domingo - 08/03/2026 - 11:38h

Relatos sobre Tibau

Por Odemirton Filho

Residências de veranistas abastados no século passado (Foto: Wikipedia)

Residências em Tibau de veranistas abastados em registro do século passado (Foto: Wikipedia)

Não é novidade para os leitores deste Blog que eu gosto de escrever sobre a cidade de Tibau. Por qual razão? Lembranças. Lembranças que, vez ou outra, invadem a minha alma e me fazem buscar memórias recônditas no coração.

Dessa vez, no entanto, quero falar sobre o I Festival Literário de Tibau (FliTibau), realizado no último dia 31 de janeiro e, principalmente, sobre o Volume II do livro Tibau De Todos os Tempos, de autoria da Jornalista Lúcia Rocha. Por causa do cronograma de artigos e crônicas que publico semanalmente neste espaço, somente agora me debrucei sobre o assunto.

Inicialmente, é de se louvar a iniciativa de Lúcia Rocha, Raí Lopes, Emanuela de Sousa e Júlio Rosado, pois sabemos o quão é difícil organizar um evento literário. Contudo, eles fizeram com denodo e competência, merecendo todos os aplausos, uma vez que foi um momento singular.

Na ocasião, houve o lançamento do mencionado livro, bem como, um gostoso bate-papo entre escritores, escritoras, poetas e poetisas. Eu estava lá, sentado à mesa com Morgana, minha mulher. Enquanto tomávamos um cafezinho e saboreávamos um delicioso bolo, acompanhávamos a programação.

Em relação ao livro sobre Tibau, é claro que não darei “spoiler”, a fim de instigar o leitor a adquiri-lo e navegar por suas belas páginas. Na obra, encontram-se relatos de moradores e veranistas que viveram e curtiram os veraneios de Tibau ao longo do tempo.

Entretanto, quero destacar alguns relatos que aguçaram a minha curiosidade. Entre eles, o fato de no terreno, onde há cinquenta anos está edificada a casa de meus pais, ter tido uma “bodega, com pouca coisa, bolacha e cachaça para os pescadores”, conforme relatado por dona Elizabeth Negreiros.

Outro relato que me chamou atenção foi o da senhora Aída Mendes. Ela disse que seu irmão, Eider, estava passeando com sua babá, Belisa, ali próximo a Pedra da Furna da Onça. Referida pedra ficava depois da casa de doutor Vingt-un Rosado, e sempre foi envolta em lendas e histórias. Conforme narrou, o seu irmão viu uma bonita mulher, carregando flores nas mãos, segundo ele, tratava-se de Santa Teresinha.

Ah, e quem viveu naquela época, com certeza se recordará do “morrinho”, no qual a juventude se encontrava para jogar conversa fora, flertar e namorar, tudo sob a luz do luar e, talvez, pela suave melodia de um violão.

São muitos, muitos são os relatos sobre Tibau no livro. Não tenho dúvidas que, ao adquiri-lo, o leitor conhecerá e relembrará alguns fatos, deleitando-se. Quem sabe, até se emocione ao rememorar tempos idos.

Por essas e outras razões que me apraz escrever sobre Tibau, pois foi lá que brinquei muitos dias da minha infância, curti parte da juventude, conheci e comecei a namorar aquela que seria a minha esposa. Tempos depois, levamos os nossos filhos para tomar banho de mar, nas águas que abençoaram a nossa união.

Pra finalizar, faço minhas as palavras do poeta e amigo, Cid Augusto: “na minha infância, Tibau era o que existia mais próximo do paraíso”.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 11/01/2026 - 10:42h

Boa romaria faz, quem em sua casa está em paz

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

Na época da minha juventude, lá pela década de oitenta, comecinho dos anos noventa, qualquer coisa era motivo para sair de casa, fosse um bate-papo na calçada de um amigo, fosse uma festa, eu fazia tudo para comparecer. No entanto, com o passar dos anos, percebemos que pouquíssimos lugares valem o aconchego do nosso lar. Na verdade, não sei se ficamos ranzinzas ou seletivos com o tempo.

Contudo, para garantir o devido processo legal, deixe-me apresentar defesa. Hoje, nem todo lugar me apraz. Penso duas ou três vezes antes de sair de casa. Explico:

As festas de hoje em dia raramente têm mesas e cadeiras para que a gente possa descansar um pouco. Do início ao fim da festa, somos “obrigados” a ficar em pé, com os pés e a lombar doendo, ou seja, uma verdadeira tortura. Compramos a entrada da festa e ainda temos que pagar por uma mesa para colocar a bebida.

Além disso, as filas para se comprar bebidas e tira-gostos são intermináveis. Os banheiros? Ora, ora, são químicos.

Se estamos na praia, principalmente nesse período de veraneio, as barracas e restaurantes estão sempre lotados. Normalmente, esperamos uma eternidade para ser servidos, e ficamos rezando pra cerveja não está quente; e nem vou falar sobre os preços. É claro que existem exceções, há locais com bom atendimento, preço justo e festas organizadas.

Nunca é demais lembrar que a insegurança e a violência são outros motivos pelos quais pensamos com redobrada cautela antes de sair de casa.

Sim, eu sei deve que ser a idade, pois, quando era jovem, todo e qualquer lugar me agradava. Pra se ter ideia, já tomei cerveja quente numa vaquejada; dormi dentro de um carro a noite inteira, e normalmente somente saía das festas quando “pegava o sol com a mão”.

Atualmente, na maioria das vezes, prefiro ficar em casa, tomando umas doses de uísque, acompanhado de tira-gostos. Ao lado da minha mulher, dos meus filhos e neto, escuto as músicas do tempo da minha juventude.

Quando não tô a fim de sair ou beber, deito na minha rede, “curiando” as redes sociais ou assistindo a Netflix, porque, como diz o ditado popular, boa romaria faz, quem em sua casa está em paz.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 04/01/2026 - 10:40h

Dias de aventuras

Por Odemirton Filho

Foto de Jânio Rêgo (Arquivo)

Tibau e suas “naus”, em foto de Jânio Rêgo (Arquivo/2018)

O barco estava ancorado. Seria o barco do velho pescador Tidó? Quem sabe.

O que sei é que eu e alguns primos estávamos na adolescência, e ficávamos conversando sobre a possibilidade de irmos até lá. Tomávamos coragem, e íamos. Eram cinco ou seis meninos púberes. Vez ou outra, um tio ou um primo maior de idade ia nadando à frente. Nadávamos o mais rápido que podíamos.

Medo? Sim, tínhamos. No entanto, o desejo de se aventurar era maior. Para um menino entrando na primeira adolescência o medo é de somenos importância. O que realmente importava era desbravar o novo, fazendo-se homem, com uma coragem inabalável; nenhum de nós queria ser tachado como um frouxo.

Não foi uma ou duas vezes. Inúmeras vezes fomos aos barcos que estavam ancorados na praia de Tibau, pois o mês de Janeiro era o momento de se libertar dos compromissos escolares. Era o momento de curtir as férias; de nadar, de jogar bola na areia; de “pegar ondas”, principalmente no período da lua cheia, quando o mar ficava agitado e perigoso. Não conto as vezes que nadava para sair da água, e o mar me puxava, como se tivesse mãos.

Quando chegávamos ao local, subíamos na embarcação e ficávamos mergulhando, sob um sol de rachar o juízo. Conversávamos sobre as próximas aventuras, sobre as paqueras que já começavam a despontar, enfim, conversávamos sobre assuntos de adolescentes.

Depois de um certo tempo, nadávamos de volta pra areia da praia. Estávamos exaustos, queimados pelo sol e com sede. Comprávamos um picolé e íamos para casa, à espera do almoço. À tarde, ficávamos deitados nas redes, no alpendre, jogando conversa fora e aguardando passarem na rua vendendo grude e gelé.

No dia seguinte, tudo de novo. Eram dias de imensa alegria. Sem pressa. A areia da praia e o mar eram nossos amigos inseparáveis.

Hoje, entretanto, “o mar não está pra peixe”. Quando estou à beira-mar, apenas vislumbro o horizonte e os barcos ancorados, mas já não tenho coragem, nem fôlego, de nadar até lá. Então, recordo-me da minha juventude; são lembranças açucaradas, ou melhor, salgadas, daqueles dias de aventuras.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
terça-feira - 30/09/2025 - 11:38h
Areia Branca

Festival A Praia é para Todos reúne mais de 1.500 pessoas

Iniciativa pela primeira vez foi realizada em Areia Branca (Foto: divulgação)

Iniciativa pela primeira vez foi realizada em Areia Branca (Foto: divulgação)

Areia Branca viveu um domingo especial com a realização do Festival A Praia é para Todos, no dia 28, na Praia de Upanema. Pela primeira vez fora de Tibau, o evento reuniu mais de 1.500 pessoas em atividades recreativas e culturais.

“Que dia mágico, inesquecível. Areia Branca acolheu o festival de forma surpreendente, com caravanas de várias cidades e a participação de diversas associações. O maior festival inclusivo do RN rompeu fronteiras”, destacou o vereador mossoroense Petras Vinícius (PSD), idealizador da iniciativa.

A presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Mossoró (ADEFIM), Josy Lacerda, celebrou o crescimento do festival, que tem garantido mais estrutura e acessibilidade. Elivone Oliveira, da Associação Terezinha Maia, comemorou a instalação de uma rampa de acesso permanente na praia.

A programação contou com recreação, shows do grupo Soul de Samba e Nataly Voz, além de banho assistido em cadeiras anfíbias, adquiridas através de emenda parlamentar enviada para a Adefim pelo deputado Kleber Rodrigues (PSDB).

O festival foi apoioado pela Prefeitura de Areia Branca, Prefeitura de Mossoró, Câmara de Mossoró, Fecomércio/RN, UniCatólica do RN, Governo do Estado, através da Lei Câmara Cascudo, Atacadão Queiroz, Regina, Mais Leve, TCM, Deputado Estadual Kleber Rodrigues, UERN, Castel, Proturismo, Água Amana, Frota Gourmet e Hotel Costa do Atlântico.

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Categoria(s): Gerais
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domingo - 14/01/2024 - 06:48h

O que vale a pena

Por Odemirton Filho

Foto ilustrativa

Foto ilustrativa

Tudo vale a pena, se alma não é pequena”.

(Fernando Pessoa)

Caminhavam na areia com a brisa tocando os seus rostos, como se fosse um beijo suave. Diariamente, à tardinha, gostavam de andar na beira da praia, com o mar molhando os pés.

Há anos tinham largado a cidade grande. Mudaram-se para a comunidade-praia e desfrutavam a paz do local. Buscavam sossego, pois já estavam aposentados.

A rotina raramente mudava. O marido acordava cedo, o sol nunca o encontrou dormindo, como diria Rui Barbosa. Preparava um café coado e tapiocas. A mulher se levantava um pouco mais tarde. Conversavam sentados à mesa, sem pressa. Depois cumpriam as tarefas da casa e faziam o almoço.

Algumas vezes, pela manhã, esperavam uma jangada vindo do alto mar e compravam peixes, já eram conhecidos dos pescadores e moradores da pequena localidade. As compras da casa eram realizadas na mercearia de Zé de Niel, que ficava próximo, ainda no sistema da “caderneta”.

Antes do almoço o marido gostava de tomar uma “pra lavar”.  Depois, deitavam-se nas redes e iam curtir a “sesta”. No meio da tarde tomavam um “pingado”, acompanhado com pães e bolo.

À noite, após o jantar, deitavam-se juntos no alpendre com o vento balançando a rede, embalando os momentos mais íntimos.

Tinham um filho e dois netos que os visitavam uma vez por ano, nas férias, pois moravam longe, lá pelas bandas do sul do país. Para não ficarem incomunicáveis possuíam um telefone celular.  Assistiam a televisão, de vez em quando, para verem o noticiário.

Liam muito. Sobretudo, os romances, contos e as crônicas do bruxo do Cosme Velho. A sós, conversavam sobre a vida. Lamentavam-se. Eram para ter dançado mais. Viajado mais.

Entretanto, a correria do dia a dia e o trabalho fizeram com que consumissem boa parte da vida. O tempo passou depressa. Os anos avançaram e olhavam para trás, com saudade, principalmente, daquilo que não viveram. Agora, já não tinham o viço da mocidade.

Somente o tempo nos faz amadurecer. Os valores da vida são repensados. Valeu a pena correr tanto em busca de bens materiais? Perguntavam-se. Vivemos tempos da economia do desejo, não da necessidade.

Infelizmente, ou felizmente, ninguém transfere sua experiência ao outro. Erros e acertos precisam fazer parte da vida de cada um. Se pudessem voltariam no tempo e viveriam de outra forma. Mais leves. Mais soltos.

Final da tarde. Era hora de ir à praia, caminhar na areia e sentir a brisa. Juntos, viram o pôr do sol refletir sobre as águas do mar.

Descobriram que nunca é tarde para viver o que vale a pena.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
domingo - 19/11/2023 - 05:42h

É humano

Por Bruno Ernestomorte, silhueta, medo, sombras, espectros

Não é hoje que o medo da violência nos faz tomar certos cuidados em nossa rotina.

Ao entrar e sair de casa, trabalho, colégio, universidade, supermercado, missa, culto, teatro e tantas outras situações do nosso cotidiano, estamos atentos.

Mas esse medo também rende boas histórias.

Certa vez, um amigo voltava de uma festa no Clube Álibi em Tibau, lá por meados dos anos noventa, depois de uma noitada ao som de não sei quem.

As festas nessa época na cidade praia de Tibau eram excelentes para os adolescentes. Ainda havia o African Bar, Zé Félix e tantos outros.

Esse amigo voltava sozinho para casa pela orla, já no amanhecer do dia e, ao dar uma olhada para trás, ao longe, viu um sujeito um tanto suspeito que vinha ao seu encontro.

Chamou mais ainda sua atenção quando percebeu que o sujeito se aproximava rapidamente – afinal a violência já assustava naquela época – e ficou atento.

Lá para as tantas, vendo que seria rapidamente alcançado, decidiu correr para tomar distância. Em vão.

O sujeito que vinha atrás dele também começou a correr, e ele, sozinho, ficou desesperado.

Quando começou a correr, foi na altura da vila dos professores.

Pesou na sua fuga, o cansaço da noitada, a areia fofa da praia e o medo.

Correu com ainda mais afinco quando pensou na morte. Porém, só conseguiu correr até o Hotel Dunas.

O fôlego não agüentou mais que quatro minutos de fuga e, sem perspectiva de conseguir superar o seu perseguidor que vinha no seu encalço, parou e esperou o pior.

Não tinha nada para entregar. Nem um bem de valor. Sequer existia celular naquela época.

Entrou em desespero. Quase já começou a se despedir da vida e, sem esperança, resignou-se.

Instantes após, foi alcançado.

Lembrou-se das orientações de seus pais para, numa situação dessas, não confrontar o agressor. Sequer fitá-lo.

O seu algoz, de pronto, perguntou por qual motivo empreendera fuga.

Estranhou a pergunta, mas ficou em silêncio. Pensou em dizer que estava com medo, mas lembrou das orientações dos seus pais.

Foi daí que surgiu outra pergunta inusitada.

– Quem está nos perseguindo?

Nesse instante, meu amigo fitou-o incrédulo.

Nenhum dos dois estava sendo perseguido.

Perceberam que fugiam de suas próprias imaginações.

Sentaram lado a lado e, num misto de alívio e vergonha mútua, passaram um bom tempo em silêncio tomando fôlego e, certamente, pensando na finitude da vida.

Após se acalmarem, seguiram viagem juntos até a praia das Emanuelas.

Em total silêncio. Sequer se despediram.

Há quem diga que não tem medo da morte, mas, no frigir dos ovos, esse medo é humano.

Bruno Ernesto é advogado, professor e escritor

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Categoria(s): Crônica
  • Repet
domingo - 02/07/2023 - 11:38h

Paixão pela profissão; amor pelo mar

Por Odemirton Filho 

Tibau, jangada, (Foto de Ricardo Lopes)

Tibau, jangada, (Foto de Ricardo Lopes)

“A jangada se perde de mar afora. E à boca da noite vai chegando. É um ponto branco no horizonte. Doze horas de alto-mar, de paciência, de espera, de linhas soltas, na espreita das ciobas, das cavalas. Vai chegando. Veranistas se juntam para a compra do pescado. Seu João já encostou a jangada na praia” (…).

O texto acima é um fragmento de uma crônica de José Lins do Rêgo sobre a vida de um pescador. Mostra, com clareza, a labuta diária de quem se aventura no mar, ainda nas madrugadas frias.

Quando vou à cidade de Porto do Mangue pra exercer o meu ofício vislumbro na belíssima praia da Ponta do Mel, na Pedra Grande e na calmaria da praia do Rosado algumas jangadas na areia. E faz um bem danado a minha alma. Na maioria das vezes, não há um pé de pessoa. Só a imensidão do mar e um mundão de areia; a beleza da obra talhada pelas mãos de Deus.

Há algo na vida desses pescadores que me fascina. Talvez, seja a lembrança dos dias da minha infância, quando em férias, brincando na areia da praia, via as jangadas chegaram à beira-mar e os pescadores vendendo os peixes, ainda frescos, debatendo-se num carcomido cesto de palhas.

Vez ou outra, converso com um deles pra ouvir as suas aventuras. Decerto, deve existir um ou outro exagero nas “estórias”. Não me importo. Gosto de prosear. Falam-me da lida, do dinheiro pouco. Mas falam, principalmente, da paixão pela profissão, do amor pelo mar. Deixo claro, porém, que não quero romantizar as dificuldades enfrentadas por eles, de sol a sol. São muitas.

Certa vez, caminhei bastante sobre as dunas da praia do Cristóvão para fazer uma intimação. A casa ficava distante, num ponto alto. Sob um sol escaldante, com os pés atolando nas dunas “pegando fogo” consegui chegar à residência. Uma casa simples, de taipa. O velho pescador me ofereceu água e café. Sentei-me por um bocado de tempo apreciando a linda paisagem.

Ao ler o texto de Lins do Rêgo, lembrei-me dessa diligência e fiquei a imaginar aquele pescador como um personagem da crônica do autor de Menino de Engenho.

“Agora, espichado na porta da casa de palha, olha para o céu. Sopra o vento nos cajueiros floridos e há o barulho dos coqueiros agitados. Seu João vê a lua, vê manchas na lua. Levanta-se e vai dizendo para a mulher”:

“Amanhã é dia de cavala. A lua está dando o sinal”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
domingo - 22/01/2023 - 12:26h

Pequena crônica

Por Odemirton Filhopés na areia da praia, mar, beira-mar

Entre um gole e outro, lembranças de tempos idos. E vividos.

Nas areias da praia de Tibau, o menino brincava. Feliz.

Hoje, já adulto, caminha na beira do mar. Vê vários condomínios. Chiques. Velhas casas ainda resistem ao tempo; a modernidade.

O menino traz no coração lembranças e saudades. De tomar banho no mar e jogar bola. De ficar tostado pelo sol.

Pra quê tanta pressa? “É doce morrer no mar, nas ondas verdes do mar”, diria Caymmi. Devagar e sempre.

O menino-adulto sente o vento bater no rosto e o cheiro da maresia.

O cheiro da saudade.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de justiça.

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Categoria(s): Crônica
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quinta-feira - 09/12/2021 - 15:50h
2022

Um lugar à beira-mar nos planos de Fátima Bezerra

beira-mar, praia, mar, sol e mar,Entre os dias 7 e 9 de janeiro de 2022, a governadora Fátima Bezerra (PT) esbarra na cidade-praia de Tibau.

Aproveitará os dias para descanso, porque o ano promete ser puxado.

Mas, ninguém espere que ela fique estacada ou para cima e para baixo numa rede sob o alpendre.

Deve esticar as canelas aqui e ali, à beira-mar e em outros endereços do lugar.

Tem um monte de coisas para não fazer.

Prosear e caminhar, por exemplo, fazem bem à saúde.

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Categoria(s): Política
terça-feira - 08/01/2019 - 14:48h
Oração

“Terço da Juventude” vai ocupar a praia

Terço à beira-mar (Foto: Ênio Freire)

Praia também combina com oração. Pensando nisso a Paróquia de Santa Luzia de Mossoró vai levar o Terço da Juventude para a cidade-praia de Tibau neste mês de janeiro.

A primeira edição de 2019 será realizada no próximo sábado (12), a partir das 16h, na praia das Emanuelas (próximo ao Dunas Praia Hotel).

A cada edição, a equipe do Terço escolhe um tema para ser desenvolvido. Neste mês de janeiro será a Festa de Reis (cuja solenidade é celebrada desde o dia 6 na Capela de Tibau).

O Terço da Juventude foi instalado na Paróquia de Santa Luzia em setembro de 2017 com o apoio do Terço da Juventude da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, de Neópolis (Natal).

Apesar do nome – Juventude – o terço é aberto a todos que queiram louvar e suplicar à Nossa Senhora, invocando a Jesus por meio de sua mãe.

COLABORAÇÃO – O Terço vai abrir inscrições para novos colaboradores de sua equipe entre fevereiro e março.

Os interessados devem entrar em contato pelo Direct do Instagram: @tercodajuventudesl.

SERVIÇO – Sigam o Terço da Juventude nas redes sociais: @tercodajuventudesl (Instagram) e Terço da Juventude – Santa Luzia (Facebook).

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Categoria(s): Gerais
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domingo - 04/02/2018 - 02:28h

Deus e os três paquetes em Tibau

Por Jânio Rêgo

Deixei a florada do ‘angico da pedra’, a companhia de Meia-Lua, os tapetes de ramagem esverdeada escondendo lajedos e desci a serra da Catingueira para o litoral.

Não foi por deleite, foi por obrigação.

Mas não vou mentir, gosto de ver o mar salineiro, os paquetes indo e voltando, e daquela lassidão conferida pelo vento permanente que sopra na praia de Tibau.

Além do mais, Tibau, (e isso a faz uma praia diferente das outras ao longo da costa brasileira) é um verdadeiro Sertão, só mais salgado e piscoso.

Curimatãs ovadas são exuberantes ciobas e as cavalas estão na mesa para repasto de veranistas alegres e sem obrigação de roçados pra plantar no mês de janeiro molhado.

Os cactos nascem nas dunas, as várzeas de carnaúbas beijam o vento marítimo, os pássaros são quase todos os mesmos que cantam pelo Sertão.

Defronte à casa onde me hospedam estacionam três paquetes (antes eram jangadas mais rústicas…) – ‘Deus é bom’, ‘Glória a Deus’, ‘Deus é fiel’ são os nomes deles. Penso que são oratórios desses que encontramos nas ante-salas das casas e nos pátios das fazendas sertanejas.

Quando Marcos Porto andava pela terra eu visitava Gado Bravo, localidade cujo nome expressa melhor que tudo esse encontro e semelhanças desse litoral único e singular com o Sertão.

Dessa vez fiquei circunscrito ao alpendre da casa de onde se avista as luzes da cidade portuária de Areia Branca. Não comi nem ‘gelé’ nem ‘grude’ mas fui compensado por um inigualável ensopado de ‘taioba’, um marisco que meu ‘mossoroísmo’ faz crer que só existe ali.

E só saí para uma breve visita à Lagoa do Córrego, refrigério e pouso de aves migratórias, um pequeno santuário que quase nenhum veranista conhece ou dá valor.

Valeu.

Afinal, Tibau é Tibau, já dizia o lendário pescador Tidó.

E o mais é pura maresia.

Jânio Rêgo é jornalista

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Categoria(s): Crônica
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