quinta-feira - 05/10/2017 - 09:29h
RN em 2018

O Amazonas está aí para dar o norte (sujos e mal-lavados)

A política do Rio Grande do Norte está um “salve-se quem puder”. As eleições do próximo ano impõem uma pressão indizível às forças políticas mais tradicionais e às oligarquias familiares e partidárias.

A apreensão é compreensível.

O cenário é realmente confuso, pois vários fatores pesam e pesarão nas escolhas a serem feitas por elas até o pleito, que podem determinar eleição/reeleição ou o fracasso.

A cabeça do eleitor, em si, é uma incógnita. Uma enorme interrogação.

Em todos os segmentos sociais há revolta contra a política, os políticos e os partidos.

Há desalento.

Esse estado de espírito está generalizado e pode resultar no mais do mesmo ou em profundas mudanças de nomes, mas  não necessariamente de modelo e práticas de atuação política e gestão pública.

Que direção tomará essa multidão (ou turba raivosa)?

Talvez a resposta a gente encontre num resultado eleitoral recente, no distante estado do Amazonas. Por lá, após dois turnos eleitorais de uma eleição suplementar ao governo, o resultado foi uma volta ao passado e à manutenção do mesmo de sempre.

Os candidatos que se digladiaram no segundo turno foram Eduardo Braga (PMDB) e Amazonino Mendes (PDT), que há décadas dominam a política local.

Eleição no Amazonas no 2º Turno

Branco: 70.441 (4,06%);
Nulos: 342.280 (19,73%) nulos;
Abstenções: 603.914 (25,82%);
Total: 1.016.635 (49,61%).

Amazonino Mendes: 782.933 votos (59,21%);
Eduardo Braga: 539.318 (40,79%).

* A soma do total de abstenções, brancos e nulos foi superior em 233.702 à votação do candidato vencedor.

Venceu Amazonino.

O eleito empalmou 782.933 votos. Ou seja, ele teve 233.702 votos a menos do que a soma dos votos inválidos e abstenções.

A indignação popular com a política, os políticos e os partidos não deu em nada. Essa repulsa foi mal calibrada e mal destilada, sendo canalizada para votos em branco/nulo e as abstenções que somaram 1.016.635 (49,61%) votos. Não mudaram coisíssima nenhuma, reitere-se.

“Virar a chave”

O Rio Grande do Norte pode experimentar essa forma mais fácil e ineficiente de contestação em 2018, principalmente se observando a essa distância do pleito a descrença do eleitor e a movimentação tensa e angustiada de potenciais candidatos e grupos, do governismo à oposição.

Diferentemente dos sonhos de muitos, não é tão fácil assim “virar a chave” para o modo “eficiência/honestidade”. O voto não tem esse poder mágico, mas pode concorrer para pelo menos o começo do fim de um ciclo que parece esgotado.

Se a escolha ficar entre sujos e mal-lavados, talvez a saída seja repetir o compositor Sílvio Brito, que nos anos 70 bradava: “Pare o mundo que eu quero descer” (veja e ouça AQUI).

O Amazonas está aí para dar o norte.

Leia também: Protesto maciço de eleitor mantém o mesmo de sempre AQUI.

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Categoria(s): Política
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