Por Paulo Menezes
O fato se passou no Rio de Janeiro. Aconteceu em uma das belas praias da cidade maravilhosa.
À mesa boêmia, dois amigos dos tempos de Mossoró: Raimundo Soares de Souza, notável advogado, promotor de Justiça, grande tribuno, ex-deputado federal, ex-prefeito mossoroense. Na época, ele era diretor da Companhia Federal de Seguros, poeta e boêmio inveterado. Vicente da Mota Neto (Motinha), político de grande prestígio, ex-deputado federal e estadual, advogado, promotor público, ex-prefeito e empresário, também chegado a uma boa farra.
O caso ocorreu num bar na Avenida Atlântica da encantadora beira-mar de Copacabana, local de encontro dos boêmios mossoroenses para brindar a vida com muitas cervejas, cena costumeira vivida pelos conterrâneos.
A recordação da querida cidade de Mossoró, na noite ainda criança, era o assunto principal do encontro, tendo como fundo musical uma voz e um violão com repertório musical dos “monstros” sagrados da Musica Popular Brasileira, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Em dado momento, ao ouvirem “Chega de Saudade”, Raimundo Soares confessou em voz alta:
– Estou com uma saudade danada do Bar Suez (bar em Mossoró, conhecido por ter a cerveja mais gelada da cidade).
Mota Neto respondeu de imediato, com uma pergunta:
– Por que não matar essa saudade e irmos lá tomar uma cerveja?
Raimundo sem qualquer vacilo, logo avalizou a sugestão:
– Imediatamente.
Trataram de matar a saudade e a vontade com rápidas providências. Dirigiram-se ao aeroporto, embarcaram num avião e partiram à aventura, pois naquele tempo a velocidade de cruzeiro das aeronaves eram bem inferior ao que as aeronaves bem mais modernas, hoje, empreendem.
Após várias horas de voo, inúmeras escalas, chegaram finalmente à capital pernambucana, sendo recepcionados pelo fiel escudeiro de Raimundo, o popular motorista Chico Borrego, para conduzi-los de carro até Mossoró.
Do aeroporto dos Guararapes no Recife, eles seguiram direto para o Bar Suez. Ao chegarem, muitos abraços, reencontros com vários amigos, a simpatia contagiante de Raimundo e a gargalhada espalhafatosa de Motinha, tomaram conta do ambiente festivo.
Beberam além da conta, muitas “louras geladas”, branquinhas como se fossem “canelas de serventes”.
A festança se estendeu até tarde da noite e no dia seguinte retornaram para a cidade maravilhosa.
Nos dias de hoje não temos mais poetas e boêmios como antigamente.
Paulo Menezes é meliponicultor e cronista























