domingo - 13/04/2025 - 04:02h

O quinteto fantástico

Por Marcos Ferreira

Marcos Ferreira, Genildo Costa, Caio César Muniz, Cid Augusto e Rogério Dias (Fotomontagem e edição de imagem do BCS)

Marcos, Genildo, Caio, Cid e Rogério (Fotomontagem e edição de imagem do BCS)

Agora estou aqui a cismar com os meus botões sobre os antigos e os novos rumos de minha vida até o presente instante. Penso com carinho, e também de forma saudosa, nos vínculos de amizade estabelecidos ao longo de minha trajetória. Avalio essas questões e constato o quanto me distanciei fisicamente (ou nos distanciamos) de algumas pessoas queridas. Sim, apenas do ponto de vista físico, sem aquele calor fraterno e cotidiano de outrora.

Hoje estamos, como se diz, distanciados. Aqui e acolá nos avistamos nas esquinas das redes sociais, nos recantos da blogosfera.

Por uma razão ou por outra, manipulados pelos destinos que a vida nos reserva ou impõe, fomos na direção de outros horizontes e prioridades. Apesar desse afastamento físico, o nosso elo permanece, sobreviveu à diáspora que envolve a busca pelo pão. O papo tête-à-tête tornou-se raro, contudo volta e meia a gente se abraça através dos filamentos “internéticos”, recursos como (por exemplo) WhatsApp e Instagram.

Uma vez ou outra me aparece aqui um Túlio Ratto e mexemos no baú do passado, bebemos café, catamos retalhos de memórias ainda do tempo da Revista Papangu em papel, recordações com cheiro de naftalina, “pensamentos idos e vividos”, como clássico soneto “A Carolina”, de Machado de Assis, o Bruxo do Cosme Velho.

É isto. Já não existe aquela nossa interação amiúde, tão intensa e salutar. Dessa época de ouro, mágica e extremamente profícua em nosso universo de verdes sonhos e primordiais atividades literárias, quero me dirigir com um abraço bem caloroso a quatro indivíduos dos quais nunca me esquecerei. Refiro-me aos senhores Rogério Dias, Genildo Costa, Cid Augusto e um tal de Francisco Caio César Urbano Muniz.

Formávamos, naquela metade dos anos noventa para os anos dois mil em diante, o que ora denomino de Quinteto Fantástico. Apenas para afrontar a Marvel.

Caio César Muniz foi o cara que me tirou da minha toca no Santa Delmira, num tempo em que eu tinha muito pouco acesso àquela Mossoró das letras, da cultura, da prosa, da poesia. Fomos apresentados pelo então poeta underground Cid Augusto e daí por diante Muniz (assim como Cid) me mostrou o caminho das pedras. Na sequência, por sermos articulistas do Caderno 2 do Jornal O Mossoroense, topamos com o trovador Genildo Costa.

Pouco após, por intermédio de Genildo, Cid e Caio, fui apresentado ao publicitário, poeta e artista plástico Rogério Dias. Eu e Muniz visitávamos o QG, a “oficina irritada” e multicor de Rogério quase que diariamente. Rogério é o sujeito do pavio mais curto, o tipo mais sensível e fascinante que já conheci.

Desempregado à época, pois ainda não havia conseguido o trabalho de revisor e copidesque no jornal, eu não tinha um tostão furado. Caio César Muniz pagava até mesmo as minhas passagens de ônibus para irmos ao Centro. Noutras ocasiões ele também não tinha grana, vinha a pé lá do Conjunto Integração e de minha casa a gente se mandava a pé para O Mossoroense ou para o ateliê de Rogério.

No mais das vezes eu primeiro manuscrevia meus textos e depois passava a limpo em uma bela Olivetti Línea 88 que ganhei de Rogério. A seguir entregava os poemas ou crônicas ao jornal. Daí a pouco, então, formamos isso que hoje denomino de Quinteto Fantástico. Cid era o crânio, o Homem Elástico. Rogério era o Coisa, o Homem de Pedra, porém com um coração de manteiga.

Muniz era o Tocha Humana, o elemento que incendiava nossos ânimos, tocava fogo no circo, inflamava plateias nos bares, escolas públicas, particulares e universidades, sempre audaz, intrépido. Eu, naturalmente, era o Homem Invisível, mais tímido do que uma jovenzinha recém-chegada a um lupanar. Isso no tempo em que ainda existiam essas casas de tolerância.

Foi nesse período que nos deparamos com figuras emblemáticas da poesia, da cultura mossoroense e potiguar, personagens de grande relevo como Luiz Campos, Apolônio Cardoso, Onésimo Maia, Lenilda Santos, Nonato Santos, Tony Silva, Augusto Pinto, Crispiniano Neto, Luiz Antônio, Raimundo Soares de Brito, Vingt-un Rosado, Aluísio Barros, Leontino Filho, Zenóbio Oliveira, Laércio Eugênio e o vate Zé Lima. Uma elite intelectual que nós olhávamos com reverência.

Genildo Costa era (ainda é) um músico e tanto. Naqueles primórdios, sem dúvida, ele representava o grande menestrel do grupo, autêntico cantador, dono de uma voz poderosa e ótima presença de palco. Artista nato, oriundo de uma família de excelentes escultores do verso, musicou alguns poemas de minha autoria, em especial o soneto “Caminhos Opostos”, os poemas “Minha Casa” e “Cores e Caminhos”. Este último Genildo usou para intitular o CD que ele conseguiu lançar na marra.

Além de mim, o mossoroense de Grossos musicou poesias de Luiz Campos, Rogério Dias, de Caio César, Cid Augusto, Maurílio Santos, Antônio Francisco e Crispiniano Neto. Em suma, é justo dizer que o Costinha gravou uma verdadeira antologia poética.

Reacendemos a chama da Poesia nesta vila, levamos a arte do verso para os coretos e vários outros pontos culturais da urbe. Naquela vitrine do Caderno 2, encontravam-se poetas e prosadores como Kalliane Amorim, Gustavo Luz, Líria Nogueira, Francisco Nolasco, Jomar Rego, Margareth Freire, Ricarte Balbino, Fátima Feitosa, Airton Cilon, Goreth Serra, Gualter Alencar, Silvana Alves, Clauder Arcanjo, Antônio Cassiano, Graciele Callado, Tales Augusto, Kézia Silmara, Misherlany Gouthier, Symara Tâmara e o nosso hoje estelar cordelista Antônio Francisco.

Eram poetas e prosadores às pampas. Tantos e tantas que esta minha memória de Sonrisal em copo d’água não consegue abarcar. Temos hoje antigos e novos talentos que coexistem de maneira harmoniosa. Indivíduos de uma quadra remota ao lado de uma turma jovem e não menos talentosa. Então, apesar da eterna falta de incentivo por parte dos governos municipal e estadual, a literatura ainda resiste. “Se foi assim, assim será”. Como na famosa canção do Milton Nascimento.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica / Cultura
segunda-feira - 01/01/2024 - 21:22h
Praça

Igreja quer colocar vigário Antônio Joaquim no seu devido lugar

Catedral, com Praça Vigário Antônio Joaquim em frente; ao lado, a Praça DIx-sept Rosado onde é construído o Memorial das Vìtimas da Covid-19 (Imagem do Google Eart)

Catedral, com Praça Vigário Antônio Joaquim em frente; ao lado (círculo verde), a modesta praça Dix-sept Rosado onde é construído o Memorial das Vítimas da Covid-19 (Imagem do Google Earth)

A Diocese de Mossoró vai propor à Prefeitura Municipal de Mossoró, o deslocamento do busto do vigário Antônio Joaquim do local onde é construído o Memorial das Vítimas da Covid-19 (veja AQUI), para a praça que leva o seu nome, em frente à Catedral de Santa Luzia. O assunto será levado ao prefeito Allyson Bezerra (UB) ainda essa semana.

O vigário-geral da catedral, padre Flávio Augusto Forte Melo, falou sobre a proposta durante missa dia passado (31 de dezembro), às 19h. Em meio à liturgia, ele perguntou aos presentes que lotavam a matriz, se concordavam com a mudança. Ouviu o “sim” de forma maciça.

Na Praça Vigário Antônio Joaquim está uma estátua do governador Jerônimo Dix-sept Rosado Maia  (25/03/1911-12/07/1951). Segundo o padre Flávio Augusto, a colocação do busto não implicaria na retirada da homenagem a Dix-sept Rosado. Ou seja, o pensamento é que os dois ilustres nomes da história local coabitem o mesmo logradouro.

O bizarro nesse enredo de muitas décadas, é que onde está o busto do vigário Antônio Joaquim é a “Praça Dix-Sept Rosado,” ao lado da catedral.” A ‘troca’ aconteceu no início dos anos 50 do século passado. Valeu o peso político do emergente clã Rosado na hora de botar a estátua do governador na praça mais importante da cidade.

História

Busto do vigário foi inaugurado pouco mais de dois meses após homenagem a Dix-sept Rosado (Foto: Reprodução)

Busto do vigário foi inaugurado pouco mais de dois meses após homenagem a Dix-sept Rosado (Foto: Reprodução)

Nascido na vila de Aracati-CE (hoje município) em 5 de novembro de 1820, Antônio Joaquim Rodrigues faleceu em Mossoró dia 9 de setembro de 1894. Foi religioso e político que empreendeu luta para elevar o povoado de Santa Luzia ao status de vila e, depois, cidade. Teve carreira política como deputado provincial (equivalente hoje a deputado estadual) em sete mandatos e exerceu papel religioso por mais de 50 anos na terra que o adotou.

Desde o dia 2 de dezembro de 1953 o seu busto foi fixado na Praça Dix-sept Rosado, ao lado da catedral, obra produzida pelo escultor Osísio Pinto, sob encomenda do industrial mossoroense José Rodrigues de Lima.

Pouco mais de dois meses antes da inauguração do busto do vigário Antônio Joaquim, na Praça Dix-sept Rosado, no dia 30 de setembro de 1953 a estátua de Dix-sept Rosado foi inaugurada no local. A obra foi executada por Ottone Zorlini, (Treviso, Itália, 1897-São Paulo-SP, 1967), reconhecido escultor ítalo-brasileiro. Ela tem 3 metros e 80 centímetros de altura e pesa 1.300 Kg. É ladeada por dois grupos de homens, mulheres e crianças, em tamanho natural, além de outros detalhes que lembram integrantes do seu governo, mortos no mesmo ano.

As esculturas foram esculpidas em bronze e o seu pedestal, em granito róseo, originário do município de Angicos-RN.

Ex-prefeito de Mossoró, Dix-sept Rosado morreu em acidente aéreo em Sergipe, no dia 12 de julho de 1951. Estava no cargo de governador do RN há pouco mais de cinco meses (posse dia 31 de janeiro de 1951).

Monumento a Dix-sept Rosado está na Praça Vigário Antonio Joaquim (Foto: Arquivo)

Monumento a Dix-sept Rosado está na Praça Vigário Antonio Joaquim (Foto: Arquivo)

*Fontes de informações e pesquisas históricas: Câmara Cascudo, Raimundo Soares de Brito, Geraldo Maia, Raimundo Nonato da Silva e VIngt-un Rosado.

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Categoria(s): Gerais
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domingo - 06/08/2023 - 11:30h

Cangaço no RN – A fantasiosa “estória do gato vermelho”

Por Marcos PintoCangaço - ilustação do Brasil paralelo

A envolvente história do cangaço lampionesco encontra-se repleta de fatos referenciais que não resistem ao mínimo cotejo com a realidade existente à época do protagonismo. A análise sucinta capta o cenário redimido, mesmo permanecendo no imaginário popular as falácias, o engodo, a débil transfiguração das elites egoístas e predatórias.

Antes de consolidar-se como historiador, o admirável caraubense Raimundo Soares de Brito cerrara fileira política seguindo fervorosamente as hostes partidárias comandadas pelos truculentos irmãos Benedito e Quinca Saldanha, proprietários da Fazenda “Setúbal” no município de Caraúbas. Antes, residiram no município de Brejo do Cruz, onde Quinca era dono da Fazenda “Amazonas”.

Benedito era dono da Fazenda “Várzea Grande”, encravada no município de Limoeiro do Norte-CE, isto já no ano de 1923. Observe-se que o ainda pouco conhecido cangaceiro Massilon Leite/Massilon Benevides cometeu crime de homicídio na feira de Belém do Brejo do Cruz -PB, no ano de 1923, matando um fiscal de feira. Daí, passou a protegido dos irmãos Quinca e Benedito. Acabou sendo acolhido na casa da Fazenda de Benedito, no Vale do Jaguaribe.

Em 1926, Massilon ataca a cidade de Brejo do Cruz na Paraíba, onde mata Manuel Paulino de Morais, Dr. Augusto Resende (juiz municipal) e fere Dr.Minervino de Almeida, o “Joca Dutra (juiz municipal) e Severino Elias (telegrafista). O Quinca Saldanha aparece como um dos autores intelectuais.

No início de Maio de 1927, Lampião encontrava-se “acoitado “ na , Fazenda “Bálsamo”, pertencente ao Décio Holanda, genro de Tilon, quando deu-se o encontro com o cangaceiro Massilon, protegido dos Saldanhas, Quinca e Benedito, ocasião em que Décio entregou duas mil balas de fuzil para serem usadas no ataque a Mossoró.

Ainda na fazenda de Décio Holanda, este informou ao Lampião que o Massilon era cabra de confiança e protegido dos Saldanhas. Acrescentou que o Massilon vivia homiziado vezes em Caraúbas com o seu padrinho Quinca, e ainda no Ceará, na fazenda de Benedito Saldanha.

Reportando a estória

Valendo-se da sua consagrada fama de historiador, Raimundo Soares de Brito (Raibrito) forjou a esdrúxula “estória do gato vermelho”, disseminando-a no imaginário popular como um fato histórico verossímil concreto. Observe-se que durante o mês de maio de 1927 o convívio diário de Lampião com o Massilon o fez usufruir da estreita amizade dos Saldanhas com o Décio Holanda e o Massilon, descartando-se desde logo qualquer investida a Caraúbas, onde predominava a liderança política dos irmãos Saldanhas.

Certa vez, indaguei ao historiador Raibrito, se ele sabia informar o nome do informante que, supostamente presenciara e ouvira o Lampião afirmar, quando se encontrava no sítio “Santana Várzea do Apodi”, que “não atacaria Caraúbas porque lá tinha o gato vermelho”. O historiador esboçou um sorriso e disse desconhecer qualquer informação sobre essa versão.

Confrontando com a realidade histórica, esta estória morre à míngua de veracidade. Não passa de “resto”, sobrevivência anacrônica e ridícula no imaginário popular, “silêncio” cuidadosamente mantido ou simples ruído ocultado no silêncio.

Em verdade, individualmente os irmãos Quinca e Benedito nunca foram valentes. Quando Benedito exercia o cargo de prefeito nomeado do Apodi, no ano de 1933, teve uma conversa áspera com o famoso temido apodiense Joaquim Ferreira Lima (Quinca Amarelo). Esse puxou de sua faca e chamou Benedito para o embate físico, que preferiu se esquivar, resmungando estridentemente.

Todas as análises acuradas conduzem à certeza irredutível de que os Saldanhas só tinham coragem quando se faziam acompanhar da sua jagunçada, espécie de milícia particular. Ressalte-se que esses jagunços eram acoitados em Caraúbas (na Fazenda Setúbal) e na zona rural de Limoeiro do Norte-CE (Fazenda Várzea Grande).

À luz dos jornais das décadas de 20 e 30 (1920-1939) constata-se a existência de três grupos de jagunços/cangaceiros. Era a milícia particular dos Saldanhas, a de Décio Holanda (genro de Tilon Gurgel) acoitada no “Brejo do Apodi” até maio de 1925 quando foi expulsa por um contingente policial do Estado comandado pelo Tenente Napoleão Agra. O episódio é conhecido como “O fogo de Pedra de Abelhas”, objeto de publicação de plaquete pela coleção mossoroense, de nossa autoria.

O terceiro grupo de jagunços pertencia ao virulento Balthazar Meireles, acoitado em sua fazenda situada no município de Luis Gomes. Existiam dois subgrupos esporádicos, pertencentes a Juvêncio Barreto, que os acoitava em sua Fazenda “Unha de gato” à época município de Apodi, e depois ao município de Itaú-RN.

Vez por outra este subgrupo  atrelava-se aos grupos dos Saldanhas e do Décio Holanda. O outro subgrupo pertencia ao sr. Joaquim Cirilo de Andrade, com várias incursões criminosas nos sertões do Vale Jaguaribano, conforme consta nos jornais do RN e do Ceará.

Há uma curiosidade reinante nesses grupos armados, concernente ao fato de que alguns donos dessas milícias aproveitavam o gasto no acoitamento desses elementos criminosos utilizando-os na lida do campo, quer seja na agricultura ou na pecuária extensiva. Os mais afoitos e ousados eram eliminados sumariamente como queima de arquivo e sepultados nas caatingas de suas fazendas.

Inté.

Marcos Pinto é advogado e escritor

*Ilustração da postagem do Brasil Paralelo

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Categoria(s): Artigo
domingo - 10/04/2022 - 06:52h

Mais um 10 de Abril na cacunda

Por Marcos Ferreira

Pensei em gazear este domingo, em não dar as caras. Seria, além de satisfatório para alguns leitores, ainda que não para todos, algo bastante plausível da minha parte. Afinal de contas, embora isto não interesse a ninguém, muito menos à distinta e respeitável categoria dos colunistas sociais, hoje é o dia dos meus anos. Exatamente. É mais um 10 de abril na minha cacunda, uma data por inteiro obscura e desimportante no calendário sociocultural deste município e estado elefantino.velas, aniversário, soprando velas,

Não maldigo o esquecimento dos colunistas. Não sou mesmo colunável. Aqui, por exemplo, ao contrário do tratamento dispensado a outros poetas e prosadores, realizam uma feira de livros há uns vinte anos e nunquinha me convidaram. Decerto porque não me consideram escritor, ou não conseguem me perdoar por eu ter sido premiado num bom número de concursos literários de âmbito nacional.

Entendo que isto soa imodesto, presunçoso e tudo o mais. No entanto, doa a quem doer, ache ruim quem quiser, não estou contando nenhuma lorota, nem expondo méritos e conquistas que não obtive. Por muito menos gregos e troianos, borra-papéis e literômanos são paparicados e ovacionados na terra de Santa Luzia. Há quase duas décadas, pois, salvo exceções, certo comerciante de livros e egos posa de abnegado e amante da arte literária. Competência, seja dito, ele tem de sobra.

O rapaz é articulado, arregimentou as igrejinhas e panelinhas e há muito goza da boa reputação que construiu junto a patrocinadores, governos municipal e estadual. É trabalhador, sabe captar os recursos entre o cipoal burocrático. Tem lucro no negócio, nada mais justo, porém afeta total desprendimento, abnegação, amor aos livros, anseio puro e simples de instigar leitores e autores locais.

Bem, agora é tarde para o referido convite, senhor dono da feira. Prossiga com o seu boicote ao meu nome, continue ignorando a minha existência e desempenho enquanto literato neste município. Hoje, para o seu incômodo, eu lhe dou de presente esta pequenina bronca com um enorme atraso. A mim cogitei presentear com outro soneto. Todavia, pensando melhor, não vou “colecionar mais um soneto”. Não me animo a metrificar nem rimar, não obstante a simetria destes parágrafos.

Acho que esta crônica, com alguns traços de acerto de contas, e ferina que nem faca de dois gumes, já equivale a um presente para mim nesta data que um dia haverá de ser lembrada e referida. Isso, contudo, só bem depois que eu vestir o meu ordinário traje de pínus e ir estudar a geologia do São Sebastião. Pois não espero, sobretudo das mãos desses feirantes de livros, receber flores em vida.

“Entre o mofo, a poeira, o cansaço e a alegria”, como escrevi num alexandrino em homenagem a Raimundo Soares de Brito e a Vingt-un Rosado, quando ainda eram vivos, beberico uma caneca do meu café escoteiro. Não abro mão da rubiácea. Esta é uma manhã de pardais, rolinhas, bem-te-vis e céu azul. Há pouco também tomei meus remedinhos controlados, embora recentemente um atencioso leitor me tenha sugerido diminuir a posologia. Meu psiquiatra, por enquanto, discorda.

Estou mais velho, sim, e menos tolerante com determinadas sabotagens. Ao contrário de antigamente, tempo que parece que foi ontem, não tenho mais saco nem estômago para seguir engolindo sapos. Isto não quer dizer, porém, que me tornei um bárbaro, um tipo incivil, misantropo. Não. Nem oito nem oitenta. Reconheço, entretanto, que faço uso da minha sociabilidade com maior parcimônia.

Sei que alguns amigos (a esta hora não são muitos) vão me telefonar após lerem esta crônica ranheta a fim de me oferecer os parabéns por meu natalício. Destaco que pouca gente sabe deste evento galáctico. Minha data de nascença, eu que vim à luz no extinto Hospital da Caridade, não consta nas redes sociais. Serão (os parabéns) todos bem-vindos, agradecerei a cada um honesta e alegremente. Convidá-los-ei para “um café qualquer dia” e nenhum se sentirá menos querido.

No mais, tirando a hipertensão, a bipolaridade, os estados maníaco-depressivos, o arsenal de antipsicóticos e meus atuais oitenta quilos (antes eram setenta), estou ótimo, esbanjando saúde e simpatia. Não sei por que não me deram, nessas votações que ocorreram recentemente, o prêmio de “homem mais simpático do ano”. É assim que me sinto sempre que se aproxima a data do meu aniversário.

De repente, como num transe divino, meu espírito converge para o bom humor e a concórdia. Sou tomado por súbita e excepcional empatia para com os meus semelhantes, em particular os intelectuais desta província, os homens de imprensa, de letras e da cultura. Essa fauna de alinhados e nobres senhoras e senhores me suscita uma enorme admiração. Hoje, se eu pudesse, a cada um deles presentearia com um panegírico entusiástico, quiçá um impecável soneto em decassílabos heroicos.

Vida longa aos nossos intelectuais e leitores!

Sinto que devo, melhor avaliando, conceber uma obra de grande estatura em homenagem à minha querida terra e conterrâneos, adotivos e os forasteiros. Mossoró e seus habitantes mais do que merecem um presente dessa magnitude. Afinal de contas, estufando o peito de orgulho, admito que isto aqui é um país. Trata-se, no mínimo, da Capital Brasileira da Cultura. Não é pouca bosta, não.

Assim, querido povo de Mossoró, já sei (através da literatura, em especial por meio de um romance parrudo, corpulento) como imortalizar esta cidade, e projetar o nome de Mossoró para o Brasil, quem sabe além fronteiras brasilianas. Um povo nobre feito este, com políticos honestíssimos e que, historicamente, sempre valorizaram e lutaram de maneira incansável por nossa cultura, é digno de todas as honras e aplausos. Tais políticos, a propósito, ganharão capítulos exclusivos.

Agora me deem licença. Hoje não quero fazer mais nada. Sequer escrever. Vou apenas brincar um pouco na rede com Pitucha, minha gatinha, que na última quarta-feira completou três meses de vida. À noite, ao voltar da casa de Natália, acessarei a Netflix (coisa que o amigo Elias Epaminondas compartilhou comigo). Então verei um filmezinho bacana. Será outro momento relax do meu dia.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 30/01/2022 - 06:52h

Cemitério de livrarias

Por Marcos Ferreira

Desde quando ingressei nesse universo dos homens de letras, mais especificamente no âmbito de Mossoró, já me dei conta de que o ramo de livros era (e sempre será) bem menos um comércio do que uma ideologia. Sim. As pessoas que empreenderam, ou ainda empreendem, na seara da literatura não podem ser vistas tão só como empresários, mas, sobretudo, como idealistas. Quem semeia livros, como alertava o bardo condoreiro Castro Alves, é deveras bendito.fechado, portas cerradas, fim de negócio, quebrado, falência

Aqui tivemos, entre outros bibliófilos, um Raimundo Soares de Brito e um Vingt-un Rosado, dois titãs de nosso meio literário que dedicaram as suas vidas à fomentação e promoção dos livros nesta sociedade mais propensa e receptiva a uma cultura lampiônica (com muita chuva de bala e cheiro de pólvora) do que à valorização dos seus escritores e da sua produção livresca.

Sob o aspecto urbanístico e demográfico, Mossoró cresce de maneira notável. O censo de 2021 aponta que já ultrapassamos os trezentos mil habitantes. Todavia, enquanto avançamos do ponto de vista econômico, urbanístico e populacional, encolhemos no tocante ao interesse dos mossoroenses por livros. Basta, parodiando o também poeta Vinicius de Moraes, darmos uma olhada na explosão de bares pela cidade, todos cheios, salvo exceções, de pessoas vazias.

Tirando-se as exceções, como eu destaquei, trata-se de uma gente endinheirada, elite posuda e altiva que não frequenta uma livraria — que dirá um sebo! — nem pega num livro porque teme, ao que parece, que os dedos lhe caiam pelo tronco. Muitos aqui nasceram, cresceram e enricaram sem nunca terem lido um gibi ou revista Caras. Por incrível que pareça, isso não é impossível.

Ter bastante dinheiro, luxo, riqueza material e status, outra vez recordando que há honrosas exceções, são prioridades da manada inculta e bela, como diria o parnasiano Olavo Bilac. Livro por aqui, como em vários lugares, é uma excrescência, uma futilidade, perda de tempo. O mossoroense prafrentex, habitué de todas as baladas e inferninhos das sextas e sábados à noite, não troca uma dúzia de Heineken pelo solitário exercício de queimar pestanas com livros.

Hoje em dia, infelizmente, a exemplo do que ocorre com as árvores e com o nosso agonizante rio, Mossoró perdeu ainda mais a sua pouca tradição no estímulo às letras locais. Somos, entre outras coisas a serem lamentadas, um cemitério de livrarias. Todas as principais livrarias que abriram aqui tiveram curta existência. A melhor delas foi a Café & Cultura, da senhora Ticiana Rosado.

De portas abertas, podemos citar a Livraria Independência, no Centro, e a L Cultural, no Partage Shopping. Entretanto esses dois estabelecimentos, por razões opcionais ou físicas, não disponibilizam mesas, cadeiras nem café para sua clientela. Isto, na minha concepção romântica de casa de livros, representa um ponto negativo, pois dessa forma tais endereços perdem duas coisas que considero relevantes numa livraria: a interatividade e a ambiência entre o seu público.

Na Café & Cultura, a propósito, além do ótimo acervo literário, usufruíamos dessa interação e de bate-papos regados a cafezinhos de primeira qualidade. Ali eu despertei e retribuí amizades que conservo até hoje, como o advogado André Luís e o magistrado Jessé de Andrade Alexandria, este que assina o prefácio do meu primeiro livro de crônicas, a ser lançado até meados deste ano.

O livro é imprescindível para a formação de uma sociedade mais justa, igualitária e humanitária. E se não existem casas comerciais para a venda desses produtos, enfim, a naturalmente arisca população só tende a se distanciar do interesse pela leitura. Pois, como sabemos, quem ou aquilo que não é visto não é lembrado. Aposta-se uma dinheirama nesta cidade em toda sorte de negócios, contudo os investimentos no comércio de livros não podem ser vistos a olho nu.

Todo dia abre-se um novo bar em Mossoró, uma casa de pasto, um magazine no Centro quanto no Partage, despontam arranha-céus nas áreas nobres, pipocam farmácias, drogarias em toda parte, surge outro não sei o quê mall, uma igreja aqui, um bordel acolá, no entanto o pessoal cheio da grana não arrisca um centavo sequer na abertura de uma nova e autêntica livraria neste município.

Triste Mossoró que um dia se candidatou, para vexame daqueles com um mínimo de pudor, ao título de “Capital Brasileira da Cultura”. Tal arroto publicitário encontrou muitos entusiastas sem um pingo de semancol. A imprensa, instigada monetariamente pelo Palácio da Resistência, boatava isso num dia sim, no outro também. O último balde d’água fria nesse delírio coletivo, pelo que recordo, foi em 2007, quando escolheram a cidade mineira de São João del-Rei.

Nessa vasta e imprevisível lavoura da literatura, portanto, sou um mero campônio do verso e da prosa com a esperança de que nossa paróquia de Santa Luzia ainda cumpra o seu ideal. Para mim, por exemplo, é motivo de grande inspiração termos em Mossoró, contando atualmente com noventa e sete anos de idade, um escritor da importância e tenacidade de um Obery Rodrigues.

No dia 13 de janeiro de 2017, por uma dessas trapaças do meu antigo correio eletrônico, tive um e-mail de Obery Rodrigues extraviado. Somente esta semana, enfim, minha Natália conseguiu resgatá-lo.A hora azul do silêncio de Marcos Ferreira

Naquela oportunidade, para minha honra e alegria, o senhor Obery me cumprimentava pelo lançamento da segunda edição do meu livro de poemas A Hora Azul do Silêncio, que lhe fora dado de presente por sua prima Conceição, viúva de Souzinha, do Parque Elétrico.

Julgo oportuno transcrever o e-mail:

“Sr. Marcos Ferreira,

Recebi de presente de minha prima conceição, viúva de Souzinha e, atualmente, uma das principais sócias do Parque Elétrico, o livro ‘A Hora Azul do Silêncio’, de sua autoria. Não o conheço pessoalmente, mas soube que é mossoroense, meu conterrâneo. Quero felicitá-lo pelo livro, o melhor que eu já li da poesia de Mossoró.

Seu livro está excelente, seus sonetos — gênero da minha preferência — são primorosos. Quando eu era adolescente tinha três desejos: ser poeta, aprender a dançar e a tocar violão. Nem sou poeta, nem sei dançar e nem toco violão. Mas consegui outras coisas e, embora já aposentado com 92 anos, me considero um homem realizado familiar e profissionalmente.

Parabéns pelo seu excelente livro — Obery Rodrigues”.

Enquanto houver pessoas como Obery Rodrigues, a esta hora em plena atividade literária, creio que nem tudo está perdido.

“O pulso ainda pulsa”, como na letra daquela famosa canção dos Titãs. E assim, quem sabe diante desta crônica esperançosa de hoje, na minha maneira romântica de enxergar a questão, algum indivíduo bom de bolso resolva abrir mais uma livraria neste município.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 02/09/2021 - 23:59h
Câmara Municipal

Memorial resgata mais de 160 anos de história

Presidente é ladeado pelos autores Edilson Segundo e Eriberto Monteiro (Foto: Edilberto Barros)

Presidente é ladeado pelos autores Edilson Segundo e Eriberto Monteiro (Foto: Edilberto Barros)

O livro Memorial da Câmara Municipal de Mossoró foi lançado na noite desta quinta-feira (2), no plenário da Casa. Editado pela Coleção Mossoroense, a obra resgata a história do Poder Legislativo, em mais de 160 anos, entre 1853 e 2020. É resultado de parceria entre a Fundação Vereador Aldenor Nogueira e a Fundação Vingt-un Rosado.

Parte da pesquisa é de autoria do historiador Raimundo Soares de Brito, falecido há nove anos e autor da obra Legislativo e Executivo de Mossoró, uma Viagem mais do que Centenária. “Raibrito” assina a autoria do Memorial da Câmara Municipal de Mossoró, com os servidores públicos municipais Edilson Segundo e Eriberto Monteiro.

O lançamento reuniu vereadores, ex-parlamentares, servidores e ex-servidores da Câmara; representantes de academias de letras, universidades e outros segmentos sociais.

Resgate da história

Segundo o presidente da Câmara, Lawrence Amorim (SD), a obra reforça a historiografia de Mossoró. “Trata-se de valiosa fonte de pesquisa e de conhecimento sobre a gloriosa história do Legislativo como Poder representativo do povo mossoroense”, destaca.

Um dos destaques do Memorial é o resgate de personagens da história de Mossoró. É o caso de prefeitos e vereadores de diversas legislaturas. “Alguns desses personagens dão nome a importantes ruas da cidade e têm sua importância relevada no livro”, frisa Eriberto Monteiro.

Com mais de 450 páginas, o livro não será vendido, mas doado para escolas, bibliotecas públicas, Museu Lauro da Escóssia, universidades, entidades de classe e outros setores representativos da sociedade. É prefaciado pela ex-presidente da Câmara Izabel Montenegro (MDB) e idealizado na gestão dela.

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Categoria(s): Política
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domingo - 16/08/2020 - 08:42h

Ave, Raimundos!

Por Marcos Araújo

“Mundo, mundo, vasto mundo,

se eu me chamasse Raimundo (…)”.

Carlos Drummond de Andrade

Mês que passou, foi estabelecida uma polêmica nos meios culturais e políticos do Estado após ser divulgada a apresentação de um projeto de lei da iniciativa do Deputado Nelter Queiroz, objetivando trocar o nome da Universidade do Estado do RN (UERN) para “Universidade Estadual Raimundo Soares de Souza”. O propósito era marcar o centenário do nascimento do ex-prefeito de Mossoró Raimundo Soares de Souza, um dos criadores da universidade.

Contudo, devido a uma manifesta resistência no ambiente acadêmico, o deputado proponente retirou o projeto, sem que tal fato represente qualquer demérito ao ilustre alcaide.

É fato que o Rio Grande do Norte teve – e tem! – muitos RAIMUNDOS que marcaram o seu microuniverso cultural, artístico, político e social.Aqui em Mossoró, rapidamente podemos recordar de três RAIMUNDOS do passado que muito contribuíram para sua edificação social, a saber:

1) RAIMUNDO Soares de Souza, Prefeito de 1963 a 1968, foi quem furou os primeiros poços profundos garantindo o abastecimento de água da cidade; depois, trouxe a energia elétrica; estruturou a rede municipal de ensino e criou a primeira Faculdade (que viria a se transformar na UERN);

2) RAIMUNDO Soares de Brito (Raibrito), pesquisador, historiador, arquivista, biógrafo, escreveu mais de quarenta títulos sobre fatos históricos e pessoas do Estado, principalmente de Mossoró e região Oeste, detendo em seu acervo mais de 15.000 biografias; e,

3) RAIMUNDO Nonato da Silva, escritor, historiador, folclorista, memorialista, pesquisador, professor, magistrado, jornalista, técnico em assuntos educacionais, autor de várias obras, um etnógrafo, embora martinense de nascimento, viveu boa parte de sua vida em Mossoró, até se mudar para o Rio de Janeiro, onde faleceu aos 86 anos de idade.

No presente, temos o professor RAIMUNDO Antonio de Souza Lopes, um genial escritor, poeta, biógrafo, editor, um ativista cultural que vem revolucionando o nosso Estado no mundo das letras, publicando suas obras e auxiliando novos escritores na compilação de dados, organização, revisão e publicação dos seus trabalhos.

Um RAIMUNDO também grafou o seu nome com letra de ouro na área do Direito no Rio Grande do Norte. Falo do jurista RAIMUNDO Nonato Fernandes, um dos maiores administrativistas que o país já teve. Foi ele Procurador do Estado e Consultor-Geral do Estado em seis governos diferentes (Dinarte Mariz, Aluizio Alves, Monsenhor Walfredo Gurgel, Tarcísio Maia, José Agripino em dois períodos), demonstrando ser detentor de uma confiança apartidária muito rara.

Tímido e humilde por excelência, lia, escrevia e falava francês fluentemente, sem nunca se vangloriar da sua poliglotia. Como administrativista de escol, conhecia nos originais a doutrina francesa de Maurice Hauriou, Léon Duguit, André de Labaudere, Louis Josserand  e Georges Vedel, porém, nos seus  pareceres se referia com maior frequência aos autores brasileiros, dentre eles Caio Tácito, Hely Lopes Meirelles e Seabra Fagundes, este último também um ilustre norte-riograndense, autor da teoria do controle dos atos administrativos.

O Prof. RAIMUNDO Nonato Fernandes tinha uma “memória de elefante”. Numa época em que não existia internet, ele lia diariamente o Diário Oficial da União e o Diário da Justiça, anotava em fichas todas as mudanças legislativas e os julgados dos Tribunais Superiores, chegando a possuir cerca de cem mil decisões catalogadas. Sempre era consultado pelos outros Procuradores do Estado, e sucessivamente incomodado pelos Consultores-Gerais que lhe sucederam com pedidos para tirar alguma dúvida.

Outro RAIMUNDO muito impactou minha noção de mundo: o meu avô RAIMUNDO Nonato do Rêgo. Um homem simples, semianalfabeto, um sertanejo honrado, um sábio que proferia diariamente orientações sentenciais que eram verdadeiras tiradas filosóficas sobre a existência humana. Seu pensamento sobre o que é o justo e o certo era muito mais sólido e concreto do que a Teoria da Justiça do filósofo norte-americano John Rawls (1971).

Duro feito uma rocha, ninguém podia chegar para ele falando de uma angústia existencial, de uma tristeza, essa que “nos assalta quando tentamos contemplar o abismo eterno do Nada”, como descrito por Arthur Schopenhauer, para que ele não respondesse com um lacônico:

– “Procure o que fazer. Isso é desocupação. Vá quebrar pedra que você se cura!”.

Destemido, quando se falava de morte, dizia com ceticismo:

– “Ela lhe encontrará, mais cedo ou mais tarde, e dela você nunca fugirá!”

Esse seu estoicismo pragmático parecia ser uma réplica do pensamento filosófico do romano Lucrécio (Da Natureza das Coisas). Desprovido de apego material, era um epicurista, por assim dizer, feliz com o pouco que tinha. Falando sobre a natureza humana, parecia ter lido Hobbes, destacando que “a pessoa quando não presta, começa de pequeno, pois espinho logo depois de nascido já começa a furar”.

Dele aprendi sobre o quanto é efêmera a fama e a glória. Pedia sempre que eu lembrasse que tudo passa, e que um dia todas as pelejas e torneios sociais cairão na mais vil das inutilidades. Também com ele aprendi a lição de que o mais importante nessa vida são as pessoas e o sentimento de afeto que nos une, e pedia para nunca perder de vista o olhar humano para o inenarrável milagre da compreensão e do amor ao próximo.

A importância desses RAIMUNDOS – e de outros não citados aqui por falta de espaço – na história da nossa cidade e do nosso Estado é indescritível. O nome diz muito. Raimundo tem origem a partir do germânico Ragnemundus, formado pela união dos elementos ragin, que significa “conselho”, e mundo que quer dizer “proteção”, e significa “sábio protetor”, “aquele que protege com seus conselhos”.

Sou muito grato a esses RAIMUNDOS.

Ave, Raimundos!

Marcos Araújo é professor e advogado

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Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 23/04/2020 - 07:54h
Cultura

Exposição Virtual lembra os 100 anos de “Raibrito”

Há 100 anos nascia o primogênito de uma família potiguar: Raimundo Soares de Brito. Na cidade de Caraúbas, cresceu, conheceu o Oeste Potiguar, trabalhou nas capitais alencarina e do RN.

O Doutor Honoris Causa da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) inscreveu-se como historiador, escritor e colecionador de História.

Na oportunidade do centenário de seu nascimento, organizamos a Exposição Virtual “Raibrito, um observador do cotidiano”, para celebrar o homem, o pesquisador e sua contribuição à cultura norte-rio-grandense.

A exposição, pensada inicialmente nos seus moldes tradicionais, em razão do isolamento social em vigor, adquiriu o formato virtual.

As páginas que antes foram pensadas como painéis, agora podem ser visualizadas pelo celular ou computador, sendo essa ferramenta que permite uma visão mais abrangente das páginas.

Nesta quinta-feira (23 de abril), data do nascimento de Raibrito, a Exposição passa a ser disponibilizada pelo endereço www.raibrito.com.br.

Visite e conheça um pouco da história deste caraubense, cujo legado engrandece a cultura potiguar.

Nota do Blog – Tudo que for feito para manter viva a memória e o trabalho hercúleo que foi realizado por Raimundo, merece aplausos. Conheci-o, visitei sua hemeroteca que era instalada em sua própria casa. Quanto zelo por nossa história.

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sexta-feira - 02/12/2016 - 15:15h
Mossoró

Milton Marques lança livro e assume cadeira na Amol

É hoje (sexta-feira, 2), às 19h30, o lançamento de livro e posse do professor e ex-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN), Milton Marques, como novo acadêmico da Academia Mossoroense de Letras (AMOL).

Milton: na Amol (Foto: Web)

Será na TV Cabo Mossoró (TCM).

A sessão de autógrafos será do livro “Déja-Vu a Trilogia, Volume I.

Mas antes, Milton Marques ocupará a cadeira que tem como patrono o jornalista José OCtávio Pereira Lima e que anteriormente tinha sido ocupada pelo acadêmico, escritor-pesquisador Raimundo Soares de Brito.

A saudação de recepção, em nome da Amol, será feita pelo acadêmico David de Medeiros Leite.

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Categoria(s): Cultura
quinta-feira - 24/11/2016 - 19:04h
Cultura

Milton Marques ingressará na Amol e lançará livro dia 2

O professor e ex-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN), Milton Marques, vai tomar posse como novo acadêmico da Academia Mossoroense de Letras (AMOL), no próximo dia 2 de dezembro, às 19h30.

O evento vai acontecer na TV Cabo Mossoró (TCM).

Ele ocupará a cadeira que tem como patrono o jornalista José OCtávio Pereira Lima e que anteriormente tinha sido ocupada pelo acadêmido-escritor-pesquisador Raimundo Soares de Brito.

A saudação de recepção, em nome da Amol, será feita pelo acadêmico David de Medeiros Leite.

Após a solenidade, acontecerá a sessão de autógrafos do livro “Déja-Vu a Trilogia, Volume I, de autoria de Milton Marques.

A Amol é presidida pelo acadêmico Elder Heronildes da Silva.

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domingo - 24/05/2015 - 10:21h

Ruas e patronos de Mossoró

Por Marcos Oliveira

 

“Nesta Rua Lopes Chaves / envelheço, e envergonhado / nem sei quem foi Lopes Chaves.”

Mário de Andrade

Ruas e Patronos de Mossoró – Dicionário, de Raimundo Soares de Brito, é obra de referência na historiografia da memorialística mossoroense. Cada verbete é uma explicação simples à pergunta sobre quem foi o homem ou mulher que denomina a rua, a praça, a instituição.

Imagine um visitante, morador novo ou até mesmo um mossoroense menino passando pelas ruas Trinta de Setembro, ou Seis de Janeiro, ou, ainda, pelos bairros Doze Anos e Abolição, e perguntasse: qual o significado dessas datas e nomes?

Agora, ele passa pela Avenida Dix-Sept Rosado, ou Dix-Neuf Rosado, ou Duodécimo Rosado, ou ainda a Jerônimo Rosado. Puxa! Quanto Rosado! O que essa família significa para esta cidade?

O livro traz a informação biográfica resumida dos patronos das ruas e praças da cidade, mas também contém informações de antigos topônimos, fatos históricos, figuras populares, curiosidades, denominações de vilas, edifícios, instituições, e até auditórios.

São 300 páginas contendo 3.177 verbetes, e 08 páginas com fotografias antigas da cidade. Importante livro para estudantes, jornalistas e cidadãos, de modo em geral, que buscam conhecer e divulgar Mossoró.

Trabalho feito com a meticulosidade, tão característica de Raibrito.

Lançado inicialmente em 2003, esta segunda edição, atualizada e revista em vários aspectos, continua uma pesquisa de mais de cinquenta anos.

Raimundo, o Raibrito, nasceu em Caraúbas-RN a 23.04.1920, filho de José Soares de Brito e Raimunda Saul da Costa. Comerciante em Caraúbas, Fortaleza, Natal e Mossoró. Trabalhou como Agente de Estatística em Caraúbas, onde também ocupou o cargo de Juiz Distrital. Foi Agente Postal Telegráfico em Jucurutu e Caraúbas e Gerente Postal e Telegráfico em Mossoró e Assu. Servidor público da Prefeitura de Mossoró.

Casado com Dinorá de Oliveira Brito, dedicada companheira, são os pais de Maria do Socorro Brito de Figueiredo. Pesquisador, autor de mais de 50 títulos, dentre os quais: Caraúbas Centenária (1959); Alferes Teófilo Olegário de Brito Guerra, um memorialista esquecido (1980); Indústria e Comércio do Oeste Potiguar (1982); Legislativo e Executivo de Mossoró (1985); Nas garras de Lampião (1996); Ruas e Patronos de Mossoró (Dicionário – 2003); AMOL – seus Patronos e Acadêmicos (2008).

Raibrito integrou várias instituições culturais, dentre elas: Instituto Histórico e Geográfico do RN (Sócio Honorário); Instituto Cultural do Oeste Potiguar; Academia Mossoroense de Letras, Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, e Academia Uruguaiana de Letras (Membro Honorário). Recebeu alguns títulos honoríficos dentre eles:  Doutor Honoris Causa, pela Uern em 1995; Cidadão Mossoroense, Cidadão Natalense, em 2004.

Marcos Oliveira é escritor, professor e sobrinho do autor já falecido

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terça-feira - 27/11/2012 - 23:11h
Raimundo Soares de Brito

O brilho da cultura potiguar em toda intensidade

Por José Romero Araújo Cardoso

Raimundo: uma vida dedicada à cultura (Ricardo Lopes)

Raimundo Soares de Brito sintetiza e personifica um dos mais luminosos pontos da cultura norte-riograndenese, pois com esforço e obstinação vem contribuindo formidavelmente para o enriquecimento das letras e da preservação da memória em território potiguar.

Nascido na bela terra das caraubeiras, fundada pelo General-Mór Souza Falcão, pernambucano que colonizouo chão, no dia 23 de abril de 1920, nosso mestre completou recentemente 90 anos de fértil existência.

A hemeroteca que estruturou é um dos mais importantes repositórios de informações sobre o Estado do Rio Grande do Norte, pois ávido colecionador de velhos jornais, velhos alfarrábios e tudo que tem letras e números, Raibrito impressiona pelo amor ao saber e pelo desprendimento, pelo desinteresse em servir a quantos que o procura para pesquisas, consultas ou informações referentes a tudo que envolve o Rio Grande do Norte, mas sobretudo Mossoró e região oeste.

Escritor de raros dotes, Raimundo Soares de Brito escreveu importantes trabalhos enfocando da indústria e do comércio na região a tratado memorialístico fantástico que preserva figuras populares fascinantes com as quais conviveu.

O livro por título “Eu, ego e os outros”, publicado pela Editora Queima-Bucha, consiste no reconhecimento do grande intelectual potiguar à importância da maioria dos personagens simples e humildes da nossa terra. Se não fosse Raimundo Soares de Brito, pessoas como Mané Cachimbinho, Pata Choca, etc., tinham caído no esquecimento completo.

A geografia e a história mossoroenses foram enriquecidas com a publicação dos volumes do Dicionário de ruas e patronos, frutos da obstinação e da perspicácia de Raimundo Soares de Brito.

Talvez um dos mais marcantes trabalhos de Raimundo Soares de Brito seja “Nas garras de Lampião”, publicado pela Coleção Mossoroense da Fundação Vingt-un Rosado. Esmiuçando o diário do “Coronel” Antônio Gurgel, prisioneiro do bando de Lampião em 1927, Raibrito legou-nos interessantes notas históricas sobre espaço e tempo das agruras vividas pelo bravo sertanejo que viveu indesejado drama antes e após o frustrado ataque bandoleiro a Mossoró.

Amigo pessoal de Raimundo Soares de Brito, sempre contestei a “mania exagerada de perfeição” que acompanha imemorialmente o grande mestre.

Exemplo disso encontra-se na relutância em publicar fabuloso trabalho memorialístico sobre o “Coronel” Quinca Saldanha, chefe político de Caraúbas (RN), que em um passado remoto, inexplicavelmente, atendeu aos apelos da Aliança Liberal e cerrou fileiras com o governo de João Pessoa no Estado da Paraíba, enviando, inclusive, jagunços para lutar ao lado das tropas legalistas em Tavares (PB), quando da guerra civil de Princesa em 1930.

Raimundo Soares de Brito é referência quando o assunto envolve o âmbito cultural no Estado do Rio Grande do Norte, pois com dedicação ímpar tornou-se uma das maiores autoridades das letras na região, razão pela qual a universidade do Estado do Rio Grande do Norte não titubeou em conceder-lhe título de Doutor Honoris Causa.

José Romero Araújo Cardoso é Geógrafo, professor-adjunto da Uern e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente.

* Veja também AQUI uma reportagem especial sobre Raibrito, de autoria da jornalista Lúcia Rocha, mostrando sua vida e gigantesco trabalho de preservação cultural.

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terça-feira - 27/11/2012 - 15:38h
Morte

Nós perdemos o grande “Raibrito”

Foi-se o historiador e pesquisador Raimundo Soares de Brito, o caraubense-mossoroense “Raibrito”.

Morreu agora à tarde.

Que descanse em paz.

Veja no link abaixo, o que escreveu o pesquisador e escritor David De Medeiros Leite sobre o trabalho de Raibrito, ignorado por nosso poder público. O texto foi publicado em meu Blog em março deste ano.

Clique AQUI.

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Categoria(s): Cultura
quinta-feira - 22/11/2012 - 23:01h
Preocupação

É delicado o estado de saúde de “Raibrito”

Notícia angustiante que me chega, através da jornalista Lúcia Rocha:

– Caros colegas, acabo de receber notícias sobre o historiador e escritor Raimundo Soares de Brito, o querido “Raibrito”, que está internado há um tempinho em Natal, onde passou a residir nos ultimos anos.

E acrescenta: “Segundo sua filha Socorro me passou, ele está está em fase terminal e pode ir a qualquer momento, embora por incrível que possa parecer as funções vitais respondem muito bem, mas o quadro não é bom, segundo a médica dele – com quem Socorro esteve conversando.

Nota do Blog – Notícia preocupante, Lúcia.

Preocupante, também, o destino do acervo fantástico levantado por esse pesquisador, historiador e escritor.

Nossas orações em favor do Raibrito.

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domingo - 30/09/2012 - 08:40h

Raibrito e o “vírus da pesquisa”

Por David de Medeiros Leite

(Comentários e indagações em uma crônica indignada)

Não sei precisar se faz dois ou três anos que Raimundo Soares de Brito está em Natal. Não sei quanto tempo faz que ele, por problemas de saúde, deixou sua casa em Mossoró e passou a morar em nossa capital, mais precisamente no bairro Neópolis. Deixou sua casa e seu arquivo.

Atentemos: trata-se da hemeroteca de Raibrito.

A discussão sobre o estado e o destino do acervo paira no ar. Vez por outra, emerge em meio à fumaça do saboroso café servido por Rafael Arcanjo, lá na rua Coronel Vicente Sabóia, ou numa discussão vespertina do ‘Sêbado’. Mas, infelizmente, são apenas conversas e comentários esporádicos, que, mesmo carregados de afeto, não possuem o condão de resolver o problema.

O cenário é, mais ou menos, assim: amigos indignados; Poder Público, silente; e as traças avançando…

E o mais complicado de aceitar, é o fato de sabermos que tudo foi fruto de um trabalho diuturno. As anotações, os recortes de jornais, as pacientes conversas e as perquirições mil, tudo ao longo de dias, meses, anos, décadas a fio, foram emoldurando um quadro surrealista que terminou por materializar-se no que conhecemos hoje como Acervo Raibrito.

Sem entrar especificamente no mérito do que proporcionou a situação na qual se encontra hoje o referido acervo, é evidente que existe uma pergunta que não quer calar: Que destino terá?

A parte que foi digitalizada, resultante do projeto Petrobrás/ICOP, está mais fácil de ser resgatada e novamente disponibilizada ao acesso virtual. No entanto, sabemos que a maior e mais significativa parte do acervo, lá na rua Henry Koster, espera uma solução, antes que tudo seja pó.

No entanto, mesmo diante de tal gravidade, não desejo falar em alternativas. Não elencarei possíveis soluções ou encaminhamentos. Não. A chamada vontade política não existe e não será um texto de minha autoria que mudará o azimute, consciente sou.

E, antes de tudo, chego mesmo a indagar-me: Escrever para quê? Ou, para quem? Não sei. Como catarse? Talvez. Nesta noite natalense, onde quase posso sentir o bolor dos papéis, não me vem à mente outra inspiração.

Este texto poderia ser considerado uma espécie de “crônica indignada”? Quanto ao “gênero” que, por ventura, possam atribuir a estas mal traçadas, não terei preocupação.

O que sei, e disso tenho certeza, é que todo norte-rio-grandense que se proponha a entrar na seara da pesquisa historiográfica deveria, antes de qualquer coisa, conhecer a trajetória de Raimundo Soares de Brito. Uma biografia recheada de abnegação, dedicação e, acima de tudo, de superação.

Imaginem vocês como um homem que inicialmente dedicava-se ao comércio e, numa segunda etapa, ao serviço público, despertou o interesse e motivou-se, sobremaneira, a pesquisar a historiografia potiguar. E o fazendo como autodidata, além de enfrentar outras tantas dificuldades materiais, percorria caminhos os mais difíceis possíveis.

Por tudo isso é que, nesse momento, prefiro mudar o rumo da prosa e comentar um pouco sobre o “vírus da pesquisa” de que fala o próprio Raibrito.

Numa determinada tarde, em meio a uma daquelas intermináveis conversas sobre fatos e personagens mossoroenses, indaguei-lhe sobre o seu despertar e consequente interesse pela pesquisa histórica. Raibrito, com a fleuma que lhe é peculiar, estirou o braço esquerdo e, levando o indicador da mão direita ao antebraço oposto, como que sugerisse a aplicação de uma injeção, respondeu-me didaticamente:

– Tudo acontece quando somos contaminados por um bichinho que costumo chamar de vírus da pesquisa. A partir daí, ninguém consegue parar.

Por mais simples que a metáfora usada possa parecer, naquele momento passei a compreender melhor a dedicação, o esmero, o denodo e a quase obsessão que o pesquisador sempre demonstrou em relação à sua saga de “Guardião da História do Oeste Potiguar”.

Ficou-me mais evidente o entendimento sobre seu total despojamento de vaidades e interesses próprios. A sua vida humilde, a casa simples, a modesta aparição em eventos e, até mesmo, pasmem, a enorme cautela em publicar. Tudo tinha sentido e explicação na “contaminação pelo vírus da pesquisa”.

A conclusão é mais que óbvia: Raibrito traduz, na essência, o que é ser um pesquisador.

Por tudo isso, se seu acervo não permanecer (como, infelizmente, parece factível), permanecerá seu próprio exemplo pessoal. Tão forte exemplo traspassará gerações e, em algum lugar do futuro, será observado por alguém.

Quantos raibritos existem em nossa realidade? Quantos pesquisadores labutam na difícil tarefa de preservação da memória de sua gente? Quantos são contaminados pelo “vírus da pesquisa” e vivem dilemas análogos? São indagações sem resposta, bem sei.

Somente a coragem, o desapego a bens materiais e uma forte dosagem de altruísmo podem explicar um pouco da motivação que possui a legião dos infectados pelo “vírus da pesquisa”.

Salve Raibrito!

David de Medeiros Leite é professor da Uern e sócio efetivo do Instituto Cultural do Oeste Potiguar (ICOP)

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Categoria(s): Artigo / Cultura
sábado - 17/03/2012 - 10:13h
Raimundo Soares de Brito

Saúde que preocupa em Natal

O historiador Raimundo Soares de Brito, ‘Raibrito’, encontra-se internado no Hospital da Unimed, em Natal.

Esse homem tem uma obra científico-cultural devotada sobretudo à região de Mossoró, que não tem como ser avaliada.

Saúde, meu caro.

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Categoria(s): Cultura
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