terça-feira - 02/03/2021 - 10:36h
Universalização da saúde

Maior parte de pacientes Covid-19 em Mossoró é de outros municípios

Esgotamento de leitos em UTI e número crescente nas enfermarias sufocam sistema (Foto ilustrativa)

Esgotamento de leitos em UTI e número crescente nas enfermarias sufocam sistema (Foto ilustrativa)

Com o caráter de universalização da saúde pública e pelo fato de ser um município polo, com região que abrange de 800 a 1 milhão de habitantes, Mossoró sofre sobrecarga no atendimento a pacientes com Covid-19.

Ontem, segunda-feira (1º), seus 59 leitos de UTI para cobertura dessa patologia chegaram ao limite de 100% de ocupação (veja AQUI).

Mas, segundo números coletados pelo Blog Carlos Santos, dessa lotação nos hospitais públicos, 28 eram originários de Mossoró e o restante de outros municípios, às 18h40.

Veja abaixo:

Mossoró – 28

Natal – 05

Assu – 05

Parnamirim – 02

Pau dos Ferros, Ipanguaçu, Pendências, Felipe Guerra, Carnaubais, Almino Afonso, Areia Branca, Porto do Mangue, Tibau, Marcelino Vieira, Angicos, Upanema, São Rafael, Afonso Bezerra, Patu, Paraú, Tenente Ananias, Janduís, João Câmara – 01.

Nos leitos clínicos (enfermarias), o quadro não era diferente, inclusive com paciente até do Ceará (Russas), no Vale do Jaguaribe.

Veja quadro abaixo:

Mossoró – 12

Areia Branca – 05

Caraúbas – 02

Porto do Mangue, Apodi, Baraúna, Angicos, Paraú, Antônio Martins, Severiano Melo, Alexandria, Upanema, Olho D’água do Borges, Assu, Riacho da Cruz, Augusto Severo e Russas/CE.

Nos últimos dias, com o esgotamento de atendimento em Natal e região metropolitana, o governo estadual já enviou por vias terrestre e avião mais de 34 pessoas para atendimento à Covid-19 em Mossoró, Pau dos Ferros e Caicó.

O próprio RN recebeu mais de 40 enfermos com essa doença do estado do Amazonas, devido superlotação dos leitos em Manaus.

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Categoria(s): Saúde
domingo - 03/11/2019 - 01:08h

Hospital Regional do vizinho do RN mostra diferencial

Por Josivan Barbosa

Nesta semana durante visita ao Ceará, observamos in loco as obras do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe que está sendo construído ao lado da Rodovia BR 116, no município de Limoeiro do Norte. Uma estrutura que está a anos-luz do nosso Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM).

A unidade será o quarto hospital regional no interior do Estado e deverá atender a 20 municípios da região.A unidade terá 297 leitos (dos quais 170 de internação geral, 20 de UTI adulto, 10 de UTI pediátrica, 10 de UTI neonatal, 20 de UCI neonatal e 67 leitos de apoio) e contará com 20 especialidades médicas e seis salas de centro cirúrgico. O hospital está sendo construído na BR 116, no entroncamento entre os municípios de Limoeiro do Norte, Russas e Morada Nova.

Hospitais regionais

Atualmente, o Ceará conta com três hospitais regionais. O Hospital Regional do Cariri (HRC) foi inaugurado em 2011 em Juazeiro do Norte. O Hospital Regional Norte, em Sobral, está em funcionamento desde 2013, e o Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em processo de implantação.

Fábrica de calçados

Diferente dos pequenos municípios do interior do Rio Grande do Norte onde a economia se resume a aposentadorias, empregos nas prefeituras e ao Programa Bolsa Família, o vizinho Ceará continua avançando na captação de indústrias.

Um bom exemplo é o vizinho município de Quixeré que conseguiu uma fábrica de calçados que vai gerar mais de 500 empregos diretos.

A indústria de calçados no Ceará se espalhou por todas as regiões gerando milhares de empregos e movimentando a economia. Bem diferente do nosso Rio Grande do Norte.

Estradas

Durante a nossa visita da semana ao Vale do Jaguaribe podemos observar como o Governo do Ceará está facilitando o escoamento da produção de produtos da indústria do calcário através da construção de novas estradas.

A BR 116 que liga o Vale do Jaguaribe ao Porto do Pecém está interligada à Chapada do Apodi (lado do Ceará onde estão instaladas as fábricas de cal e de cimento) através de vários acessos por rodovias estaduais recém-construídas. As novas estradas facilitam o escoamento da produção de calcário e derivados nos municípios de Limoeiro do Norte, Quixeré, Russas e Jaguaruana.

Melão para a China

Na qualidade de especialista em Negócio Rural e trabalhando com a cultura do melão há 30 anos, faço uma avaliação diferente quanto à exportação de melão para a China. Apenas o melão da variedade ‘pele-de-sapo’ apresenta vida útil pós-colheita suficiente para a logística de exportação para a China e demais países asiáticos.

Isto exigirá um esforço do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através da nossa universidade Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) e da Embrapa, em parceria com as multinacionais de sementes no sentido de desenvolver variedades com vida útil pós-colheita de, no mínimo, 40 dias.

Isto não se consegue de uma hora para outra. Demora anos. Outro aspecto fundamental que o MAPA precisa compreender e apontar soluções é que nem o Ceará e nem o Rio Grande do Norte tem água para aumentar a produção de melão.

Atualmente, o Ceará, praticamente dizimou a produção da fruta por falta d’água e o Rio Grande do Norte usa a água da população beber para produzir a fruta. Se não fosse esse tipo de água toda a produção da fruta teria se deslocado para o Piauí. Só que teríamos que começar tudo de novo na adaptação das tecnologias que testamos nos últimos 30 anos.

Em resumo, sem o apoio de recursos financeiros para pesquisa e para a retomada das obras do projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi (3200 ha) parado desde 2015, não vamos aumentar a produção da fruta.

Pernambucanas

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Governo do Estado precisa contribuir para o incremento da economia local e atrair uma unidade da gigante de varejo Pernambucanas para o nosso município.

A Pernambucanas, varejista de moda e artigos de cama, mesa e banho, acelera a abertura de lojas neste fim de ano, apesar do comportamento ainda instável da demanda. O objetivo é cumprir a meta de 35 inaugurações até o fim de dezembro – até agora, foram feitas 23, somando 368 pontos de venda no país.

Além da abertura de lojas, a Pernambucanas fortaleceu a oferta de serviços digitais neste ano. Em abril, a companhia lançou uma conta digital pela qual os clientes podem fazer saques, depósitos, recarga de celulares, enviar e receber TED, pagar contas e gerar boletos.

A companhia também passou a oferecer a opção de comprar on-line e retirar na loja, e comprar on-line na loja o produto que está em falta no estoque e receber em casa.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 19/08/2018 - 07:50h

História da nossa agricultura irrigada

Por Josivan Barbosa

Muitos técnicos e muitas pessoas de outros setores produtivos nos perguntam quais as razões do sucesso da Agricultura Irrigada no Polo de Agricultura Irrigada RN-CE (Touros – RN a Limoeiro do Norte – CE).

Não conhecemos a história na íntegra, mas quando eu era aluno de Agronomia, no início dos anos 80, não havia, com exceção da Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA) que cultivava caju, agroindústria de sucesso na fruticultura.

No Vale do Rio Açu as experiências com a fruticultura estavam apenas iniciando, pois a região tinha sérias limitações com água, o que melhorou a partir da construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no anos 80. No Vale do Jaguaribe também não havia experiências de êxito ligadas à atividade de produção de frutas irrigadas.

Não queremos atribuir o sucesso unicamente aos esforços da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró (ESAM), hoje Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), mas obrigatoriamente, esta instituição teve importância ímpar no processo.

História da nossa agricultura irrigada II

Em 1979 a Direção desta IFE conseguiu aprovar, juntamente com mais cinco universidades do Nordeste (UFC, UFPI, UFRPE e UFPB) um importante projeto de desenvolvimento tecnológico dentro do PDCT (Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Nordeste). A Esam, foi contemplada com recursos da ordem de 45 milhões de dólares por um período de cerca de seis anos.

Os recursos eram provenientes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Governo Brasileiro, através do CNPq na proporção de 1:1. Foi o maior projeto da história dessa instituição de ensino superior. Os principais benefícios do projeto para o desenvolvimento da nossa IFE foram:

  • Contratação de 110 profissionais de nível médio e superior (laboratoristas, engenheiros agrônomos, trabalhadores de campo, motoristas, técnicos de informática e técnicos agrícolas)
  • Construção do Laboratório de Água e Solos
  • Construção da Biblioteca Central Orlando Teixeira
  • Aquisição de inúmeros equipamentos científicos de apoio à pesquisa
  • Ampliação do Laboratório de Sementes
  • Ampliação dos Laboratórios de Alimentos
  • Aquisição de inúmeros veículos de apoio à pesquisa
  • Instalação de módulos demonstrativos de irrigação nos municípios de Touros, João Câmara, Mossoró, Baraúna, Gov. Dix-Sept Rosado, Pau dos Ferros, São Miguel, Zé da Penha e Rafael Fernandes. Os módulos eram instalados em áreas particulares, após rígido trabalho de seleção dos beneficiados feito pelos pesquisadores.

História da nossa agricultura irrigada III

A instituição instalou experimentos de pesquisa em várias microrregiões do Estado. Cada módulo demonstrativo era composto de uma área irrigada (2 a 4 hectares de fruteiras – banana, mamão,  goiaba, graviola e maracujá), apicultura, sequeiro (capim buffel) e caprinos (10 matrizes e um reprodutor). Após três anos de instalação dos módulos, eram feitas avaliações. A área de sequeiro mostrou-se ineficiente. A única área de sequeiro que mostrou bom rendimento para o produtor foi o plantio de abacaxi na região de Touros. O abacaxi foi testado na área do Sr. José Joventino. Até hoje aquele produtor ainda cultiva o abacaxi com sucesso. Na região de Touros já havia uma experiência de um produtor oriundo da região de Sapé – PB.

Na época a região plantava apenas 180 hectares de abacaxi, bem diferente de hoje, cuja área, incluindo os municípios de Ielmo Marinho, Pureza e Touros, já se aproxima de 3000 hectares. Nas áreas de sequeiro com capim buffel e algaroba não houve registro de nenhum caso de sucesso. A apicultura foi regular e o destaque ficou por conta das áreas irrigadas, nas quais o produtor conseguia excelentes rendimentos. Um destes exemplos de sucesso foi o plantio de bananeira em consórcio com tomate. Uma das culturas que, também, mostrou excelente rendimento foi mamão formosa. A cultura que se mostrou mais rentável para o produtor foi a banana, seguida de goiaba, graviola, mamão e maracujá. O sistema de irrigação utilizado era o xique-xique (mangueira de polietileno com furos e vazão de 45 – 50 litros/hora).

História da nossa agricultura irrigada IV

O sucesso obtido nos experimentos da nossa universidade com a cultura do mamão, é, em parte, responsável pelo incremento no cultivo desta fruta nos últimos anos no Estado do RN e regiões circunvizinhas. Somente na região da Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte), local onde havia um experimento montado pela universidade, já são cultivados, cerca de, 1600 hectares de mamão formosa. Um dos principais produtores do mamão nesta região é o engenheiro agrônomo formado pela nossa universidade e que na época era o técnico executor das pesquisas nos módulos instalados Wilson Galdino de Andrade.

Além disso, na região Agreste já se instalou, nos últimos cinco anos, três conceituadas empresas produtoras de mamão papaia (Caliman, Gaia e Batia) cuja produção de mamão é predominantemente exportada pelo Porto de Natal para a Europa e Estados Unidos. A agroindústria Caliman já está instalada, também, na região de Baraúna, com infra-estrutura para exportar mamão formosa para a Europa, com boas perspectivas de atingir o mercado americano em curto prazo. O mamão formosa produzido na região de Baraúna possui qualidade superior.

No caso da banana, os Agropólos Mossoró-Açu e Chapada do Apodi (Baraúna, Quixeré e Limoeiro do Norte) possuem uma área instalada acima de 5000 hectares, sendo que no Baixo-Açu predomina o cultivo de banana para o mercado externo (Mercosul e Europa) e na Chapada do Apodi o cultivo da banana é direcionado para o mercado interno. Somente numa agroindústria (Frutacor) instalada naquela  micro-região eram produzidos antes do período de seca 1200 hectares e mais 600 hectares oriundos de pequenos produtores agregados.

História da nossa agricultura irrigada V

As outras fruteiras (goiaba e maracujá), como demonstrado nas pesquisas feitas pela universidade, ainda não possuem significado econômico no Estado do Rio Grande do Norte. A agroindústria (Fazenda Frota) instalada em Quixeré na década passada cultivava uma pequena área com goiaba. A partir dessa experiência, outras empresas instalaram pomares de goiaba.  Esse fruto é muito tradicional na região de Petrolina, mas os pomares instalados naquela região têm sido dizimados por nematóides.

O maracujazeiro amarelo foi plantado em grande escala, no final da década de 80 pela MAISA, mas devido à alta incidência de pragas, principalmente fusariose, a empresa foi obrigada a erradicar a cultura. No Estado do Rio Grande do Norte o maracujá está sendo cultivado em pequena escala na região de Ceará Mirim e em algumas micro-regiões serranas. O maracujá consumido no Estado é oriundo do Espírito Santo e do Ceará (Serra de Tianguá).

Mais recentemente a empresa de capital externo (austríaco e italiano) Meri Pobo Agropecuária, instalada em Jaguaruana – CE, iniciou um audacioso projeto de cultivo de maracujá orgânico. A empresa tem como meta produzir 500 ha de maracujá no Polo de Agricultura Irrigada RN-CE.

A graviola ainda é pouco cultivada na região. Há poucos plantios na micro-região de Baraúna e Quixeré. O cultivo é direcionado para a produção de polpa para atender o mercado regional.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

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quinta-feira - 28/06/2012 - 14:25h
Também 'nosso'

Aracati ganha aeroporto em julho; Mossoró agradece

Jornal O Povo

Em obras desde o primeiro semestre de 2008, o Aeroporto de Aracati, no Litoral Leste do Ceará, será inaugurado no dia 28 de julho (as 10 horas), segundo previsão do Governo do Estado. O investimento total da obra é de R$ 19 milhões, somando a construção da pista de pouso e decolagem, do pátio de estacionamento, da pista de táxi e da Seção de Combate a Incêndio (Secinc).

A nova pista tem vida útil de 20 anos e capacidade para operar 1.200 movimentos por ano. Quando inaugurada, estará apta para operar com aeronaves tipo Boeing 737. O comprimento da pista passou de 1.200m para os atuais 1.800m por 30m de largura. A área de escape é de 400 m de comprimento, o que totaliza 2.200m.

O aeroporto é localizado a aproximadamente 140 quilômetros de Fortaleza. Um dos destinos turísticos a serem explorados é Canoa Quebrada, em Aracati. O Governo do Estado prevê que outras cidades do Litoral Leste, como Fortim Icapuí e Beberibe, também devem ter impactos positivos no setor turístico.

O aeroporto também deve atender cidades da região do Jaguaribe. Com o equipamento, a região ficará acessível aos principais mercados emissores por via aérea, sendo capaz de receber voos nacionais, proporcionando incremento da cadeia econômica na região e criando um novo canal de escoamento da produção local com destino aos mercados consumidores.

Nota do Blog – E Mossoró há vários meses está enganchada com seu aeroporto, que chegou a ser fechado ano passado, porque o Governo do Estado não atendeu a exigências de segurança.

Algo positivo, é que o Aeroporto de Aracati, a cerca de 95 quilômetros de Mossoró, será um suporte estratégico para necessidades desse município, já que o próprio Governo do Estado do RN anda sem rumo, com olhos e interesses voltados apenas para um estádio de futebol em Natal.

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Categoria(s): Administração Pública / Gerais
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segunda-feira - 25/07/2011 - 13:23h
Baraúna urgente!!!

Polícia cobre 893,11km² sem ter uma viatura

Deu no Blog Baraúna Notícias AQUI

A única viatura que servia à Polícia de Baraúna quebrou a “bandeja”. Segundo informações técnicas, sem esse equipamento, o veículo fica impossibilitado de uso.

Na verdade, o veículo é uma “sucata rodante” e seus pneus estão lisos de pegar verniz.

Baraúna fica a 29 quilômetros de Mossoró. O município tem posição geográfica estratégica, divisa com o Vale do Jaguaribe e seu território é enorme, para ser coberto pela segurança pública, que agora faz  seu trabalho a pé ou com ajuda da iniciativa privada.

Baraúna tinha três viatura e duas motos no trabalho de segurança da cidade até há alguns meses.

A prefeitura local arcou com o conserto de uma viatura, com investimento de R$ 8 mil, para auxiliar a polícia.  Só que depois da restauração do carro, ele foi removido para o 2º Batalhão de Polícia Militar, baseado em Mossoró.

Nota do Blog – Baraúna tem um território de 893,11 quilômetros quadrados, tendo a oeste e norte divisa com os municípios cearenses de Aracati, Quixeré e Jaguaruana.

Segurança pública nessa imensidão, a pé, chega a ser algo ridículo. Vergonhoso.

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Categoria(s): Segurança Pública/Polícia
segunda-feira - 31/05/2010 - 16:49h

Além dos limites de Mossoró

Com uma população de quase 250 mil habitantes, Mossoró não deve ser analisada a partir desse volume demogrático. Seus números são mais grandiloquentes.

Até aqui, praticamente nenhum prefeito tem pensado e agido no trato de questões públicas, da organização de trânsito à urbanização e economia, vendo o município sob esse prisma. Mossoró não é ela em si. É multifacetada. Muitas numa só.

Esse perfil começou a se formar a partir da avassaladora seca de 1877, num triênio que praticamente quadruplicou a população local, de pouco mais de 6 mil pessoas para mais de 24 mil.

Temos uma cidade miscigenada, gregária e que vai bem além de seus limites territoriais tecnicamente postos pela cartografia oficial.

Sem entender isso, os governantes de hoje e de um passado não muito remoto, comprometem o próprio futuro dos mossoroenses. Também dificultam a vida dos que afluem para esse espaço, em passagens episódicas ou à fixação.

Um exemplo até bizarro de tamanho amadorismo, é o relacionamento da Prefeitura de Mossoró com mais de 2,5 mil veículos alternativos e congêneres, que despejam milhares de pessoas diariamente na cidade. Eles vêm do Vale do Jaguaribe (CE), Vale do Açu, Alto e Médio Oeste, além da região Salineira.

Há alguns meses, essa gente trabalhadora e de forte importância econômica, simplesmente foi banida do centro urbano, sem garantia de infraestrutura mínima nas áreas em que foi jogada.

É provável que Mossoró tenha população flutuante acima dos 20 ou 30 mil indivíduos/dia. Uma superpopulação desprezada, tratada com desdém ou mesmo imperceptível aos gestores públicos, que até aqui trabalham no improviso, no “achismo” ou sob a batuta de velhos modelos gerenciais.

Muitos de nós não entendemos o crescimento de Mossoró, sobretudo quando circulamos por sua periferia. Muitos não compreendemos o boom imobiliário e a migração de grandes grupos econômicos para essa terra.

Conjuntura

Os mais inocentes ou passionais, creditam tudo aos inquilinos da prefeitura. Outros, tão-somente à conjuntura nacional-internacional etc. A maioria não percebe que independentemente de fatores exógenos e algumas políticas públicas acertadas, pesam a extraordinária localização e potencial natural do lugar.

O West Shopping não foi instalado em Mossoró em nome do belo sorriso da prefeita Fátima Rosado (DEM). Algumas indústrias não estão se espraiando por mero incentivo do governo estadual. Híper Bom Preço, Lojas Americanas, Marisa, Renner e a indústria do petróleo não jogam âncora na cidade por nossa temperatura suíça.

Se na antiguidade todos os caminhos levavam à capital do mundo, Roma, na região de influência de Mossoró (cerca de 800 a 1 milhão de habitantes) todas as estradas/veredas – em especial do meio circulante – acorrem para esse lugar. Qualquer estudo canhestro – ou de reconhecida qualidade científica – mostrará isso.

Cada fábrica instalada em Grossos, Tibau, Governador Dix-sept Rosado etc. termina “despejando” dinheiro em Mossoró. De um simples Carnaval (Areia Branca) à indústria de cimento (Baraúna), temos moeda engordando a economia local, numa migração óbvia.

Deve ser observado, ainda, que Mossoró está se robustecendo como polo acadêmico. Milhares de jovens e adultos estão desembarcam diariamente na cidade em busca de conhecimento, a grande chave para o progresso pessoal e coletivo de qualquer povo.

Apesar de todas essas evidências, o poder público é convencional e atrasado, míope e primário em termos de gestão. Mossoró teima em ser provinciana, incapaz de avançar além dos arrabaldes de sua mentalidade política oligárquica, reducionista, patrimonialista e iníqua.

O futuro, dizem os mais fervorosos na fé, “a Deus pertence”. Em nome dessa fé, é bom lembrarmos: “Façamos nossa parte”.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog
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