão corretas ao mesmo tempo, você terá entendido como funciona a política no Brasil. Talvez consiga entender até o mensalão. Quanto ao marciano, há o risco de ele sair voando para outro planeta, onde a teoria quântica se limite à física.

PMDB e PT se apoiam mutuamente em 1.225 eleições de prefeito este ano. Os petistas dão apoio a 811 peemedebistas, e recebem de volta as juras de amor do PMDB em 414 cidades. É, de longe, a maior aliança entre dois partidos. A segunda ligação mais popular, do PSDB com o PP e vice-versa, é 27% menos frequente do que a ligação petista-peemedebista. Mas a coroa dessa moeda é proporcional à cara onde se assenta.

PMDB e PT se batem diretamente por 579 prefeituras. É o confronto mais comum nestas eleições, à frente até da disputa entre os arquirrivais petistas e tucanos. Se fosse luta de MMA seria tão repetida quanto Anderson Silva versus Chael Sonnen.

Como explicar essa contradição? Que os maiores aliados sejam, ao mesmo tempo, os maiores rivais? Que possam ir da cama ao octógono com tanta naturalidade? A teoria das probabilidades explica o que a ciência política tem dificuldade de justificar.

O PMDB é, dentre todos, o partido com mais candidatos a prefeito. É uma necessidade que a sigla alimenta desde que ganhou o “P”. O PMDB alicerça sua catedral federal na base municipalista. Sem milhares de prefeitos, não elegeria quase uma centena de deputados federais, e seus cardeais não teriam o que barganhar com o presidente de plantão. O PMDB depende de prefeitos como a Igreja depende de padres. Sua força é proporcional à quantidade de paróquias.

Nota do Blog do Carlos Santos – Por essa e por outras que não temos uma reforma política. Não interessa a quem está por cima.

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Categoria(s): Eleições 2012
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quarta-feira - 04/07/2012 - 07:54h
Eleições 2012

Brasil terá uma multidão de 56.810 vereadores

Bruno Lupion (O Estado de São Paulo)

O total de vereadores em atuação no Brasil crescerá 10% a partir de janeiro de 2013, quando os novos limites de parlamentares nas Câmaras Municipais definidos pela emenda 58 começam a fazer efeito.

Ao todo, a população elegerá 56.810 vereadores nas eleições de outubro, 5.070 a mais que no último pleito, segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) divulgado nesta segunda-feira (2).

A medida toma como base a estimativa populacional divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em agosto de 2011.

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Categoria(s): Política
segunda-feira - 09/04/2012 - 10:35h
Negociação de cúpula

Nome de Josivan pode ser retirado para ajudar Larissa

O Estado de São Paulo

A direção petista realizou um “check-up” de suas candidaturas nas 118 capitais e cidades com mais de 150 mil eleitores – apelidadas de “joias da coroa”. O partido quer identificar locais onde candidaturas próprias ainda não ganharam corpo e podem ser abandonadas em favor do PSB.

O PT está mais disposto a ceder nas Regiões Norte e Nordeste. Em Boa Vista, o partido pode desistir da candidatura da senadora Ângela Portela para apoiar Maria Helena Veronese (PSB). Os petistas também dão como certo o apoio à deputada estadual socialista Larissa Rosado, em Mossoró (RN).

Nota do Blog – Os dois parágrafos acima revelam claramente, do alto de uma posição muito privilegiada de abordagem e conhecimento do jornal paulistano, que a postulação a prefeito de Mossoró do professor Josivan Barbosa (PT), reitor da Universidade Federal Rural do Semi-árido (UFERSA), está nas mãos da Executiva Nacional do seu partido.

Depois do bombardeio interno em Mossoró, em que venceu prévia por apenas 5 votos, ele enfrenta agora um redemoinho capaz de tirá-lo de vez da corrida sucessória municipal.

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Categoria(s): Política
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segunda-feira - 09/04/2012 - 09:04h
Mesma prática

Supersalários aparecem na União e ‘somem’ do Estado

Segundo reportagem especial do jornal O Estado de São Paulo, um artifício largamente empregado em governos passados para proporcionar uma remuneração de mercado a integrantes do primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios, os conselhos de administração e fiscal de estatais e empresas públicas continuam a ser usados para turbinar os salários de ministros de Estado.

Levantamento feito pelo Estado nos 38 ministérios do governo da presidente Dilma Rousseff aponta que um terço dos ministros integra hoje uma elite do funcionalismo com supersalários que ultrapassam o teto salarial de R$ 26.723,15.

São 13 ministros que engordam seus rendimentos com jetons por participação em conselhos de empresas.

O campeão é o ministro da Defesa, Celso Amorim, que acumula seu salário com o pró-labore de R$ 19,4 mil pagos pela participação no Conselho de Administração da Itaipu Binacional. São R$ 46,1 mil mensais brutos de remuneração.

Nota do Blog – Situação parecida ocorre no Governo do Estado do Rio Grande do Norte, senhores e senhoras.

A Agência de Fomento do RN (instituição financeira sob a forma de economia mista de capital fechado, com participação acionária majoritária do Governo) é um desses canais para a ‘engorda’.

Tem mais: no primeiro semestre do ano passado o governo estava sitiado por greves e para desviar o foco usou setores da imprensa para alardear que existiam supersalários na estrutura  dos poderes do Estado do RN. Prometeu combate austero e dar nomes aos ‘bois’.

Nadica de nada foi feito nem será feito. Quem tem, tem medo.

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Categoria(s): Administração Pública / Política
domingo - 01/04/2012 - 11:38h

Hegemonia – de quem e de quê?

Por Gaudêncio Torquato

O termo é usado a torto e a direito, de acordo com as conveniências do interlocutor, nem sempre correspondendo à complexidade conceitual que efetivamente abriga, com base no conceito, formulado por Gramsci, de que hegemonia implica transformar ideologia e plataforma política de uma classe em escopo de uma era.

No nosso cardápio cotidiano, a expressão “projeto hegemônico” reduz-se à ideia de amarrar um partido político ao tronco da perpetuação de poder. O exemplo a que se recorre é o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que, ao controlar a máquina pública do México por 71 anos – de 1929 a 2000 -, foi guindado à posição de descobridor da “ditadura perfeita” por passar uma “eternidade” no poder sem golpes, participando de eleições periódicas e sob o pluripartidarismo.

No momento em que, por aqui, se formam alianças partidárias em torno do pleito municipal de outubro próximo, a polêmica sobre hegemonia volta à tona. O alvo do tiroteio é o PT, cuja meta de eleger o maior número de prefeitos, a partir das capitais e das grandes e médias cidades, acirra os ânimos de parceiros governistas, que o acusam de engendrar um projeto de domínio de longa duração.

Se a efetiva intenção petista é mesmo a de alargar os espaços municipais e estaduais para garantir o domínio sobre o imenso território federal (meta, aliás, comum aos partidos), precisa avaliar o risco de implementar a estratégia deixando aliados a ver navios. A estratégia de expansão de uma sigla tem que ver com a meta finalista dos atores políticos: conquistar o poder onde ele estiver. Chegar sozinho à direção do País é praticamente impossível na modelagem do chamado presidencialismo de coalizão. Por conseguinte, um partido deve abrir um olho para se ver e outro para enxergar os parceiros.

A concepção de que um único partido pode dominar a cena e intervir em todos os momentos da vida social e política, abrindo fronteiras nas camadas da população, é do velho Lenin e não condiz com os nossos tempos. A coerção, outro eixo da carroça hegemônica, não funciona mais. A esfera política, em todos os quadrantes, é plasmada pela expressão dos contrários. A contestação emerge até mesmo nas ditaduras (poucas) contemporâneas. Portanto, a ambição de um partido de tomar conta de todos os espaços, por uma infinidade de tempo, esbarra nos interesses da multifacetada cadeia partidária. Se os parceiros se sentirem excluídos do banquete, acabarão por se afastar da mesa em que permanecem sob desconforto.

Sob o ponto de vista ideológico, um projeto hegemônico é ainda mais complexo. Perguntas-chave: que ideologia deve compor a plataforma política? Que classe influenciará as outras? Como se recorda, Gramsci pregava a hegemonia de uma classe, à qual caberia o papel de persuadir os outros pilares sociais, constituindo-se, ela mesma, em síntese da coletividade.

Ora, o mundo mudou seus paradigmas. A arquitetura socialista desmoronou na onda do tsunami das economias abertas ao capital, cedendo lugar às alavancas da privatização de empresas, da concessão dos serviços públicos e da desregulamentação das relações de trabalho.

Floresceu um ideário social-democrata, juntando vetores do velho socialismo e vertentes do mercado, cuja imagem, hoje meio borrada, mostra o Welfare State (o Estado de Bem-Estar), com seus programas de segurança do emprego, direitos da cidadania, justiça e integração social. Se alguém quiser identificar traços de hegemonia ideológica, enxerga a social-democracia, na qual se distinguem matizes de um bloco conservador, à direita, e sinais de um núcleo avançado, à esquerda. Não há fortes diferenças na moldura governativa de 24 Estados – oito governados pelo PSDB, seis pelo PSB, cinco pelo PMDB e cinco pelo PT.

No compartimento da hegemonia de classe, a impressão é de que se vê mais um retrato bolorento, dos tempos em que o planeta dava os primeiros passos na era industrial. A ditadura do proletariado, pensada por Lenin, e retomada por Gramsci, que inseriu a classe operária no patamar hegemônico, é figura aposentada na gramática política.

Vejamos o Brasil de hoje.

A classe C, chamada de nova classe média, abriga 95 milhões de brasileiros, detém 46,24% do poder de compra e é a maior do ponto de vista eleitoral e econômico. Mas não detém hegemonia de pensamento e sua influência é tênue. Nossa composição social é uma polifonia de vozes, ideias e sentimentos, embalados em costumes, tradições e culturas regionais. Somos uma sociedade que preza valores de convivência, harmonia, justiça e solidariedade.

Radicalismos não criam raízes em nossa índole. Projeto sectário, que alimente polêmica ou provoque dissensão entre camadas sociais, soçobrará. Partidos nanicos até podem bater na tecla da luta de classes. Fazem seu papel. Não aumentam um palmo à sua altura quando vestem a indumentária da revolução industrial.

Incompreensível, isso sim, é o fato de um grande partido, como o PT, vir a público para tentar vender quinquilharias do arco da velha: a luta de pobres contra ricos, a defesa da supremacia socialista, a hegemonia da classe operária. Verbos em excesso não combinam com ações de menos.

Traços de opulência agridem o desfile dos excluídos, que ainda existem. O olho do povo capta engodos. Todo o cuidado é pouco na construção de um projeto hegemônico. De partido, ideologia ou classe.

Gaudêncio Torquato é professor, escritor e consultor plítico, natural de Luís Gomes (RN), mas há muitos anos atuando profissionalmente em São Paulo. (Texto originalmente publicado no jornal O Estado de São Paulo).

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Categoria(s): Artigo
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