segunda-feira - 23/01/2023 - 14:32h
Porto de Natal

‘Empresário’ é condenado por tentar exportar quase 280 kg de cocaína

A Justiça Federal do Rio Grande do Norte condenou o empresário Bruno dos Santos Silva por tráfico internacional de droga operado a partir do Porto de Natal, foram 279,51 kg de cocaína. Ele já está preso na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga e cumprirá 24 anos, 11 meses e 15 dias de reclusão e ainda pagará multa no valor de R$ 376.750,00.

Carga foi encontrada ontem (Foto: cedida)

Carga foi encontrada em meio a caixas com frutas para exportação (Foto: arquivo)

“Para além da prática dos núcleos verbais quanto a exportar e transportar a substância, é evidente a transnacionalidade do delito. É que a cocaína foi remetida daqui do Estado do Rio Grande do Norte para a cidade de Rotterdam, na Holanda, mas restou apreendida em Sint-Katelijne-Waver, na Bélgica, atraindo a aplicação da causa de aumento prevista”, escreveu o juiz federal Walter Nunes, titular da 2ª Vara Federal do Rio Grande do Norte, autor da sentença.

Durante as investigações, ainda em junho de 2020, Bruno dos Santos se apresentou como empresário e proprietário de uma carga de manga que iria para o Porto de Natal.  Inicialmente, ele se identificou como sendo Luiz Bruno Pereira Júnior. A Polícia descobriu o nome falso e concluiu que ele era foragido do sistema prisional do Estado de São Paulo. Ele residia na zona rural de Macaíba, região da Grande Natal.

Bruno operava o tráfico internacional junto com Mohamede Emerson de Brito Pereira, que teve o seu processo desmembrado do original.

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Categoria(s): Justiça/Direito/Ministério Público / Segurança Pública/Polícia
domingo - 20/06/2021 - 13:48h

A alternativa da produção e exportação do limão

Por Josivan Barbosa

Durante muito tempo temos defendido a diversificação da produção de frutas no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE como forma de ampliar a nossa participação nos mercados americano, europeu e agora o asiático. Uma dessas alternativas é, sem dúvida, o limão Tahiti.

Há algumas experiências de cultivo do limão Tahiti no Semiarido, como no Estado do Piauí, na região de Petrolina – PE e na região de Baraúna.limao_tahiti_adulto_em_vaso_com_180cm_167_1_20201203181849

O produto fresco é muito aceito na Europa e nos Estados Unidos. Um exemplo disso é a sua comercialização durante o ano todo na Espanha.

O Brasil é um dos principais fornecedores do produto para a Europa, mas a sua produção concentra-se no Estado de São Paulo. Normalmente, o Brasil reduz os volumes exportados no verão, quando se importa do México que é outro grande exportador do limão Tahiti para a Europa. O México exporta de maio a janeiro.

Em função da proximidade do México com os Estados Unidos, em algumas épocas do ano o mercado americano pode ser mais atrativo do que o Europeu. O fruto é mais consumido na Europa no verão e, portanto, com a reabertura do canal horeca (hotéis,  restaurantes e bares) as perspectivas são muito boas para o  pós-pandemia.

Atualmente, os preços na Europa têm aumentado para 8 a 10 euros por caixa de 4,5 kg, sendo que o Brasil está aproveitando bem a demanda e enviando quantidades significativas nesse momento.

Outro grande importador europeu do limão brasileiro é o Reino Unido que nesse período aumentou em mais de 50% a importação do fruto a partir do Brasil.

Há, também, a expectativa de que alguns importadores passem a adquirir o produto transportado por via aérea como forma de manter o fornecimento sem qualquer interrupção na Europa.

Outro mercado potencial para o limão Tahiti é a Itália que trabalha com o prognóstico de ampliação da demanda nesse verão com o aumento do fluxo de turistas estrangeiros para as praias, montanhas e, consequentemente, o aumento da demanda por bares e restaurantes.

O mercado no atacado do Norte da Itália está trabalhando com o preço do limão Tahiti na faixa de 2 euros por quilo, o que representa 9 a 10 euros por caixa de 4,5 kg.

Aproximadamente, 90% do limão Tahiti importado pela Itália desembarca no Porto de Roterdã. Na semana passada, num supermercado do Norte da Itália, o limão proveniente do Brasil de alta qualidade estava sendo vendido a 5,30 euros/kg, ao passo que o de segunda categoria era comercializado a 2,89 euros/kg.

A lima ácida (como é conhecido o limão Tahiti) na Europa é cultivado na Itália para o mercado doméstico, mas os frutos são muito susceptíveis ao aparecimento de fungos, bactérias e outras doenças dos citrus, o que torna o produto pouco atrativo.

Na África do Sul que é outro importante importador do produto do Brasil, a temporada do limão Tahiti vai de janeiro a março, quando cai no outono. O preço no mercado oscila de 20 rands (1,2 euros/kg) a 25 rands (1,5 euros) por kilo.

Outro grande mercado internacional do limão Tahiti é o americano que importa o produto principalmente do México. Alguns países da América Central como Guatemala e República Dominicana fornecem o produto para o mercado americano. A Colômbia também exporta. Geralmente o limão proveniente desses países atinge o Leste do Estados Unidos e o Canadá.

O tamanho mais comum é o limão pequeno, com o calibre 6230 predominando, sendo que a faixa de 200 a 250 é aceita. O mercado tende a refratar os calibres maiores.

Os frutos exportados via marítima não conseguem competir com o produto que é importado a partir do México. Os frutos ultramar só conseguem competir quando a fruta mexicana atinge valores de 20 a 30 dólares ou acima disso.

Um bom projeto para a agricultura familiar

Durante muito tempo temos feito uma verdadeira peregrinação para recomendarmos algum projeto para a agricultura familiar do Alto Oeste do RN, uma região que tem sérios problemas de água para o consumo humano, o que torna muito difícil viabilizar qualquer recomendação nesse sentido.

Mas, vem da América Central um projeto que pode ser avaliado pela nossa Secretaria de Agricultura Pecuária e Abastecimento. Trata-se de um projeto com o cultivo da pitaya. Em Honduras o Plan Nacional de Pitahaya está transformando a vida de 2000 produtores do Corredor Seco.

Depois de muitos anos de sofrimento das famílias daquela região com perdas dos cultivos pela falta d`água, elas passaram a colher com êxito volumes consideráveis de pitaya com o apoio do Governo de Honduras no fornecimento de raquetes de pitaya e acompanhamento técnico.

O Governo daquele país apostou no cultivo de pitaya e a aceitação do produtor em aderir ao cultivo dessa fruta é justificado pelo valor nutricional, o seu valor de mercado, sua aceitação por parte do consumidor e a facilidade de adaptação da pitaya a condições climáticas extremas.

O Plan Nacional de Pitahaya de Honduras prevê uniformização das práticas de preparação dos solos, manejo de cultivo e práticas de pós-colheita capazes de assegurar alto padrão de qualidade do fruto para o consumo doméstico e internacional. O projeto busca, também, potencializar a capacidade técnica dos produtores através de equipes técnicas de extensão rural.

Naquela região de difícil convívio com as condições hídricas em Honduras, a exemplo do nosso Médio e Alto Oeste, já há cerca de 180 novos produtores depitaya distribuídos em 10 municípios do Corredor Seco que servirão de modelo para novos produtores. O projeto acima mostra claramente que não precisa inventar a roda para que possamos implementar novos projetos para a agricultura familiar do Médio e Alto Oeste do RN.

Mas, precisa de vontade política dos diferentes níveis de governo (Federal, Estadual e Municipal) e de trabalho em sintonia. Um projeto dessa natureza no nosso RN poderia aproveitar toda a logística de exportação do melão, melancia, mamão e outras frutas e avançar na colocação da pitaya produzida por pequenos produtores nos mercados americano e Europeu.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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Categoria(s): Artigo
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