domingo - 03/09/2023 - 08:38h

Quem sabe, uma lembrança

Por Bruno Ernestoconversa-pai-e-filho-coluna-flavio-augusto-600x338-60b2ce20

Afinal, são as pequenas atitudes que nos marcam?

Após nosso almoço de domingo, a caminho de casa, meu filho me perguntou se em Mossoró havia alguma árvore de pau-brasil. Estávamos passando em frente ao Colégio Diocesano Santa Luzia (CDSL) e lembrei que detrás da capela havia um pau-brasil que foi plantado quando eu tinha mais ou menos a idade do meu filho Pedro.

Lembro que esse pau-brasil foi plantado juntamente com diversas outras mudas em razão de um projeto de plantio de árvores em risco de extinção. Está lá até hoje. Pois bem. Como era um domingo (27/08/2023), não seria possível entrar no colégio para ver o exemplar.

Lembrei que há duas árvores de pau-brasil em frente ao Tiro de Guerra (07-010). Partimos para lá para ele poder conhecer o famoso pau-brasil.

Como estava um pouco deserto, relutou em descer do carro. Não soube exatamente por qual motivo. Talvez estivesse com medo de assalto ou de ser preso pelo Exército. Só disse que estava com medo de descer e permaneceu dentro do carro olhando para o pau-brasil.

Apesar disso, consegui convencê-lo a descer para registrar o momento.

Retomando o caminho de casa, percebi que fiz o que meu pai, por diversas vezes, também fez comigo. Um pequeno momento, registrado numa despretensiosa fotografia, será lembrado, quem sabe, pela vida toda.

Eu lembro de vários com meu pai. Mesmo sem fotografias.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 23/06/2019 - 06:28h

Dez razões para ter um celular

Por Carlos Santos

Carlos Júnior deveria ter uns dez anos e insistia em ganhar um celular.

“Não”, eu descartava.

“Você é uma criança ainda. Não há necessidade!” – dizia o porquê.

Sitiado por tanta insistência, fiz-lhe um desafio: teria que me convencer com uma ‘Exposição de Motivos’ em dez pontos, que seria justificável à aquisição desse aparelho, um Nokya lanterninha, algo bem aquém da modernidade de hoje que os smartphones estampam.

Em poucas horas, atendo ligação com um interlocutor-mirim ansioso do outro lado: “Painho, está pronta a Exposição de Motivos. Venha logo ver”.

Vixe! Já?”

No trabalho, em meio às tarefas diárias e inadiáveis, pondero que depois passaria para receber oficialmente o documento, submetendo-o à minuciosa análise. A decisão sairia posteriormente, estabeleço sem cientificá-lo àquele momento.

“Tenha calma. Amanhã eu vejo” – tento adiar, sob pressão psicológica.

“Quando eu sair do trabalho à noite a gente conversa” – acerto, mas sem me livrar do cerco…

“Vai demorar?” – sou acossado por mais uma ligação.

Sem ter como postergar mais, vou ao seu encontro. Em mãos, sob um olhar atento que esperava endosso imediato, leio (e disfarço minhas lágrimas). “Amanhã eu dou uma resposta”, estabeleço com ar durão. Apesar de decepcionado e enfezado, aquiesce (forçosamente).

No dia seguinte, mostro o conteúdo à equipe na redação do Jornal de Fato, do qual era um dos sócios-fundadores. Leio em voz alta para uma plateia atenta que me ajudaria a decidir. Quando começo a comentar e questionar alguns pontos do texto, recebo logo instantânea pressão para adquirir o equipamento.

Colunista e professora de português, Marilene Paiva é quem mais advoga a tese na redação. “Ele merece”, brada. “Você tem que dar esse celular”, fuzilou.

Acabei cedendo.

Passados tantos anos, com o ‘documento’ original em mãos, lembro do episódio e o porquê da provocação: queria instigar o raciocínio lógico, o poder de argumentação daquela criança.

Também era mais uma oportunidade de fazê-lo entender que qualquer conquista deve ser resultado de esforço e mérito.

Acho que acertei.

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Categoria(s): Crônica
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quarta-feira - 01/08/2018 - 11:44h
Eleições 2018

Pai ou filho pode se sacrificar para tentar salvar o outro

Fenômenos eleitorais em 2014, com votações estelares, pai e filho em 2018 vivem um drama: estão isolados. Transformaram-se num estorvo. Não conseguem uma acomodação em qualquer coligação e estão se inviabilizando à reeleição.

Um ou outro pode ser obrigado a desistir, para dar meios de “vida” a quem ficar.

A situação é vivida pelo deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa Ricardo Motta (PSB) e seu filho e deputado federal Rafael Motta (PSB).

Até aqui, não encontraram um ponto de encaixe e não têm meios à corrida eleitoral em via própria, sem uma coligação de grande suporte.

O maior problema é Rafael, um peso e uma ameaça em coligações já estruturadas e com nomes preferenciais.

Em 2014, Ricardo empalmou 80.249 votos, como o mais votado. Já Rafael, estreando na disputa, amealhou 176.239 votos, sendo o segundo colocado.

Esse capital hoje está profundamente desidratado.

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