domingo - 19/05/2024 - 08:50h

“Meu vô”, meu herói…

Por Marcos Araújo

Pietro, o menino gaúcho que sobreviveu à enxurrada (Foto: Reprodução UOL)

Pietro, o menino gaúcho que sobreviveu à enxurrada (Foto: Reprodução UOL)

Nesta crise climática e humanitária que vitimou o Rio Grande do Sul, nada me foi mais comovente do que o depoimento de uma criança chamada PIETRO, talvez da idade dos meus filhos (uns 09 a 10 anos). Narrando sua desventura sem qualquer engasgo de choro, contou ele que estava com os seus avós quando a casa desmoronou, tendo sobrevivido porque passou três dias agarrado a uma árvore, salvo da submersão na correnteza pelo avô.

No seu depoimento em vídeo, o vocativo “MEU VÔ” aparece algumas vezes, sempre num ato de heroísmo: saltando de casa para uma árvore; em momentos, da árvore para outra; noutro sustentando a avó, para ela não submergir; em outro, abraçando o neto e resgatando-o por duas vezes, para que o turbilhão da água não o levasse…

Em que pese o esforço hercúleo do “Meu Vô”, diz Pietro que a avó não sobreviveu. Sua história afivelou o meu coração de neto de profunda nostalgia. Todos os meus sentimentos de solidariedade e ternura recaíram sobre estes dois personagens da tragédia: Pietro, pela tristeza da infância roubada, obrigando-lhe a fazer um relato amadurecido da morte; seu Avô, que fez o possível e o impossível para salvar a família.

Fico às vezes absorto pensando sobre a importância dos avós no aperfeiçoamento da sociedade e na educação interna das famílias. Inspiro-me nos meus avós maternos, Raimundo e Idalina.  Nos jardins da minha memória, onde o tempo dança ao ritmo suave das lembranças, reservo um legado de bravura e sacrifício próprio do heroísmo para eles. Foram eles titãs que moldaram o nosso mundo existencial com suas mãos calejadas e corações generosos. Foram eles como faróis na tempestade, guiando-nos através das tormentas da vida com sua sabedoria e experiência.

O heroísmo dos nossos avôs transcende as páginas da vida e se enraíza profundamente em nossos corações.  São feitos anônimos, cujas façanhas passam despercebidas aos olhos até mesmo dos filhos. Meus pais, avôs de 40 netos, ensinaram a eles (aos netos) muito mais do que nós mesmos (os pais).

Queria ter sido uns 5% (cinco por cento) do que os meus pais conseguiram ser em todas as latitudes existenciais: no campo do trabalho, do exemplo, do amor pelos filhos, da profissão, da dedicação aos amigos… Meu pai, um simples campesino, foi mais sábio e professor em vida do que eu, que ostento diplomas inócuos de uma escolaridade obrigatória. Minha mãe, uma costureira, teceu em torno de si uma rede autêntica de valores e moral que jamais alcançaria.

Voltando aos netos, hoje eles não respeitam, nem idolatram, seus avós como eles merecem. A juventude do presente se ressente das orientações e experiencias dos avós, por considerá-los ultrapassados, mas adoram as “filosofias” dos rappers, as frases de efeito dos neurolinguistas, as rimas sem estética dos funkeiros, os bordões idiotas do piseiro. Em favor dos “ídolos” e “heróis” da atualidade, nossos jovens são capazes de enfrentar filas quilométricas e dias de sol e chuva para ter o prazer de visualizá-los por uma hora apenas, com direito até a adoecer ou morrer como aconteceu no Brasil com os fãs de Taylor Swift e Madonna, mas são incapazes de se submeterem a uma espera de uma hora para um cadastro de emprego.

São incapazes de “perder” 30 minutos na semana para um almoço na casa dos avós, ou de irem à farmácia comprar o medicamento deles. Levá-los a um passeio é algo impensável. Mas, é justamente essa juventude da idolatria barata, do heroísmo de fancaria, que por falta de referenciais de dificuldade a qualquer tropeço se quedam em angústias e se dopam em medicamentos. Somos a sociedade do Zolpiden.

Os netos de antanho registram, quase sempre, o papel relevante do avô. Jean Paul Sartre, filósofo e escritor francês, em seu livro autobiográfico “As palavras”, conta que seu avô, plantou no seu coração a semente da vocação de escritor e da descoberta do sentido moral e social do ofício que o transformou em um dos maiores escritores de seu tempo: “Estes aí, menino, foi teu avô que os fez. Que orgulho! Eu era neto de um artesão especializado na confecção de objetos sagrados, tão respeitável quanto um fabricante de órgãos, quanto um alfaiate eclesiástico” (1964, p. 32).

Outro francês famoso, Vitor Hugo, eternizou nos versos A quoi je Songe, o valor da voternidade. Em relatos autobiográficos o colombiano Garcia Marques relembra a amizade singular vivida com o avô em cuja casa viveu sua infância. A literatura nacional tem no relato de Monteiro Lobato, num gesto de profundo respeito e legitimidade da criança, as estórias de uma avó heroína como Dona Benta.

Precisamos ressuscitar o antropocentrismo. Nós somos o que somos graças aos nossos ancestrais. Descendemos de pessoas fortes, que nos deram testemunhos da força do espírito humano. Ao avô de PIETRO, e a ele próprio, as minhas reverências. São eles os heróis desta tragédia. Foram eles que me fizeram lembrar que mesmo nas circunstâncias mais adversas, é possível encontrar esperança e coragem. E repuseram nos jardins da minha lembrança a memória dos meus avós heróis.

Viva ao “VÔ” de Petro. Viva aos avós!

Marcos Araújo é advogado, escritor e professor da Uern

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Categoria(s): Crônica
sábado - 18/05/2024 - 12:42h
RN/RS

Gaúchos agradecem doações enviadas de Mossoró

Vítimas de enchentes de grandes proporções, gaúchos recebem socorro em mantimentos, água, roupas e outros produtos enviados de Mossoró.

Vídeo mostra gratidão e emociona.

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Categoria(s): Gerais
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sábado - 11/05/2024 - 05:48h
Compaixão

Pro Rio Grande

Em Canoas, multidão espera resgate, deixando tudo para trás (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

Em Canoas, multidão espera resgate, deixando tudo para trás (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

À memória não vem-me qualquer momento de catástrofe no país, em que um estado quase que totalmente tenha sido arrasado.

O RS me entristece.

Cenas, histórias, gente, bichos.

Poderia ser comigo, com nós.

É com eles, toca-me.

Tenho compaixão, sinto a dor alheia.

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 09/05/2024 - 08:30h
Mossoró

ONG’s e Azul Linhas Aéreas se juntam em socorro a animais no RS

Socorro a animais no RS - Mossoró e Azul Linhas AéreasNo Rio Grande do Sul, a tragédia das enchentes não alcança apenas seres humanos e afeta bens materiais privados e estruturas públicas. Também alcança os animais.

A empresa Azul Linhas Aéreas e Organizações Não Governamentais (ONGs) firmaram uma importante parceria para arrecadar donativos em favor dos animais vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

Três pontos foram instalados em Mossoró com objetivo de arrecadar ração para cães e gatos: Clinica Filantrópica Ampara, situada à rua Josefina Pinto, 48, bairro Santo Antônio; Pet’s: Av. Jerônimo Dix-Neuf Rosado (Leste-Oeste), Paredões; Aeroporto Governador Dix-sept Rosado, rua Felipe Camarão, Aeroporto.

O funcionamento é de 8h às 17h.

As ONGs participantes são Instituto Renata Praxedes, Abrigo Mossoró e Ampara.

Ao todo, estima-se que mais de 10 mil animais vítimas das enchentes já foram resgatados no RS.

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Categoria(s): Gerais
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segunda-feira - 06/05/2024 - 09:04h
RS

Lula e outros líderes de poderes prometem socorro ao RS

Do Canal Meio e várias outras fontes

Lula chegou ao lado de lideres de outros poderes e ministros (Foto: Correio Braziliense)

Lula chegou ao lado de lideres de outros poderes e ministros (Foto: Correio Braziliense)

As enchentes no Rio Grande do Sul provocaram ao menos 78 mortes, de acordo com a Defesa Civil gaúcha. Outros quatro óbitos estão em investigação e há pelo menos 105 desaparecidos. É a maior catástrofe ambiental da história do estado, superando os 55 óbitos em setembro de 2023.

Cerca de 780 mil pessoas foram atingidas pelos temporais. Pelo menos 341 dos 497 municípios gaúchos foram afetados e 336 estão em estado de calamidade. Serviços de água, gás, energia e telefonia estão colapsados. Seis barragens estão em risco iminente de ruptura.

O presidente Lula voltou ao Rio Grande do Sul na manhã de domingo (5) e sobrevoou as cidades de Porto Alegre e Canoas, onde foi recebido pelo governador Eduardo Leite (PSDB). Na comitiva de Lula, também estavam o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (PSD-MG), o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, e ministros de Estado, além da primeira-dama, Janja.

“Não haverá impedimento da burocracia para que a gente recupere a grandeza deste estado”, disse Lula, que garantiu recursos para reconstrução de rodovias e já havia pedido que o Congresso discuta alguma medida “totalmente extraordinária” para a liberação de verbas. Fachin também sugeriu um regime jurídico “especial” e “transitório” para assegurar o dinheiro. Lira e Pacheco sinalizaram que pretendem acelerar essa tramitação. (g1)

Articulação política

Lula ainda clamou que as articulações políticas em torno do socorro sejam feitas deixando para trás o conflito recente entre o Planalto e o Congresso. “O nosso companheiro Alexandre Padilha, que você sabe, parece que briga com Lira, que parece que briga com Pacheco, mas é nosso coordenador político, que vai tentar juntar bancada e ver o que é possível fazer. Eu sei que os deputados têm um monte de emenda, se cada deputado liberar as emendas para o Rio Grande do Sul, serão alguns milhões que você terá imediatamente para poder começar a consertar.” (Globo)

Área da Rodoviária de Porto Alegre, proximidades do rio Guaíba (Foto: Reprodução)

Área da Rodoviária de Porto Alegre, proximidades do rio Guaíba (Foto: Reprodução)

A reação dos três Poderes veio depois da fala de Eduardo Leite em entrevista no 3º Regimento de Cavalaria, em Porto Alegre. O governador leu uma longa lista de cidades que foram praticamente devastadas com a ação das chuvas.

“A reconstrução vai exigir medidas econômicas e fiscais. O RS já tem dificuldades de operar dentro da normalidade. Pelas regras fiscais, se o governo nos der 10, 20, 100 milhões, a gente não vai poder gastar esse valor, por conta das limitações tributárias do estado”, pontuou. Na véspera, o governador havia dito que o estado precisaria de “um plano Marshall”, em referência ao projeto executado pelos EUA para reconstruir a Europa no pós-Segunda Guerra. (CNN Brasil)

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Categoria(s): Política
sábado - 29/10/2022 - 21:20h
Ipec

Veja última pesquisa em cada um dos 12 estados com 2º turno

O segundo turno ocorre em 12 estados nesse domingo (30), com disputas acirradas na maioria deles. Veja abaixo a situação da última pesquisa Ipec divulgada neste sábado (29), em cada um deles: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Arte produzida pelo Diário do Poder

Arte produzida pelo Diário do Poder

Alagoas

Paulo Dantas (União Brasil) – 52%

Rodrigo Cunha (MDB) – 48%

Amazonas

Wilson Lima (União Brasil) – 54%

Eduardo Braga (MDB) – 46%

Bahia

Jerônimo Rodrigues (PT) – 51%

ACM Neto (União Brasil) – 49%

Espírito Santo

Renato Casagrande (PSB) – 53%

Carlos Manato (PL) – 47%

Mato Grosso do Sul

Eduardo Riedel (PSDB) – 53%

Capitão Contar (PRTB) – 47%

Paraíba

João Azevedo (PSB) – 53%

Pedro Cunha Lima (PSDB) – 47%

Pernambuco

Raquel Lyra (PSDB) – 54%

Marília Arraes (Solidariedade) – 46%

Rio Grande do Sul

Eduardo Leite (PSDB) – 56%

Onyx Lorenzoni (PL) – 47%

Rondônia

Marcos Rogério (PL) – 52%

Marcos Rocha (União Brasil) – 48%

Santa Catarina

Jorginho Mello (PL) – 67%

Décio Lima (PT) – 33%

São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 52%

Fernando Haddad (PT) – 48%

Sergipe

Fábio Mitidieri (PSD) – 50%

Rogério Carvalho (PT) – 50%

Veja AQUI como foi que terminou o primeiro turno em cada um desses 12 dos estados.

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Categoria(s): Eleições 2022 / Política
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sábado - 22/10/2022 - 11:38h
Nomes e números

Veja como terminou 1º turno em 12 estados e como será eleição dia 30

Arte produzida pelo Diário do Poder

Arte produzida pelo Diário do Poder

Doze estados terão eleições dia 30, pleito do segundo turno.

São eles: Alagoas, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.

Os eleitores de 14 estados e do Distrito Federal resolveram a eleição para governador ainda no primeiro turno.

A gente mostra nesta postagem como terminou o primeiro turno, quem são os candidatos concorrentes e depois – ainda neste sábado (22) – apresentaremos como está a disputa agora a oito dias da contenda.

Alagoas

Paulo Dantas (União Brasil) – 708.984 votos (46,64%)

Rodrigo Cunha (MDB) – 407.220 votos (26,79%)

Amazonas

Wilson Lima (União Brasil) – 819.784 votos (42,82%)

Eduardo Braga (MDB) – 401.817 votos (20,99%)

Bahia

Jerônimo Rodrigues (PT) – 4.019.830 votos (49,45%)

ACM Neto (União Brasil) – 3.316.711 votos (40,80%)

Espírito Santo

Renato Casagrande (PSB) – 976.652 votos (46,94%)

Carlos Manato (PL) – 800.598 votos (38,48%)

Mato Grosso do Sul

Capitão Contar (PRTB) – 384.275 votos (26,71%)

Eduardo Riedel (PSDB) – 361.981 votos (25,16%)

Paraíba

João Azevedo (PSB) – 863.174 votos (36,95%)

Pedro Cunha Lima (PSDB) – 520.155 votos (23,90%)

Pernambuco

Marília Arraes (Solidariedade) – 1.175.651 votos (23,97%)

Raquel Lyra (PSDB) – 1.009.556 votos (20,58%)

Rio Grande do Sul

Onyx Lorenzoni (PL) – 2.382.026 votos (37,50%)

Eduardo Leite (PSDB) – 1.702.815 votos (26,81%)

Rondônia

Marcos Rocha (União Brasil) – 330.656 votos (38,88%)

Marcos Rogério (PL) – 315.035 votos (37,05%)

Santa Catarina

Jorginho Mello (PL) – 1.575.912 votos (36,81%)

Décio Lima (PT) – 710.859 votos (17,42%)

São Paulo

Tarcísio de Freitas (Republicanos) – 9.881.995 votos (42,32%)

Fernando Haddad (PT) – 8.337.139 votos (35,70%)

Sergipe

Rogério Carvalho (PT) – 338.796 votos (44,70%)

Fábio Mitidieri (PSD) – 294.936 votos (38,91%)

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Categoria(s): Eleições 2022 / Política
terça-feira - 18/06/2019 - 08:34h
Realismo

Governo aposta na coragem para enfrentar crise

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), está prestes a lançar um ambicioso plano de revisão do estatuto dos servidores, corte dos incentivos fiscais concedidos às empresas e reforma da Previdência estadual. Também chama os outros poderes e órgãos estaduais que recebem duodécimo a participarem do sacrifício. Mostra destemor.

Eduardo Leite: coragem (Foto Eduardo Beleske-Estadão)

Hoje, o Estado tem um déficit estrutural anual projetado de R$ 4,3 bilhões. Se entrar no Programa de Recuperação Fiscal da União, terá de zerar o déficit em seis anos. A perspectiva leva em conta um ajuste de cerca de R$ 30 bilhões até lá. Em troca, o Estado tem o pagamento da dívida suspensa e poderá contrair empréstimos, explica o governador à imprensa.

Ele optou pelo caminho mais difícil sem temer desgaste político. Prioridade é consertar os problemas que levaram à crise, sobretudo, o aumento do peso das despesas de pessoal e Previdência.

Gastos

“Precisamos conter o avanço nos nossos gastos”, diz.

Pela primeira vez desde 2007, orçamento estadual foi enviado à Assembleia Legislativa com a previsão de déficit. É o que chama de “realismo orçamentário”.

De quebra, a remoção da maquiagem nas contas acabou tirando os outros Poderes da zona de conforto. Judiciário e Legislativo estaduais ficaram, na prática, com as despesas praticamente congeladas, sem poder conceder reajustes no próximo ano, como os 16% dados em 2019.

“Quem está com problema não é Executivo, é o Estado”, aponta.

Nota do Blog – Para situação excepcional, medidas excepcionais. Sem remédio amargo e que ataque a raiz dos problemas, estado não sai do buraco. No RN, a continuar nesse diapasão que testemunhamos, vai chegar o dia de faltar dinheiro até mesmo para o arquipélago imune à crise (Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública). Anote.

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Categoria(s): Administração Pública / Política
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segunda-feira - 21/01/2019 - 07:04h
Rombo

RN está entre os seis estados do país à beira do colapso

Revisão de folhas, de plano de carreira e congelamento de salários poderão acontecer brevemente

Do Valor Econômico

Os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso iniciam 2019 com um rombo conjunto de R$ 74,1 bilhões. O valor soma os déficits projetados para 2019 às despesas herdadas de gestões anteriores. Dos seis Estados, todos, com exceção de Goiás, tiveram calamidade financeira decretada neste mandato ou no anterior.

Ana Carla Abrão, sócia da consultoria Oliver Wyman, diz que o problema dos Estados é sistêmico, não pontual. “Agora são seis Estados, que logo virarão oito, dez, quinze. Todos terão que passar por racionalização dos gastos de pessoal, com revisão de folhas, de plano carreira, interrupção nas progressões automáticas, eventualmente congelamento de salários. Essas ações podem ser coordenadas pelo governo federal, mas é fundamental que os Estados enfrentem o problema.”

O Rio de Janeiro é o único que está no regime de Recuperação Fiscal oferecido pela União aos governos em desequilíbrio.

No Rio Grande do Norte, a calamidade financeira foi decretada logo após a posse, no dia 2 de janeiro, lembra o secretário estadual de Tributação, Carlos Eduardo Xavier. “Foi um alerta à sociedade de que o Estado está falido”, diz ele. O rombo no Estado, explica Xavier, é de R$ 4,46 bilhões, valor que equivale a praticamente 40% da receita do Estado no ano passado.

Da insuficiência total, R$ 2,66 bilhões são passivos de gestões anteriores, principalmente débitos com fornecedores e pagamentos atrasados a servidores. O Estado ainda não conseguiu saldar parte do 13º relativo a 2017. O R$ 1,8 bilhão restante corresponde ao déficit orçamentário projetado para 2019.

Xavier explica que não há ainda previsão de prazo para o Estado voltar ao reequilíbrio financeiro.

Uma das prioridade é pagar em dia pelo menos os salários dos servidores devidos em 2019. Entre as medidas fiscais mais urgentes, diz o secretário, estão o corte de despesas e a reavaliação de contratos.

Saiba mais detalhes clicando AQUI.

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Categoria(s): Administração Pública / Política
quarta-feira - 02/01/2019 - 13:00h
RN

Governadora vai decretar estado de calamidade financeira

Do portal Agora RN e Blog Carlos Santos

O estado de calamidade financeira será decretado no Rio Grande do Norte. A informação foi anunciada pela governadora Fátima Bezerra (PT) durante reunião com secretários de estado, chefes dos Poderes e de sindicatos que representam servidores estaduais.“Este é o decreto que considero o mais importante”, disse citando que há outros cinco decretos a serem anunciados dentro do plano estadual de recuperação fiscal do RN.

Segundo a governadora, os decretos são “atitudes com vistas a organizar as contas do Rio Grande do Norte”. “Precisamos corrigir o grave desequilíbrio que o estado se encontra”, afirmou.

Ela criticou o “descontrole das contas publicas por gestões ineficientes”. “Julgamos necessário, imprescindível essa medida”, afirmou em referência aos decretos.

Primeiras Medidas

1) Decretação de estado de calamidade financeira no âmbito do Estado do Rio Grande do Norte: considerando a grave situação fiscal e financeira vivida pelo poder executivo estadual o referido decreto reconhece o estado de calamidade financeira e possibilita a adoção de uma série de mediadas para equacionar tal situação. Além disso, conforme estabelecido em legislação federal, dilata os prazos e o cumprimentos de algumas exigências constantes na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF);

2) Estabelece providências para a revisão das despesas de custeio no âmbito do Poder Executivo: o decreto estabelece, entre outras coisas, a reavaliação de todos os processos licitatórios, a revisão dos contratos, a redução das despesas com locação de imóveis, a revisão dos restos a pagar não processados. Além disso, veda o aumento de despesas com novos contratos ou novos aditivos que aumentem os gastos com locação de imóveis, veículos e terceirizados. Também proíbe a contratação de uma série de outras despesas;

3) Institui o Comitê de Gestão e Eficiência no âmbito do Poder Executivo: o Comitê tem por finalidade monitorar a execução das medidas de contenção de despesas no âmbito do executivo. Será formado pelo Gabinete Civil, SEPLAN, SEARH, SET, CONTROL e PGE;

4) Determina o retorno de servidores públicos cedidos, civis e militares, aos respectivos órgãos de origem. Servidores cedidos do executivo para outro poder somente com ônus para quem recebe o referido servidor;

5) Institui o horário excepcional no expediente do serviço público nos órgãos e entidades no âmbito do poder executivo: para servidores com jornada de 40 horas o expediente será das 8:00h às 14:00h. Para aqueles com jornadas de 30 horas será das 8:00h às 12:30h. O decreto terá validade de 180 dias, prorrogáveis. O decerto prevê algumas excepcionalidades (escolas, hospitais, presídios…). Não haverá redução da remuneração dos servidores e obrigará a uma revisão de todos os contratos de prestação de serviços para atendimento do novo horário;

6) Institui o Comitê Estadual de Negociação Coletiva com os Servidores Públicos Estaduais: o objetivo do Comitê é promover a democratização das relações de trabalho, a valorização dos servidores por meio da negociação e a elaboração de um sistema legal de negociação permanente.

Nota do Blog Carlos Santos – Estados de maior representatividade na federação e economicamente mais fortes como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul já tomaram essa atitude. O RJ, por exemplo, prorrogou essa excepcionalidade até dezembro de 2019, em decisão publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) no dia 28 de dezembro último.

A Assembleia Legislativa do RN será chamada a se pronunciar. Passa por esse poder seu endosso ou não.

Depois faremos abordagem sobre características, desdobramentos e implicações dessa modalidade de decreto.

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quinta-feira - 15/11/2018 - 21:10h
Pacto federativo

“Não há saída local para a crise”, afirma Fernando Mineiro

Mineiro: "Não há mágica!" (Foto: AL)

Na opinião do deputado federal eleito Fernando Mineiro (PT), “não há saída local para a crise fiscal/financeira do estado”.

E acrescenta: “Não tem mágica. Despesas precisam ser reduzidas, arrecadação precisa aumentar, mas sem um pacto federativo não haverá solução”.

Ele cita casos recentes de socorros financeiros específicos da União para estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul como provas de que são apenas paliativos.

“O Tesouro Nacional está aí mostrando levantamento com déficit na grande maioria dos estados (veja AQUI)”.

Leia também: Fundo financeiro pode viabilizar recebimento de dívida ativa.

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quarta-feira - 23/09/2015 - 08:22h
Aumento de impostos

Robinson deve copiar medidas do RS para não virar RS

Ninguém estranhe se o Governo Robinson Faria (PSD) começar a adotar uma série de aumento de impostos, taxas etc. da alçada do Estado.

Sua reunião com a bancada governista – dia passado – na Assembleia Legislativa (veja AQUI) foi o primeiro passo nessa direção.

O argumento é sinistro, mas real demais: o RN não pode se transformar no Rio Grande do Sul, que é hoje o estado federado mais quebrado do país, não obstante um dos mais ricos.

À noite de ontem, os deputados estaduais gaúchos aprovaram aumento nas alíquotas sobre energia elétrica, álcool, gasolina e telefonia fixa e móvel entre 25% e 30%.

No RN, a questão obrigatoriamente também vai passar pela Assembleia Legislativa.

Veja o que foi decidido no RS clicando AQUI.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
segunda-feira - 03/08/2015 - 10:40h
Reportagem especial

Endividamento quebra o RS; RN tem situação menos ruim

O jornal Zero Hora de Porto Alegre (RS) faz uma reportagem que converge para a plataforma virtual, em que mostra como o Rio Grande do Sul se tornou o estado mais endividado e praticamente ingovernável do país, não obstante ser um dos mais ricos.

O material merece ser visto com atenção. Remete-nos à situação do Estado do RN, que num comparativo com o RS, está num quadro menos aterrador.

Ele mostra tecnicamente como a situação dos estados federados é calamitosa, de forma quase uníssona, por uma combinação de fatores que se arrastam por cerca de 40 anos.

A origem do rombo remonta a pelo menos 40 anos. Não há um único culpado. É resultado de uma combinação crônica e perniciosa de gastos excessivos, descontrole e apostas erradas, cujos efeitos foram potencializados por crises econômicas nacionais e internacionais.

— Durante décadas, governo após governo, a estratégia foi gerar déficits (despesas maiores do que a receita). Era relativamente fácil fazer empréstimos e não havia maior preocupação em relação a isso, porque nas horas de extremo aperto era possível contar com o socorro da União. Isso só começou a mudar em 1994, com a estabilização econômica, e em 2000, com a Lei de Responsabilidade Fiscal (que impõe limite de gastos a Estados e municípios) — afirma o economista Liderau dos Santos Marques Junior, da Fundação de Economia e Estatística (FEE).

— Somos como aquele parente que todo mês, há anos, gasta mais do que recebe, faz novas dívidas e não consegue mais sair do buraco. Estamos pagando pela existência do Estado no passado — sintetiza o economista João Batista Soligo Soares, do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS).

Segundo Zero Hora, “em nenhum outro Estado o nível de endividamento é tão alto. Segundo dados da Secretaria da Fazenda, a conta ultrapassa R$ 47,1 bilhões. E nesse valor não estão incluídos os precatórios (R$ 4 bilhões) nem o déficit anual da previdência (R$ 6,7 bilhões). É como se cada gaúcho já nascesse devendo R$ 4,4 mil e operando no cheque especial.”

Veja reportagem completa AQUI. Ela ajuda a entender, também, um pouco de ocorre com o RN, que não está entre os piores, que se diga. A dívida é menor do que a receita.

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Categoria(s): Administração Pública / Economia
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