quinta-feira - 10/11/2022 - 16:20h
Vexame

Defesa atende capricho presidencial em serviço mequetrefe

Na estrutura organizacional do Governo Federal, o Ministério da Defesa é o órgão incumbido de coordenar o esforço integrado de defesa, visando contribuir para a garantia da soberania, em prol da sociedade brasileira, abrangendo o preparo e o emprego conjunto e singular das Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, e a articulação entre elas e os demais órgãos do Estado.

Processo eleitoral de votação chegou ao fim, mas neuras e caprichos seguem produzindo micos (Foto: Evaristo Sá/AFP)

Processo eleitoral de votação chegou ao fim, mas neuras e caprichos seguem produzindo micos (Foto: Evaristo Sá/AFP)

Na gestão Jair Bolsonaro (PL), essa pasta virou fiscal de urna eletrônica (veja AQUI) para atender aos caprichos e neuras do seu chefe de ocasião, inquilino do Palácio do Planalto até o fim deste ano.

Nem durante o regime militar de 1964 vimos algo tão caricato.

Quando os generais que presidiam o país se sentiam incomodados com a oposição política, logo criavam artifícios “legais” à manutenção das rédeas do processo eletivo e do poder.

Daí nasceram casuísmos como escolha indireta para governadores e prefeitos das capitais, o senador biônico, propaganda eleitoral apenas com perfil em áudio e foto do candidato, voto vinculado e sublegenda. E bem antes, em 1965, a limitação ao bipartidarismo – Arena x MDB -, em vez do pluripartidarismo que chegou a 13 legendas.

Agora, em pleno século XXI, ano de 2022, somos testemunhas desse vexame de suposta auditoria em urnas eletrônicas, serviço mequetrefe, encomendado pelo chefe de governo. Embaraçoso.

Francamente.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política
terça-feira - 03/07/2012 - 09:52h
Opinião

Donos de partidos e um pluripartidarismo que definha

Um retrato do atraso em que o sistema pluripartidário nacional mergulhou pode ser medido pela relação existente entre político e partido. Os papeis estão invertidos. Para pior.

Há algumas décadas ouvíamos a citação: “Aluízio Alves do MDB”, “Tarcísio Maia da Arena”. Hoje, é “o PMDB de Henrique Alves”; “o DEM de José Agripino” e até “o PT de Lula”.

Os partidos deixaram de ter filiados, simpatizantes e candidatos para serem lembrados pelo nome de seus  proprietários, donos, gente que andaria com a chave da porta do diretório no cós da calça. Só entra e sai quem ele quer. As siglas parecem funcionar numa pasta 007 ou bisaco; são itinerantes.

Em vez de partidos fortes, existe alguém com força para ter partido, dando-lhe o jeito e personalidade com sua cara e digital.

Com 30 partidos regularizados, o Brasil ainda engatinha na democracia porque insiste em não fortalecer as instituições, como o próprio partido. O problema não é a quantidade, mas a fragilidade do sistema, sempre ajustado para facilitar o contorcionismo político, o atalho e a gambiarra.

Na prática, paradoxalmente, a desvalorização partidária nos remete à época da República Velha (1889-1030), em que tínhamos o instituto da “candidatura avulsa” e o indivíduo podia ser candidato sem qualquer inscrição partidária.

Mais estranho ainda é identificarmos que  no período de regime militar, com o modelo bipartidário MDB-Arena, os partidos eram muito mais consistentes, ideologizados e estranhamente mais democráticos.

Esse fenômeno de partido sob a propriedade particular é uma inversão de valores injustificável e inaceitável. Só se explicaria sob o princípio da razoabilidade, se certos chefes tivessem maior dimensão do que o próprio partido. Exemplo que podemos extrair do futebol. “O Santos de Pelé”. O jogador estelar virou instituição pessoal a ponto de ser a referência do time e de uma época. Ficou maior do que o clube.

Na política contemporânea, poucos são os políticos que atingem esse feito. Lula, certamente, inflou mais do que o PT. Mas, vaidoso, passou a comprometer sua própria cria, com a ideia de que é um deus do Olimpo brasileiro e pode tudo. Pode porque é dono.

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