domingo - 03/09/2023 - 10:30h

Sopé da ladeira do Cumbe

Por François Silvestre

Foto ilustrativa

Foto ilustrativa

Era um pequenino sítio, ali posto. Subindo a ladeira, no alto do Cumbe, via-se o talhe da serra de Portalegre. E ao se espalhar os olhos estendia-se a vasta estepe muito distante, para o olhar de criança, da paisagem do sertão ali exposta.

Mas o assunto é o sítio, de dimensões raquíticas, como já dito. Uma casa de cinco cômodos, piso de barro batido, à exceção da sala maior, biblioteca do dono, tijolada e bem cuidada. Uma baixada com mangueiras, jaqueiras, cajueiros, laranjeiras e trapiás, desaguada numa pequena lagoa, que aguava também outros sítios vizinhos.

O dono? O padre Alexandrino Suassuna de Alencar. Nesse sítio eu vivi minha primeira infância. Oito anos. Desmamado da minha mãe, aos três meses de idade, fui criado por uma cabocla que o padre trouxe de Serra Talhada para esse fim. O padre Alexandrino, cujo nome era uma homenagem a Alexandrino Suassuna, pai de João Suassuna, que foi governador da Paraíba, e avô de Saulo, Humberto, João, Marcos, Selma e Ariano Suassuna.

O padre Alexandrino, ordenado em São Paulo, após seminário menor em Fortaleza, foi Reitor do Seminário de Pesqueira, Pernambuco, vigário de Serra Talhada, de onde trouxe meu pai, que casou com minha mãe, irmã dele. Depois exerceu o sacerdócio em várias paróquias de Rio Grande do Norte. Caraúbas, Campo Grande, Lajes, Goianinha, Macaíba.

Essa foi sua última paróquia, ao abandonar a atividade eclesiástica para fixar-se nesse sítio do Martins. E lá estão seus últimos paramentos sacerdotais, complementos das vestes talares, num museu na casa do Ferreiro Torto. Ele batizou Valério Mesquita e obrigou os pais do batizado a se casarem na igreja católica. Aí não sei quem é currículo positivo ou negativo desse feito. “Só sei que foi assim”.

Na sala da sua biblioteca, no Sítio do Pé do Cumbe, até meus oito anos, sem referência a Cassimiro de Abreu, meus brinquedos dividiam espaço com seus livros. Bolas de borracha ou gude, carros de plástico ou de cascas de cajazeiras, se escondiam por trás de Tomás de Aquino, Aristóteles, Platão, Fustel de Coulanges, Goethe, Padre Vieira, Padre Antônio Tomaz, Antero de Quental, Santo Agostinho, Érico Veríssimo, José de Alencar e outros…muitos outros.

Ariano Suassuna, seu primo, ainda não merecia lugar ali. Eles se encontravam em Recife, nas peças encenadas nos palcos do Santa Isabel. Aos quarenta e nove anos ele morre de um infarto fulminante, embaixo de uma touceira de açaí, cortando maniva pras vacas de leite, na beira da pequenina lagoa. E eu? Fui deserdado do sítio do pé do Cumbe.

Mas isso é outra história.

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 10/10/2019 - 23:26h
Região Oeste

Incêndio entre dois municípios ainda está sem controle

“Amigo,  a situação do fogo é muito complicada por dois motivos: dificuldade de acesso ao local e falta de estrutura do Corpo de Bombeiros, apesar do empenho da corporação”. O comentário, angustiado, foi expresso há poucos minutos pelo prefeito de Portalegre na região Oeste do RN, Manoel de Freitas Neto (PP), o “Neto da Emater”.

À noite desta quinta-feira (10) vai se fechando sem que o incêndio florestal tenha sido contido. Começou por volta de sábado (5) no vizinho município de Viçosa e na terça-feira (8) alastrou-se por Portalegre em área de escassa presença humana, mas podendo avançar para cidade.

“O comportamento das queimadas varia em função da temperatura alta a partir do meio-dia e a chegada de rajadas de ventos à noite”, explica o prefeito.

O trabalho de cerca de 60 bombeiros e aproximadamente 30 a 40 voluntários, que se revesam, tem posto de comando no Mirante da Prefeitura no alto da Serra e sede do município.

O temor é que o sinistro seja empurrado para o alto, atingindo a cidade. Quanto à área atingida até o momento, “é difícil mensurar, mas  acho que passa de 100 hectares”, estima Neto da Emater.

O Governo do Estado decretou situação de emergência nos dois municípios no dia passado (veja AQUI).

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Categoria(s): Administração Pública / Gerais
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terça-feira - 08/10/2019 - 23:26h
Oeste

Dois municípios enfrentam focos de incêndio no RN

Topografia dificulta combate ao fogo (Foto: Círios Vannuci)

A serra entre os municípios de Viçosa e Portalegre (região Oeste) sofre com focos de incêndio desde segunda-feira (7).

No segundo dia do problema, Corpo de Bombeiros e voluntários não têm conseguido refrear completamente o fogo.

A origem do incêndio é desconhecida e a princípio não existem vítimas fatais, mas prejuízos à vegetação nativa.

A topografia da região é um dos principais empecilhos para que tudo seja debelado com maior agilidade.

Mais recentemente, na zona rural do Apodi, incêndio alastrou-se causando sérios prejuízos materiais e à flora em propriedades rurais, além de ameaçar perigosamente dutos e área de armazenagem de óleo da Petrobras.

Um pouco antes, a Serra de Lima e do Pelado em Patu conviveu por vários dias com o mesmo problema (veja AQUI).

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Categoria(s): Gerais
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