domingo - 03/08/2025 - 06:32h

O velho e o mar

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Reli o livro O Velho e o Mar, do escritor norte-americano Ernest Hemingway. Dessa vez, porém, reli o livro devagar, apreciando o desenvolver do texto, as palavras, a cadência da história.

Enquanto escritor, Hemingway adotou um estilo direto, talvez, valendo-se de sua formação em Jornalismo. No decorrer da vida escreveu vários clássicos, a exemplo de Adeus às Armas e Por quem os sinos dobram.

Em apertada síntese, O Velho e Mar trata da vida do velho pescador Santiago e do seu único amigo, o garoto Manolin.

O livro conta a história de um velho pescador que passa dias e dias sem fisgar nenhum peixe, trazendo para os seus sofridos dias um enorme desalento. Aliás, não sei por qual razão essas histórias de pescador me fascinam.

Talvez, seja porque eu sempre encontro pescadores lá pelas praias das areias brancas e, vez em quando, troco um dedo de prosa com eles. Quantas vezes eu tive que esperar pescadores voltarem do alto-mar para que pudesse efetivar a intimação? Muitas e muitas, não conto as vezes.

No livro, o velho Santiago parte mais uma vez para o alto-mar em busca de uma farta pescaria. Depois de alguns dias, consegue fisgar um grande peixe. Inicia-se, então, uma luta renhida para conseguir mata-lo e colocá-lo junto ao barco.

São dias de uma batalha que parece interminável. O grande peixe puxa o barco do velho pescador mar adentro. Porém, o velho, apesar de cansado, e sofrendo com a linha que feria as suas mãos, com pouca água e comida, permanece firme, fazendo-se forte.

“O homem não feito para a derrota, pensava, um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado”. Assim é a nossa vida, repleta de batalhas. Umas conseguimos vencer, outras, não. Entretanto, precisamos continuar firmes, mesmo que machucados, pois a vida não é fácil para ninguém.

Como diria o velho pescador, “é uma estupidez não ter esperança, acho que é um pecado perder a esperança”.

E lá vamos nós singrando nossos mares. Às vezes, navegamos por mar calmo, outras vezes, revoltos. Além disso, enfrentamos tubarões, como fez o velho pescador. Tubarões de todas as espécies e tamanhos. Vencê-los é a nossa luta diuturna. Sem esquecer, decerto, que inúmeras vezes a nossa luta é solitária, sem ninguém para nos ajudar a remar o barco.

Ao fim e ao cabo de vários dias, depois de uma longa e exaustiva batalha, o velho pescador voltou pra sua humilde cabana. Ao seu lado, somente o garoto, seu único e fiel amigo.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 20/07/2025 - 13:34h

O velho pescador

Foto ilustrativa extraída da Web

Foto ilustrativa extraída da Web (Depositphotos/arquivo)

Por Odemirton Filho 

“Agora não há tempo para pensar o que você não tem. Pense no que pode fazer com o que tem”. (O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway).

Na beira do mar o velho pescador costurava a sua velha rede de pesca pra passar o tempo. Já não tinha a força da juventude, pois carregava mais de oitenta anos na cacunda. A sua jangada não mais rasgava as águas salgadas; os seus filhos e netos não continuaram no ofício.

Estava sozinho com os seus pensamentos. E não eram poucos. A solidão, dizem, nunca está só, sempre vem acompanhada de muitas lembranças; algumas saudades.

Lembrava das suas aventuras no mar. A água banhando a jangada, o frio da madrugada, a escuridão medonha da noite. Ele e um amigo de profissão precisavam tomar uns goles de cachaça para enfrentar a lida.

Teve medo de tubarões; viu algumas baleias. Aqui ou acolá, ficava vários dias em alto-mar, pescando na embarcação de um conhecido pra melhorar o ganho.

Criou os filhos com o suor do seu trabalho. A comida da casa de taipa era simples. Pela manhã, bebericavam café “preto”, no qual molhavam o pão dormido. Almoçavam, quase sempre, peixe com farinha. À noite, tomavam um caldo ralo.

O lazer era escutar um rádio de pilhas ao lado de sua mulher, ouvindo um programa que tocava músicas que embalavam o tempo de namoro.

Tinham quatro filhos. Um dos filhos é funcionário da prefeitura; o outro vive bebendo pela praia, mas não faz mal a ninguém. O filho mais velho mora longe, raramente vem visitar os pais. A filha embuchou ainda adolescente, tem uma ruma de meninos.

O velho pescador continuou a costurar sua rede de pesca e a prosear:

– O aposento, meu filho, mal dá pra comer. Neste ano de eleição, alguns candidatos vão passar lá por casa, prometendo mundos e fundos, dando tapinha nas minhas costas, pedindo um gole de café, mas já estou passado na casca do alho, não caio mais na conversa desses políticos.

Enfim, vida que segue, apesar dos pesares.  A nossa fé deve ser maior do que os nossos medos. Ouvi essa história numa das belas praias de Areia Branca, nas minhas andanças. E são muitas.

“Agora, cabe ao humilde pescador ficar quieto em sua praia olhando o seu mar, de preferência pela madrugada, sentindo seu mar, pensando seu mar”, diria Rubem Braga.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

*Republicada

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 07/08/2022 - 09:46h

O velho pescador

Foto ilustrativa extraída da Web

Foto ilustrativa extraída da Web (Depositphotos/arquivo)

Por Odemirton Filho 

“Agora não há tempo para pensar o que você não tem. Pense no que pode fazer com o que tem”. (O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway).

Na beira do mar o velho pescador costurava a sua velha rede de pesca pra passar o tempo. Já não tinha a força da juventude, pois carregava mais de oitenta anos na cacunda. A sua jangada não mais rasgava as águas salgadas; os seus filhos e netos não continuaram no ofício.

Estava sozinho com os seus pensamentos. E não eram poucos. A solidão, dizem, nunca está só, sempre vem acompanhada de muitas lembranças; algumas saudades.

Lembrava das suas aventuras no mar. A água banhando a jangada, o frio da madrugada, a escuridão medonha da noite. Ele e um amigo de profissão precisavam tomar uns goles de cachaça para enfrentar a lida.

Teve medo de tubarões; viu algumas baleias. Aqui ou acolá, ficava vários dias em alto-mar, pescando na embarcação de um conhecido pra melhorar o ganho.

Criou os filhos com o suor do seu trabalho. A comida da casa de taipa era simples. Pela manhã, bebericavam café “preto”, no qual molhavam o pão dormido. Almoçavam, quase sempre, peixe com farinha. À noite, tomavam um caldo ralo.

O lazer era escutar um rádio de pilhas ao lado de sua mulher, ouvindo um programa que tocava músicas que embalavam o tempo de namoro.

Tinham quatro filhos. Um dos filhos é funcionário da prefeitura; o outro vive bebendo pela praia, mas não faz mal a ninguém. O filho mais velho mora longe, raramente vem visitar os pais. A filha embuchou ainda adolescente, tem uma ruma de meninos.

O velho pescador continuou a costurar sua rede de pesca e a prosear:

– O aposento, meu filho, mal dá pra comer. Neste ano de eleição, alguns candidatos vão passar lá por casa, prometendo mundos e fundos, dando tapinha nas minhas costas, pedindo um gole de café, mas já estou passado na casca do alho, não caio mais na conversa desses políticos.

Enfim, vida que segue, apesar dos pesares.  A nossa fé deve ser maior do que os nossos medos. Ouvi essa história numa das belas praias de Areia Branca, nas minhas andanças. E são muitas.

“Agora, cabe ao humilde pescador ficar quieto em sua praia olhando o seu mar, de preferência pela madrugada, sentindo seu mar, pensando seu mar”, diria Rubem Braga.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
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