domingo - 03/04/2022 - 09:20h

Respeito aos suicidas

Por Marcos Ferreira

Talvez pareça apologia à desistência, à prostração, à vitória da morte perante a vida, mas não se trata disso. O que venho lhe pedir é cuidado, respeito aos suicidas. Inclusive para com aqueles que se encontram em uma espécie de stand-by, só aguardando a hora H, o último ato neste imprevisível plano terreno. Peço respeito sobretudo da sua parte, a você que pensa e diz que depressão é frescura, preguiça, moleza e até falha de caráter dos suicidas em potencial.

depressão, angústia, psiquiatria, cabeça -2Não provoque, não zombe, não faça pouco-caso dos suicidas nem dos indivíduos à beira do abismo. Não diga que o mundo é justo e maravilhoso apenas porque você vive confortável, ou acha que vive. Nem todos que se lamentam, que deixam escapar que estão infelizes, podem ser tachados de molengas, de mortos nas calças, fracos, pelo fato de que fulano ou cicrano vive feliz com sua miséria feito pinto no lixo. Ou se, porventura, sua vidinha está de bom tamanho e você não deseja outra coisa exceto ganhar mais dinheiro. Não. Dinheiro não é tudo, embora alguns indivíduos práticos e objetivos creiam que seja cem por cento.

Outra coisa que preciso dizer: estou de saco cheio dessa literatura caduca, fatalista, preconceituosa, que diz que os suicidas não herdarão o reino dos Céus. Para o diabo o reino dos Céus e esses escritores jurássicos, ancestrais avoengos de Matusalém, que até os dias de hoje, por meio de suas fantastiquices, trovejam maldições sobre os suicidas ao afirmarem que a estes está reservado o fogo do Inferno. Dane-se, pois, essa literatura aterradora e inverossímil.

Não classifique como covarde, mesmo que secretamente, aquele que puxou o gatilho contra si próprio, botou a corda no pescoço, abriu os pulsos, tomou veneno ou se atirou da janela de um edifício, por exemplo. Não faça isso. Não menospreze ou desdenhe das feridas invisíveis do espírito alheio, da mente enferma.

Depois, num cúmulo de hipocrisia e descaramento, não vá dizer nas redes sociais que o triste fim do Policarpo da vez lhe é motivo de tristeza, que lamenta muito, que alguém (só não você) tinha que ter notado, previsto a tragédia anunciada ou sugerida, que algo deveria ter sido feito e coisa e tal. É bom ter semancol.

— Era uma pessoa tão boa — outros dirão.

Quem é que pode afirmar que Deus deixa todos aqueles que abreviam as suas próprias vidas a cargo de Lúcifer, para que o suposto anjo caído os castigue ad aeternum? Ninguém. Se Cristo voltar, entretanto, e disser que é dessa forma, com entrevista à CNN e à Rede Globo, aí eu darei a mão à palmatória, caio de joelhos e peço perdão enquanto criatura de pouca fé. Mas, tem que ser o Salvador, o Homem de Nazaré. Não aceito outro emissário do Altíssimo.

Já com os suicidas considerados involuntários, acidentais, digamos assim, a coisa é bastante branda, tolerante e misericordiosa. Exatamente. A esses se reserva um lugarzinho especial no Paraíso, na mansão, segundo o rebanho, do Todo-Poderoso.

É quando o sujeito se suicida sem querer, enchendo a cara, o bucho e a cabeça de álcool, tomando todas, e provoca um desastre de trânsito. E nem importa se ao morrer o indivíduo tira a vida de pessoas que não tinham nada a ver com a referida farra e bebedeira de quem causou o sinistro. Não. Se a morte for sob efeito de álcool, matando a si e a terceiros, o Éden está garantido.

— Foi uma fatalidade — argumentam logo.

Às vezes, contrariando os avanços da medicina, nem os modernos psicofármacos são páreos para impedir a viagem precoce de um espírito atormentado. Por mais competente que seja o médico e que se diga que Deus está no controle, no comando. Isso é frase oca, clichê, lugar-comum. Até porque, segundo a lenda, existe o tal do livre-arbítrio, no qual Jeová supostamente não mete o bedelho. Ou seja, cada um que se vire, pois Deus não está nem aí para ninguém.

O Setembro Amarelo é o movimento emblemático de prevenção e combate ao suicídio, entretanto o calendário todo é que deveria ser amarelo. Pois não acontecem autoextermínios somente em setembro. Sem contar as ocorrências que ficam no plano das tentativas, com autolesões ou automutilações.

Uma estatística da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que uma em cada cem mortes ocorre por suicídio. Todos os anos, ainda segundo a OMS, mais pessoas morrem em consequência disso do que devido, por exemplo, a malária, HIV, câncer de mama, ou guerras e homicídios. A taxa de autocídio é maior entre os homens.

Viver, por mais difícil que isto seja para certos elementos em certas fases da existência, sempre deve valer a pena. O problema é quando a promessa de alívio ante alguns tormentos existenciais ou psicológicos vence a nossa resiliência e capacidade de autopreservação. Aí a derrota para a Moça da Foice é praticamente certa. Imploro, todavia, que nada do que estou dizendo signifique uma fagulha de estímulo para quem quer que seja se render e entregar os pontos.

Apesar da Aids, da Covid, da sífilis e de tantos políticos escrotos, ninguém jamais deve abrir mão da inestimável dádiva que é viver, por pior que seja o problema e quem o possua. De um jeito ou de outro, entretanto, muita gente já partiu antes da suposta hora determinada pelo Criador.

Em 1961, com um Prêmio Nobel de literatura e uma condição financeira boa, Ernest Hemingway se matou com um tiro de espingarda. Virginia Woolf encheu o casaco com pedras e se afogou no rio Ouse. O romancista português Camilo Castelo Branco foi outro que tirou a própria vida. O japonês Yukio Mishima também deu cabo de si mesmo.

Na Holanda, sem nunca ter conseguido vender um quadro enquanto vivo, o conturbado pintor Vincent van Gogh, cujas telas hoje custam vários milhões, também teria se suicidado. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, a insuperável sonetista portuguesa Florbela Espanca, na terceira tentativa, pôs um ponto final em sua história neste mundo. No Brasil, entre outros, para continuarmos com os escritores, mataram-se Raul Pompéia, Pedro Nava e Torquato Neto.

Entendo que o suicídio, assim como outras coisas, é contagiante, influente. Então, de forma lamentável, um puxa o outro, tal qual uma conversa puxa uma segunda, uma terceira e daí se segue. Dito isto, claro, evidencio o meu cuidado de não promover ou romantizar gesto tão extremo e irreparável. Não antecipemos, pois, como no soneto de Olavo Bilac, “a extrema curva do caminho extremo”.

E quanto a você, que lança pedrinhas contra os suicidas, consumados quanto em fase de execução, vê se arruma outra categoria para escarnecer. Deixe que a Moça da Foice, dentro de sua agenda infalível, cumpra essa tarefa ordinária.

Hoje, enquanto você acompanha este depoimento, alguém por aí está matando a si mesmo. São dezenas, infelizmente. E isso independe de religião, incredulidade, orientação sexual ou poder aquisitivo.

Muitos sucumbem após longos anos de luta, meia dúzia de psiquiatras e diversos tipos de antipsicóticos. Viver se torna um fardo, tudo perde a graça e o sentido, nada mais importa ou prepondera. Assim, sem lançar pedras nem provocações, respeite os suicidas.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 25/11/2021 - 08:50h
Luto

Morre em Mossoró o ator e bailarino Heverton Cândido

Herverton tinha apenas 34 anos Foto: redes sociais)

Herverton tinha apenas 34 anos Foto: redes sociais)

Notícia triste para começarmos o dia. Falecimento do ator e bailarino mossoroense Heverton Cândido, 34.

Foi encontrado sem vida em sua casa. Passava por dificuldades pessoais e foi alcançado pela depressão, comenta-se.

“Rapaz que se dava bem com todo mundo. Ele nos apoiava muito nas causas da inclusão, fazia trabalhos voluntários  às comunidades, no campo social”, retrata o ex-vereadora Petras Vinícius (União Brasil).

“Descanse, querido. Daqui, sua luz seguirá brilhando nos palcos e bastidores de nossos corações”, disse Isolda Dantas (PT), deputada estadual.

“Era uma pessoal sempre alegre, muito gentil. Estou passada”, admitiu Christianne Alves, do Blog da Chris.

O velório acontecerá no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

Maiores informações atualizaremos nessa mesma postagem.

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quinta-feira - 18/11/2021 - 07:04h
Mossoró

Professor aposentado da Ufersa é encontrado morto

Professor Paulo tinha largo conceito acadêmico e social Foto: reprodução )

Professor Paulo tinha largo conceito acadêmico e social Foto: reprodução )

O médico veterinário aposentado da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA), Paulo Fernando Cisneiros da Costa Reis , 74, foi encontrado sem vida no banheiro de sua casa.

Equipe policial do 12º Batalhão de Polícia Militar do RN esteve no local, à noite dessa quarta-feira (17), quando ocorreu o registro de morte.

Ele residia à Avenida Presidente Dutra, bairro Dom Jaime Câmara, em Mossoró.

O corpo do professor Paulo Cisneiros estava com um revólver – calibre 38.

Ex-diretor do Hospital Veterinário da Ufersa, ele era uma pessoa muita querida no meio universitário e social da da região.

Que descanse em paz!

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Categoria(s): Gerais
domingo - 27/09/2020 - 12:08h

A morte voluntária nos espreita

Por Roncalli Guimarães

O mês de setembro transformou-se no mês da prevenção ao suicídio e as estatísticas indicam que precisamos desse alerta para tentar reduzir essa trágica causa de morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 800 mil mortes por suicídio anualmente, segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos.

O fenômeno do suicídio já apresentou vários conceitos no decorrer da história, indo do ato heroico à fraqueza moral.Existem relatos de suicídio desde Hipócrates há 400 anos A/C, o qual já associava o suicídio à melancolia e depressão. Temos nas escrituras da Bíblia, Mateus descrevendo o suicídio de Judas, cometido por remorso após a condenação de Jesus.

Nas artes o tema do suicídio foi amplamente descrito e por sinal muito presente nas obras de Shakespeare, como a  “imortal” obra  de Hamlet, na qual o autor narra os sofrimentos do príncipe Hamlet, suas  dúvidas  e coloca o suicídio como opção para cessar a dor dilacerante da sua angustia. Além de Shakespeare, Goethe desnudou o tema também.

Saindo do mundo da arte e fantasia, o suicídio é um tema real e de extrema importância. Estamos diante de algo muito presente em nossa sociedade moderna.

Essa importância vem do fato de que a medicina conhece o comportamento suicida. O ato de fazer algo contra si mesmo não necessariamente inicia pelo desfecho da morte. O comportamento suicida muitas vezes é antecipado por pensamentos e atitudes autodestrutivas perceptíveis.

Estudos comprovam que 80 % das pessoas que cometeram suicídio , estiveram em algum serviço de saúde primaria um ano antes do desfecho. Por isso, a campanha Setembro Amarelo não é apenas um mês soltarmos balões nessa cor e colocarmos frases de efeitos em redes sociais. O Setembro Amarelo é também um tempo de alerta.

Precisamos lutar para que sejam implementadas políticas públicas sérias, contínuas e que não se limitem a governo, mas como uma razão de Estado, por respeito e zelo ao cidadão, à sociedade, à vida. Por amor, compaixão. Por solidariedade.

Doenças como depressão e dependência química têm ampla possibilidade de tratamento e devem ser vistas sem preconceito, sem estigmatizar ou punir ainda mais doentes e suas famílias.

Precisamos modificar padrões de pensamento coletivo errôneo, como o de que o usuário de drogas é viciado porque quer, porque ‘é ruim’, deixando de socorrê-lo.

Temos que combater a subnotificação nos casos de tentativas de suicídio, pois dessa forma teremos maiores meios aos estudos e compreensão desse fenômeno. Entender o pensamento suicida é imprescindível nessa batalha que estamos travando diariamente, segundo a segundo. É uma luta em que todos nós estamos envolvidos.

A morte voluntária nos espreita.

Roncalli Guimarães é psiquiatra

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Categoria(s): Artigo
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terça-feira - 01/09/2020 - 10:20h
Triste partida

Arquiteto Gustavo Barreto morre em Mossoró

Gustavo: depressão (Foto: cedida)

Mossoró perdeu à manhã dessa terça-feira (1º), o arquiteto Gustavo Barreto, 44.

Era um jovem talentoso, socialmente muito querido e de ótima extração, que enfrentou enquanto pode a depressão.

Que descanse em paz e seus amigos e familiares saibam administrar essa dor.

Amém.

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terça-feira - 19/05/2020 - 15:40h
Édson Rêgo

Secretário municipal morre em Pau dos Ferros

Édson: grande perda (Foto: cedida)

O secretário municipal de Meio Ambiente de Pau dos Ferros, José Edson Rêgo Gonçalves, foi encontrado morto nesta terça-feira (19) em sua residência. Atestou-se que pôs fim à própria vida.

Édson era uma pessoa muito bem relacionada em toda a região do Alto Oeste e irmão do vereador Gilson Rêgo.

A Prefeitura de Pau dos Ferros emitiu nota de pesar. Veja abaixo.

A Prefeitura de Pau dos Ferros vem a público lamentar profundamente a morte do secretário municipal de Meio Ambiente, Edson Rêgo. Uma perda irreparável para o município.

Ser humano ímpar, caridoso e de muita fé, deixa como herança a sabedoria e o equilíbrio demonstrados no exercício dos cargos que ocupou ao longo de sua trajetória, sempre com muita honradez e altruísmo.

Aos familiares e amigos, a administração municipal estende sentimentos de conforto e extremo pesar.

Pau dos Ferros, 19 de maio de 2020.

Nota do Blog – Que descanse em paz.

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quarta-feira - 23/10/2019 - 05:32h
Mossoró

Itep realizará seminário para discutir tema delicado

Wberlhane Pereira: importância (Foto: Assessoria)

A Subcoordenadoria do Instituto Técnico-Científico de Perícia do Rio Grande do Norte (ITEP) de Mossoró realizará quinta-feira (24), às 9h, no auditório da II Unidade Regional de Saúde (II URSAP), o I Seminário para Discutir Suicídios na Mesorregião Oeste do RN.

Será direcionado aos agentes de segurança pública, profissionais de saúde e profissionais da ação social.

O evento será coordenado pela subcoordenadora do ITEP Regional de Mossoró, Wberlhane Pereira.

“Nosso intuito é mostrar à sociedade que o suicídio é uma realidade no nosso Estado e precisamos entender porque isso acontece e procurar meios estritamente técnicos para barrar estes suicídios”,  revela a subcoordenadora.

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domingo - 15/09/2019 - 07:54h

A intensa dor que o Setembro Amarelo nos alerta

Por Roncalli Guimarães

Em 1994, um jovem americano de apenas 17 anos, chamado MIKE, de classe média, inteligente, habilidoso e que tinha como hobby restaurar carros morreu de modo trágico e surpreendentemente. Iniciando um artigo com esse contexto, parece que vamos (vou) descrever um enredo de conto de fadas.

Mas esse jovem bonito, rico e talentoso que estava restaurando um Mustang amarelo tirou sua própria vida. A família e a sociedade custaram a entender e aceitar que esse jovem sofria de transtornos psicológicos e ninguém o compreendia.No dia do seu velório, como forma de homenageá-lo, foram confeccionadas fitas amarelas (talvez em alusão ao Mustang amarelo). Mas o fato é que essa trágica história serviu com estímulo para despertar uma das campanhas de Saúde Pública mais importantes do mundo: a prevenção ao suicídio.

A partir de 2015, o Brasil iniciou e adotou o mês de setembro como mês de prevenção ao suicídio.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são 32 mortes por dia, sem contabilizar as tentativas. Trata-se da quarta causa de morte entre jovens, matando mais do que Aids e câncer.

O risco de suicídio é uma emergência médica, em que contamos com a informação como seu principal componente preventivo. Estudos mostram que 98% dos casos de suicídio são associados à doença mental, onde a principal é a depressão.

A campanha do Setembro Amarelo é de extrema importância em Saúde Pública e serve para alertar e diminuir os tabus que envolvem o suicídio. Ainda prevalece o medo de falar a alguém sobre o pensamento de tirar a própria vida, há o medo de que falar sobre isso gere estímulo para alguém cometer “suicídio”, o que é completamente equivocado.

Quem sente tamanha dor, como a dor da angústia, precisa ser ouvido, respeitado e diagnosticado.

Na medicina, nenhuma dor como sinal semiológico é tão intensa que seja necessário tirar a própria vida para evitá-la, enquanto a dor da alma (subjetiva). Invisível aos exames ou marcadores biológicos, necessitam de empatia e acolhimento para evitar uma morte.

Roncalli Guimarães é médico Psiquiatra do Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas CAPS AD II – Mossoró

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Categoria(s): Artigo
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quarta-feira - 17/07/2019 - 20:48h
Saúde

Deputado antecipa que governo quer fechar hospital

Tomba: apreensão com saúde (Foto: AL)

O deputado estadual Tomba Farias (PSDB) afirma que o governo do Rio Grande do Norte pretende fechar o Hospital Regional de Canguaretama. O governo, oficialmente, não fez qualquer comunicado nesse sentido.

Mas é certo que projeta uma restruturação desse equipamento público, otimizando despesas.

Para o parlamentar, o cenário da saúde do estado é tão caótico que pode ser comparado a um “suicídio”.

“Primeiro foi a tentativa de fechar o hospital Ruy Pereira, depois foi a ameaça de sustar o repasse do Hospital Infantil Varela Santiago. Agora é o hospital de Canguaretama que enfrenta a possibilidade de fechamento”, recapitula Tomba.

“Concordo com os deputados Vivaldo Costa e Kelps Lima quando cobram providências sobre a questão dos suicídios na ponte Newton Navarro. No entanto, eu digo que a situação da saúde pública do nosso estado está parecendo o suicídio da população”, desabafou o parlamentar.

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quinta-feira - 04/07/2019 - 11:26h
Tragédia

Empresário se mata após chamar governador de “mentiroso”

Do G1SE, Estadão, Fórum, OP9 e outras fontes

Na manhã desta quinta-feira (4), o ‘Simpósio de Oportunidades – Novo Cenário da Cadeia do Gás Natural em Sergipe’, que acontecia em um hotel da Orla da Atalaia, na Zona Sul de Aracaju, foi cancelado após a morte do empresário gaúcho do setor de cerâmica, Sadi Gitz.

Empresário Sadi Gitz atirou contra si (Foto Silvio Rocha/Prefeitura de Aracaju/Gazeta do Povo)

Ele estava na plateia quando sacou uma arma e atirou contra si, logo após o pronunciamento do governador de Sergipe, Belivaldo Chagas. O próximo a falar era o ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque.

Era dirigente da empresa chamada Escurial e ex-diretor da Associação Comercial de Sergipe (ACESE).

Logo após a fala do governador, o empresário, que estava sentado, teria gritado: “Belivaldo, você é mentiroso” e dado um tiro na própria boca.

A empresa de Sadi, que há 30 anos tinha atividades no estado, passava por uma crise e tinha tido a produção interrompida. Em nota, a empresa havia afirmado que o motivo da decisão foi o preço do gás cobrado pela concessionária SERGAS – Sergipe Gás S.A, empresa do Governo do Estado de Sergipe.

O governo do estado de Sergipe emitiu uma nota lamentando o ocorrido com o empresário e confirmou o cancelamento do evento.

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Categoria(s): Política
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segunda-feira - 01/01/2018 - 19:10h
Operação Potiguar III

Inquérito vai apurar morte de militar do Exército em Mossoró

Feitosa: perda (Foto: redes sociais)

Comunicado oficial do Ministério da Defesa e do Exército Brasileiro admitiu a morte do 1º tenente Júlio César Ribeiro Feitosa Soares, do 23º Batalhão de Caçadores, sediado em Fortaleza-CE. Ele fazia parte do grupamento militar de cerca de 300 homens que desembarcou sábado (30) em Mossoró.

Integrava a “Operação Potiguar III”, que atende ao decreto presidencial 27.666 de 29 de dezembro de 2017, para Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no RN, devido movimento de paralisação dos policiais militares, bombeiros militares e operação padrão da Polícia Civil.

O tenente, de origem cearense, foi encontrado morto com um tiro de pistola na cabeça no início da manhã desta segunda-feira (1º), no interior do Ginásio Poliesportivo Engenheiro Pedro Ciarlini Neto (veja AQUI), em Mossoró.

Seu corpo já passou por exame cadavérico e foi removido para sepultamento no Ceará, com uso de helicóptero do próprio Exército.

IPM

A versão corrente, que o Exército não endossa até aqui, é de que ele teria posto fim à própria vida.

Na nota, é asseverado que as investigações sobre a morte estão sendo conduzidas por um Inquérito Policial Militar (IPM).

Ao seu término, haverá o esclarecimento público do fato.

Em pelo menos dois áudios que circulam em redes de WhatsApp, a que o Blog Carlos Santos teve acesso, é narrado por colegas da vítima que todos se surpreenderam com o barulho e eco que o tiro produziu no ginásio. A princípio, não se associou à morte.

Mas logo seu corpo foi encontrado ensanguentado e já sem vida. “Tá todo mundo com o moral baixo”, admitiu um dos militares.

Que descanse em paz!

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segunda-feira - 01/01/2018 - 10:08h
Operação Potiguar III

Militar das Forças Armadas é encontrado morto em Mossoró

Do G1RN e Blog Carlos Santos

Um militar das Forças Armadas brasileiras foi encontrado morto dentro alojamento montado pela Operação Potiguar III, no Ginásio Poliesportivo Engenheiro Pedro Ciarlini Neto, em Mossoró. A informação preliminar é de que se trata de alguém identificado como “Tenente Feitosa”.

O caso aconteceu na madrugada desta segunda-feira (1º) e foi confirmado pela comunicação do Exército. Cerca de 2,8 mil homens foram enviados ao Rio Grande do Norte neste final de semana para reforçar a segurança do estado, que enfrenta uma paralisação de policiais e bombeiros desde o dia 19.

Informações como o nome, a idade e a patente do militar não foram divulgados. As motivações da morte também não foram informadas.

Perícia de Recife-PE

Extraoficialmente o comentário corrente é de que ele teria cometido suicídio.

Uma equipe da Delegacia de Plantão de Mossoró foi até o ginásio no bairro Bom Jardim, por volta das 7h desta segunda, mas foi impedida de entrar no local, para perícias de praxe.

O delegado de plantão foi informado pelos militares que eles aguardavam a perícia da Polícia Federal e de um perito militar, que viria de Recife.

Comoção

A assessoria da Operação Potiguar III afirmou apenas que o fato está sendo apurado e, quando houver mais informações, elas serão divulgadas em nota. O Exército também confirmou que está dando “apoio aos familiares do militar”.

Clima de comoção entre os militares com o fato trágico. A versão corrente sobre a personalidade da vítima, era de que se tratava de alguém muito extrovertido e brincalhão, muito bem relacionado com tropa e superiores hierárquicos.

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segunda-feira - 18/09/2017 - 15:26h
Assembleia Legislativa

“Setembro amarelo” terá audiência sobre delicado tema

Por proposição do deputado Vivaldo Costa (PROS), a Assembleia Legislativa vai realizar audiência pública amanhã (terça-feira, 19), às 14 horas, sobre um delicado tema.

“Setembro amarelo: mês de prevenção contra o suicídio” é o núcleo às discussões e exposições.

A audiência pública acontecerá no Auditório Cortez Pereira, na própria Assembleia Legislativa.

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domingo - 26/04/2015 - 03:39h
Terror

Quando mães jogavam os filhos no rio

Alemanha relembra a onda assustadora de suicídios nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial

Por Luís Doncel (El País)

O documento é estremecedor. Vinte e oito páginas repletas de nomes acompanhados da data e do motivo da morte. Escolhida um aleatoriamente, aparecem várias famílias —os Gaut, os Schubert (mãe e filha), os Rienaz (também mãe e e filha)…—. Todos morreram em 8 de maio de 1945. E todos por uma mesma causa: suicídio. Estamos no Museu Regional de Demmin, uma pequena cidade no noroeste da Alemanha, que nesses dias revive seus dias mais dramáticos.

Bärbel Schreiner, com sua mãe e seu irmão em Demmin em 1944

Nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, quando a vitória final tantas vezes anunciada por Adolf Hitler parecia cada vez mais irreal e o Exército Vermelho se aproximava, entre 700 e 1.000 cidadãos de Demmin –que à época tinha 15.000 habitantes— preferiram morrer a ter que viver em um mundo que não fosse governado pelos nazistas. Foi o maior suicídio em massa na história da Alemanha.

Bärbel Schreiner, então uma menina de 6 anos, esteve a ponto de ser vítima dessa loucura coletiva. Mas seu irmão conseguiu convencer sua mãe a não fazer com os dois filhos o que tantos pais faziam naqueles dias. “Mamãe, nós não, né?”, recorda Schreiner da fala de seu irmão disse, enquanto observava o rio Peene, cheio de cadáveres.

“MAMÃE,
NÓS NÃO, NÉ
?”

“Ainda me lembro da água avermelhada pelo sangue. Sem essas palavras, tenho certeza que minha mãe teria afogado nós dois”, afirma, com a voz embargada, essa mulher de 76 anos.

O caso de Schreiner não foi uma exceção. Uma onda de suicídios atingiu a Alemanha entre janeiro e maio de 1945. Não existem números exatos, mas os historiadores calculam que entre 10.000 e 100.000 pessoas tenham tomado essa decisão.

Ao tirar a própria vida, era normal que os adultos levassem também seus filhos. Foi o que fez Joseph Goebbels, ministro da Propaganda e chanceler nos últimos dias do III Reich, quando ele e sua mulher, Magda, envenenaram os seis filhos.

Escreveu-se muito sobre o suicídio dos líderes nazistas. Além de Hitler, cuja morte completará 70 anos em 30 de abril, e Goebbels, também tirou a própria vida o chefe das temidas SS, Heinrich Himmler. Mas, até agora, não se havia prestado muita atenção aos cidadãos comuns que seguiram o destino de seus líderes fanáticos.

Justamente essa falta de conhecimento sobre a tragédia que milhares de pessoas anônimas viveram levou o historiador Florian Huber a escrever Filho, Me Promete que Vai Atirar. O sucesso do livro, que em dois meses já vendeu mais de 20.000 exemplares, surpreendeu inclusive o autor.

Medo

“Estudei história e nunca tinha ouvido falar desse episódio trágico. Um dia, vi em um livro um pé de página que mencionava a onda de suicídios nos últimos meses da guerra e decidi investigar”, conta em um café de Berlim. Mas, o que levou esses homens e mulheres comuns a dar um tiro em si mesmos, se enforcar numa árvore ou se jogar no rio mais próximo? Medo das represálias dos vencedores? Fanatismo nazista? Ou sentimento de culpa pelos abusos de 12 anos de nacionalismo e seis de guerra?

“Uma mescla de todos esses fatores. Também teve influência um efeito psicológico que transforma o suicídio em algo contagioso, quase como uma infecção. Se você visse nesse café todo mundo começando a se matar, talvez você cogitasse também”, responde.

A epidemia suicida se estendeu por muitos rincões da Alemanha, mas por que afetou principalmente alguma áreas, como o leste do país, e muito especialmente lugares como Demmin? Huber explica a mescla de circunstâncias históricas e geográficas que tornaram essa localidade uma ratoeira da qual era impossível escapar. “Rodeada por três rios, forma uma espécie de península.

Em sua fuga, os líderes nazistas dinamitaram as três pontes existentes. De forma que, quando os soviéticos chegaram, não podiam continuar avançando. Os soldados do Exército Vermelho chegaram em 30 de abril, com vontade de abandonar logo Demmin para comemorar a festa de 1º de maio”, afirma.

JUSTAMENTE no mesmo dia em que Hitler se matou com um tiro dentro de seu bunker em Berlim, os soldados vermelhos queimavam Demmin e difundiam o pânico. Os anos de guerra, a sede de revanche e a bebida que correu pela noite fomentavam a violência dos soviéticos.

O resultado desse coquetel foi assombroso. Huber afirma que os rios se tornaram cemitérios durante semanas; e que os trabalhos para retirar os corpos da água se estenderem entre maio e julho daquele ano. “As testemunhas se lembram de pessoas penduradas em árvores por toda parte”, acrescenta.

O sofrimento dos civis alemães durante a guerra –sejam os abusos de mulheres ou os bombardeios de cidades como Potsdam, que nesta semana completou 70 anos— é um tema complexo. Não há dúvidas de que muitos inocentes sofreram as consequências, mas esse sofrimento também serve de desculpa para os neonazistas, que continuam confundindo e igualando a dor do povo agressor com a dos agredidos.

Registro de mortos em Demmin, no Museu Regional

O mesmo ocorre ainda hoje em Demmin. Há uma década, em todo 8 de maio, dia da rendição, um pequeno grupo de manifestantes ligados ao partido de extrema direita NPD relembram as vítimas alemães.

Tabu

“Durante os anos do comunismo, esse tema era um tabu. Ninguém quer lembrar as violações ou crimes cometidos pelos soldados que nos libertaram do fascismo. E agora os neonazistas também utilizam a dor do passado para os seus fins”, afirma Petra Clemens, a diretora do museu, rodeada por vestígios da história da região.

Nessa castigada cidade do leste alemão, o desemprego atinge 17% da população (um percentual altíssimo para um país no qual a média está em 6,9%) e o alcoolismo tem seu preço.

Demmin foi talvez o caso mais extremo da loucura coletiva que invadiu o país nos primeiros meses de 1945, mas não o único. Em Berlim foram registrados naquele ano 7.000 suicídios, dos quais quase 4.000 aconteceram no mês de abril. Em seu livro, Huber reúne depoimentos de pessoas que associaram o fim de suas próprias vidas ao fim do nacional-socialismo.

Como o professor Johannes Theinert e sua mulher, Hildegard, que começaram a escrever um diário em 1937, um ano após se casarem. O último registro foi datado em 9 de maio de 1945. “Acaba a crise. As armas calam”, anota Hildegard.

Naquele mesmo dia, Johannes atirou na mulher e depois em si mesmo. A última entrada do diário encontrado por alguém após sua morte dizia: “Quem se lembrará de nós, quem saberá como acabamos? Essas linhas têm algum sentido?”.

Veja AQUI a matéria original na página de El País.

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