Acabo de saber do falecimento de “Seu Lopinho”, velho comerciante do bairro 12 anos (Mossoró), com mercearia na esquina da rua Princesa Isabel com a Felipe Camarão.
Sei que faleceu hoje – 8 horas – e será sepultado amanhã, também 8 horas.
Seu corpo está sendo velado em sua casa mesmo, à Rua Princesa Isabel, pertinho do endereço de seu antigo comércio.
Seu Lopinho é de minha mais primária infância. Estava regularmente em sua mercearia para comprar “os pão d´água” ou doce, “carolina” e ponche de maracujá, sobretudo à s tardes, finalzinho de tarde.
Canelas secas, passadas largas, cabelos finos esvoaçantes. A corrida me deixava ofegante e ansioso para consumir as delÃcias postas no balcão de madeiras rudes, vidros à s vezes embaciados, prateleiras toscas em paredes gastas.
Existe uma cena que se repetiu inúmeras vezes aos meus olhos. Ele, corpulento, bigode espesso, óculos em armação grossa, cabelos densos e escorridos, sempre sério, chacoalhava a garrafa de suco com boca no fundo do copo. Assim, o lÃquido se espalhava.
Eu, mordendo os lábios, ficava ali… pronto a sorver aquela manjar, geladinho.
Bons tempos






















