domingo - 02/08/2020 - 04:24h

Se

Por Rudyard Kipling

Se és capaz de manter a tua calma quando
Todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
E para esses no entanto achar uma desculpa;
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
Ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
E não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires,
De sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
Tratar da mesma forma a esses dois impostores;
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
Em armadilhas as verdades que disseste,
E as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
E refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
Tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
Resignado, tornar ao ponto de partida;
De forçar coração, nervos, músculos, tudo
A dar seja o que for que neles ainda existe,
E a persistir assim quando, exaustos, contudo
Resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”;

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
E, entre reis, não perder a naturalidade,
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
Se a todos podes ser de alguma utilidade,
E se és capaz de dar, segundo por segundo,
Ao minuto fatal todo o valor e brilho,
Tua é a terra com tudo o que existe no mundo
E o que mais – tu serás um homem, ó meu filho!

Rudyard Kipling (1865-1936) – Poeta britânico, Prêmio Nobel de Literatura

* Tradução de Guilherme de Almeida.

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Categoria(s): Grandes Autores e Pensadores / Poesia
domingo - 02/09/2012 - 07:23h

Se

Por Rudyard Kipling

Se podes conservar teu sangue frio
Diante do que te acusa, a desvairar;
Se, ainda quando suspeitem de teu brio,
De tua fé, podes em ti confiar;
Se podes esperar, sem te cansares
E sem de ti perderes a noção;
Se, caluniado, em vez de caluniares,
Compensares o mal com o teu perdão;

Se podes tu sonhar; se teu intento
Fazes por algum dia realizar,
Se não buscas impor teu pensamento;
Se o mesmo és no prazer e no penar;
Se podes tu ouvir o que a gente
Demolidora e má nos faz ouvir,
E após, pela verdade, conscientemente,
Lutas até fazê-la ressurgir;

Se podes tu tentar sorte insegura
E, perdido uma vez e uma outra mais,
Tornas de novo ao lance da aventura
Sem uma afronta proferir jamais;
Se podes tu fazer que te obedeçam
Os teus nervos, e o próprio coração,
Sem que, por mais exaustos que pareçam,
Ao teu desígnio jamais digam “NÃO” !;

Se podes, com igual solicitude,
As multidões ouvir, como a teu Rei,
E sem que um só te imponha uma atitude
Conte contigo toda a humana grei;
Se podes, da existência a que dás brilho,
Aproveitar todo o minuto seu,
Sem desperdício algum, então, meu filho,
És um homem de bem e o mundo é teu !

Rudyard Kipling (1865-1936) – Poeta britânico, Prêmio Nobel de Literatura

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