quinta-feira - 05/04/2012 - 18:54h
Via crucis sertaneja

Dona-de-casa morre após longas horas de sofrimento

Ministério Público e Polícia Civil passam a apurar possível 'omissão de socorro' no Tarcísio Maia

Uma simples dona-de-casa de Felipe Guerra, moradora do Sítio Pindoba, (a 80km de Mossoró), Rita Maria Batista, 56, morreu às 9h de hoje no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), depois de uma longa agonia entre sua cidade a essa unidade de saúde. Não suportou uma sequência de descasos e maus-tratos. De desrespeito à vida.

Existem suspeitas, fortes indícios – na verdade, de que ela morreu por omissão de socorro médico no HRTM.

O caso foi publicado por este Blog (veja AQUI ou em postagem mais abaixo), a partir de enfoque do jornalista Cézar Alves no portal Nominuto.com.

Rita chegou a passar por cirurgia, mas hoje – não resistiu. Em Mossoró, a ‘Metrópole do Futuro’, não existia sequer um leito de UTI para acomodá-la no pós-operatório.

O caso será investigado pela Polícia Civil, provocada pela promotora de Justiça Ana Ximenes.

A promotora esteve ontem no HRTM apurando os maus-tratos a Rita – ao lado de membros da Polícia Civil. Recolheu elementos que podem levar o Ministério Público a considerar que ela foi vítima de omissão de socorro. A dona-de-casa só foi levada para uma cirurgia após agonizar por cerca de 30 horas.

Rita deu entrada no HRTM às 13h de terça-feira (3). Um clínico geral a medicou e pediu o parecer de um cirurgião, o que só foi feito às 11h do dia seguinte. Quase 24 horas tinham se passado. A ordem era para cirurgia de forma imediata. Havia perigo de morte.

Mesmo com o Centro Cirúrgico do HRTM estando sem ocupação e com três cirurgiões disponíveis, no local, Rita não foi atendida.

Às 18h de ontem (quarta-feira, 4), o cirurgião Wagner Langue passou a fazer parte do plantão e levou-a imediatamente para o Centro Cirúrgico. Fez o procedimento sozinho, mesmo quando não se recomenda essa postura, porque o outro médico – Adail Vale – faltou.

A partir da conclusão da cirurgia, havia necessidade de uma UTI para a paciente. Não havia um leito disponível no local, no Hospital Wilson Rosado, na Casa de Saúde Dix-sept Rosado (CSDR) ou Hospital da Mulher. Hoje, às 9h, a humilde dona-de-casa de Felipe Guerra não resistiu à sua própria via crucis.

Em plena Semana Santa, dona Rita Maria Batista acabou crucificada pelo descaso, pelo desrespeito, pelo desdém com a vida humana.

Ah, ia esquecendo de informar a ‘grande’ enfermidade que a levou a óbito: ‘megacólon’ (privação). Isso mesmo. Uma obstrução intestinal.

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quinta-feira - 05/04/2012 - 10:59h
Vergonha

Promotora e polícia atuam para garantir cirurgia em hospital

Por Cézar Alves (Nominuto.com)

A história da dona de casa Rita Maria Batista, de 56 anos, residente no Sítio Pindoba, distante 10 km da área urbana de Felipe Guerra, que está internada em estado grave no Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, é um retrato do caos que vivenciamos na saúde.

Rita não teve acesso a qualquer atendimento de saúde preventiva, em Felipe Guerra. Segundo a filha dela, “quando sente alguma coisa ruim vai ao hospital da cidade, que geralmente não tem médico e as enfermeiras enviam para o HRTM, em Mossoró”.

Foi o caso. Rita, com ‘megacolo’ (privação), chegou ao HRTM terça-feira. Ficou agonizando num ambiente chamado ‘repouso feminino’ por quase 20 horas. “Minha mãe gritava de dor e olhavam pra gente e nem sinalizava. A gente pedia socorro e nada”, diz Talita Bezerra Batista.

O primeiro diagnóstico foi de um clínico geral. Já apontava um quadro muito grave, necessitando urgente de cirurgia. Foi solicitado um diagnóstico de um cirurgião. Este diagnóstico só foi feito nesta quarta-feira, apesar da urgência. Previa cirurgia imediatamente.

E, apesar de o HRTM ter três cirurgiões de plantão e um centro cirúrgico vazio, a cirurgia não foi realizada. No final da tarde, um deles chegou a dizer à família da vítima que não iria fazer porque estava quase no fim de seu plantão. Ia sair e pronto.

O caso chegou ao conhecimento da promotora de Justiça Ana Ximenes e deste repórter. Confirmada a história, a promotora Ana Ximenes chamou o delegado Antônio Caetano Baumann de Azevedo, para investigar suposto crime de omissão de socorro.

O cirurgião Wagner Langue, ao assumir o plantão da noite, imediatamente levou sozinho (tinham que ser 2) a paciente para o centro cirúrgico (o médico Adail Vale faltou ao trabalho). Até meia-noite, não tínhamos o resultado da cirurgia, se Rita teria sobrevivido.

Enfermeiros e técnicos de enfermagem disseram que este tipo de comportamento dos médicos é comum no HRTM e que foi muito boa a ida da promotora, do delegado e deste repórter ao HRTM para presenciar pessoalmente uma das razões do caos, de mortes.

Ou seja, além da falta de estrutura, de espaço, medicamentos, outros fatores deixam a população sem o tão valioso atendimento médico para viver. Este é o cenário que enfrenta um cidadão de baixa renda. “Se fosse um cidadão rico, não faltava atendimento. Mas como é carente, viram as costas”, reclama a promotora de Justiça Ana Ximenes.

Nota do Blog do Carlos Santos – Deparo-me com um relato jornalístico como este e fico me perguntando se é mesmo verdade que tudo isso esteja ocorrendo em Mossoró, ‘a terra da liberdade’ e de outros epítetos fantasiosos.

Francamente.

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