domingo - 01/03/2026 - 08:04h

A ilegalidade por trás da caneta que prejudica a Polícia Civil do RN

Por Cesar Amorim

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

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No complexo universo do Direito Administrativo, a linha que separa a legítima reorganização da máquina pública de uma manobra para suprimir direitos é, por vezes, tênue. No entanto, a análise do Decreto nº 31.169/21, editado pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte, revela um caso em que essa linha foi inequivocamente cruzada, em prejuízo direto dos policiais civis que se encontram na linha de frente da segurança pública.

Sob o pretexto de “otimizar os serviços de polícia judiciária”, o referido decreto promoveu uma ampla fusão de delegacias no interior do estado. Unidades policiais de cidades menores foram formalmente extintas, e suas áreas de circunscrição, absorvidas por delegacias de municípios vizinhos. À primeira vista, um ato de gestão. Na realidade, um artifício jurídico para um fim específico: cessar o pagamento da gratificação por acumulação de trabalho, um direito garantido em lei.

A questão é simples: policiais que antes eram responsáveis pela sua delegacia e, ao mesmo tempo, respondiam por outra unidade vaga, recebiam uma gratificação por essa sobrecarga, conforme previsto no art. 97 da Lei Complementar nº 270/2004 (a Lei Orgânica da Polícia Civil). Com a “canetada” do decreto, o Estado passou a argumentar que, se a outra delegacia “não existe mais” no papel, o acúmulo também deixa de existir. Um argumento que não sobrevive a uma análise jurídica séria.

O Direito não se compraz com ficções. O Princípio da Primazia da Realidade nos ensina que a verdade dos fatos deve prevalecer sobre arranjos meramente formais. A pergunta que se impõe é: o trabalho desapareceu? A população daquela cidade deixou de precisar dos serviços de polícia judiciária? As ocorrências e investigações cessaram? A resposta é um sonoro não.

O que o decreto fez foi extinguir um nome no organograma, mas a carga de trabalho, a responsabilidade territorial e a demanda social foram integralmente transferidas para o policial da delegacia vizinha. O acúmulo, fato gerador da gratificação, não só persiste como se torna ainda mais pesado, agora sem a devida contraprestação.

Aqui reside a flagrante ilegalidade. Um decreto, ato normativo do Poder Executivo, não possui força para revogar ou limitar um direito estabelecido por uma Lei Complementar, norma hierarquicamente superior emanada do Poder Legislativo. Ao criar um cenário que impede a aplicação do art. 97, o decreto exorbita seu poder regulamentar e invade a competência do legislador.

Mais grave ainda, a manobra configura um claro enriquecimento ilícito do Estado. A Administração Pública continua a se beneficiar do trabalho acumulado do servidor, mas se recusa a pagar por ele. Exige-se o bônus do serviço prestado em dobro, mas nega-se o ônus da remuneração correspondente. Tal prática é vedada pelo nosso ordenamento jurídico e viola a boa-fé que deve reger as relações entre o Estado e seus servidores.

A situação se agrava ao considerarmos que o Poder Judiciário potiguar já havia consolidado o entendimento sobre o tema através da Súmula nº 56/2022, da Turma de Uniformização dos Juizados Especiais, que garante o direito à gratificação em casos de acúmulo por vacância. A estratégia do Governo, portanto, não apenas lesa os policiais, mas também contorna uma posição já pacificada pela Justiça.

Em conclusão, o Decreto nº 31.169/21, embora revestido de uma aparente legalidade administrativa, é, em sua essência, um ato que promove a precarização do trabalho policial e a redução indireta de vencimentos. Não se trata de eficiência, mas de uma economia que penaliza quem já se sacrifica em um cenário de notório déficit de efetivo.

Cabe agora, aos servidores lesados, buscar a tutela do Poder Judiciário para restaurar a legalidade, fazendo valer a máxima de que, no Estado de Direito, a realidade do trabalho se sobrepõe à ficção dos papéis, e todo labor, especialmente aquele que excede o ordinário, deve ser justamente remunerado.

Mas a questão transcende a mera ilegalidade. É aqui que cabe à imprensa livre, aos especialistas em segurança pública, aos sindicatos e à sociedade civil organizada cumprirem seu papel fiscalizador e declararem, em alto e bom som, a imoralidade desta prática. Não se trata apenas de uma rubrica no contracheque; trata-se do respeito ao trabalho, da valorização de quem arrisca a vida pela população e da recusa em aceitar que a “eficiência” administrativa seja um pretexto para a injustiça.

Leia também“Eficiência” com corte de gratificação prejudica policiais civis do RN

Uma polícia desvalorizada é o primeiro passo para uma segurança pública enfraquecida. E essa é uma conta que, no final, toda a sociedade paga.

César Amorim é advogado especialista em Direito dos Servidores Públicos

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 07/11/2022 - 15:30h
Segurança pública

RN dá posse a mais de 300 novos policiais civis

Dando continuidade à recomposição das forças de segurança do Rio Grande do Norte, o Governo do Estado deu posse a 333 policiais civis, entre delegados, escrivães e agentes, nesta segunda-feira (7). Os novos servidores foram aprovados no concurso público que teve edital publicado em 25 de novembro de 2020.

Governadora deu posse aos policiais, destacando investimento (Foto: Sandro Menezes)

Governadora deu posse aos policiais, destacando investimento (Foto: Sandro Menezes)

O Curso de Formação Profissional (CFP) foi concluído em setembro de 2022. Dos 360 nomeados, 27 pediram prorrogação do prazo de posse.

Em solenidade realizada no auditório do hotel Holiday Inn, em Natal, a governadora Fátima Bezerra (PT) saudou os novos policiais, destacando a importância de aumentar o quadro de efetivos.

A delegada-geral da Polícia Civil do RN, Ana Cláudia Saraiva, destacou: “Em mais de 40 anos, só foram realizados quatro concursos públicos na nossa instituição, com exceção de um quinto que só contemplou agentes e escrivães no ano de 2000. Ou seja, a Polícia Civil passava mais de uma década para contratar novos policiais, acumulando um déficit de efetivo muito grande.”

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terça-feira - 22/06/2021 - 05:46h
Quarta-feira, 23

Policiais civis farão paralisação contra reforma administrativa

Policiais civis do RN contra a PEC 32 - Reforma Administrativa - protesto, movimentação dia 23 de Junho de 2021Os policiais civis e servidores da Segurança do Rio Grande do Norte se reuniram em Assembleia Geral Virtual, na noite desta segunda-feira (21). Deliberaram pela participação da categoria em uma mobilização nacional que será realizada amanhã, quarta-feira (23), contra a Reforma Administrativa.

Aqui no RN, a categoria decidiu, por unanimidade, realizar uma paralisação durante toda a manhã da quarta-feira, como forma de protesto e para chamar atenção da sociedade para os males que a PEC 32 trará não só para os servidores públicos.

Com isso, o atendimento nas delegacias será suspenso das 8h às 12h.

O movimento no estado é organizado pelo Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do RN (SINPOL/RN).

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Categoria(s): Política / Segurança Pública/Polícia
segunda-feira - 24/06/2019 - 21:24h
Reforma Previdenciária

Policiais civis resolvem fazer paralisação nessa terça-feira

Policiais vão se reunir no Sinpol/RN (Foto: Sinpol/RN)

Policiais civis do RN fazem paralisação de protesto contra a Reforma da Previdência.

Começa às 8 horas dessa terça-feira (25).

A iniciativa é organizada pelo Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do RN (SINPOL/RN), com concentração em sua sede em Natal.

Será feita em conjunto com policiais civis de todo o país, sendo promovida pela Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis (COBRAPOL) e pela União dos Policiais do Brasil (UPB).

No último dia 14, a categoria já tinha cruzado os braços no Rio Grande do Norte em protesto contra a Reforma da Previdência, integrando “greve geral”, movimento nacional que envolvia outras categorias de trabalhadores.

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quarta-feira - 03/01/2018 - 09:34h
RN 'Insustentável'

Policiais civis, ‘algemados’, se apresentam para serem presos

Policiais civis do Rio Grande do Norte que decidiram ontem à tarde (veja AQUI), continuar com movimento “Operação Padrão”, em protesto contra atraso salariais e precariedade de condições de trabalho, aglomeram-se na Delegacia Geral de Polícia (DEGEPOL), em Natal.

 

Mobilização pressiona pacificamente governo e desafia decisão judicial tomada dia 31 (Foto: cedida)

Bradam palavras de ordem e muitos mostram pulsos com algemas, apresentando-se para serem presos.

Reagem dessa forma à decisão judicial tomada pelo desembargador Cláudio Santos no último dia 31 (Desembargador manda prender quem incitar paralisação AQUI), e a determinações administrativas, que ensejam o retorno de todos às atividades normais.

Paralelamente, agentes penitenciários mobilizam-se para apoio aos policiais civis e militares.

Nota do Blog – Posso estar enganado, mas creio que o governo conseguiu a proeza de tornar tudo ainda mais drástico e dramático, com consequências inimagináveis.

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Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
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