Como o ser humano é às vezes estranho. Chega a nos colocar em dúvida quanto à sua superioridade em relação a outros bichos, os irracionais. Assusta-me.
Constato que pululam reações sádicas – a maioria de forma subliminar – sobre as demissões no Diário de Natal/Rádio Clube AM, em Natal.
Há um prazer sórdido. Muitos não disfarçam um gosto bizarro diante do infortúnio de dezenas de profissionais. Exalam endorfina por todos os poros, o conhecido "hormônio do prazer."
Esses indivíduos não se realizam com seus próprios feitos, eventuais conquistas e progresso pessoal. Precisam que alguém esteja mal, para que transbordem de êxtase. Quanta pequenez!
A maioria não percebe que estamos sempre sujeitos ao "efeito gangorra", para cima e para baixo. Agora, do alto, enxergam a desventura alheia com ironia, comum àqueles que sofrem de transtornos de personalidade.
São recalques difíceis de serem superados. Estão latentes.
Humanos, nós?
Entre lobos, o duelo para comando da matilha envolve os machos mais fortes. Quando um deles consegue jogar o oponente de costas ao chão, o confronto termina. É sinal de que subjugara o adversário. Se continuar dilacerando o perdedor, pode ser atacado pelo grupo, que se rebela contra a covardia.
Há alguns anos, biólogos e outros cientistas fizeram uma experiência com cinco chimpanzés. O resultado foi surpreendente.
Deixaram os animais confinados e famintos. Para pegar alimento, eles tinham que puxar uma corda. Isso provocava descarga elétrica em outro membro do grupo, aleatoriamente. Quando perceberam o maltrato, os símios desistiram de saciar a fome àquele preço: o sofrimento de um semelhante.
Nós, humanos?

























