sexta-feira - 25/02/2022 - 20:30h
Política internacional

Otan x Quem?

Bandeira da Otan é ostentada por militar (Foto: Reuters)

Bandeira da Otan é ostentada por militar (Foto: Reuters)

Por François Silvestre

Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Esse é o nó górdio dessa guerra. A Otan nasce após a segunda guerra mundial, início da guerra fria, para fazer frente à expansão da União Soviética. Em oposição, a URSS cria o Pacto de Varsóvia, formalizado na Polônia. A Otan formada pelos Estados Unidos e o ocidente europeu, as potências que se opunham ao “comunismo”.

Do Pacto de Varsóvia faziam parte a União Soviética, com todas as repúblicas agregadas, inclusive a Ucrânia, e mais a Alemanha Oriental, Checoslováquia, Hungria, Albânia, Romênia e mais outros de menos peso. Não lembro se a Iugoslávia, de Tito, fazia parte. Esse era o quadro do mundo do pós guerra.

Com o fim da União Soviética, o Pacto de Varsóvia dissolveu-se. Não fazia sentido a continuidade da Otan. Mas continuou e expandiu-se. E continua querendo mais. Agora, aproveitando a ingenuidade desse ator humorista presidente da Ucrânia, a Otan resolveu encostar-se no terreiro da Rússia. Deu nessa merda.

A Otan pôs o rabo entre as pernas e deixou a Ucrânia ao relento. O presidente da Ucrânia mandando a população enfrentar os tanques russos com coquetéis Molotov.

O que vai acontecer? A Ucrânia vai continuar existindo, perdeu a Criméia há sete anos e agora perdeu mais duas províncias, e vai ter um governo títere da Rússia. O humorista vai se refugiar num dos países que lhe corda. Entrou em perna de parto saiu em perna de pinto, seu rei mandou dizer que contasse cinco.

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Categoria(s): Opinião
quarta-feira - 20/09/2017 - 21:30h
Brasil

Intervenção militar, chance zero

Por François Silvestre

Sobre declarações da “caserna” insinuando possibilidade de intervenção militar, a chance, na realidade atual, é zero. Vejamos:

Primeiro: O golpe militar de 1964, com apoio de civis rechaçados nas urnas, teve a liderança de militares com participação política desde os anos Vinte. Tenentes dos anos Trinta, coronéis dos anos Quarenta e generais dos anos Sessenta. Politizados e politicados.

Os militares de hoje são neófitos de política, ilustres desconhecidos.

Profissionais da caserna, o que é elogiável e saudável para a Democracia. E trazem nos coturnos a mácula do fracasso do regime militar. Sob todos os aspectos.

Segundo: O golpe militar de 64 ocorreu num quadro internacional de estratégia de dominação, entre os Estados Unidos e União Soviética, após a partilha do planeta decorrente da guerra contra o nazi-fascismo. A União Soviética mantinha as ditaduras do Leste europeu, no seu feudo, e os Estados Unidos sustentavam as ditaduras da América Latina, na dominação do seu quintal.

O susto de Cuba deu ao imperialismo americano o alerta de não medir esforços para evitar novos aliados dos soviéticos no continente americano. Foi o pretexto para milicos e udenistas do Brasil, com a colaboração de um embaixador fascista, Lincoln Gordon, convencer o governo americano a apoiar financeiramente o golpe, e militarmente, se necessário. Só precisou de grana.

O fantasma do comunismo, no Brasil, era só fantasma mesmo. O general Amauri Kruel, comandante do Segundo Exército, de São Paulo, compadre de Jango, foi comprado por duzentos mil dólares.

Terceiro: A última coisa que os Estados Unidos querem, hoje, é financiar ditaduras na América Latina. Sem esse apoio, as Forças Armadas não têm chace de intervenção. Não conseguem nem assustar os traficantes das favelas. Vão pras ruas e as ruas continuam sem controle.

Quarto: O medo de uma intervenção não é inconsequente. Só que não das Forças Armadas, mas a intervenção das forças das organizações criminosas. Das facções de delinquentes. Essas já começaram a intervenção. Sem resposta do poder político e sem ação efetiva das Forças Armadas.

Esse medo é procedente e começa a esgarçar a Democracia.

O resto é discurso do oco do miolo do vazio.

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Categoria(s): Opinião
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domingo - 18/01/2015 - 09:16h

Não há fundamento no fundamentalismo

Por François Silvestre

O fanatismo é o sarampo da inteligência. Lênin dizia que o esquerdismo era a doença infantil do comunismo. A revolução de 1917, que pariu a União Soviética, desaguou no fundamentalismo stalinista. Uma praga que só serviu ao capitalismo, presenteando-o indevidamente com a bandeira das liberdades fundamentais.

O fanatismo antissemita produziu o holocausto, que de tão violentamente brutal, dispensa comentário. O seu antípoda, o sionismo, tem praticado intolerância e violência na faixa de Gaza e dificultado a implantação do Estado palestino.

Tudo com base em interesses do poder, onde os deuses e as religiões servem de justificativas. Poder e dinheiro. O ser humano, se é que há, fica na rabeira da fila.

Os tiranos não são fanáticos. Fanáticos são os seus seguidores. Os idiotas que se imolam para manter viva a violência fundamentalista. Seja no poder de tiranias de Estado ou de grupos dispersos, onde a estultice fabrica tragédias.

Os chefes ou “líderes”, no fundamentalismo”, agem como os traficantes de droga. Traficam, vendem, mas não usam. O uso fica para os viciados. Nenhum líder fundamentalista se veste de bombas para explodir junto com suas vítimas. Isso é tarefa dos estúpidos, reduzidos à condição de esterco pensante. Terrorista e torturador são excrementos, que nem pra adubo servem.

A palavra não é só resultado do processo adâmico. Ela tem a força da bomba ou a fraqueza do lodo.

Poucas palavras têm a força da edificação que habita os substantivos “fundamento” e “fundamental”. Pois bem; basta uma desinência para desmoralizá-los.

Há um sufixo prostituto que deforma a semântica dos substantivos. É o “ismo”. Quando se agrega a uma palavra dificilmente lhe preserva a dignidade originária. Vírus semântico. É o caso do fundamentalismo.

O fundamentalismo está espalhado em todo o mundo. À espreita em cada canto, angariando adeptos e recrutando idiotas.

No Brasil, onde tudo tem um toque de hipocrisia, há formas disfarçadas de fundamentalismo. Basta ver os blogs e twitters durante a última campanha eleitoral. Nos dois lados.

Sem falar no fundamentalismo “ético”, da cretinice que inverte o princípio da presunção de inocência, ao transformar acusação em julgamento. Todo moralista carrega escondido no íntimo um matulão cheio dos “defeitos” que lhe motivam ira ou preconceito.

Há também que se levar em conta uma realidade que sai do campo político e vai desaguar nos mananciais da antropologia.

Não somos ainda a Humanidade. Somos o elo intermediário entre os ancestrais de onde viemos e a Humanidade que há de vir. Somos pré-humanos. De tecnologia evoluída e humanidade embotada. Tribais da barbárie, intelectualmente desnutridos.

A Humanidade corre o risco de nunca existir, pois depende da nossa sobrevivência para nos suceder. Ao nos destruirmos impediremos seu nascimento.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Texto originalmente publicado no Novo Jornal.

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Categoria(s): Artigo
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