quarta-feira - 12/04/2023 - 11:58h
Decidido

Sinte/RN, humilhado, aceita colocar fim à greve dos professores

Sindicato dispara crítica à secretária de Educação, mas paralisação só prejudicou o alunado

Acabou mais uma greve promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (SINTE/RN). A paralisação chega ao fim em assembleia geral nesta quarta-feira (12), no Clube Albatroz, bairro Petrópolis, em Natal. Com 272 votos pelo fim, 180 pela continuidade e 10 abstenções, a assembleia da rede estadual de ensino teve um resultado já aguardado e negociado nos bastidores entre governo e sindicato.

Assembleia teve fim melancólico, depois de série de vexames (Foto: Sinte/RN)

Assembleia teve fim melancólico, depois de série de vexames (Foto: Sinte/RN)

A greve tinha sido decidida dia 3 de março, mas foi iniciada dia 7 do mesmo mês. Ou seja, durou 37 dias.

Sem avanços nas negociações, os professores tiveram que aceitar a proposta apresentada pelo Governo durante a última audiência de negociação realizada no dia 28 de março (veja AQUI), com a presença da governadora Fátima Bezerra (PT).

“O governo Fátima falhou no diálogo com a categoria, e sua representante, a secretária (Socorro Batista, titular da Educação), está incomodada com a autonomia do movimento grevista”, disse o Boletim do Sinte/RN distribuído na assembleia. Na verdade, uma justificativa rasa, pois o Sinte/RN teve comportamento de aliado do governo e da governadora nesse período, sempre procurando poupá-los de constrangimentos e pressões mínimas.

Usa o nome da secretária, que cumpre ordens, como bode expiatório, para de novo escudar governo e governadora.

Dia passado, por exemplo, o Sinte/se tangeu uma caminhada até à Governadoria para “audiência” com a governadora e secretários, mesmo sabendo que Fátima estaria àquela hora cruzando o Oceano Atlântico, rumo à China (veja AQUI). Dirigentes acabaram passando por situação vexatória e humilhante. Não foram recebidos sequer por algum secretário.

Veja como fica o pagamento do reajuste do piso do magistério

• Implementação do reajuste de 14,95% no mês de abril para os/as professores/as que estão abaixo da tabela salarial do Piso, com efeito retroativo a janeiro.

• Para os demais (professores/as da ativa, aposentados e pensionistas com paridade), implementar o reajuste em três parcelas, sendo: 7,21% em maio; 3,61% em novembro e 3,49% em dezembro.

• Quanto ao retroativo, a quitação do passivo ocorrerá em 8 meses, de maio a dezembro de 2024.

Nota do Canal BCS – Professores associados à entidade precisam rediscutir o papel do Sinte/RN. Sindicato deve voltar a ser dos professores, não um braço governista e do PT. Transformou-se num penduricalho da Governadoria, no mais alto grau do peleguismo. Postura diametralmente oposta à adotada nos municípios, onde é feroz defensor do magistério.

Para não ficar mais feio, a decisão de voltar ao trabalho é acertada demais. E é bom que não invente outra moganga dessa no próximo ano. Greve, de verdade, só existiu para o alunado, prejudicado por esse faz de conta extremamente caricato.

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Categoria(s): Gerais / Política
domingo - 08/01/2017 - 07:52h

Ano novo, ordem velha

Por François Silvestre

Começa novo ano na contagem cristã do tempo da idade que os calendários tentam medir. Só tentam, posto que o tempo depende de condicionantes muito longe da capacidade humana da sua medição.

A cada rodada dos séculos, novas formas de medição arrumam os descompassos que a contagem anterior deixou escapar. No papado de Gregório um grupo de cientistas, sob sua delegação, fez uma dessas arrumações. É o nosso “gregoriano” atual, com um dia a mais a cada quatro anos.

Porém, não é dos calendários que este texto tenta refletir. Mesmo sendo também apenas uma tentativa, desejo focar o velho. E o velho a que me refiro não é o ano que passou.

É do velho Sistema, que tento tratar. Caduco e manco Sistema que nos desgoverna e insiste na continuidade, sem sinais de querer a substituição pelo novo.

Muda a folhinha do calendário, mas a folhona do Brasil continua a mesma. Os mesmos a desmandarem. Ou os filhos dos mesmos. Ou os sobrinhos dos mesmos. Ou os netos dos mesmos. Na falta destes, as mulheres dos mesmos. Os genros dos mesmos. Os cunhados dos mesmos. Na falta destes, os afilhados dos mesmos, os amigos dos mesmos, os bajuladores dos mesmos.

No poder direto, por eleição. Ou no poder indireto, por indicação. A Constituição apelidada cidadã mudou a fachada e manteve o interior. Não mexeu no alicerce, nem alterou a estrutura.

Foi redigida pelos mesmos. E os mesmos podem ser tudo, mas não são bestas. São sabidamente os mesmos. E a mesma “sabedoria”, que é irmã da esperteza e inimiga da mudança.

O Brasil é tão surreal, pra usar a palavra manjada, que o único Presidente da sua história recente que realmente quis fazer reformas profundas, inclusive a agrária, foi um rico latifundiário. João Goulart foi o único. E caiu por isso.

Tinha ao seu lado um povo desorganizado e inerme. E contra ele, os quartéis armados e politicados. Tudo com o apoio estadunidense, com medo de mais um inimigo no Continente.

Sarney, Collor, Fernando Henrique e Lula nunca quiseram reformar coisa alguma. Lula, que prometera nova era, semeou a mesma velhice costumeira. Entre o populismo, peleguismo e esmola. Teve tudo para reformar, mas queria apenas um projeto de poder.

Teoricamente sustentado na versão tupiniquim do leninismo de José Dirceu. Alianças e negócios sem escrúpulos.

Teve apoio popular, silêncio dos quartéis, não interferência americana, ausência da guerra fria. Um momento ímpar para mudanças.

Mas assim como o tigre, mamífero, abandona o gosto do leite após sentir o sabor do sangue, o PT abandonou o discurso da mudança ao saborear o poder.

E igualmente ao tigre, ao abocanhar a carne, não resistiu ao novo prazer da riqueza. Lambuzou-se de mel e lama.

Fizeram com a esquerda, no Brasil, o que a União Soviética fez com o marxismo. Roubaram-lhes o discurso.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

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Categoria(s): Artigo
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