A 10 dias da sua quarta eleição municipal como candidata a prefeito, a ex-prefeita (três vezes), ex-senadora (uma vez) e ex-governadora (uma vez) Rosalba Ciarlini (PP) enfrenta dificuldades comuns à sua trajetória vitoriosa, mas com peculiaridades próprias de um novo embate. É favorita ao pleito, mas não pode ser tratada por imbatível.
Também não lhe cabe o epíteto de “prefeita em férias”, como muitos trombeteiam apaixonadamente há tempos.
O desafio de Rosalba Ciarlini – Coligação Força do Povo – é retomar a Prefeitura de Mossoró, onde arranchou por três mandatos, além de outros dois em que apoiou Fafá Rosado (PMDB). Some-se, ainda, a curta duração com Cláudia Regina (DEM), eleita em 2012 com seu maciço empenho.

Rosalba trabalha com carisma, populismo e o tempo a seu favor para evitar a "onda" Tião (Foto: Carlos Costa)
Seu retorno não é uma “convocação”, como a retórica de sua campanha prega à massa-gente. Na verdade, é uma tentativa de recomeço e de retomada de fôlego político-eleitoral, após desapontamentos recentes na política local e estadual.
Ela nega; sua assessoria, idem. Todos em seu entorno mais próximo garantem que a Prefeitura não é um trampolim para a volta à cena estadual, como candidata ao Senado com o pleito de 2018. O mandato na municipalidade é para ser completado na íntegra, caso seja mesmo eleita. Assim é repetido e repetido.
Estratégia
Desde o começo da campanha e mesmo antes da largada oficial da contenda pelo voto, Rosalba priorizou uma estratégia que agora em sua reta final é redimensionada e ajustada para outra realidade. O que é comum, normalíssimo em termos de marketing eleitoral.
Primeiramente, ela forjou um embate comparativo de sua passagem pela Prefeitura com a administração do prefeito Francisco José Júnior (PSD), o “Francisco”, transformando-o numa espécie de sparring (termo inglês que define um treino com pessoa para esse fim no boxe).
Paralelamente, procurou evitar um mergulho em sua passagem pelo Governo do Estado, de onde as recordações não lhe ajudariam em nada na corrida ao Palácio da Resistência, sede do governo municipal.
Rosalba Ciarlini tem um bom acervo de realizações, em especial na Saúde e infra-estrutura de Mossoró nos governos 1989-1992, 1997-2000 e 2001-2004. “Reconstruir” Mossoró é a senha para vender a ideia de pessoa preparada para voltar a governar sua cidade.
Ela começou a campanha com quase todos os ventos a favor. A começar pelo tempo reduzido (45 dias em vez dos anteriores 90 dias) de campanha, em face da nova legislação eleitoral. Tinha pesquisas para consumo interno que a apontavam com vantagem confortável.
“Acordão”
Precisaria apenas fazer um trabalho de manutenção para enxerto suplementar no seu acervo de intenções de votos até às urnas. Simples, teoricamente.
A dificuldade começou antes mesmo de sua convenção municipal no dia 5 de agosto. Firmou uma aliança com adversários históricos, ao longo de quase 30 anos. Costura até hoje com seus eleitores a convivência com o grupo da ex-deputada federal Sandra Rosado (PSB). Os adversários tratam o entendimento com um pejorativo: “acordão”.
Na ponta do lápis, as pesquisas qualitativas que seu marketing faz têm apontado que há prejuízo nessa composição que é justificada como algo “pelo bem de Mossoró”. Mas foi levada a termo como um “mal menor” para a candidatura rosalbista.
Pior seria, se o grupo até então adversário fosse para um palanque oposto. Rosalba acomoda Sandra, o vereador (que não concorre à reeleição) Lahyrinho Rosado (PSB) e a ex-deputada estadual Larissa Rosado (PSB) com compromissos claros e normais. Entre eles, ocupação de espaços no futuro governo, como uma secretaria para Lahyrinho. Vídeo que vazou na Web recentemente confirma essa informação.
Com um “cabo-eleitoral” como Francisco José Júnior e sua administração maciçamente reprovada pelo povo, a campanha de Rosalba não deveria ter maiores problemas. Mas teve e tem: o candidato a prefeito Tião Couto, da Coligação Unidos Por Uma Mossoró Melhor.
Ele está em seu “retrovisor”. Ê… Tião existe!
Na prática, seu sparring (Francisco) nunca foi um adversário à altura, pois por si só foi se autodestruindo. O Governo Robinson Faria (PSD), seu sucessor no Estado, também a ajuda consideravelmente. Não é muito melhor do que o que ela fez.
Perfil de eleitorado
Pesquisas ainda anteriores (veja AQUI) à própria campanha davam sinais de que Rosalba poderia ter Tião Couto como seu real adversário, mesmo que não estivesse à altura do seu cabedal de vitórias e vivência na política paroquial. Foi subestimado.
Há meses o Blog antecipou essa polarização, sem tirar em momento algum o patamar de favoritismo de Rosalba. Fez observações atestando que ele estaria no páreo, tendo o tempo em seu desfavor.
Com a saída de cena, mesmo que ainda não oficialmente confirmada perante a Justiça Eleitoral, da candidatura de Francisco José Júnior, há um solavanco na nau de Rosalba Ciarlini. A migração maciça de candidatos a vereador e partidos é na direção de Tião Couto.
A ex-governadora, ex-senadora e ex-prefeita tem contra si uma “onda” Tião Couto em reta final de campanha, que mobiliza sobretudo e maciçamente o público jovem, criando capilaridade até nos rincões e grotões do eleitorado tradicionalmente rosalbista. Isso é perturbador para ela.
O eleitorado de Rosalba é majoritariamente concentrado nessas áreas, mas envelheceu sem maior renovação. Seu eleitor fiel tem esse perfil, porque a memória coletiva e individual mais recente quase não alcança a juventude de forma favorável à ela.
A Rosalba próxima é a Rosalba governadora, que praticamente não acrescentou nada a Mossoró em seus quatro anos de gestão. A Rosalba prefeita saiu do Palácio da Resistência no final de 2004, há quase 12 anos. Uma criança de 10 anos à época, hoje tem 22 anos.
Frear Tião
O tempo de pouco mais de uma semana, reitere-se, é o que a candidata tem de mais forte para confirmar sua hipotética vitória. Até o dia 2 de outubro, seu trabalho é evitar maiores perdas.
Nesse ínterim, seu discurso é para convencer o maior número possível de pessoas que pode ser a prefeita para esse momento difícil da administração municipal e de uma conjuntura nacional muito desfavorável. Continuará satanizando Francisco, que lhe é útil.
Vai ao ataque ou contra-ataque para frear Tião. Não há meio-termo nesse momento.
Teve de sair da zona de conforto de quase toda a campanha para uma batalha em campo aberto, da qual não poderá fugir. Está exposta.
A “Rosa”, com seu carisma pessoal e populismo, parece infatigável em mais um prélio eleitoral. Que venham as urnas.
Veja AQUI matéria analítica sobre campanha de Francisco José Júnior do PSD;
Veja AQUI matéria analítica sobre campanha de Gutemberg Dias do PCdoB;
Veja AQUI matéria analítica sobre campanha de Josué Moreira do PSDC.
Amanhã, matéria analítica sobre a campanha de Tião Couto do PSDB.
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