Vem aà mais uma reforma, da reforma, da reforma. Parece brincadeira, mas é desorganização mesmo. Falta de planejamento, de foco.
O prefeito mossoroense Francisco José Júnior (PSD) vai anunciar mais um pacote contra a crise econômico-financeira (e de gestão) na Prefeitura de Mossoró, como o Blog antecipou na última segunda-feira (veja AQUI).
Bom esclarecermos: não será o primeiro pacote de medidas nessa direção. De outubro de 2015 para hoje, já foram dois “pacotes”. Esse será o terceiro ‘pacotão’ em pouco mais de três meses.
O primeiro, apresentado no dia 13 de outubro (veja AQUI) e outro já no dia 11 de novembro, menos de um mês após o anterior (veja AQUI).
Até exonerar a mulher (Amélia Ciarlini) e a cunhada (Mirella Ciarlini) das pastas do Desenvolvimento Social e Comunicação, respectivamente, o prefeito decidiu como forma de baixar custo da máquina em novembro. Pura propaganda.
Precarização de serviços
Em outubro, ao apresentar o Plano Municipal de Enfrentamento à Crise Econômica, o prefeito “Silveira” já tinha prometido uma economia de R$ 4,5 milhões por mês, mas deixando escapar bobamente que mesmo assim o débito/mês estaria em torno de R$ 4 milhões.
Destacam-se a redução de 10% do subsÃdio do prefeito e autorização para que o vice-prefeito e secretários municipais procedam do mesmo modo; redução de 50% de gastos com plantões e aulas excedentes e 10% dos cargos comissionados.
Enfim, uma conta que já começava errada e os meses seguintes provaram que não poderia bater mesmo. Pipocou atraso salarial de forma mais ampla, precarização de serviços básicos como saúde e limpeza pública, só para citarmos os mais visÃveis.
Proposta ignorada
O que vem por aà é na verdade uma proposta – ou base dela – que o então secretário do Planejamento, Josivan Barbosa, apresentou ao prefeito no final de setembro e inÃcio de outubro de 2015. Derivou de estudo minucioso sobre a máquina pública e sugeria cortes radicais em número de secretarias, cargos comissionados, imóveis e veÃculos alugados, por exemplo.
A Prefeitura poderia trabalhar no máximo com dez secretarias, além de pouco mais de 250 cargos comissionados.
O prefeito achou muito radical e botou ‘panos quentes’, acreditando no seu faro polÃtico e engenhosidade gerencial. Errou feio.
Foi obrigado a novo pacote em novembro.
Por lei, a gestão tem o direito de nomear 735 cargos em comissão. No inÃcio de seu Governo, o prefeito havia reduzido para 723 e em novembro teria encolhido modestamente para 651 cargas. Nada de impacto, apenas redução residual.
Volta, ‘interino’
Nesse Ãnterim, não faltaram casos de novos alugueis de imóveis, mais recursos à propaganda e outros gastos supérfluos, que contrariam o que o gestor prega.
Agora em janeiro, mais um pacote que será realmente radical ou ficará no plano do ‘me-engana-que-eu-gosto’. Dinheiro público não aceita tanto desaforo, desleixo e tamanha desfaçatez.
No final do ano passado, o prefeito admitiu que poderia tomar novas medidas amargas, esquecendo eventuais desgastes polÃticos. Segundo ele, seria o ‘prefeito da interinidade’ (veja AQUI), que antes de ser eleito agia e pensava diferente.
Daqui para frente, tem que contrariar toda sua bancada de 16 vereadores, lideranças partidárias que lhe dão apoio e outros próceres polÃticos – se quiser pelo menos concluir a administração em paz.
Simplificando: a máquina municipal pode ter menor serventia para escambo polÃtico-eleitoral.
Acredite, se quiser.






















