domingo - 05/09/2021 - 12:48h

Ode ao dia

Por François Silvestre

As décadas são das crianças/ os anos, dos adultos./

Os meses são dos devedores./ Isso mesmo, somos todos devedores./dia, sol, luminosidade

Não há credores na vida./ Até os ricos, que nada devem aos seus, devem à vida./ E ela cobra./ E a promissória é a quitação da morte./

As semanas são invenções,/ com os atropelos das Segundas/ e as ilusões dos Sábados./ Nada mais que isso./

Sobram os dias./ E quem viveu tão ilusoriamente pouco/ chegando aos Setenta/ só se aboleta na tenda dos dias./ Não mais pra viajar/ ou adiar sonhos,/ apenas e a valer a pena, esperar o nascer de cada sol./

O dia não é só do sol./ É dele e da lua na noite./ Os dois completam o dia./ Ele nasce cedo, frio, e apressadamente esquenta./ Sem sequer esquentar a esperança da demora./ A lua, matreira, tem fases./ Some, novilúnia, após minguar,/ depois cresce, suave,/ e se enche de luminosidade falsa,/ como sói ser falsa toda luminosidade./ Plenilúnio da ilusão./

Sobra a tarde./ O último e único momento honesto do Dia./ O sol descambando no poente,/ o chumbo das nuvens no nascente,/ e a semelhança do ocaso/ com a dívida da vida. Viva o dia!/ O único tempo do calendário/ que dispensa medição do tempo.

François Silvestre é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 16/05/2021 - 10:02h

Infância

Lagoa do ApodiPor Aluísio Barros

o pai

na várzea

capinando o dia.

 

a irmã

na escola

desenhando a vida.

 

o menino brincando na lagoa.

 

toda a casa

braços e

ombros da mãe.

Aluísio Barros é professor e poeta

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 09/05/2021 - 08:12h

Livro de linhagens

Por David Leite

Foi dito alhures que há distinção entre poetas que trabalham para a permanência e poetas que trabalham para o tempo. Paulo de Tarso Correia de Melo elegeu o “tempo” como uma das vertentes de sua poética, abrangendo, assim, significados lírico, metafórico e sentido cronológico.

Alencart e Tarso, Portugal e Brasil, afinidades e linhagem intelectual e poética (Foto: cedida)

Alencart e Tarso, Portugal e Brasil, afinidades numa linhagem intelectual e poética (Foto: cedida)

Livro de Linhagens (Ed. Sarau das Letras, 2011) revela um traço presente em todos os volumes publicados pelo poeta: intencional unidade temática. Observa-se, a partir daí, que cada trabalho desse literato potiguar delineia um corte temporal. Tempo que inclui, necessariamente, discussão do momento cultural escrutinado.

O próprio autor diz no texto que epigrafa o tomo: “Estas linhagens me ocuparam desde o meu primeiro livro de poemas”. Sânzio de Azevedo, escritor e crítico literário, em comentário na contracapa, declara: “Percorrer os poemas deste Livro de linhagens, de Paulo de Tarso Correia de Melo, é navegar, no espaço e no tempo, rumo às terras de Portugal e da Grécia”.

Professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, com pós-graduação na Universidade de Michigan (EUA), Paulo de Tarso esboça tentativa de resumo da marca helênica no mundo neolatino, amalgamando recorte temporal e metáfora.

No segundo capítulo do livro, intitulado “Caderno de viagem grego”, ocorre um hipotético encontro entre Píndaro e Apolo:

“O vento quase estival

em face hoje enrugada

veio da Grécia, é igual

ao de uma idade passada.

 

Passou em pele onde restava

o ouro e o sol de outro verão

e uma ou outra marca que ficava

das aventuras da estação…”.

As duas estrofes acima transcritas iniciam o “Velho marinheiro do porto de Bríndisi”. Na sequência, no mesmo azimute, emergem os poemas “Palavras rituais: Cassandra” e “Passante em Glyfada”.       Paulo de Tarso explora temas do além-mar e, rumando para o epílogo do livro, encontraremos poemas do mesmo quilate, a exigirem leitura mais acurada: “Reflexão do aprendiz de Fídias”, “Diário de bordo dos argonautas”, “Alexandre” e “Poiesis”.

Em 2011, resultado de parcerias editoriais, a obra de P.T.C.M. extrapola limites da província, ocorrendo lançamentos em Portugal, que, segundo o conimbricense Eduardo Aroso, “persiste ancião e menino”, como também, na Espanha, pátria de Don Miguel de Unamuno.

Momentos que marcam Paulo de Tarso: “Não tenho muitas ilusões. Consola-me os ecos positivos dos Encontros Ibero-americanos de Poesia em Salamanca, aos quais tenho comparecido recentemente e que já me renderam figurar em uma dúzia de antologias internacionais, bem como as traduções de dois volumes por Alfredo Pérez Alencart”.

Nestes tempos de pandemia, um tanto reticente, Paulo de Tarso deixa escapar que segue produzindo: “Um diário poético a ser chamado Caderno de Quarentena e um volume que não sei se levarei a termo”.

Paulo de Tarso Correia de Melo, que frequentou o concorrido terraço do casarão de Câmara Cascudo (1898–1986), segue ancorado na “aldeia de Poti”, contemplando o azul do mesmíssimo Atlântico, sem procelas.

David Leite é escritor, professor, advogado e doutor pela Universidade Salamanca (Espanha)

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
domingo - 02/05/2021 - 09:00h

Saudade da Rosa?

Por François Silvestre

Não. Saudade do cheiro da rosa de Lispector, a Clarice. Sonhei com a Casa do Estudante.

O-centenario-de-Clarice-Lispector0297937900202001122025-sm“Não te aflijas com a pétala que voa:

também é ser, deixar de ser assim.

 

Rosas verá, só de cinzas franzida,

mortas, intactas pelo teu jardim.

 

Eu deixo aroma até nos meus espinhos

ao longe, o vento vai falando de mim.

 

E por perder-me é que vão me lembrando,

por desfolhar-me é que não tenho fim.”

Cecília Meireles. (4° motivo da rosa)

François Silvestre é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 31/01/2021 - 05:00h

Até que a morte nos ampare

Por François Silvestre

Que seja eleito/

ou se já foi./ E reeleito/

se assim for feito./

 

Se não tem jeito/ que desembeste/

que vire peste./ Que seja eterno/

e se acomode nos quintos do inferno./

 

Se o povo é doido,/ maluco de canga e corda/

e o país, doido varrido, entrega-se a qualquer sorte/

que seja eleito/ e reeleito./

E permanente, ninguém se importe/

que seja o patife vitalício/

e nos conduza na maluquice até a morte.

François Silvestre é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 02/08/2020 - 04:24h

Se

Por Rudyard Kipling

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

Rudyard Kipling (1865-1936) – Poeta britânico, Prêmio Nobel de Literatura

* Tradução de Guilherme de Almeida.

Compartilhe:
Categoria(s): Grandes Autores e Pensadores / Poesia
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 07/06/2020 - 04:30h

Depois de tudo

Por Fernando Sabino

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre a começar…
A certeza de que é preciso continuar…
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.

Por isso devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo…
Da queda, um passo de dança…
Do medo, uma escada…
Do sonho, uma ponte…
Da procura, um encontro.

Fernando Sabino foi poeta (1923-2004)

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 12/04/2020 - 11:02h
Poesia popular

O sentido da Páscoa

Contratado pelo grupo Santa Clara/Três Corações para dissertar sobre o “Sentido da Páscoa”, Bráulio Bessa Uchoa, poeta, cordelista, declamador e palestrante cearense de Alto Santo diz o que pensa.

Sua poesia fala muito, muito mesmo, em poucas palavras.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 08/03/2020 - 09:48h

Acessos

Por Cefas CarvalhoHavia uma passagem secreta por trás
da porta
um atalho, uma trilha
uma armadilha

havia um labirinto em meio
à tempestade
uma antecâmara, um altar
um santuário…

havia uma fresta, uma janela
um salto para o abismo
havia o lirismo, os retalhos
a poeira no chão…
mas não havia um mapa
sem acessos, sem desvios

todos os caminhos levam
realmente a roma?
(e que estrada me levará
ao fim dessa história?)

Cefas Carvalho é jornalista e escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 09/02/2020 - 07:38h

Esperança

Por Inácio Augusto de Almeida

Não permitas jamais que a solidão

Por menor que seja o momento

De ti tome conta

E te leve ao sofrimento

De molhar teus olhos

Por quem não te ama

 

E sempre sempre continues a sorrir

Mesmo que teus lábios resistam

Franzidos pela dor da chaga invisível

Que dilacera teu coração

E enche de sofrimento a tua alma

Já tão cansada e vazia

 

Porque em ti existe a certeza

Que teus olhos voltarão a brilhar

Teus lábios tornarão a sorrir

Pois bem longe ou bem perto

Em algum lugar

Alguém gosta de ti

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 12/01/2020 - 09:26h

Estoicismo

Por Inácio Augusto de Almeida

Se algum dia sofreres uma injustiça

Lembra-te de Cristo

Se algum dia sofreres humilhação e escárnio

Lembra-te de cristo

Verás como são pequeninas estas maldades

Tão pequeninas como os que as executaram

Ou terá sido maior a tua humilhação

Do que as sofridas por Cristo?

Por acaso tens dúvidas

Sobre o valor de Cristo e o de Kaifás?

Estás certo agora do teu verdadeiro valor

E do valor deles?

Então ria

Apenas ria…

E perdoe

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 15/12/2019 - 09:10h

Fora do casulo… Greta Thunberg

Por François Silvestre

É um sopro de brisa na escassez do vento.

Uma luz de lamparina no fogão sem lenha.

Um cantar da mãe-da-lua no silêncio da madrugada.

Um ranger de carro de boi, após a morte dos bois.

Um olhar de incômodo na cegueira do tempo.

Uma pirralha que ralha e incomoda o canalha.

Um desassossego tão novo futuca o sossego dos velhos.

Um rosto suave incomoda o focinho da pústula.

Uma casca de vida chafurda a ferida do pus.

Não foi lagarta, nem morou no casulo,

É borboleta nascida no coito da paz.

Uma menina da idade da terra, faz-se Universo mais velha que ele.

E brilha e brilha… estrela cadente.

François Silvestre é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • Execom - PMM - Banner - Março de 2026
domingo - 10/11/2019 - 06:36h

Busca inútil

Por Inácio Augusto de Almeida

Quando eu morrer
Não te busques
Nos meus olhos

Quando eu morrer
Não te procures
No meu coração

Ninguém leva da vida
O que levou
A vida da gente.

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 13/10/2019 - 16:12h

Certeza

Por Inácio Augusto de Almeida

Esta esperança de encontrar-te

Esta tentativa louca de  ver-te

Este desejo desesperado de ter-te

Esta fuga de mim mesmo

 

E por mais que fujas

E desencontros  provoques

Ter-te-ei, verdadeiramente

Quando se der o grande encontro

 

E assim persisto

E insisto

Na certeza de que, além da morte

Tu estarás.

Inácio Augusto de Almeida é escritor e jornalista

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 15/09/2019 - 09:04h

Ausência

Por Inácio Augusto de Almeida

No homem ao lado
Na criança a brincar
Na música a tocar
Na sombra que desce
Na esperança que existe

Busco a ti
Busco a mim

No cheque que paga
Na moça que vai
No som que vem
Nas dor presente
No riso ausente
Desesperadamente…

Busco a ti
Busco a mim…

Inácio Augusto de Almeida é jornalista e escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
domingo - 01/09/2019 - 09:28h

Dama

Por Inácio Augusto de Almeida

Mulher sem tempo
De sempre
Sem raça
Da praça

Mulher de prosa
De troça
Sem trança
Da roça

Mulher pobre
Que sofre
Que engole
Sem dores

Mulher dos ricos
Dos gritos
Das angústias
Sem choros

Mulher que chora
Sem lamentos
Que ora
Sem templos

Mulher dama
Da cama
Que ama
Que clama

DEUS…DEUS…DEUS…

Inácio Augusto de Almeida é jornalista

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • San Valle Rodape GIF
sexta-feira - 26/07/2019 - 12:20h
Coleção Mossoroense

Fundação Vingt-un Rosado lança Concurso Literário

“A Fundação Vingt-un Rosado lançou o “Concurso Literário Coleção Mossoroense 70 anos” para celebrar os 70 anos de existência da Coleção Mossoroense, maior movimento editorial sem fins lucrativo do Brasil.

Professor Vingt-un foi um personagem marcante à produção cultural de Mossoró e no país (Foto: arquivo)

Os candidatos poderão concorrer nas 4 categorias, a saber: conto, crônica, poesia e trabalho jornalístico, com o tema “Coleção Mossoroense, 70 anos”. O concurso está aberto ao público participante, sendo vedado apenas às pessoas que tenham ligações com a Fundação Vingt-un Rosado.

Para participar, os concorrentes não terão custo nenhum e nem inscrição, é só mandar o material para os e-mails fvrcm@uol.com.br ou eribertomonteiro@hotmail.com informando o pseudônimo e telefone de contato.

O tema é delimitado, porém, dentro do próprio tema, inúmeros tópicos relacionados aos 70 anos de existência da Coleção Mossoroense podem ser explorados.

Mais informações: (84) 98886-0520 com falar com Eriberto Monteiro.

Nota do Blog – Como o professor e mecenas Vingt-un Rosado faz-nos falta.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUIYoutube AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
sexta-feira - 16/11/2018 - 10:03h
Rio

Verso revisto

Por François Silvestre

O verso de Gil

virou espanto.

As pedras que cercam o Rio

continuam belas,

mas a Cidade cercada por elas

nem tanto!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 08/07/2018 - 10:40h

Foi-se a Copa?

Por Carlos Drummond de Andrade

Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.

Carlos Drummond de Andrade (Itabira do Mato Dentro, Minas Gerais, 31 de outubro de 1902 – Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987) foi poeta, contista, cronista e servidor público.

* Poema publicado em 24 de junho de 1978 (em plena Copa da Argentina).

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica / Esporte
segunda-feira - 18/12/2017 - 11:22h
Cultura e Direito

A poética de “doutor Zé Luiz” no Tribunal do Júri

Zé Luiz e Ivanildo Vilanova, em apresentação em Mossoró, no ano de 2006 (Foto: Mundo Cordel)

Do Blog da Chris

O poeta e advogado José Luiz Carlos de Lima está a mil com seu novo projeto.

José está nos últimos detalhes para o fechamento de seu livro “Os Juris que fiz em versos e outras poesias”.

A edição será prefaciada pelo também poeta e ex-ministro do Supremo, Ayres Britto,  e acompanhará um DVD com gravação de um Júri feito em versos pelo autor.

A previsão é que a obra seja lançada em abril de 2018.

Sucesso, amigo!

Nota do Blog Carlos Santos – Bravo, bravo!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura / Justiça/Direito/Ministério Público
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 17/09/2017 - 09:02h

Delírio

Por Olavo Bilac

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci…

Olavo Bilac (1865-1918) – Contista, cronista e poeta brasileiro do período literário parnasiano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras (ABL)

Compartilhe:
Categoria(s): Poesia
sábado - 05/08/2017 - 13:20h
Cultura e bem-querer

Poeta Bob Motta será homenageado hoje em Natal

O poeta Roberto Coutinho da Motta, conhecido no mundo cultural potiguar como Bob Motta, será lembrado nesse sábado (5) em Natal.  Ele faleceu no dia 7 de julho último.

Amigos, familiares e admiradores vão lembrar sua obra, sua verve e companheirismo a partir das 9 horas na Casa do Cordel, Rua Vigário Bartolomeu, 605, no Centro da capital do estado.

O evento é denominado de III Café da Manhã de 2017, Homenagem a Bob Motta.

Livros e cordéis do poeta estão em exposição e à venda no local.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Cultura
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.