O lengalenga em torno da criação de novos partidos, no Congresso Nacional, esconde uma razão mais forte do que o aparente zelo por nosso sistema partidário. É fácil de ser entendido.
Os grandes partidos não querem evitar o surgimento de siglas de aluguel, até porque eles se beneficiam desse negócio a cada eleição. A motivação é outra.
O esforço é para que seja mantida uma espécie de “reserva de mercado” partidário.
Ao contrário do que ocorre em democracias avançadas, em que os partidos são fundamentais ao sistema, aglomerando pessoas com a mesma identificação ideológica, interesses, perfís etc., na pátria amada é diferente.
Partido tem dono.
Há algumas décadas, o comum era se proclamar que “fulano pertence a partido tal”. De uns tempos para cá, a regência é outra: “Sicrano é dono do partido.”
Por isso não temos avanço algum no modelo partidário e nossa democracia continua frágil, com poucos personagens pontificando e quase nenhuma boa novidade.
Os donos dos partidos, os grandes partidos, não querem mais concorrência.