quarta-feira - 11/03/2026 - 10:48h
Quaresma

Catedral de Santa Luzia terá “24 Horas para o Senhor”

Imagem de Santa Luzia na Catedral de Mossoró (Foto: Diocese de Mossoró)

Imagem de Santa Luzia na Catedral de Mossoró (Foto: Diocese de Mossoró)

A Forania de Mossoró, que reúne as paróquias de Santa Luzia, São João Batista, Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Conceição, São Paulo Apóstolo, Menino Jesus, São João Paulo II (Quase Paróquia), Sagrada Família (Alto de São Manoel), além das paróquias da Maísa, Grossos, Areia Branca e Baraúna, convida todos os fiéis para viverem um momento especial de fé nas “24 Horas para o Senhor”, que acontecerá nos dias 13 e 14 de março, na Catedral de Santa Luzia.

Será um tempo dedicado à oração, reflexão, silêncio e ao sacramento da confissão, uma oportunidade de encontro profundo com a misericórdia de Deus.

A iniciativa “24 Horas para o Senhor”, promovida pela Igreja Católica em todo o mundo durante o tempo da Quaresma, convida as igrejas a permanecerem abertas dia e noite, possibilitando que os fiéis participem de Missas, adoração ao Santíssimo Sacramento, momentos de oração e confissões individuais.

Mais do que uma programação, é um convite para voltar o coração a Deus e experimentar sua infinita misericórdia.

A Catedral de Santa Luzia permanecerá aberta durante 24 horas, acolhendo todos aqueles que desejarem rezar, adorar e se reconciliar com Deus.

Programação

Sexta-feira- 13/03

17h30 – Celebração Eucarística (abertura)

19h – Paróquia do Menino Jesus – Santa Delmira

20h – Área Nossa Senhora do Carmo – Nova Mossoró

21h – Paróquia da Sagrada Família – Vingt Rosado

22h – Quase Paróquia São João Paulo II – Sumaré

23h – Seminário Santa Teresinha, religiosos e religiosas

Sábado- 14/03

00h – Movimento de Cursilhos de Cristandade

01h – Renovação Carismática Católica

02h – Comunidades Novas

03h – Equipes de Nossa Senhora e EJNS

04h – Movimentos Marianos, Apostolado da Oração e MEJ

05h – Paróquia de Santa Luzia – Centro

06h – Paróquia de Nossa Senhora de Fátima – Abolição II

07h – Santuário de Santa Clara – Dom Jaime

08h – Paróquia de São Manoel – Alto de São Manoel

09h – Paróquia de São João Batista – Doze Anos

10h – Paróquia de São José – Paredões

11h – Paróquia de São Paulo Apóstolo – Nova Betânia

12h – Paróquia da Imaculada Conceição – Alto da Conceição

13h – Paróquia de São Francisco das Chagas – Maísa

14h – Paróquia de Nossa Senhora da Conceição – Areia Branca (RN)

15h – Paróquia do Sagrado Coração de Jesus – Grossos e Tibau

16h – Paróquia de Nossa Senhora das Graças – Baraúna (RN)

17h – Celebração Eucarística (encerramento)

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Categoria(s): Gerais
domingo - 29/03/2020 - 10:00h

Quaresma e quarentena – palavras que significam salvação

Por Marcos Araújo

 

[…] as palavras se propõem aos homens como coisas a decifrar. […] – Michel Foucault

Desde a criação pelos sumérios da escrita pictórica em cavernas, cerca de 8.000 anos a.C., a linguagem tem sido o maior recurso evolutivo-civilizatório da humanidade. É ela a base da comunicação, entendimento e cultura de todos os povos e nações, especialmente nesses tempos de internet e novas tecnologias.

O poder simbólico da linguagem é referendado no milenar dito popular “a palavra tem poder”. Aliás, a afirmação do poder da palavra tem uma justificativa histórica judaico-cristã, porque Jesus foi intitulado como “o verbo encarnado de Deus”; o cumprimento da “palavra de Deus” (v. João 1:1-2); “a palavra de Deus se tornou homem e habitou entre nós” (João 1:14).

Enfatizando o valor da palavra, o cineasta alemão Wim Wenders gravou um documentário chamado “Papa Francisco, Um homem de palavra”. O filme é uma obra sobre as palavras fundamentais que as ideias do Papa Francisco permitem promover: gentileza, inclusão, humorismo, solidariedade, laços familiares, paz, proteção do ambiente, sobriedade e justiça.

Segundo o filósofo francês Michel Foucault, “Na sua primeira forma, quando foi dada aos homens por Deus, a linguagem era um sinal das coisas absolutamente certo e transparente, pois que se lhes assemelhava. Os nomes eram colocados sobre o que eles designavam, assim como a força está escrita no corpo do leão, a realeza no olhar da águia, a influência dos planetas marcada na fronte dos homens: pela forma da similitude.” (Foucault, As palavras e as coisas, 2002, p. 90).Para melhor estudar o sentido da palavra, a ciência linguística tem divisões (semântica, sintaxe, morfologia, fonética …) visando identificar formação, origem, estrutura, signo etc. A Semântica, por exemplo, cuida do estudo do significado das palavras, enquanto a Etimologia estuda a origem delas.

Contudo, nem sempre a palavra expressa contextualmente o mesmo significado na linguagem. Seu sentido pode se perder ao longo do tempo, destoando seu uso e valor da vivência social e comportamental. Para contextualizar com o presente, trago à lembrança as palavras “Quaresma” e “Quarentena”.  As duas foram desconstruídas do seu sentido semântico ao longo da história.

A Quaresma, instituída pelos primeiros cristãos, denomina o período de 40 dias entre o Carnaval (Quarta-feira de Cinzas) e a Páscoa. Nesse período, os católicos são convidados ao jejum, oração e caridade, se preparando para a ressurreição de Jesus. O número de quarenta dias tem um significado simbólico-bíblico: quarenta são os dias do dilúvio; da permanência de Moisés no Monte Sinai; das tentações de Jesus…

Quarentena, por seu turno, significava o período de quarenta dias em que todos os barcos deveriam ser isolados antes que passageiros e tripulantes pudessem desembarcar durante a epidemia da peste negra nos séculos 14 e 15.

Ainda que tenham significados históricos diferentes, as duas palavras (quaresma e quarentena) têm o mesmo radical etimológico. A primeira, vem do latim “quadragésima”, 40 dias. A segunda, do Italiano “Quarantina”, conjunto de quarenta, ou do latim “quadraginta”, quarenta.

Outra comunicação simbólico-histórica das duas palavras vem do resultado de suas práticas: tanto a Quaresma como a Quarentena foram instituídas para a purificação do corpo e a salvação do homem.

A Quaresma, como prática obrigatória, vem do século IV, mas, desde sempre, os cristãos se preparavam para a Páscoa com oração intensa, jejum e penitência. Já foi um tempo profundo na Igreja católica de oração, penitência e caridade. Foi perdendo seu sentido e sua vivência com o tempo.

O jejum passou a ser de abstinências pontuais com finalidades até estéticas e de dietas (doces, álcool, refrigerantes, guloseimas etc). O momento de oração da “Semana Santa” foi adaptado, virou um grande feriadão, com público reduzidíssimo nas igrejas e superlotações em pontos turísticos e lugares da moda. A caridade, bem simbolizada pela Campanha da Fraternidade, criação da igreja brasileira pelo bispo acariense Dom Eugênio de Araújo Sales, foi sequencialmente esvaziada em sentido e práticas.

Coincidentemente, a Campanha da Fraternidade deste ano (que passaria despercebida, como sempre, de uma maioria dos católicos), tem como tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema: “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). Esta passagem bíblica, em especial, fala da parábola do “Bom Samaritano”. Relembrando a parábola, Jesus conta que um homem estava ferido e largado à beira da estrada. Passaram por ele um sacerdote e um levita, membros da elite judaica, e o ignoraram. Um samaritano, um homem sem fé e impuro para os judeus, o que faz? Viu, sentiu compaixão, misericórdia e cuidou dele.

Voltemo-nos para a história, quanto às Quarentenas humanas. Não são comuns, mas não se constituem novidades. São conhecidas desde o Século XIV. Elas sempre remetem ao mesmo princípio utilitarista: a proteção da coletividade. Sempre representaram os mesmos problemas: saúde coletiva, crise econômica, tensão entre diversos interesses, supressão de direitos individuais etc.

Nesse ponto, em tempos de coronavirus, Quaresma e Quarentena são palavras que se autocomplementam, se ressignificando. Voltando a Foucault, “Se a linguagem já não se assemelha imediatamente às coisas que denomina, nem por isso ela se apartou do mundo; continua, sob outra forma, a ser o lugar das revelações e a fazer parte do espaço em que a verdade simultaneamente se manifesta e se enuncia”.

Se a Quarentena pode ser a salvação do corpo (físico), a verdadeira Quarema pode trazer a Salvação da alma (do espírito).

Aqui no Brasil, as ordens estatais de isolamento social são também quarentenas. Descumpridas desditosamente e criticadas por muitos. As pessoas não querem ficar em casa, mas até a inação significa proteção, sendo uma prova de bom senso e solidariedade.

Desestruturado, o Poder Público (Nação, Estado e Município) não tem como cuidar dessa pandemia. Não tem recursos humanos e materiais para tanto. A sociedade civil, ao revés, em muito pode contribuir.

A salvação da Quarentena deve vir da caridade, exigência da Quaresma. É preciso ressuscitar a prática da caridade para que o corpo e a alma sejam salvos. A caridade não nasce na semântica nem na etimologia, ela nasce no coração humano que se abre para amar o outro.

Numa passagem bíblica, um doutor da lei propôs a seguinte questão a Jesus: “Mestre, qual o grande mandamento da lei?” A resposta de Jesus: “Amarás o senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito. Esse o maior e o primeiro mandamento. Eis o segundo, que é semelhante ao primeiro: amarás o teu próximo, como a ti mesmo. E acrescentou: toda lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos.” (Lc 10, 27-29)

Como é fácil perceber, Jesus sintetizou a lei e todos os ensinos dos profetas nestes dois mandamentos: amar a Deus e ao próximo. Certamente, Jesus falava do amor como sinônimo de caridade, pois na sequência da resposta Ele narrou a parábola do bom samaritano.

São Paulo bem entendeu o propósito do Cristo de assemelhar o amor à caridade, redigindo uma linda carta aos Corintos (Capítulo 13), sendo esse um texto padrão para leitura nos matrimônios católicos. Parece-nos que “caridade” e “amor” são palavras sinônimas, de radicais etimológicos diversos.

Dizia S. Agostinho: “A Caridade uma vez nascida, cresce; uma vez crescida, fortifica-se; uma vez fortificada, aperfeiçoa-se”. A caridade é vivida no “entre” amoroso que se estabelece entre aquele que sabe receber e aquele que sabe dar sem pensar. Não há lugar certo ou definitivo entre estas duas posições, pois a caridade circula assim como a falta e a necessidade. Em um dia, podemos dar e, no outro, podemos estar precisando receber…

A caridade eleva à santidade. Em tempos de calamidade na saúde, lembremo-nos de nossa querida Santa Dulce dos Pobres, canonizada recentemente, e de Madre Tereza de Calcutá

Sabemos que faltarão nos próximos dias remédios, leitos de UTI, alimentos, empregos, tudo por causa da Quarentena. Como antídoto, que não nos falte amor e caridade com o próximo, fruto da Quaresma! Já estão fechados o comércio, escolas, igrejas, por força da Quarentena.  Que não fechemos a porta do nosso coração, por onde entra a força da nossa fé n´Aquele que está sempre conosco, e que tudo pode fazer por nós, como evento e dever obrigatório da nossa Quaresma.

Em tempos de palavras vãs, fluídas e de medo, fortaleçamos nossa Quaresma, para que possamos obter a graça da salvação dessa Quarentena!

Marcos Araújo é professor e advogado

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Categoria(s): Artigo
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