“Se você está atravessando o inferno…não pare.” (Wilson Churchill, chanceler britânico)
A nova ascensão política de Rogério Marinho (PSDB), ex-deputado federal potiguar que não se reelegeu em 2018, ontem nomeado ministro do Desenvolvimento Regional (veja AQUI), logo me trouxe à memória um escritor e um personagem político que converteram derrotas em vitórias, cada um a seu modo.
Em ambas reminiscências, uma analogia com a reviravolta na vida de Marinho.

Marinho tem uma "queda para o alto", depois de ter sido dado como "morto" pelas cassandras (Foto: Adriano Machado/Reuters)
O livro é marcante: “A queda para o alto”. Seu título é um primor como oximoro (figura de linguagem que coloca palavras de significados opostos lado a lado, criando um paradoxo).
A publicação foi umas das primeiras obras de autoria transexual no país, lançado em 1982, como autobiografia de Anderson Herzer, nome social da adolescente e poeta Sandra Herzer, que passou parte de sua curta vida em unidades da Fundação do Bem-Estar do Menor (FEBEM) em São Paulo.
Acolhido pelo então deputado estadual Eduardo Suplicy (PT), ela teve a chance de se refazer e buscar novas oportunidades. Sua morte trágica é também um revolução em sua própria imagem, a ponto do livro ter somado em 2019 a sua 25ª edição, com permanente sucesso. Livraço que me impactou àquela época.
A outra lembrança é de Aluízio Alves, o ex-governador potiguar que revolucionou o modo de se fazer política no RN a partir do fim dos anos 50. Em 1982, ele sofreu uma derrota acachapante na tentativa de voltar ao governo, após longo período de cassação política pelo regime militar.
Maior expressão política do RN
Dado como “morto politicamente”, começou a renascer com a vitória do sobrinho Garibaldi Filho (MDB) à Prefeitura do Natal em 1985 (primeiro pleito direto nas capitais após fim do poder verde-oliva), comandou eleição do ex-vice-governador Geraldo Melo (MDB) ao governo estadual em 1986, além de outros diversos sucessos eleitorais direta e indiretamente ao longo de vários anos seguintes, bem como o fato de ter sido ministro de dois governos.
As cassandras da esquerda potiguar e brasileira tinham praguejado também a morte política de Rogério Marinho, um fim de carreira sem volta, depois que esteve na relatoria da Reforma Trabalhista no Congresso Nacional.
A chegada do ex-deputado federal Jair Bolsonaro à Presidência da República criou novos horizontes para Rogério Marinho. Primeiro, como secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia; agora, como ministro titular da pasta do Desenvolvimento Regional.
Derrotado e ‘excomungado’, ele está mais vivo do que nunca. É, hoje, o nome de maior expressão da política do RN em Brasília, mesmo sem mandato. Com certeza, o mais influente.
Boa parcela do eleitorado pode ter desistido dele, mas a política teima em não largá-lo.
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