sexta-feira - 25/01/2013 - 07:25h
Seca

Sem a imagem de retirantes e famintos

Menos mal: temos uma seca dolorosa, mas sem levas de retirantes e saques a cidades, comércios ou caminhões com mantimentos ou invasões de prédios públicos. Efeito bolsa-família e outras ações governamentais.

Não sei se exagero, mas de algum modo evoluímos em relação ao passado. Em outros tempos, o quadro seria de miséria, com multidões de famintos se aglomerando nas cidades e vagando por estradas e veredas à cata de migalhas à sobrevivência.

A própria história da formação social de Mossoró deriva de uma seca assombrosa, ocorrida no triênio de 1877 a 1879, em plena monarquia, reinado de Dom Pedro II. Período de sua célebre frase de que venderia até a última jóia da coroa, mas aplacaria o sofrimento do povo faminto e sedento.

Àquele período, Mossoró chegou a inchar com mais de 25 mil habitantes, massa de famintos vinda de todos os recantos do sertão, para uma espécie de panaceia.

A população nativa de cerca de 6,5 mil moradores foi ‘engordada’ e definitivamente nos transformamos num aglomerado humano miscigenado e referência no semiárido até o momento.

Também surgiram os espertalhões, que fizeram caixa próprio com a miséria alheia.

Enfim, Mossoró virou a terra que acolhe.

Mãe gentil.

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Categoria(s): Gerais
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