Por Gutemberg Dias
O Coronavírus ou Covid-19 é o tema mais falado no mundo na atualidade. E, logicamente, não seria diferente no Rio Grande do Norte. Dentro desse contexto apresento nesse artigo, de forma simples, uma visão geral de como essa pandemia se alastra no âmbito de nosso estado. Os números que serão apresentados são oriundos do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde do RN, logo dados oficiais.
Primeiro quero iniciar falando sobre a doença. É algo nunca visto na humanidade, por isso, as dificuldades que os países, mesmos os de primeiro mundo, em controlar essa doença nos seus territórios nacionais, cito o exemplo dos EUA que no momento que escrevo esse artigo já tem mais de 38 mil mortes e mais de 700 mil pessoas contaminadas.
Seu contágio é exponencial, ou seja, uma única pessoa infectada depois de alguns dias pode ter contaminado milhares. Os números mostram que ela tem uma taxa de mortalidade de 6,4% no Brasil, muito maior que o H1N1 que seria a doença mais próxima para fazermos um comparativo.
Num contexto geral é uma doença sem cura até o momento e que causa morte em todas as faixas etárias.
No Rio Grande do Norte a doença tem seu marco inicial no dia 26/02 quando a SESAP confirmou o primeiro caso suspeito. Só no dia 13/03 é que vamos ter a primeira notificação de caso confirmado e a primeira morte ocorre no dia 29/03 quando já tínhamos 68 casos confirmados.
Os dados do boletim epidemiológico de 16/04 já apresenta um total de 23 óbitos e 463 casos confirmados, ou seja, dentro de um mês temos um crescimento rápido dos casos no âmbito do estado. No gráfico abaixo é possível observar o incremento dos casos confirmados e os óbitos.
Se apoderando de ferramentas de estatísticas é possível, ao analisar os números, confirmar que as curvas de detecção e óbitos, no Rio Grande do Norte, estão em ascensão. Os gráficos a seguir mostram as projeções de óbitos e casos confirmados até o final do mês de abril. Veja que até o final do mês, continuando o padrão de notificação até o dia 17/03, poderemos ter quase 700 casos confirmados e quase 50 óbitos.
Ainda, é importante ressaltar que no estado temos uma taxa de letalidade da doença de 5% e, também, lutamos contra a questão das subnotificações, fato que pode jogar para cima os números no estado.
É importante também apresentarmos a espacialização dos casos confirmados e os óbitos no âmbito do estado. No mapa abaixo é possível ver que já temos vários municípios com notificação, mas numa análise mais segmentada fica claro que a região metropolitana de Natal e a região oeste, tendo como base Mossoró, são as áreas de maior concentração dos casos notificados e óbitos.
Em relação aos obtidos Mossoró se destaca com 8 casos e na sequência Natal com 6.
Numa análise geral é possível afirmar que a curva dos casos no Rio Grande do Norte ainda está em ascendência e que as medidas de isolamento precisam se manter para garantir o achatamento dessa curva, dessa forma, impedindo o colapso do sistema de saúde, principalmente, no que se refere a disponibilidade de leitos de UTI.
Diante dos números fica claro que não podemos brincar com essa pandemia e que as mediadas de controle precisam ser seguidas por todos nós. Ainda não entramos na fase crítica no Brasil e, consequentemente, no Rio Grande do Norte. Não pense que não iremos passar por grandes aflições, nosso estado não está à margem do mundo e temos que trabalhar com cenários críticos para podermos tomar ações de maior envergadura para garantir a estabilidade sanitária.
Por enquanto, fique em casa. Não tem outra forma de conter o avanço da doença.
Gutemberg Dias é professor do Departamento de Geografia da UERN






















