domingo - 26/05/2019 - 16:10h

Às máquinas, o mundo!

Por Honório de Medeiros

Conto, em meu Poder Político e Direito – A Instrumentalização Política da Interpretação Jurídica Constitucional, um fato narrado por Sir Winston Churchill em My Early Life – A Roving Comission, para ressaltar seu “lado” pouco conhecido de epistemólogo que fez uma opção decidida pelo Realismo, em oposição ao Idealismo.

Esse seu “lado” de filósofo – é bom lembrar que ele foi também escritor, pintor e memorialista e a sua obra, nomeadamente as Memórias de Guerra (1948-1954), valeu-lhe o Prêmio Nobel da Literatura em 1953 – me veio à mente ao ler, quase que por acaso, uma frase que ele proferiu: “Moldamos os nossos prédios e depois eles nos moldam”.A leitura foi da excelente resenha que Ricardo Abromovay publicou na Revista “Quatro Cinco Um”, acerca de três obras ainda não traduzidas para o português e que tratam daquilo que o autor denomina de “Sociedade da Vigilância em Rede”.

Pois bem: Abromovay nos induz ao seguinte raciocínio analógico: se nos moldam os prédios que nós construímos, segundo o brilhante “insight” de Churchill, podemos esperar algo diferente em relação à “Rede”?

Até aí tudo tranquilo. É difícil quem pense o contrário entre “cabeças pensantes”.

O problema é que o diabo mora nos detalhes, como diz o famoso provérbio alemão.

Cito Abromovay:

“Na verdade, as informações permanentemente coletadas e analisadas por algoritmos, cujo funcionamento nos é completamente opaco, permitem que nossa conduta seja previsível e, justamente por isso, abrem caminho a uma interferência em nosso cotidiano que é inédita e atinge todas as esferas da vida social.

Em 2014, por exemplo, a Amazon patenteou um sistema que permite antecipar o que os clientes querem comprar, antes mesmo que eles próprios o saibam. A mágica está nas informações reunidas sobre cada um de nós e na análise que delas é feita”.

Apavorante.

Lembrei-me que certa vez perguntaram a Stephen Hawking se a inteligência artificial iria nos superar – a chamada “singularidade tecnológica”.

“É bem provável que sim”, respondeu ele.

E propôs embutir sensores éticos nas nossas máquinas inteligentes. “Como assim”, me perguntei. “Sensores éticos?”

E me lembrei da sociedade distópica imaginada por George Orwell em 1984: no futuro totalmente controlado por intermédio da inteligência artificial não é o “Grande Irmão” quem dará as cartas. Serão as máquinas.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

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terça-feira - 07/05/2019 - 09:18h
Bom senso

Fátima aprende, no Governo do RN, a mudar de opinião

Nada como um dia atrás do outro na vida e na política.

A então senadora Fátima Bezerra e seu partido, o PT, eram visceralmente contra a exploração de campos maduros por empresas privadas, cobrando que a Petrobras mantivesse a prospecção a qualquer custo.

Do Senado ao Governo do RN, Fátima muda de poder e de opinião por uma questão de bom senso (Foto: arquivo)

Também montaram barricadas no Congresso Nacional contra a cessão onerosa do Pré-Sal.

Agora, governadora, ela e o PT pensam e agem de forma diametralmente oposta.

Ainda bem. Que avanço.

Não é apenas uma questão de mudança de opinião, mas de bom senso.

Essas são duas medidas que podem oxigenar a economia do estado e o erário do RN.

Como cunhou o chanceler britânico Winston Churchill, “não há mal nenhum em mudar de opinião. Contanto que seja para melhor”.

O escritor espanhol Miguel de Cervantes pensava parecido: “É dos sábios mudar de opinião”.

O que é cessão onerosa? É um contrato em que a União concedeu à Petrobras o direito de explorar e produzir 5 bilhões de barris de petróleo e gás natural, em seis blocos do pré-sal da Bacia de Santos (veja AQUI). Segundo a petrolífera, a produção é de, em média, 25 mil barris de petróleo por dia. Dos dez poços com maior produção no Brasil, nove estão localizados nessa área. Os entes federados (estados e municípios) aguardam regulamentação para recebimento de parte dos recursos financeiros advindos do negócio, caso do RN.

O que é um campo maduro? É aquele que se encontra naturalmente em queda de produtividade rumo à exaustão de sua reserva recuperável. Todo o campo de petróleo em um determinado tempo de sua vida produtiva tem um declínio de produção, porém continua a ser interessante economicamente. A Petrobras não tem interesse em investir mais nele por ser antieconômico, mas empresas privadas o fazem, a um custo menor e de forma rentável.

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sexta-feira - 29/03/2019 - 23:58h

Pensando bem…

“Não há mal nenhum em mudar de opinião. Contanto que seja para melhor.”

Winston Churchill

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quarta-feira - 20/03/2019 - 23:59h

Pensando bem…

O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo.”

Winston Churchill

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domingo - 27/01/2019 - 08:46h

Distorcer para manipular

Por Honório de Medeiros

Em “On Liberty”, de 1859, Sir John Stuart Mill sugere que “A única liberdade que merece esse nome é a de perseguir nosso próprio bem, à nossa própria maneira, desde que não tentemos privar os outros de seus bens, ou impedir seus esforços para alcançá-los… O único propósito pelo qual o poder pode ser exercido de forma correta sobre qualquer membro de uma sociedade civilizada contra sua vontade é impedir o mal aos outros. Seu próprio bem, físico ou moral, não é justificativa suficiente.”

Não é preciso salientar a importância dessa obra para a construção do pensamento liberal. Mas é preciso ressaltar que esse ideário é um dos mitos fundantes do Estado contemporâneo fulcrado em uma Democracia tal qual encontrada nos países ocidentais.

Tampouco há necessidade de enumerar as críticas existentes a essa Democracia nos moldes ocidentais. São muitas. Algumas corretas.

Entretanto vale a pena lembrar Sir Winston Churchill, e sua famosa “boutade”: “A democracia é a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas.”

Também vale a pena lembrar os países ocidentais como aqueles que detêm os melhores índices de desenvolvimento humano.

As elites políticas sequiosas de obtenção e manutenção do Poder já compreenderam, de há muito, o ponto fraco na argumentação de Sir John Stuart Mill, e o distorceram para manipularem e manterem seu “status quo” de dominação.

A chave é “impedir o mal aos outros”.

Hoje em dia esse argumento retórico foi substituído por outro mais sofisticado e condizente com os tempos atuais: “a predominância do público sobre o privado”.

Ou seja, tudo quanto for oriundo do Estado (daqueles que detêm os aparelhos do Estado em suas mãos) deve ser respeitado e obedecido, já que implica, necessariamente, no interesse do predomínio do público sobre o privado. E a prevalência do público sobre o privado existe única e exclusivamente no intuito de impedir (que se faça) o mal aos outros.

O que está por trás dessa concepção, quando não se trata única e exclusivamente de ‘Banditismo’, é a crença que as elites dirigente têm em sua capacidade de saber o que é o certo e o melhor para todos. As elites dirigentes creem ser, para isso, ungidas pelos deuses, ou pelo conhecimento, ou pelo destino, para imporem, aos comuns dos mortais, as regras que estes devem seguir em Sociedade.

Nada mais autoritário. Nada mais arcaico. Nada mais atual.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

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domingo - 13/01/2019 - 19:50h

Do que você está falando, companheiro?

Por Rodrigo Levino

1. “A maioria das pessoas não sabia que ‘imoralidade’ significa algo mais que imoralidade sexual.”

O relato acima, do escritor britânico George Orwell, está no ensaio Propaganda e discurso popular, dos anos 30, parte de um conjunto de textos da época em que o autor analisa a linguagem e o discurso dos sindicatos proletários aos atores políticos da Inglaterra então em guerra.

Máscaras de Lula no acampamento de simpatizantes na sede da Polícia Federal em Curitiba (Foto Pablo Jacob - Agência Globo)

Em 2014, no Brasil, pesquisas qualitativas detectaram um deslize fatal do então candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), na Região Nordeste, ao se referir à presidente Dilma Rousseff (PT) como “leviana”.

Uma quantidade considerável de pessoas não sabia que “leviana” significa algo mais do que outra expressão popular para “rameira”.

2. Entre outros aspectos, como o léxico e até a prosódia (cita o estadista britânico Winston Churchill, que pronunciava mal “nazi” e “Gestapo”, assim como a gente comum; o primeiro-ministro igualmente britânico Lloyd George, que falava “kêiser”, a versão das ruas, e não “kaiser”, o que os aproximava do povo, um trunfo), Orwell trata, quando sobre a esquerda, da degradação das palavras, mormente seu engessamento pelos clichês de protestos sindicais e do Partido Comunista, que vão aos poucos revogando seus sentidos originais e se tornando pálidas aos ouvidos da massa.

3. As causas mudaram, os sindicatos morreram, as narrativas idem. Noventa anos depois, a linguagem, coitada, segue sendo açoitada.

Tomemos a mesma esquerda da qual tratava Orwell como amostra, numa versão local.

Mais fortemente após 2013, com o acirramento da disputa política no Brasil nas redes sociais, fascismo, nazismo e genocídio deixaram de carregar corpos, tragédias e história em seus significados e se transformaram em dispositivos de realçar virtudes, quando postos num falso contraste com o oponente, quase sempre um espantalho mal montado, genérico.

Junto da perda dos referenciais históricos e do bom senso, os limites também se alargam, o registro das palavras esmaece. Se tudo é fascismo, nada é fascismo. E quem saberia definir de pronto, assim que a palavra sair da boca?

4. Mesmo com a vida coalhada de violência por todos os lados, uma quantidade considerável de pessoas pode nem sequer relacionar semanticamente “genocídio” a seu cotidiano.

É que a retórica tem por limite a realidade, de modo que a pergunta se impõe: a violência estatal que se abate sobre as populações mais pobres e negra no Brasil pode ser mensurada pelos mesmos protocolos que definiram o que houve na aniquilação de jovens na Guerra Civil de Ruanda ou no Conflito dos Bálcãs?

5. A direita, por sua vez, dobrou todas as apostas nesta guerra de linguagem e, com trollagem, ataques coordenados e o humor incivilizado dos memes, desceu a uma boçalidade que não passou despercebida nem pelo vice-presidente, o general Hamilton Mourão, na última campanha eleitoral.

6. “Não passarão”, “Não vai ter golpe”, “Ele não”, “Lula livre”, “Eleição sem Lula é fraude”.

Assistiu-se nos últimos anos também ao florescer de slogans de batalhas perdidas, reciclados e adaptados da Guerra Civil Espanhola à romaria lulista, todos fontes de muita frustração. Um sucedendo ao outro numa peregrinação insensata por mudar os fatos, esses teimosos.

Especialmente no petismo, junto da repetição exaustiva desses gritos de guerra, a degradação da linguagem veio num crescente de cinismo, de “recursos não contabilizados” até “Dilmãe”, um negócio infantiloide, antipolítico.

O acúmulo desses dois vieses tomou a forma de escárnio e fermentou o ressentimento. De modo que quem já foi à luta com Dilma Bolada não pode se surpreender com o Mamãe Falei.

7. Acossada pelas denúncias e condenações por corrupção contra o PT e pelas consequências da crise econômica dilmista, a esquerda centrou força numa luta que é urgente, mas comunicada, sobretudo por e entre millennials, com uma estética irônica, elitista e excludente, logo impermeável à massa, esmagada pela violência e pela falta de trabalho.

Mansplaining, gaslighting, ghosting, empowerment são expressões de branding, não de causa humanitária urgente.

Desaforo, grosseria, má educação, atrevimento, desrespeito, abuso, violência, insolência, audácia, ofensa, cinismo; nossa língua, a do povo, é rica e pode dar conta de criar pontes entre desiguais e definir o que é inaceitável sem recorrer a modismos universitários americanos. O lacre venceu a práxis.

8. O mercado e a publicidade engoliram os novos revolucionários — a cadeia, os mais velhos.

“Antes de lacrar, verifique se você está contribuindo com questões urgentes de direitos humanos ou só fortalecendo a marca de uma grande corporação”: poderia ser um aviso permanente a uma nova esquerda que, nos anos 60-70, estaria sendo chamada de “distração burguesa” ou “alienada”.

9. Quem domina a linguagem ainda domina o discurso.

Rodrigo Levino, de 36 anos, é cozinheiro. Atuou e colaborou como jornalista por 12 anos na Folha de S.PauloPlayboyPoder, Piauí e em outras publicações. É escritor e jornalista de origem caicoense, com atuação também na imprensa do RN.

*Texto originalmente publicado na revista Época.

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domingo - 31/12/2017 - 03:52h

Política, xadrez e futebol

Por Honório de Medeiros

Cheguei em Natal, vindo de Mossoró, para estudar, em 1974. Escolhi, depois de alguma hesitação, a antiga Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte (ETFRN), e não o Marista, para onde foram meus amigos de infância. Na Etfrn dei três passos no rumo do que seria onipresente em minha vida, de uma forma ou de outra: escrever e ser lido, mesmo que por (muito) poucos, o jogo de xadrez, e a política.

Na Etfrn eu e Rui Lopes criamos o jornal mural “A Capa”, sucesso entre os alunos, que causou alguns incômodos à administração da imensa figura humana que foi o Professor Arnaldo Arsênio por sua postura, digamos assim, meio inconformista, ao ponto de sermos chamados a seu gabinete para uma “admoestação” carinhosa.

Fui, também, para meu orgulho, Presidente do Centro Cívico Escolar Nilo Peçanha, o que me introduziu na política estudantil.

Naquela época, plena ditadura, implantamos na Etfrn uma experiência inédita: debate direto entre a direção e os alunos realizado sempre no Ginásio de Esportes, o que me levou a ser convidado pelo Padre Sabino Gentilli para dar uma palestra aos colegas do Salesiano.

O primeiro deles foi exatamente com o Professor Arnaldo Arsênio.

Por outro lado representei, após o maior enxadrista norte riograndense de todos os tempos, Máximo Macedo, as cores da Etfrn nos disputadíssimos Jogos Estudantis do Rio Grande do Norte, o JERNS, com Alexandre Macedo, e sua hegemonia de nove anos obtendo a medalha de ouro.

Naquele ano, 1975, conseguimos acrescentar a décima medalha de ouro consecutiva à coleção da Escola.

Ironia do destino: no ano seguinte quebramos, eu e Gilson Ricardo de Medeiros Pereira, outro depois notável enxadrista potiguar, a hegemonia da Etfrn, e a conseguimos para o Winston Churchill, creio que sua primeira medalha de ouro no xadrez.

Gilson Ricardo, eu, Maurício Noronha, Wilson Roberto, Dilermando Jucá, João Maria “Tarrasch” e Jairo Lima constituíamos a turma mais jovem que frequentava o P4BR Clube de Xadrez, de saudosa memória, do qual cheguei a presidente.

Funcionava no último andar do Edifício Barão do Rio Branco, no mesmo andar onde Manxa, excepcional artista plástico do nosso Estado, tinha seu estúdio, e, assim como nós, invadia as madrugadas nos dias-de-semana e sábados até a hora de irmos embora a pé, sem medo de absolutamente nada, por uma Natal adormecida.

Tigran Petrosian (Foto: Web)

Conversávamos muito, na época, acerca de xadrez: seus jogadores do passado, os grandes feitos, a história do esporte/arte, a situação local, quais torneios participaríamos, mas o importante mesmo era discutir a grande questão: a qual estilo nós, individualmente, nos filiávamos: seríamos posicionais ou táticos? Privilegiávamos a defesa ou o ataque?

Quem defendia o estilo posicional tinha, como ídolo, Tigran Petrosian; quem assumia o tático incensava Mikhail Tahl. Ambos eram, se podemos dizer assim, os maiores representantes de cada um dos estilos, segundo o entendimento dos estudiosos do assunto.

Hoje sei que eu, mesmo mediocremente, poderia ser considerado um jogador de estilo posicional, aos moldes de Petrosian, apesar de todas as limitações que um amador ingênuo possa ter. Cheguei a essa conclusão muito mais pelas características da personalidade de Petrosian que, propriamente pelo seu belo e estranho estilo de jogar.

O “insight” veio quando li uma frase por ele proferida em algum momento de sua vida: “Em meu estilo, como em um espelho, está refletido meu caráter”.

Caráter não enquanto moral, mas, sim, como forma-de-ser, muito embora Petrosian fosse muito respeitado por sua dignidade e postura.

De fato seu xadrez era cauteloso, prudente, posicional, defensivo. Mas ele não via o seu estilo defensivo como passivo. Nós dizíamos, no nosso tempo, que ele parecia uma jiboia: envolvia progressivamente seu oponente, e ia triturando-o lentamente, deixando-o sem espaço e, cada vez mais sem opções de jogada, até o arremate final.

Um dos grandes feitos de Petrosian, interromper uma sequência de dezenove partidas ininterruptas de Bobby Fischer em seu auge, originou um precioso comentário do gênio americano em seu My 60 Memorable Games: “Eu estava pasmado no transcorrer do jogo. Cada vez que Petrosian conseguia uma boa posição, ele manobrava para obter uma melhor”.

Petrosian dera um nó no gênio Bobby Fischer! Quando Petrosian derrotou Botvinnik, ganhando o título mundial, este comentou assim o feito: “Petrosian possui um talento único em xadrez. (…) Mas enquanto Tahl tentava alcançar posições dinâmicas, Petrosian criava posições nas quais os eventos se desenvolviam em câmara lenta. É difícil atacar suas peças: as peças atacantes só avançam lentamente, atoladas no pântano que cerca o campo das peças de Petrosian.”

Ou seja, para Petrossian, o primordial era primeiro defender, para depois atacar; enquanto que para Tahl, o ataque era a melhor defesa.

Pois bem, ao longo dos anos, canhestramente, passei a crer que Petrosian tinha razão quando disse que o jogo de xadrez refletia a forma-de-ser de cada jogador. E, ousadamente, ampliei o espectro do alcance de sua teoria: estou convicto que qualquer esporte reflete as características pessoais dos jogadores quando de sua atuação, desde o xadrez até o futebol, passando por pôquer ou pelas artes marciais.

E creio, hoje, que no futebol, por exemplo, estão presentes as duas escolas tradicionais do xadrez, como reflexo da personalidade de seus protagonistas, principalmente os técnicos, quais sejam a posicional e a tática, a postura centrada na defesa, e a postura centrada no ataque.

Com base em Anatol Rapoport, o psicólogo e matemático americano nascido russo, em seu famoso livro de 1960, “Fights, Games, and Debates”, que entende que os princípios que norteiam sua “teoria dos conflitos” se estende, por exemplo, aos debates, vou ainda mais longe: podemos perceber a existência desses dois estilos até mesmo na política.

É o caso, por exemplo, de Tite e Guardiola, no futebol, e de Tancredo Neves e Leonel Brizola, na política. Tudo isso, claro, convicto de que na realidade não há nunca somente preto e branco. Há os infinitos matizes do cinza…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Crônica
domingo - 01/10/2017 - 04:08h

Democracia entre mourões

Por Paulo Linhares

Que as instituições jurídico-políticas brasileiras estão em aguda crise ninguém duvida, a despeito do paraíso tupiniquim – um Brasil sem problemas, lindo e maravilhoso – que o presidente Temer descreveu na tribuna da ONU. Delírios à parte, enquanto o doutor Michel ‘escruviteava’ nas terras do Tio Sam  ( oh! Irma…), a sua autoridade de comandante-chefe das Forças Armadas foi terrivelmente corroída pelas declarações do General de Exército Antonio Hamilton Mourão, que exerce o cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército Brasileiro, numa festa branca da Maçonaria, em que defendeu a intervenção militar no governo, no caso de o Poder Judiciário “não solucionar o problema político” de retirar de cena, isto é, prender, “os elementos envolvidos em todos os ilícitos”.

Foi demais.

O militar violou gravemente o estatuto da organização militar à que pertence e, sobretudo, à Constituição Federal. Militares da ativa não podem fazer esse tipo de declaração.

O impacto político dessas declarações foi enorme, porquanto nada parecido aconteceu neste país nos últimos vinte e cinco anos. Uma coisa que causou surpresa foi uma coincidência trágica e  surpreendente: foi outro Mourão, o impetuoso general Olympio Mourão Filho, movimentou o IV Exército, de Juiz de Fora ao Rio de Janeiro, para arregimentar seus pares e desencadear o golpe militar de 1964 e que lançou o Brasil numa ditadura que durou mais de duas décadas.

Aliás, o mesmo Mourão foi peça-chave do chamado “Plano Cohen: ainda mero capitão e membro da Ação Integralista Brasileira, organização política de extrema-direita, coube forjar um documento que organizava um golpe para destituir Getúlio Vargas,  uma farsa que serviu de pretexto para o golpe que deu início ao Estado Novo, uma ditadura protofascista que durou longos oito anos.

O impetuoso Mourão de agora não se apercebeu do profundo anacronismo de sua declaração. Sobretudo, não percebeu que a hegemonia política, no Brasil de hoje, está justo com aqueles que ele pretendeu chantagear: os juízes. Há muito tempo que as armas, aqui, cederam passo às togas, para lembrar mais ma vez a famosa asserção de Marco Tullio Cicero.

Contrariamente do que ocorria no passado, o grosso da população não enxerga na Forças Armadas os “salvadores da Pátria”. Para a massa ignara esse papel seria muito mais do juiz Moro, ele próprio soi-disant o anjo vingador da moralidade pública e que um dos mourões de uma elite que, a propósito de livrar o Brasil da corrupção (os militares e civis que protagonizaram o golpe de 1964 prometiam a mesma coisa), pauta politicamente a sociedade brasileira.

O boquirroto Mourão – ainda bem que não tem tropa sob seu comando, sendo mero burocrata militar ao contrário do seu xará de 1964 – deveria ser punido: o ministro da Defesa, Raul Jurgman preferiu recolher-se à sua civil insignificância e o comandante-geral do Exército, general Villas Boas, não puniu como até elogiou o seu subordinado.

No mínimo, Mourão deve ser defenestrado do cargo importante que exerce, para aprender que a democracia é um valor permanente, inalienável e inafastável da ordem constitucional aqui instalada. Efetivamente, a sociedade brasileira não precisa de tutores, de farda ou de toga.

A democracia pode até ser o pior dos regimes políticos, à exceção de todos os outros, como asseverou o Lord Churchill, mas, é um valor permanente a ser defendido e preservado.

A despeito de as Forças Armadas serem imprescindíveis na estrutura do Estado brasileiro, a sua atuação deve pautar-se pelo princípio democrático, que é o balizador da ordem constitucional vigente que imanta todas as instituições jurídico-políticas nacionais. Assim, por mais que cause desconforto o poder exercido pela aliança formada pelo Poder Judiciário, o Ministério Público e a Polícia Federal, uma intervenção armada deve ser coibida e repudiada.

Se um general qualquer deseja influir nos rumos políticos do país tem todo o direito, desde que siga o exemplo do capitão Bolsonaro, buscando o espinhoso caminho das urnas.

Fora daí não há salvação possível, nem merece qualquer respeito. Afinal, a democracia não pode nem deve ser espremida entre reles e grosseiros mourões, pois o Brasil, na linguagem dos trovadores destes sertões, nem isso é mourão voltado, nem é voltar mourão.

Paulo Linhares é professor e advogado

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Categoria(s): Artigo
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sábado - 17/06/2017 - 23:49h

Pensando bem…

“A vida dá lições que só se dão uma vez”.

Winston Churchill

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sexta-feira - 09/12/2016 - 23:56h

Pensando bem…

“Não há mal nenhum em mudar de opinião. Contanto que seja para melhor.”

Winston Churchill

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terça-feira - 24/11/2015 - 23:46h

Pensando bem…

“Fanático é aquele que não muda de ideia e não consegue mudar de assunto.”

Winston Churchill

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segunda-feira - 08/06/2015 - 23:56h

Pensando bem…

“Quanto mais longe você consegue olhar para trás, tão mais longe você está apto para ver à frente.”

Winston Churchill

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segunda-feira - 22/09/2014 - 23:59h

Pensando bem…

“Fanático é aquele que não muda de ideia e não consegue mudar de assunto.”

Winston Churchill

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terça-feira - 07/01/2014 - 23:51h

Pensando bem…

“A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.”

Winston Churchill

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quarta-feira - 17/07/2013 - 09:11h
Bernard Shaw e Churchill

Amabilidades geniais entre dois gênios

Por Gaudêncio Torquato (Do site Migalhas, coluna Porandubas)

Se houver

Telegramas trocados entre o dramaturgo Bernard Shaw e Churchill, seu desafeto.

Convite de Bernard Shaw para Churchill: “Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação de minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver“.

Resposta de Winston Churchill: “Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei à segunda, se houver“.

Nota do Blog – Gênios, gênios, gênios.

Inimigos ou desafetos com tamanho grau de inteligência merecem todo o respeito do mundo. Tratam-se assim, por regra.

Os desprovidos disso, no máximo merecem a indiferença. E já é muito.

Gênios, gênios…

 

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Categoria(s): Folclore Político / Política
domingo - 13/05/2012 - 03:40h

Greve, Uern, Anselmo, Rosalba, Direito e Educação

Por Samuel Paiva

Olá, eu sou Samuel de Oliveira Paiva, aluno matriculado no 4°Período de Direito da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). O relógio do canto inferior direito do meu computador aponta 01h30min da madrugada de Domingo para Segunda. Em verdade gostaria de estar dormindo para acordar bem para a aula.

Como se sabe, no entanto, estamos mais uma vez em greve, depois dos homéricos 106 dias. Gostaria de descer a certas minúcias que outros veículos ainda não desceram.

A aula era de Ciência Política, um homem baixinho, bem vestido, de modos polidos, gestos comedidos, voz tenra, e um jeito de falar que mais escondia que expunha, adentrou na sala. Sim era Anselmo Carvalho, o atual secretário-chefe do Gabinete Civil do Governo.

Educado, inteligente, mas com uma apatia que afastava qualquer dinâmica, o mestre nos explicava seus slides que misturavam os ensinamentos de Dalmo de Abreu Dallari e Paulo Bonavides. Uma vez eu perguntei-lhe se poderíamos chamar os Rosado de oligarquia. Ele abriu os braços, esticou um lábio, não respondeu. Insisti. “Cada um diz o que quer”, limitou-se a dizer.

Repare que com isso não quero ganhar tratamento de crítico agudo, rapaz ciente, ou qualquer estandarte que o valha. Acho simplesmente que aquilo fora prova de certa fraqueza, afinal um professor de Ciência Política não poderia se furtar a uma problemática desse tipo, ainda que fosse para argumentar de maneira diversa.

Era como se a Teoria não fosse digna da prática.

Lembro que Anselmo sempre nos indicava a leitura dos “Escritos Políticos” de Winston Churchill. Se compararmos suas frases que versam nesse sentido: “Só faremos o pagamento quando a lei de responsabilidade fiscal permitir”, com uma de Churchill, “não adianta dizer: Estamos fazendo o melhor que podemos. Temos que conseguir o que quer que seja necessário”, novamente somos tomados pela impressão de que para certas figuras a Teoria não merece a prática.

Sua curiosidade pelos livros é a mesma de um transeunte pelo corpo de um individuo que acaba de acidentar-se, olha, impressiona-se e vai embora tentando esquecer o horror que vira. Acho triste e incompreensível que alguém se satisfaça em ser cão de guarda alheio, um cão de guarda frio e burocrático.

De Rosalba Ciarlini (DEM) não esperava outra coisa. Só os neuróticos não sabem que na nossa política funciona o costume contra legem, não há segredos nisso, os prefeitos e vereadores compram eleitores avulsos, os governadores compram em atacado, por meio de “apoio”. Perceba que o “jogo político” na época de eleições faz com que, principalmente nas cidades pequenas, o candidato a Governo troque de prefeito cerca de quatros vezes.

Então sabemos que os alicerces são podres, logo sobre ele não se fixam grandes edifícios. Na campanha a qual Rosalba sagrou-se governadora, lembro que ela passou em minha cidade natal, como em muitos outros lugarejos. Lá encontrou, na zona rural, um circo – de fato era um circo – e centenas de eleitores apertados em trajes cor-de-rosa comprados às pressas, já que até duas semanas atrás o prefeito apoiava outro candidato.

Rosalba, junto com Zé Agripino, tirou fotos com um chapelão de palha na cabeça. Chamamos a isso de “festa da Democracia”. A poetisa Hilda Hist dizia que, etimologicamente, Democracia quer dizer Governo do Demônio (Demo=Demônio, Cracia=Governo). Rosalba era, por tanto, igual a todos, como poderia esperar que algo diferente brotasse desse seio político viciado?

Carlos Drummond verseja, como metáfora claro, de uma Flor que brota no meio do asfalto. Vendo-a surrada, insossa, esmilinguida, ele diz “É feia, mas é uma Flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”.

Escrevi um Cordel dizendo “É Rosa, mas não é uma Flor”.

A Uern precisa de muita coisa, vontade acima de tudo. Das mais simples informações a livros e papel-higiênico. Falta também respeito por parte de muitos professores aos estatutos de nossa faculdade, cronograma e outras coisas que as sucessivas greves bagunçam ainda mais.

Apesar de tudo, tenho muito orgulho e sinto-me deveras feliz em cruzar sua entrada de portões arriados.

Os professores têm que lutar por melhores salários sim. Às vezes nós alunos injustamente reclamamos de suas posturas, ocorre que no máximo passaremos cinco anos na faculdade, ansiamos levantar voo, só que a luta dos professores é a luta de uma vida inteira. Refiro-me aos verdadeiros professores, há muitos que não merecem esse título. Como há alunos que não o merecem.

O Curso de Direito recebeu o selo OAB. É apenas a prova de que somos bons em provas. Passamos por uma crise paradigmática no Direito, tremendo excesso de contingente, falta de consciente. Lênio Luiz Streck costuma perguntar em suas aulas se alguém aceitaria ser operado por um cardiologista que tivesse estudado por um livro intitulado “Manual de Cirurgia Cardíaca Descomplicado” ou “esquematizado”. No Direito isso é uma constante, somos obrigados a tal.

Torço para que nós alunos não nos percamos em nossas reinvidicações, tenhamos olhos abertos, dispensando as vias extremas e duvidando das muito fáceis. A luta é por Educação, somos de um país, de uma região, de um estado, deseducado.

Educação é prática, é como caridade. É a própria vida. Reflete-se desde a hora de votar até a de dizer sem alarme que sente a morte roubar-lhe as forças.

Samuel Paiva é estudante do quarto período de Direito da Uern e se apresenta ainda como “escritor amador” em seu blog denominado de “O efeito cafeína”.

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segunda-feira - 23/01/2012 - 23:55h

Pensando bem…

“A sorte não existe. Aquilo a que chamas sorte é o cuidado com os pormenores.”

Winston Churchill

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quarta-feira - 20/07/2011 - 18:24h
Decisão

Finalmente chega ao fim a greve dos professores do RN

Acabou a greve dos professores do sistema estadual de ensino.

Decisão saiu de assembleia geral.

Reunidos na Escola Estadual Winston Churchill – em Natal, agora ao final da tarde, os grevistas decidiram por fim ao movimento de quase 80 dias.

Agora acompanharemos uma dolorosa missão de resgatar o tempo perdido, algo quase impossível.

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quarta-feira - 20/07/2011 - 07:00h
Educação

Greve por uma peinha de nada

Hoje tem mais uma rodada de negociações entre Governo do Estado e professores.

Há boa possibilidade de que as partes cheguem a um entendimento, pondo fim a uma paralisação recorde.

Está marcada uma nova assembleia da categoria para às 16 horas, no Colégio Winston Churchil – Natal.

Agora pela manhã, os litigantes reúnem-se no Centro Administrativo do Governo do Estado, para uma conversa olho no olho.

Nota do Blog – Que essa greve chegue ao fim.

Que os anjos da boca mole digam “amém!”

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