Apesar de contar com nove vereadores novos, entre os seus 13 membros, a atual legislatura da Câmara de Mossoró parece que na prática não se renova. Os primeiros 80 dias de atuação da Casa são uma reprodução do que aconteceu na anterior, envolta em denúncias, censuras e pouco rendimento legislativo.
Logo no dia da posse e eleição da mesa diretora desse poder, 1º de janeiro, o vereador Jório Nogueira (PDT) acusou a existência de “negociatas” na vitória à presidência do reeleito Claudionor dos Santos (PDT). Daí por diante, o repertório de casos polêmicos é vasto e múltiplo.
Nos últimos dias, a bancada governista de dez vereadores, comandada pela novata e ex-vice-prefeita Cláudia Regina (DEM), especializou-se em barrar toda proposição que vise fiscalizar atos do executivo.
Um simples pedido para apresentação de relatório quanto aos veículos alugados pelo município, terminou rejeitado de forma esmagadora.
Noutra vertente, pipocou denúncia de uma licitação guardada a sete chaves, para aluguel de 13 carros e 26 motos. Valor: R$ 500 mil. São veículos que ficarão à disposição de cada vereador, para atendimento aos respectivos gabinetes.
A concorrência foi confirmada, mas com nota da presidência da Casa, dizendo que não haverá aumento nas despesas da casa. Ou seja, uma incongruência e agressão à matemática. Insulto à inteligência alheia.
SOCIEDADE
“Nós estamos atentos, mas não podemos agir sem provas. No caso dos veículos, tudo indica que a licitação está correta. Talvez seja censurável o procedimento de locação de tantos veículos, mas isso é uma questão que a própria sociedade deve avaliar”, comenta o promotor da 11ª Promotoria do Patrimônio Público, Eduardo Medeiros (na foto).
A presidência também foi rápida em promover uma “reforma e restauração” do prédio, alugado, da câmara. Vazou informação de procedimento irregular quanto a datas da licitação. A explicação da câmara é de que os dados tinham sido alterados por um “hacker” (anônimo que sabota sistemas na Internet).
Apesar de apontar essa justificativa, não houve denúncia formal à polícia do suposto crime, não obstante a gravidade da questão.
Outra decisão estranha está na mudança de todos os equipamentos de condicionador de ar do prédio-sede da câmara. A negociação está sob suspeição.
O procedimento teria sido tomado mesmo antes de uma licitação, beneficiando empresa em que aparece como sócio o filho de um vereador.
O leque de situações nebulosas não pára por aí. Há disponibilidade para uso de R$ 200 mil reais no atual exercício, para utilização por vereadores e assessores, a título de diárias. Ou seja, R$ 16.666,67 ao mês.
De quebra, essa mesma legislatura tem na gaveta um projeto de resolução para ressuscitar a faculdade à reeleição à presidência da câmara. Assim, o atual presidente Claudionor dos Santos pavimenta caminho para completar a legislatura com mais dois anos no cargo.
Como se vê, tudo continua como dantes, no quartel de Abrantes.

























