quinta-feira - 29/08/2019 - 10:16h
Campanha

Transferência de votos e transfusão de sangue na luta de Natal

Em nossa capital, onde vivo parcialmente, discute-se o poder de transferência de votos do ex-prefeito Carlos Eduardo Alves (PDT).

Que tem voto, tem. Quem duvida?

Qualquer resmungo em contrário, basta olhar a planilha de votação das eleições ao governo estadual ano passado, quando venceu em Natal com boa maioria nos dois turnos. Foram 70.478 no primeiro e 90.064 de vantagem no segundo, sobre a governadora eleita Fátima Bezerra (PT).Porém transferir para outrem, alguém à sua escolha para governar Natal, não é um fenômeno simples.

Muda, muda tudo. Ou muda muito, digamos.

Candidato ele não poderá ser. Porém tende a influir no pleito no papel de apoiador, numa medida em que nenhuma régua consegue ser precisa para dimensionar a elasticidade dessa força no palanque e nas urnas.

É imprescindível que haja, por exemplo, o mínimo de identidade entre apoiador e apoiado, um pingo de afinação. Transferência de votos é como transfusão de sangue: tem que existir compatibilidade.

O eleitor parece muito mais atento e indócil do que no passado. E, Carlos Eduardo, não é nenhum líder messiânico ou carismático em Canaã, “a terra prometida”.

A seu modo crítico, o natalense anda muito refratário à ideia de ser massa de manobra e seguir cegamente qualquer voz de comando. É de sua natureza política não querer ser vaquinha nesse presépio.

A capital pode ser esquadrinhada e subdividida entre vários nomes influentes, mas todos são microlíderes, aldeões.

O ex-prefeito pedetista é um dos escassos sobreviventes do concílio de referências políticas de Natal, onde já figuraram Aluízio Alves e Wilma de Faria, por exemplo. Eles fazem parte do passado, de uma Natal que passou também.

“Um líder é um vendedor de esperanças”, definiu Napoleão Bonaparte. Convenhamos: não está fácil transferir votos e esperanças numa embalagem só.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Política
terça-feira - 16/07/2019 - 11:08h
Futuro do pretérito

Sucessão testará peso de Carlos Eduardo como apoiador

Ex-prefeito já demonstrou força político-eleitoral pessoal, mas transferir votos é mais complexo

O ex-prefeito natalense (quatro vezes) Carlos Eduardo Alves (PDT) não poderá participar diretamente do pleito sucessório deste ano, em Natal, por injunção legal: estaria caracterizado o terceiro mandato consecutivo, o que a legislação veda.

Entretanto é certo que ele terá participação na campanha, até pela representatividade que seu nome tem no cenário político da capital, realçado mais ainda com as eleições do ano passado. Carlos foi candidato a governador (sem êxito), vencendo os dois turnos em Natal.

Carlos deu demonstração de força ano passado, na capital, mas transferir votos é desafio maior (Foto: arquivo)

Quem Carlos Eduardo apoiará e que peso pode ter seu apoio à campanha municipal?

A princípio, há um hiato entre ele e o seu ex-vice-prefeito e sucessor Álvaro Dias (MDB). Esse distanciamento pode se alargar ou ser tamponado, o que só os próximos meses dirão com segurança.

Em 2018, Carlos Eduardo venceu em Natal o primeiro turno ao governo estadual com 70.478 votos de maioria sobre Fátima Bezerra (PT). Teve 47,65 % dos votos válidos, contra 29,05% da petista.

No segundo turno, o a diferença foi mais esticada, chegando a 90.064 votos de dianteira. Alcançou 60,76% dos votos válidos dos natalenses, enquanto Fátima somou 39,24%.

Transferência de votos

Ninguém tem dúvidas, mesmo os mais ferrenhos adversários do ex-prefeito, que ele é individualmente o maior eleitor da capital na atualidade. Candidato, ostentaria novamente o favoritismo, deduz-se.

A força eleitoral de Carlos em favor próprio já está provada em Natal, mesmo na derrota ao governo estadual, em 2018. Transferir votos é algo bem mais delicado e sujeito a uma série de fatores.

Tê-lo como reforço é expectativa de maior capitalização de votos, sobretudo se houver sinergia entre apoiado e apoiador, o que a princípio existe – mesmo com as rusgas pós-campanha estadual – entre Carlos Eduardo e o prefeito Álvaro Dias.

Para Álvaro Dias, é muito mais prudente tê-lo ao lado e no seu palanque, do que na companhia de algum adversário competitivo. Mesmo assim, o ex-prefeito não é-lhe garantia de vitória. “Ajudaria” – cabe o futuro do pretérito.

História

Natal aqui e ali se rebela contra conchavos e alianças de ocasião, ou nomes em desacordo com seu pensamento majoritário. Em 2008, por exemplo, a deputada estadual Micarla de Sousa (PV) ganhou eleições à prefeitura logo em primeiro turno, dia 5 de outubro, com 50,84% dos votos – equivalente a 193.195 votos.

Obteve uma maioria de 53.249 votos sobre a então deputada federal Fátima Bezerra, que empalmou 139.946 votos (36,82%), apoiada pela então governadora Wilma de Faria (PSB), o prefeito Carlos Eduardo e o presidente Lula da Silva (PT). No mesmo palanque, ainda estavam o senador Garibaldi Alves (PMDB) e o deputado federal Henrique Alves (PMDB).

Natal preferiu Micarla; não teve jeito.

Em 2020 veremos a nova escolha.

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