A declaração do deputado federal Henrique Alves (PMDB), em que afirma intenção do partido em ter candidato próprio a prefeito do Natal (veja matéria mais abaixo), não deve causar perplexidade. É o óbvio.
O PMDB precisa resgatar força e espaço perdidos na capital, que tem "efeito tambor" para o restante do RN. Sem fincar bandeira em Natal, a legenda continuará tendo dificuldades para espraiar sua influência irradiadora para o interior, em outros importantes colégios eleitorais e nos rincões.
Quanto à informação do deputado, um líder moderado e craque no jogo de bastidores, ela precisa ser interpretada com cautela. Não adianta tomá-la como uma assertiva irremovível. Há muito que a política do RN abandonou o hábito do "prego batido, ponta virada" – em termos de palavra.
Os exemplos pipocam a todo momento e por todos os poros.
Faz-me recordar o final dos anos 80, quando abordei o então senador Lavoisier Maia sobre hipótese de romper com família e o sistema Maia. Perdeu a fleuma comigo. Considerou impertinente a conjectura. Improvável, para ser mais firme.
Um ano e poucos meses depois, Lavoisier era candidato a governador, contra José Agripino Maia, com apoio do sistema Alves. Perdeu, mas a fissura político-familiar realmente se materializou, como eu prejulgara.
Portanto, o que Henrique anuncia pode sofrer reparos adiante.
Como costuma justificar a governadora Wilma de Faria (PSB), sempre ziguezagueando com as palavras, tudo depende do "cenário."
O PMDB num primeiro turno pode até apresentar candidato a prefeito. No segundo, não prosperando sua candidatura própria, a quem apoiaria? Não esqueçamos que o partido no plano nacional, a cada dia está mais afinado com o governo do presidente Lula. Não esqueçamos que o senador e primo de Henrique, Garibaldi Alves Filho (PMDB), é presidente do Senado com apoio maciço do PT de Lula.
Enfim, é muito cedo para decisões arrebatadoras.
Como está posto em Eclesiastes: "Há tempo para tudo."
Faça um Comentário