domingo - 10/07/2022 - 10:48h

O grande negócio do melão no mundo

Por Josivan Barbosa

Estamos iniciando o plantio das primeiras áreas de melão e melancia da safra 2022/23 para atender ao mercado internacional. Assim, é importante que o nosso produtor conheça os seus potenciais concorrentes e sua produtividade. Na Tabela abaixo colocamos uma síntese em termos mundial.

A produção mundial de melão atingiu 28,468 milhões de toneladas ocupando uma área de 1.068.238 hectares, com produtividade média de 26,6 toneladas por hectare.

Melão é um produto de grande apelo comercial (Reprodução)

Melão é um produto de grande apelo comercial (Reprodução)

A nossa produtividade está muito abaixo daquela de países tradicionais no cultivo de melão como China e Espanha, entretanto, precisamos avaliar que percentual dessas áreas cultivadas pelos dois países são em campo aberto como é 100% da nossa produção.

Outro aspecto importante é que a Espanha trabalha muito com o melão Pele de Sapo e no nosso caso trabalhamos com praticamente todos os grupos de melão. A China produz muito melão cantaloupe que normalmente apresentam uma produtividade maior do que o tradicional melão amarelo, muito cultivado no Brasil.

No próximo ano completaremos 40 anos de cultivo de melão no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE com destino ao mercado externo. Nesse período de 40 anos acumulamos muito conhecimento técnico e passamos de duas empresas na primeira metade dos anos 80 para cerca de 50 empresas na primeira metade dos anos 2020.

Todo esse crescimento foi feito graças ao setor privado, verdadeiros herói   e aos investimentos do Governo Federal em obras de infraestrutura hídrica, como as barragens do Castanhão (Nova Jaguaribara – Alto Santo – CE), Armando Ribeiro Gonçalves (Açu – Itajá – São Rafael), Santa Cruz (Apodi), entre outras.

País Área plantada (milhões de ha) Produção (milhões de toneladas) Produtividade (toneladas/ha)
China 385.756 13,838 35,9
Turquia 76.129 1,725 22,7
Índia 59.000 1,33 22,5
Iran 58.520 1,28 21,9
 Cazaquistão  51.258 1,17 22,7
Guatemala 28.384 0,665 23,1
Brasil 23.827 0,614 25,8
Espanha 18.520 0,611 33,0
Marrocos 16.830 0,505 30,0
França 13.110 0,267 20,3
Egito 7.848 0,216 27,5

Tabela: Área cultivada (ha), Produção (milhões de toneladas) e produtividade (toneladas por hectare) de melão em países produtores. Fonte: FAOSTAT (2020). A coluna da esquerda não está na ordem de volume de produção. A Espanha está em décimo primeiro no ranking mundial.

O Governo Federal e os governos estaduais também investiram em obras de infraestrutura de perímetros irrigados como o DIBA (Distrito Irrigado Baixo Açu – Alto do Rodrigues), DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe – Apodi – Limoeiro do Norte), DISTAR (Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas – Russas), entre outros.

Cajarana chega à Serra do Mel

Durante a nossa visita à Feira de Orgânicos de Mossoró conversamos com os sócios da Associação dos Produtores do PA Favela, que apesar de pertencer ao município de Mossoró, se relaciona mais com a municipalidade da Serra do Mel em função de estar instalado na divisa dos dois municípios.

A boa notícia é que os produtores já viabilizaram a instalação de 4,5 ha de cajarana e estão incentivados a aumentar a área.

Os produtores estão usando dois tipos de cajarana. Uma que produz frutos grandes (inicia a produção mais cedo – janeiro/fevereiro) e a que produz frutos pequenos e saborosos (produção mais tardia).

A concretização dos pomares de cajarana no PA Favela pode servir de modelo para que outras agrovilas possam implantar os pomares de cajarana e facilitar a instalação futura de uma fábrica de polpa de cajarana, agregando renda ao produtor. Também facilita a negociação com fábricas de polpa instaladas em outras regiões, como está acontecendo com o PA Pitomba em Governador Dix-Sept Rosado que negocia com o apoio do município a entrega do fruto para uma grande fábrica de polpa instalada na Serra de Pereiro.

Outro aspecto importante é que a cajarana passaria a ser uma fonte de renda no primeiro semestre e o caju no segundo semestre, como já é tradicional.

Prioridades de políticas públicas para o negócio rural

Nesses tempos em que se antecede as candidaturas ao Governo do RN, se faz necessário uma análise da situação atual do desenvolvimento do negócio rural do RN. Ambas, agricultura empresarial e agricultura familiar, precisam ser pensadas dentro das suas prioridades e necessidades. Vamos começar pelas demandas da nossa agricultura irrigada. Depois, abordaremos o tema para a agricultura familiar:

Construção de faixas de velocidade lenta ao longo da BR 304 para melhorar o fluxo de veículos pesados para os Portos de Natal, Mucuripe e Pecém e, como consequência, melhorar o fluxo de veículos pequenos.

Ligação da BR 304 a BR 406, com a construção de duas pontes (Macau e Areia Branca) facilitando o escoamento da produção da agricultura irrigada para o porto de Natal e o fluxo de turistas na Costa Branca.

Reinício do projeto de irrigação Santa Cruz do Apodi com o redirecionamento para um perímetro irrigado de agricultura sustentável (agricultura orgânica, agroecologia, agricultura sintrópica e similar).

Requalificação da área de lazer da Barragem de Santa Cruz visando melhorar o fluxo de turistas da região e, como consequência, atrair a população que trabalha no negócio rural da Chapada do Apodi.

Construção da Estrada do Arenito para beneficiar os produtores de caju, ligando os municípios de Severiano Melo e Apodi ao município de Tabuleiro do Norte (Olho Dágua da Bica), facilitando a ligação com a BR 116 e, consequentemente, com os portos cearenses (Mucuripe e Pecém).

Reinício da construção da Estrada do Melão (Etapa II) para beneficiar os produtores de Mossoró e Baraúna facilitando o escoamento da produção via BR 304 ou via RN 015 (Mossoró-Baraúna), e, como consequência, facilitar o escoamento da produção de derivados da indústria do calcário, já que na região há três fábricas de cimento e inúmeras fábricas de cal.

A estrada do melão também vai facilitar o acesso da população do Vale do Jaguaribe para as praias da Costa Branca do RN, notadamente Tibau, Grossos e Areia Branca.

Construção de uma via ligando a BR 110 a RN 117 a altura dos assentamentos Monte Alegre I e II para beneficiar o escoamento da produção de frutos tropicais, pois naquela microrregião já existe várias empresas instaladas e outras em processo de instalação.

Instalação de um packinghouse coletivo para embalar os frutos produzidos pelos pequenos produtores destinados ao mercado externo.

Requalificação do sistema de poços profundos dos assentamentos da região da grande MAISA como forma de beneficiar os produtores assentados.

Duplicação da RN 015 (Mossoró-Baraúna) facilitando o desenvolvimento da agricultura irrigada, da indústria do calcário e atração da população do Vale do Jaguaribe para o setor de comércio e serviços de Mossoró.

Requalificação da Estrada do Cajueiro, facilitando o acesso à Chapada do Apodi (Limoeiro do Norte e Tabuleiro do Norte). Integração das águas da Barragem de Santa Cruz com a Lagoa do Apanha peixe como forma de perenizar a mais tradicional lagoa da região do Apodi – Caraúbas e Felipe Guerra.

O Semiárido ampliará a exportação de manga na safra 22/23

O Brasil trabalha com a expectativa de ampliar em cerca de 8% a exportação de manga, apesar da preocupação das empresas exportadoras com a logística de colocação do produto no mercado de destino no tempo em que o produto ainda chega com a qualidade que o consumidor deseja.

Os principais problemas de logística verificados no ano passado como escassez de contêineres e frequência de navio devem se repetir na atual safra.

Como praticamente toda a exportação de manga para os Estados Unidos e Europa é feita por empresas instaladas no Semiárido (Polo do Submédio do São Francisco – Juazeiro Petrolina e Polo de Agricultura Irrigada RN – CE) então, pode-se afirmar que o Semiárido será responsável pelo incremento.

A região do Submédio São Francisco (polarizada por Juazeiro e Petrolina) responde por cerca de 90% das exportações de manga do país.

O país exporta manga durante todo o ano, mas o grosso da exportação ocorre no segundo semestre.

O ano passado o Brasil exportou 272 mil toneladas de manga, o que correspondeu a cerca de 250 milhões de dólares, ou ¼ das divisas do país em termos de exportação de frutos frescos.

Os produtores trabalham com um rendimento médio de 30 toneladas por hectare.

O mercado mais importante para a manga do Semiárido Brasileiro é o da União Européia (EU), sendo o Porto de Roterdã (Holanda) responsável pelo recebimento de 70% dos volumes de exportação. Os outros portos de destino da nossa manga são os da Espanha e Reino Unido.

O país exporta manga também para os Estados Unidos e, em menor volume, para Coréia do Sul e Oriente Médio.

Nessa safra o produtor trabalha com receios dos preços da manga no mercado internacional em função do problema mundial da inflação e do comportamento da economia como um todo nos países importadores.

Mossoró sustentável

Após avançar na troca de lâmpadas incandescentes por lâmpadas de led, o município de Mossoró precisa agora dar um passo a frente no aspecto de sustentabilidade ambiental. É necessário sintonia da gestão municipal com a nova realidade do país. Esse movimento já foi iniciado por dezenas de prefeituras ao redor do país, embora os passos ainda sejam lentos.

A troca de luminárias vai proporcionar também uma enorme redução no custo final de energia à PMM (Foto: PMM)

A troca de luminárias proporciona também uma enorme redução no custo final de energia à PMM (Foto: PMM)

Em São Paulo, o Desenvolve SP, banco de fomento do governo estadual, criou linhas de crédito especialmente voltadas a projetos de eficiência energética e energia renovável. Uma das orientações é promover a construção, nos municípios, de usinas fotovoltaicas para gerar energia solar, limpa e de baixo custo.

Segundo dados do Desenvolve SP, desde o início da pandemia, em março de 2020, até maio deste ano, foram financiados R$ 213,2 milhões para 59 prefeituras paulistas – o Estado tem 645 municípios. Os recursos foram utilizados para projetos de infraestrutura urbana, incluindo energia renovável, eficiência energética, água, saneamento, pavimentação e recapeamento. Nos dois anos anteriores à crise sanitária (2018 e 2019), foram financiados R$ 185,8 milhões. Portanto, houve aumento de 15%.

No setor privado, o Desenvolve SP reporta alta de 81,7% no financiamento para projetos sustentáveis em 2021. No ano passado foram desembolsados R$ 186,2 milhões para projetos que atendem a critérios ESG, contra R$ 102,5 milhões em 2020.

Seguindo o exemplo de São Paulo, o município de Mossoró pode trabalhar em sinergia com o Governo do Estado ou procurar um financiamento para instalar uma fazenda solar em bancos de desenvolvimento. O incentivo de bancos de fomento, inclusive do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é fundamental para acelerar o processo.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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domingo - 12/06/2022 - 14:44h

Após quase 30 anos, terras da Agrícola Ariza ainda “rendem”

Ruínas da antiga Agrícola Ariza. A imagem do canto inferior direito é a Lagoa da Ariza que mesmo após o período de chuvas de 2022, bem acima da média, encontra-se seca. A última vez que encheu foi em 2011. As demais imagens são as ruínas das estruturas de apoio da fazenda (Fotos: Josivan Barbosa)

Ruínas da antiga Agrícola Ariza. A imagem do canto inferior direito é a Lagoa da Ariza que mesmo após o período de chuvas de 2022, bem acima da média, encontra-se seca. A última vez que encheu foi em 2011. As demais imagens são as ruínas das estruturas de apoio da fazenda (Fotos: Josivan Barbosa)

Por Josivan Barbosa

No início dos anos 90 a Agrícola Ariza era juntamente com a Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA), Frunorte e Fazenda São João, uma das principais empresas produtoras e exportadoras de melão do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE.

A Agrícola Ariza possuía sua área produtiva numa fazenda de 900 ha situada nas proximidades da comunidade rural de Gravier em Icapuí – CE, distante 8 km da RN -013 (Mossoró – Tibau).

O acesso principal a empresa era  pela RN 013 na comunidade Córrego de Salsa. A empresa produzia cerca de 300 ha de melão por safra e possuía 10 engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas no quadro de servidores. A empresa usava como fonte de água uma lagoa que ocupava uma área de cerca de 20 Ha.

A empresa possuía uma boa infraestrutura de apoio, contando com packinghouse (casa de embalagem), galpão de máquinas e equipamentos, sistema moderno de irrigação, residências para os técnicos e escritórios administrativos e era dotada de modernos equipamentos e máquinas agrícolas.

A Ariza era instalada com sistemas modernos de irrigação e usava as tecnologias mais avançadas da região para a produção de melão. Naquela época já estava introduzindo novas variedades de melão, como o Galia, Cantaloupe, Charentais entre outros.

A empresa está entre muitas outras que fecharam as portas na década de 90 em decorrência de falhas na gestão do negócio rural.

As informações colhidas junto aos técnicos que trabalharam na Ariza são de que o fechamento da empresa se deu em decorrência do aumento da concentração de sais na lagoa (única fonte de água) ocasionada pela falta de chuvas. O alto teor de sais na água inviabilizou a produção de melão.

A empresa entrou em processo de litígio com o setor bancário e foi ocupada, na época, por 26 famílias. A maioria sendo de chefes de família, ex-funcionários da Ariza.

Agora

Após quase 30 anos de desativação da fazenda de 900 ha, duas áreas de ocupação denominadas de Ariza I e Ariza II (Vila Sossego) foram formadas.

Título de domínio, documento do Governo do Ceará (Reprodução: Josivan Barbosa)

Título de domínio, documento do Governo do Ceará (Reprodução: Josivan Barbosa)

Á área denominada de Ariza II foi ocupada mais recentemente (a partir de 2020) e as famílias estão construindo casas, mas ainda não residem no local. Não há qualquer documento oficial de regulamentação da ocupação.

Na Ariza I cada família recebeu um documento de domínio emitido pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (IDACE ) com cerca de 25 ha para cada família que comprovou a ocupação (Veja documento anexo).

O documento oficial do Governo do Estado do Ceará denominado de Título de Domínio só passa a ter efeitos legais se registrado em cartório.

As informações colhidas no local de ocupação com o senhor possuidor do título de domínio (anexo) Manoel Menino do Santos é de que o proprietário da empresa entrou com um bloqueio no cartório local (Icapuí) impedindo o registro do Título de Domínio.

O CTARN (Centro Tecnológico do Negócio Rural – RN) da UFERSA vai atender as demandas dos pequenos produtores no sentido de viabilizar o uso das áreas que no momento encontra-se paradas.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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domingo - 03/10/2021 - 09:22h

Melão e melancia têm melhor temporada de exportação em 10 anos

Por Josivan Barbosa

O representante da empresa holandesa Greenery/Hage International, Frank Ocampo, afirmou em entrevista ao periódico espanhol Fresh Plaza que este é o melhor início de temporada de exportação do melão e da melancia brasileiros para a Europa nos últimos 10 anos.

Segundo o importador, isso se deve a três fatores: O nosso melão e melancia chegaram ao mercado europeu praticamente após o término da temporada espanhola que por sua vez terminou cedo, deixando o mercado ávido pelos produtos. Por outro lado, o melão e a melancia brasileiros começaram a chegar na Europa em tempo considerado ótimo que é o final do verão europeu.

Melão e melancia chegam a um mercado ávido por consumo, mas custos também se elevam (Foto ilustrativa)

Melão e melancia chegam a um mercado ávido por consumo, mas custos também se elevam (Foto ilustrativa)

Um terceiro fator que contribuiu para isso foi o atraso na chegada do navio da companhia marítima MSC, o que fez com que os produtos chegassem num momento mais escasso ainda de melão e melancia.

Um aspecto preocupante do mercado de frutos frescos na Europa é o aumento de 800 a 1000 dólares nos fretes marítimos, o que faz com que sejam beneficiados aqueles importadores que fecharam os contratos antes do aumento. Esse valor passa a ser uma preocupação para os importadores que negociam sem os contratos, pois passam a pagar valores muitos altos pelos produtos.

Melão no Reino Unido e custo altos

A temporada de melão brasileiro no Reino Unido começou na semana 37 e está sendo caracterizada por frutos de tamanho grande, quando o mercado varejista sente falta de produto de tamanho pequeno.

As condições meteorológicas estão facilitando a venda do melão e da melancia. Quanto mais quente, maior é a procura pelos frutos frescos.

O consumidor inglês estava já aguardando o melão brasileiro, pois a temporada do produto espanhol terminou cedo (primeira semana de setembro) e os últimos frutos do mercado oriundos da Espanha já não eram tão atrativos.

O brexit afeta a celeridade do fornecimento do melão pelos importadores ingleses para outros países europeus, o que leva mais tempo para a distribuição e, claro, aumenta os custos com a burocracia (documentos e impostos).

Outros fatores que elevam os preços para o importador inglês do melão brasileiro são o aumento no preço da embalagem de papelão (cerca de 80%) e nos fretes marítimos (30 – 40%). Todos estes custos são, claro, repassados para o consumidor. Resta saber até quando o consumidor está disposto a pagar por estes aumentos.

América Central em dificuldade

A América Central, um dos principais concorrentes do Brasil no mercado de exportação de melão e melancia, vive momentos difíceis em relação ao negócio desses dois produtos.

Os produtores de melão e melancia da Guatemala, Honduras, Costa Rica e Panamá emitiram um documento em conjunto alertando para os riscos da atividade dos produtores nesse período pós-pandemia devido aos altos custos da atividade agrícola provocados por aumento nos preços dos insumos e de logística global.

Um dos itens que mais está impactando nos custos é o aumento de 40 – 50 % no material de embalagem da fruta que é usado na fabricação da caixa de papelão.

Outro item que aumentou muito foi o preço dos polímeros usados em embalagem de atmosfera modificada do melão que já chega ao patamar de 30 -35%. O plástico usado na cobertura do solo subiu cerca de 15 – 20% e o material de irrigação (mangueiras para gotejamento) e os fertilizantes (MAP, DAP e uréia) tiveram incremento de preço de 25 30%.

Se já não bastasse a elevação de preços acima, a dificuldade de contêineres tem complicado para o produtor o que impacta também   nos custos de logística de exportação do produto e na importação de insumos.

A previsão é que a dificuldade de logística de contêineres se prolongue até 2022, o que pode levar ao fechamento de muitas empresas exportadoras de melão e melancia da América Central.

É PRECISO COMPREENDER que a produção de melão e melancia são cultivos intensivos em mão-de-obra e que já impacta muitos nos custos de produção. Além disso, os produtores só participam do comércio internacional desses produtos se tiver a sua área de produção certificada, cujo processo é bastante oneroso.

Vamos torcer para que esse problema da América Central não se repita aqui no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE que tem nesses dois tipos de frutos a maior área cultivada para exportação.

Claro que o nosso produtor e exportador de melão e melancia já está sujeito a esses problemas e já sente na pele a realidade do mercado, mas, espera-se que as nossas empresas atentem para a situação com a celeridade necessária.

Queda da produção na Costa Rica

A produção e exportação de melão enfrenta uma forte queda na Costa Rica. O valor das exportações de melão daquele importante país da América Central caiu de U$ 68 milhões para U$ 55 milhões nos últimos 05 anos, com acentuação da queda nas exportações no período da pandemia.

A área cultivada com melão caiu de 5.566 ha em 2015 para 3.394 em 2020. O país chegou a produzir em 2006 cerca de 12 mil ha de melão.

A associação que representa os produtores de melão e melancia está trabalhando com a possibilidade de agregar valor ao produto e de incrementar o marketing das frutas da Costa Rica na Europa. A estratégia teria com forte argumento o apelo ambiental, o cultivo por pequenos produtores e a preocupação destes com o desenvolvimento sustentável.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

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domingo - 11/08/2019 - 06:44h

Cultura do Melão caminha para grande exportação

Por Josivan Barbosa

O Centro Tecnológico do Negócio Rural (CTARN – UFERSA) que se dedica ao estudo do negócio rural do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE estima para a safra 2019/2020 uma produção de melão e melancia acima de 20 mil hectares, sendo cerca de 50% destinado ao mercado externo, principalmente o mercado da Comunidade Econômica Europeia (UE).

Os principais grupos produtores de melão e melancia na atual safra são: Agrícola Famosa, Copyfrutas, Grupo Real (grupo dos japoneses), Grupo Unifrutas, Grupo Brazil Melon, Grupo Mata Fresca e as empresas, Vita Mais,  Bollo Brasil, Salutaris, CMR, Agrícola Potiguar, Terra Santa e pequenos produtores do Córrego Mossoró, São Romão, Maisa, Oziel Alves e Pau Branco.Tipos de melão

Os principais tipos de melão produzidos serão o melão amarelo e pele de sapo (grupo inodorus) e os melões tipo cantaloupe (cantaloupe americano e o italiano), melão galia, Orange flesh e Dino.

As principais microrregiões produtoras de melão na safra atual são: Chapada do Apodi (região compreendida entre o distrito de Soledade, Sítio do Góis e a divisa de Apodi com os municípios de Severiano Melo e Tabuleiro do Norte), Mata Fresca e Cacimba Funda (Aracati),  Grande Maisa (Pau Branco, São Romão, Oziel Alves, Maisa, Córrego Mossoró, Icapuí (Fazenda Flamengo da Agrícola Famosa), Upanema, Macau e Jandaíra, Afonso Bezerra e Pedro Avelino.

A região de Mossoró ainda produz melão e melancia na Grande Maisa e na microrregião da Fazenda Santa Júlia (área arrendada para a Agrícola Famosa) e na fazenda Califórnia, que pertencia a Nolem (desativada em 2008). A fazenda Bollo Brasil também está localizada no município de Mossoró. Esta fazenda tem uma outra área produtiva próximo ao distrito de Baixa do Meio entre Macau e Guamaré.

Abacate

Depois de ampliar a produção de mamão formosa no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE, o produtor precisa despertar para a importância do abacate no mercado externo. Hoje o Peru é o principal produtor e exportador da América do Sul. O país exporta mais de 300 mil toneladas, sendo cerca de 60% para a Europa e 30% para os Estados Unidos, mas a China e o mercado asiático como um todo tem muito interesse na aquisição do fruto.

O México é outro grande produtor de abacate e chega a exportar para os Estados Unidos mais de 1 milhão de toneladas a cada ano. O Chile também se destaca na produção de abacate, juntamente com Quênia  e África do Sul.

Melão e melancia orgânicos

Está na hora dos produtores de frutas do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE iniciar a produção de melão e melancia orgânicos visando os mercados externo (Europa) e interno. A região possui um know how de quase 40 anos na produção e exportação de frutos tropicais para as mais diferentes regiões do país e do exterior, principalmente para a Comunidade Econômica Européia (UE) e Estados Unidos o que, com certeza, contará muito na diferenciação com outros países na produção de melão e melancia orgânicos. A aceitação desses produtos nos mercados internos e externos cresce a cada dia e, assim, não podemos mais perder tempo.

CHESF no RN

A Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) pode ter que pagar uma indenização considerável em função de atraso na entrega de linhas de transmissão na região do Mato Grande. A Serveng, que utilizaria a linha para entregar energia gerada em dez parques eólicos naquela região a partir do fim de 2012, diz que foi prejudicada pelo atraso da obra, acarretada com vários tipos de perdas financeiras. Com potência instalada de 170 MW. Na região, a empresa opera os dez parques iniciais – Ventos Potiguares – e outros cinco construídos depois, totalizando uma potência de 295 MW.

No valor da ação, o perito considerou compra de energia no mercado spot (R$ 111 milhões), repactuação de contrato de financiamento com BNDES (44 milhões) e receita deixada que deixou de obter no período, entre outros itens. No projeto, conhecido como Ventos Potiguares, a Serveng investiu R$ 767,8 milhões, sendo R$ 556,3 milhões financiados pelo BNDES.

Dinheiro do petróleo

O dinheiro da cessão onerosa que os estados e municípios estão aguardando ser redistribuído pela União não poderão ser utilizados para o pagamento de pessoal. O destino deve ser limitado a pagar dívidas com a União, pagar precatórios judiciais e investimentos. O megaleilão vai arrecadar R$ 106 bilhões em bônus de assinatura, de acordo com o governo. Como a Petrobras ficará com R$ 33,7 bilhões, sobrarão R$ 72,3 bilhões. Deste total, 30% ou R$ 21,7 bilhões vão para Estados e municípios.

Rio Apodi-Mossoró

Está na hora do Governo do Estado incentivar a formação de um consórcio intermunicipal com aval do Estado para a revitalização do nosso principal rio, o Apodi-Mossoró.

A fonte dos recursos poderia ser o Fonplata (Fundo Financeiro para o Desenvolvimento da Bacia do Prata) que pretende aumentar substancialmente o volume das aprovações de empréstimo para o Brasil.

No Brasil, a maior parte das aprovações e desembolsos aconteceu para projetos em municípios do interior de São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, envolvendo multiprojetos urbanos, o que inclui saneamento, pavimentação de vias, transporte coletivo, construção de ciclovias e revitalização de parques. Além dos seis projetos aprovados em carteira, outros oito estão em preparação. Em 46 anos de existência, apenas 14 projetos, já concluídos, contaram com recursos do Fonplata, quase todos no Sul do país.

A fim de aumentar sua presença no país, o Fonplata passou a permitir empréstimos para projetos fora da Bacia do Rio da Prata ou em localidades fronteiriças, os únicos autorizados a receber recursos desde a fundação do Fonplata em 1974. Inicialmente, a expansão visa as regiões Norte e Nordeste do Brasil e o sul da Argentina.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Ruraldo Semiárido ((UFERSA)

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