Em seu pronunciamento, durante a sessão ordinária nessa terça-feira (19) na Assembleia Legislativa, o deputado José Dias (PSDB) disse não concordar com a viagem da governadora Fátima Bezerra (PT) para França e outros países europeus, além da China, a fim de negociar parcerias.
“Eu não acredito que essa viagem trará benefícios econômicos para o nosso Estado”, desacreditou. Para o deputado, “é um turismo às custas do povo pobre, das pessoas que precisam do básico da saúde pública, do povo que está morrendo por falta de assistência da saúde do Rio Grande do Norte”.
A posição do parlamentar ignora, por exemplo, passado recente do governo que ele chegou a apoiar, mesmo com relações pessoais abaladas com o governador Robinson Faria (PSD). Aplaudiu iniciativa do governo (2015-2018) de abrir contatos com setores estatais e do empresariado chinês, em fevereiro de 2017.
Bem antes, logo no início do segundo ano da gestão Robinson Faria, fevereiro de 2016, já avalizara viagem do governante à Colômbia. Robinson justificou que conheceria a política de segurança pública do país, exemplo para o mundo (veja AQUI). Para o RN, o efeito foi zero.
Resultados
Quanto à jornada chinesa, os reflexos da abertura de diálogo de Robinson – viagem de oito dias – podem ser sentidos hoje. Ele, ao lado de comitiva empresarial e auxiliares, passou por Hong Kong; depois, Shanghai, Whangzhou e Suhzou.
Investimentos em energias limpas (veja AQUI e AQUI) e exportação do setor de fruticultura estão se materializando. Outros negócios com somas milionárias e bilionárias podem se confirmar adiante pelas mãos de Fátima Bezerra.
Recentemente, o governador paulista João Dória (PSDB) desembarcou no Japão com igual finalidade. Buscou se apresentar e apresentar seu estado ao capital nipônico, à atração de investimentos.
Quanto à governadora Fátima, o diferencial mais nítido em relação ao antecessor e a Dória, é que ela faz parte de um colegiado de governadores nordestinos. Não age individualmente. Tem prós e contras nessa composição.
Eles formataram o que se denominou de Consórcio Nordeste (veja AQUI), com um objetivo administrativo-econômico claro e outro político – subliminar – não confessado: fazer frente ao Governo Jair Bolsonaro (sem partido). Os governadores repetem como entes federados estaduais, o que é comum acontecer entre municípios: parcerias intermunicipais segmentadas na saúde, transporte ou outra área.
Oportunidades, competência e fragilidades
Infraestrutura de transporte, energias limpas, minério, turismo, fruticultura e indústria cloroquímica são possibilidades que se abrem para o RN. A competência do atual governo para aproveitar o que está sendo feito, é outra questão.
Se o RN não estiver preparado, mesmo que surjam algumas oportunidades elas fatalmente vão migrar para outros estados vizinhos, caso do Ceará. Meios públicos e privados avançaram sobremodo no território cearense, da capital ao interior. Politicamente, também, com maior flexibilidade e canal de diálogo do seu governador, Camilo Santana (PT), com o Palácio do Planalto.
O deputado José Dias não censura e julga antecipadamente a viagem por desconhecimento de causa. Ele é, sem dúvidas, um dos parlamentares mais preparados da Casa. Sua postura parece mais birra. A birra que lhe faltou na administração Robinson em situações parecidas. Compreensível.
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